16 de dezembro de 2009

Os dias difíceis do mês...

... de Dezembro.
É todos os anos mais ou menos o mesmo. Uma espécie de síndroma pré-natalício.
O que me apetecia mesmo era hibernar. Ou melhor, veranear. Ir para um qualquer sítio, mais a sul. Mais azul.

27 de novembro de 2009

Sotaina oculta

As notícias trouxeram à luz o que já se sabia há vários anos. Os altos responsáveis da igreja católica da Irlanda ocultaram continuados abusos sexuais de padres a crianças de quem deviam cuidar. A recorrência com que esta gente "temente a deus" tem perpetrado impunemente estes crimes, dá que pensar. Serão os seminários verdadeiras escolas de pedofilia?
Mas o que me inquieta mais é a ocultação sistemática dos mais altos responsáveis da igreja católica, Vaticano incluído. Já aconteceu em larga escala há anos nos Estados Unidos e concluiu-se que havia relatórios retidos, desaparecidos e alterados, ao que parece com a própria conivência papal com um crime hediondo.
Se isto acontecesse numa outra organização qualquer não haveria dúvidas de que estávamos perante uma associação criminosa. Alguém ousa pensar isso da igreja católica?
Não me venham dizer que sou intolerante. Uma organização que pactua com a pedofilia e protege os predadores sexuais é que é intolerável.

15 de novembro de 2009

Teorias (II)


Há dias, no meio de um texto tropecei nuns gravetos de uma teoria com um nome intrigante. Assim, apenas pelo seu nome bootstrap theory pouco se fica a saber, e bem tentei capturar o significado da expressão e tentar arranjar uma equivalente em português. Em vão. Apenas consegui dar mais umas marteladas na autoestima e acrescentar mais uns quilómetros ao infinito da minha ignorância. Mas, pronto, isto tem sempre um lado positivo ( a gente tem que sobreviver de qualquer modo à depressão súbita) e tomei consciência de quão ignorante sou em matéria de física quântica, sistemas informáticos, estatística, filosofia, sociologia, economia, e até (vejam bem) em estratégias para vencer na vida.

Pelo que li e vi e pensei (sem ser necessariamente por esta ordem ou outra qualquer) o termo bootsrap presta-se às mais diversas metáforas. Bootstrap é (num dos muitos significados) o nome daquela espécie de argola em couro que algumas botas têm e que serve para enfiar o dedo, puxar e ajudar a calçar. Em português também tem um nome. Chama-se aselha, uma pequesa asa. Aselha é também o que na gíria se chama a um indivíduo parco de habilidades, enrascado, labrego, totó. Quanto à teoria, fazendo uma síntese de toda esta profícua investigação acho que ficaria bem, até do ponto vista cultural, como teoria do desenrasca.

Não sei. Talvez até seja bem mais aselha do que penso. Mas há-de haver alguma explicação para o facto de um taxista na Suíça ter contas bancárias milionárias e um negociante de sucata oferecer mercedes pelo natal aos amigos.





12 de novembro de 2009

Em Bragança não há gaivotas

Por acaso jantava uma alheira. A televisão ligada já tinha mostrado todas as faces mais ou menos ocultas dos corruptos aos magistrados e futeboleiros. Parece que há sempre algo oculto nas faces das notícias, mas às vezes também se descobrem faces iluminadas na sua simplicidade.
Na SIC, passava um conjunto de reportagens chamado "Histórias com gente dentro". Aí cruzavam-se vidas de pessoas simples como os turistas séniores que vão nas excursões por animadas por pezinhos de dança, ou como a mulher do carroussel de feira a quem já só faltava ir à lua. Quase não tinha ido à escola, mas tinha aprendido o suficiente para a sua vida de feiras. E também uma pastora transmontana que tratava as suas ovelhas pelo nome, Boneca, Galinha, Sineta... e elas vinham lamber-lhe as mãos como se fosse um cumprimento habitual. Esta pastora tem 29 anos e nunca tinha visto o mar, nem andado de comboio ou ido a Lisboa. O programa proporcionou-lhe essa viagem. No seu encontro com o mar, que só conhecia pela televisão, às tantas pergunta Aquilo é uma gaivota? Em Bragança não há gaivotas...
Pois, parece que não. Há águias e sonhos.


Fui à SIC Online e trago de lá um link para outras estórias de saltar muros. Se calhar vai dar à rua dos 90.

5 de novembro de 2009

Cruzes

Daqui a nada também vão querer eliminar o sinal "+" em Matemática, porque é uma cruz que pode ofender os das religiões que não têm cruz nenhuma.
Ironia (fica-lhe bem) do porta-voz da Conferência Episcopal- Manuel Marujão

Ainda mal assentou a poeira da bíblia segundo Saramago e já outra maior se alevanta: a reacção dos funcionários do Vaticano à ordem de retirada dos símbolos religiosos das salas de aula nas escolas públicas.
Devo dizer que andei numa escola pública que tinha um crucifixo entre uma fotografia de Oliveira Salazar e outra de Américo Thomaz e tinha a visita semanal do padre Octávio que vinha dar Moral e Religião, disciplina obrigatória, com livro próprio e tudo, vendido pelo próprio padre.
Deu no que deu. Para além de começar desde cedo a trocadilhar o nome à disciplina para ReligiãoImoral, recusar-me a comprar o livro (e apanhar depois uns chapadões de deixar a cara a arder durante meia hora quando a minha mãe foi chamada à escola), acabou por fazer de mim ateu, praticante e anticlerical.
Acho graça ao discurso dos padres quando se lhes toca no que julgam ser os seus domínios, mas que na realidade são domínios públicos num estado de direito, não confessional. Não me conformo com a arrogância com que tratam "as ovelhas tresmalhadas" como se os não crentes sofressem de qualquer deficiência. Não aceito a invocação da liberdade religiosa da parte de quem sempre abusou de toda a liberdade cívica para impor a toda uma sociedade os seus princípios, geralmente restritivos da liberdade e da autodeterminação.
Também não deixa de ser interessante, para uma organização que não se deixa questionar sobre práticas criminosas com as quais convive e muito pactua (os inúmeros casos de abuso sexual de menores por parte de membros da igreja) venha agora a correr dizer que é preciso discutir mais e amplamente a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. É preciso explicar a esses senhores que não é para obrigar ninguém a fazê-lo; é só uma pequena alteração na lei de modo a permitir a quem o queira que o faça.
Outra originalidade do argmento da "liberdade religiosa" destes senhores é que "uma minoria" (os não católicos ou os não crentes) não pode dizer à "maioria" como é que é. Ficamos esclarecidos sobre tolerância e liberdade.
Quero deixar claro que as minhas posições não são ditadas por intolerância religiosa. Respeito que cada um possa acreditar ou não acreditar que existe um deus ou mais. Até sou capaz de usar ideias mais ou menos místicas, do ponto de vista simbólico ou poético. O que eu não consigo tolerar é a intolerância e, sem generalizações abusivas, há, não raramente da parte de membros da igreja católica traços de intolerância que, para mim estão ao mesmo nível do racismo, da xenofobia, do fascismo. Causam-me a mesma repulsa.

Mas não quero deixar de responder à ironia de Manuel Marujão, mas desta vez em relação aos argumentos culturais e das tradições. É que Portugal é, também um país de grandes tradições de uma cultura popular (às vezes bastante brejeira) e até nos podemos pôr todos de acordo. A igreja pode ter os crucifixos nas escolas e até se pode pôr ao lado o emblema do benfica e, em contrapartida as igrejas passam a ostentar em lugar de destaque uma figura do Zé Povinho do Bordalo e, se não for pedir muito, um daqueles objectos decorativos da cerâmica tradicional das Caldas. Isso sim, é que era liberdade e tolerância religiosa.

4 de novembro de 2009

Teorias (I)

É sabido que as principais doenças dos nossos tempos, as que mais matam e mais incapacitam, seriam de certo modo evitáveis, ou sofreriam uma grande diminuição se estivéssemos dispostos a alterar os nossos hábitos em várias áreas da nossa vida. São chamadas doenças «da civilização» e também «do comportamento». Todos os anos são gastos rios de dinheiro em campanhas de efeito duvidoso para que as pessoas alterem os seus comportamentos. Faça exercício físico. Mantenha a actividade intelectual. Coma fruta. Na hora da refeição, desligue a televisão. Reduza a carne na alimentação. Atravesse na passadeira. Reduza, reutilize, recicle. Vigie a sua tensão arterial. Não fume, não beba e perca peso. Tudo prescrições sem graça nenhuma e sem qualquer interesse motivador imediato, excepção feita ao slogan do meu amigo Dinis uma por dia e nem sabes o bem que te fazia.
Mas parece que alguém se lembrou já de arranjar formas divertidas para promover alterações nos seus comportamentos. Chamam a isto Fun Theory.
Vejam este exemplo e comecem já a pensar noutros. Também aqui, imaginação é poder.

2 de novembro de 2009

Cinéma



Fui ver os dois últimos filmes da festa do cinema francês. Dois, assim de seguida.
Mas não é a mesma coisa...
Sempre gostei do cinema francês que infelizmente passa pouco no circuito comercial das pipocas. Aprendi a ver cinema em francês. Como gosto da língua, habituei-me a quase não ler as legendas e ver muito mais filme.
Mais ce n'est pas comme d'habitude...
Um bom filme é muito melhor de mão dada e, mesmo quando somos capazes de perder uma ou outra cena do ecran, se calhar ganhamos a melhor parte do filme.
É que... um filme é quase sempre feito de vários filmes e parte-se em partes e apura-se em remakes.
Mas isso é mais quando estamos acompanhados no escuro, de mãos dadas e sentimos as vibrações um do outro e os olhos molhados quando calha.
Sozinho, é mesmo outra coisa.
Saudades, é o que é.

22 de outubro de 2009

A revelação

Ai Jesus que o Saramago, blasfemo e comunista, anda a dizer da bíblia o que o diabo nunca disse da cruz, pelo menos quanto se sabe, por uma leitura mais ou menos atravessada do sagrado e idolatrado livro dos livros na opinião dos cristãos, incluindo aqueles que dele nunca leram sequer uma linha, para não dizer um versículo que é a taxonomia usada em documentos tais, para designar parágrafos mais ou menos curtos onde, na maior parte das vezes nem sequer se exprime uma ideia completa, ai Jesus, vá de retro Saramago, que o povo ainda começa a ler a bíblia sem o auxílio dos tradutores oficiais e sem os explicadores de catequese e ainda descobre que a coisa é bem mais do que redutoramente diz o nobel, e bem mais do que nos contam os doutrinadores, porque também há lá muita poesia e muita loucura e se a gente lê aquilo com espírito aberto, também se arrisca a sair de lá mais rico de espírito e chegar à iluminada conclusão de que as escritas têm tanto de sagrado como o cancioneiro de Rodney Galop, e tal como este podem ser tocadas, retocadas, parodiadas e etc e tal e quem diz o contrário é soberba e divinamente parvo.

É por isto que admiro o Saramago. Tentei escrever um parágrafo à laia dele e fiquei cansado para uns bons dias. E depois dizem-me que eu escrevo pouco e mais não-sei-quê. Mas é por isso. Simplesmente. Se eu fosse a escrever o que quero e como gosto ficaria muito cansado. Só de pensar nisso já é o que é. Por isso é que escrevo pouco.

Mas esta parva polémica que tanto anima as sacristias e as televisões também me espevita a verve.
Para mim, o que está em causa não é o que Saramago diz e com o qual até posso não concordar. O que está em causa é poder dizê-lo. Poder dizê-lo com a mesma displicência ou arrogância com que muitos dos agora ofendidos dizem, referindo-se à sua obra, Saramago é uma merda. Já o ouvi várias vezes, sabendo que quem o diz, ao contrário do que Saramago faz em relação à bíblia, não leu nada dele. Mesmo assim, não se coibem de tecer considerações formais sobre a escrita, a pontuação, etc.

Eu já li uma boa parte dos livros que constituem a bíblia. Já li um quase tratado sobre a leitura da bíblia - A leitura infinita, do padre e poeta José Tolentino de Mendonça - e quanto mais leio, mais me interrogo sobre o fenómeno que constitui a crença religiosa. Interrogo-me se os crentes lerão o mesmo que eu. Só consigo ver ali um repositório de histórias, algumas interessantíssimas outras absolutamente imbecis, outras de uma extraordinária fantasia.
Gosto particularmente do Livro de Salomão, cântico de amor que me parece ser o arquétipo da poesia amorosa retomado ao longo dos tempos. Também me diverte o delírio fantasioso que é o Apocalipse, segundo S. João. Dizem os entendidos que apocalipse significa revelação. Vale a pena ler. É talvez o mais fiel testemunho de que já em tempos muito recuados havia quem se entregasse ao uso de determinadas substâncias alucinogénias. Consta que uma determinada espécie vegetal , cultivada há mais de quatro mil e quinhentos anos ali para o médio oriente teria um teor de THC especialmente elevado. A avaliar pela fama que há uns anos tinha o chamon libanês, talvez seja assim mesmo.

21 de outubro de 2009

Novo governo

Podemos ficar descansados.
Até ao fim da semana vai haver novo governo.
José Sócrates está a esforçar-se para apresentar os novos ministros antes do fim do Gato Fedorento

14 de outubro de 2009

Desgraça moura

Imagem daqui

Às vezes ainda me surpreendo por me surpreender.

Depois de ouvir isto, também sou de opinião que o inepto também devia ser impedido, assim por uma forma pouco recomendável, a escrever poesia, que por acaso é uma coisa que ele faz bem.
Devia ser proibido.
É que isso é incompatível com tanta imbecilidade, tanta labreguice e tanta desonestidade intelectual.

Para que não restem dúvidas, nem sequer votei em quem ganhou e vai formar governo, mas mandam as regras da democracia que se aceitem os resultados.

O povo votou e o partido mais votado constitui governo e vai ter que governar. Para seu e nosso castigo. O parlamento eleito é, talvez até hoje, aquele com mais potencialidades para controlar com eficácia o exercício do poder. O que eu espero é que cada uma das instâncias cumpra o seu papel.

O Vasco não. Quer derrubar já um governo que ainda não existe. Fica-lhe bem.

Pois eu só lhe desejo que um dia, se acontecer o seu PSD ganhar as eleições, ele seja convidado para exercer o cargo de ministro da educação, ou coisa parecida. Mas como não sou de querer assim tão mal a ninguém, deixemo-lo apenas com esta praga que em tempos ouvi a gentes de Alvor:

prouvera deuj lhe desse uma terçã tã forte nésse cu que 'tvesse quinze diaj sim cagar i q'onde cagosse, cagosse figues de pita enteroj

Merecia.

7 de outubro de 2009

Três vezes mais


Hoje é o dia internacional de gosto tanto de te beijar na praia.

29 de setembro de 2009

Vulner(in)abilidades

O meu sistema tem também de facto algumas vulnerabilidades.
Não se aguenta com a vergonha de ter tal espécie em presidente do meu país.

Tição

Um cavaco queimado é um tição. E tição é coisa perigosa: pode incendiar tudo.

Cavaco falou e como eu previa não clarificou nada do que se estava à espera. Não se percebe o que é que ele pretende com tanta asneira, com tanta irresponsabilidade. Veio trazer mais uma acha (cavaco) para a fogueira.

O Daniel Oliveira escreve no Arrastão:
Das duas uma: ou Cavaco Silva está a ser sincero em toda esta novela e então o seu grau de paranóia é bem superior ao que se julgava; ou está a tentar manipular opinião pública num assunto de uma enorme gravidade e teremos de concluir que o país colocou em Belém um homem perigoso.

Pode ser. Mas também pode ser que esteja a criar o caldo de cultura para indigitar a Manuela para formar governo com o CDS. As declarações destes dois partidos não deixam muitas dúvidas de que se estão a pôr a jeito.
Se assim for, é um verdadeiro golpe de estado e devemos vir todos para a rua correr com essa corja.
À pedrada, se necessário.

28 de setembro de 2009

Afinal ganharam todos

É costume, na noite eleitoral, cada partido fazer os mais variados contorcionismos e vir dizer-se vencedor em qualquer coisa. Para além dos que realmente ganham, porque têm mais votos, mais deputados e por aí, todos nos habituaram a proclamar alguma espécie de vitória, porque, mesmo perdendo ficaram à frente do outro, elegeram um deputado no distrito X, ainda que perdendo dois ou três no distrito Y, Z ou W.
Mas desta vez foi mesmo a sério. Ganharam todos.
O PS ganhou as eleições por ser o que obteve mais votos e mais mandatos.
O BE ultrapassou os 500 mil votos e duplicou a sua votação.
O CDS passou a terceiro e chegou aos dois dígitos.
A CDU aumentou a votação e ganhou um deputado.
O PSD que todos pensam que perdeu, na realidade, também ganhou. Ganhou a grande oportunidade de se livrar da Manuela e enterrar de vez o cavaquismo serôdio, com o alto patrocínio do próprio Cavaco.

Ruído do Roído


imagem daqui
Dizem que é uma espécie de surdez sórdida ensaiada sob telhados de vidro e rabos de palha. O esposo da prima donna que está temporariamente a fazer as vezes de presidente da república portuguesa dos maracujás faz lembrar a anedota de um tipo que numa visita a uma fábrica de cerveja caiu dentro de um tanque da dita e, antes de se afogar veio três vezes à superfície para pedir tremoços. Este vem quebrar o silêncio para dizer que se vai manter em absoluto silêncio. E assim será até se afogar no seu próprio emunctório.
Há uns anos disse a alguém bastante devoto de sua excelência que ainda estariam por fazer as contas dos prejuízos que Cavaco já tinha provocado ao país e à democracia. Quando foi eleito para Presidente da República, senti vergonha e vontade de pedir a demissão de português. Sempre soube que o homem não tem nível nenhum e não votaria nele nem para a administração do condomínio.
Com tudo o que tem acontecido está tudo à espera que Cavaco fale. Que explique os imbróglios em que se tem metido e os que tem encomendado. Para já não falar na sua proximidade ao Bando Português de Negócios manhosos donde retirou lucros mais avultados do que o alegado suborno do Freeport dividido por todos os suspeitos (familiares também incluídos). Está tudo à espera que o senhor fale, eu não. O escândalo é tão óbvio que não são necessárias escutas, nem óculos para 3D, nem nariz de longo alcance. A coisa é tão ruidosa; tão claramente visível; cheira tão mal... que o melhor é mesmo não mexer.
A única coisa que poderia dizer ao país era pedir desculpa aos que o elegeram e ainda acreditam nele e resignar ao cargo.

Não sei o que é que a nossa constituição prevê em termos da destituição do cargo de Presidente da República; se há em Portugal alguma espécie de impeachment, ou como se traduz em português este processo.
Cavaco já ofendeu tanto o cargo que ocupa que se arrisca a provar que qualquer galo de barcelos acompanhado de um chalavar de caranguejos desempenharia melhor aquele papel e as instituições funcionariam regularmente, mais veto menos veto, ao sabor dos ventos e das marés na sua ordem natural.
Na minha modesta opinião devia ser destituído através de um processo de impeachment.
Fica-me apenas uma dúvida de tradução: não sei se devia ser "empessegado" se "empichado".

Pausa de semibreve.

26 de setembro de 2009

De votos

Ainda estás indeciso e não sabes em quem votar?




Don't worry

BE

happy

2 de setembro de 2009

Prova de vida




Vim só dizer que...






... qualquer notícia sobre o eventual desaparecimento ou morte do Contador


é, obviamente, muito exagerada.


Fotos (de telemóvel) obtidas no concerto de Emir Kusturika + No Smoking Orchestra, no passado sábado, na marina de Albufeira. Uma verdadeira loucura onde o Kusturika, seriamente, finge que toca.

15 de julho de 2009

Méquecoisa...

O senhor de suspensórios e boné à lavrador avançava à minha frente na caixa do supermercado ao ritmo do tapete rolante. Nenhum de nós se preocupou em separa o monte de meia dúzia compras com aquela barra "cliente seguinte" de modo que elas lá iam avançando. O senhor, aproximadamente com a idade do meu pai, porte muito direito, fez várias rotações de quase 180 graus, varrendo o horizonte como se fosse um farol. Já a senhora da caixa debitava o maquinal "tem cartão jumbo?" quando ele se vira para mim o que isto mudou em vinte anos! Era tão evidente que se dirigia a mim e respondi-lhe com cordialidade sim, sim... mudou muito. E ele insiste Faro mudou muito, isto aqui era tudo campo. Há cinquenta anos... a senhora da caixa anuncia o valor a pagar e ele entrega-lhe o cartão, marca o código sem nunca parar de falar. Sabe, eu andei muitos anos lá pelas américas e a coisa que mais gostava de admirar eram os grandes centros comerciais. Ele parecia procurar sinais do meu interesse pelo assunto, ao que eu moderadamente ia correspondendo. Por cá não havia nada parecido. Eu lá ia concordando, que sim, enquanto as minhas compras iam passando com apitos no leitor do código de barras. Mas agora quero-lhe dizer uma coisa, continuou, vir aqui e não comer um Biguemque é como ir a Roma e não ver o papa. E lá seguiu com os seus dois sacos na mão.
Enquanto aguardava a saída do talão ainda pensei que o devia ter convidado era para um xarém com irozes fritas e pedir-lhe para acabar a história que tinha começado, sobre o indivíduo que era o dono daqueles terrenos que iam dali até ao Alto de Rhodes e que era construtor de carroças e um dos homens mais ricos das redondezas.
Talvez tivéssemos perdido os dois uma bela oportunidade de fazer o gosto à conversa. E é já tão raro acontecer conversa. Mas, um Biguemeque...

14 de julho de 2009

Googlando a minha rua



Confesso. Sou um verdadeiro googlómano.


Sempre gostei de saber coisas. Todas as coisas, mesmo as mais inúteis.


Tenho uma curiosidade quase doentia por palavras, o seu significado, a sua origem. Igual curiosidade por saber onde ficam os lugares, como são as paisagens, como se vai para lá.


Dantes consultava dicionários, enciclopédias, mapas. Agora, num clique, o google dá-nos quase tudo.


O Google maps já tem para muitas cidades uma opção "vista de rua". Ontem tive oportunidade de ver como isso se faz. Chamou-me a a atenção uma viatura com um zingarelho às costas a andar de um lado para o outro. Só quando passou por mim é que reparei no autocolante na porta.


Daqui a uns tempos até sou capaz de aparecer, na minha rua de máquina fotográfica apontada.
Afinal há um número incontável e maior do que todas as coisas contáveis que existem.
Chama-se googol, nome inventado por um puto de nove anos para designar o número 1 seguido de 100 zeros.



3 de julho de 2009

Arenas epistémicas *

Resisto à republicação aqui da célebre imagem do ministro Pinho . Ela valha mais que as mil palavras que eu pudesse escrever sobre o assunto. Ainda, tentarei escrever algumas em jeito de contrapeso.
O ministro Pinho diz de si próprio que não é um político profissional e isso a gente já sabia. Falta-lhe aquele jeitinho especial para insultar os seus pares dentro das regras protocolares e a seguir vamos almoçar todos juntos e não se fala mais nisso. Políticos profissionais não se expõem assim e, mesmo quando o fazem há sempre uma cobertura desculpabilizante ou atenuante. Cavaco pode defender o gangue da banca, Manuela pode proferir as maiores tangas sobre a PT, o Citigroup, Jardim pode insulatar todo o "contenente", para só falar de alguns, que isso não fará mossa política. Dois deputados, em plena sessão, podem desafiar-se para resolverem as coisas "lá fora" (entenda-se, à porrada) e continuarem como se nada fosse e a fazerem parte de novo das listas porque as brumas da memória são verdadeiras muralhas de aço e já ninguém se lembrará. Santana fez a figura que fez na Câmara de Lisboa e como primeiro ministro e aí está de novo candidato à mesma autarquia numa espécie de virgindade recauchutada.
A imagem do ministro ontem no parlamento ficará gravada na memória e sempre que ele aparecer na política ela será reeditada. Dificilmente será chamado ao desempenho de um cargo político relevante.
Fiquei a pensar que se fosse assim para todos, se houvesse uma imagem tão forte como a do Pinho de indicadores espetados, ou da anedota do alumínio do Borrego, muitos dos políticos que por aí andam, e que muito mais mal já fizeram à coisa pública do que estes infelizes que foram obrigados a demitir-se, já estariam a fazer outra coisa ou simplesmente a viver dos rendimentos.
Paulo Portas daria seguramente um bom técnico de reprografia depois das 60 mil fotocópias à saída de ministro da defesa; Cavaco devia ter continuado a multiplicar as suas poupanças enquanto os amigos estavam todos no BPN/SLN e isso dava-lhe para uma vida desafogada sem essa maçada de ser PR e correr o risco de cada vez que abre a boca ter que evitar que entre mosca; Ferreira Leite fazia uma joint venture com o Citigroup e a taróloga Maya e abria uma tenda de consultoria financeira, quirologia, curas milagrosas e previsão meteorológica que são actividades nas quais se pode dizer o que vem à cabeça sem que se possa comprovar que se mentiu. E aceito sugestões para empregar condignamente mais uns quantos.

O ministro da economia, provavelmente não tinha muitos indicadores económicos para mostrar. Mas o seu gesto releva de um profundidade e dum saber imenso. Sem discursos sobre a política da verdade, ele é, e traduz, a verdade da política.
Ele mostra os indicadores do real estado da nação: uma verdadeira tourada!

Notícias de última hora dão conta de que a Associação Animal já convocou uma manif de protesto contra as touradas na Assembleia da República e a empresa Unilever (grupo Jerónimo Martins), em reconhecimento pelo extraordinário aumento de vendas de farinha Maizena motivado por Pinho, atribui-lhe um lugar de membro honorário no Conselho de Marketing e Publicidade Disfarçada


*Este título não tem nada a ver com as teorias com esse nome desenvolvidas por Knorr-Cetina... ou talvez tenha; há mais ciência política num simples gesto que em muitas horas de discussão par(a)lamentar.

26 de junho de 2009

In dubio... pronúncia


O professor criticava, na ausência da própria, uma aluna em termos exageradamente sarcásticos, apenas porque tinha pronunciado Curriculum Vitae como "currículum vite" e não como "currículum vitái", como ele achava correcto. Eu não tenho idade suficiente para alguma vez ter ouvido falar latim pelos genuínos falantes, mas lembrava-me de ter lido algures sobre uma espécie de convenção dos latinistas sobre fonética do latim e sobre as diferenças entre o latim clássico e o latim restaurado, pelo que logo ali fiquei com imensas dúvidas sobre as certezas daquele professor. Parece que também cada língua adopta a sua fonética (por exemplo, o termo latino media dizia-se média em português e cada vez se adopta mais a pronúncia - e até a grafia - mídia, porque é assim que os ingleses lêem). Mas, como costumava ouvir a um amigo meu, milium primum pardalorum est, deixei-me ficar com o ninho atrás da orelha e, logo que pude, fui tentar esclarecer a coisa.
Pois até dizem que é uma espécie de despautério (termo que vem do latim e significa grande asneira ou verdadeiro disparate).

De acordo com a pronúncia tradicional, curriculum vitae pronuncia-se currículum víte, e é esta que deve preferir-se. Pretender impor a articulação vítai (ou mesmo wítai), de acordo com a pronúncia restaurada, parece-me um exagero ou mesmo um pretensiosismo tão grande como seria exigir que se pronunciasse etc. (et cetera) da mesma forma que os romanos do tempo de Cícero: et kétera…
Também é de evitar a prolação vitái, como às vezes se ouve por aí, pois essa nem é tradicional nem clássica. É apenas um despautério…



A minha amiga Xantipa que trata gregos e romanos por tu é que certamente sabe e ainda lhe hei-de perguntar das suas razões.
O latim é uma língua morta e não dará voltas no túmulo se a gente não a pronunciar bem. Portanto para mim estão empatados, ou seja, ex-aequo ( aquele prof dirá ,seguramente, egzaikuo) e tanto faz. Até estou em crer que os latinos nortenhos pronunciariam, de certeza, currículom bite, carago!


Desde que ouvi uma vez um jornalista dizer que um determinado acontecimento tinha sido adiado "sáine dáie", já acho que tudo é possível.

23 de junho de 2009

Pedalanço






Andar de bicicleta na ponte é uma experiência extraordinária. Poder parar, olhar o Tejo, admirar a cidade, as duas margens, observar os mariscadores, as aves... Beijar a meio do tabuleiro da ponte faria o Vasco da Gama arregalar os olhos e cofiar a longa barba. Esta experiência vale os 60 euros e o levantar cedo.


O resto, não. A qualidade das bicicletas (talvez porque montadas à pressa e mal afinadas), a ausência de mais apoio técnico ao longo do percurso, quando as bicicletas se começam a desconjuntar, a intoxicação publicitária e o inenarrável speaker.


A iniciativa é interessante, tem o apoio do IDT, cuja mensagem se perde completamente. É pena que não prevaleça uma associação mais forte a uma ideia de vida saúdável, de respeito pela natureza, de sustentabilidade ambiental.


O que vale é que a gente com quem me cruzei nesta manhã parece não ligar patavina às marcas patrocinadoras e lá vai bem disposta e partilhando o prazer desta aventura. A mochila diz galp, mas a gente a seguir vai é abastecer ao jumbo e pronto.

Ai, um beijo na ponte...

Pedala que ped'alma (desculpa lá esta O'Neil)

20 de junho de 2009

Solestício

Previsões para amanhã:
Onda de calor na Amareleja e Bike Tour na ponte.

10 de junho de 2009

Ainda as europeias

Estive para titular este post como O ovo da serpente, o célebre filme de Bergam de 1977, sobre os sinais promonitórios do nazismo na Alemanha do pós-I Guerra Mundial. Só não o fiz porque ao pesquisar sobre o filme o Google devolveu-me, entre imensas outras alusões e títulos, um do Miguel Portas, muito recente e um outro mais antigo do "abominável César das Neves" e perdi a vontade a essa metáfora.
Ainda assim, e porque isto anda tudo ligado, mesmo que às vezes não entenda muito bem a cosa.
Ah, hoje era sobre as eleições para o parlamento europeu que decorreram no domingo. Decorreram bem, sim senhor, porque o presidente Cavaco em boa hora veio uns dias antes lembrar os portugueses que deveria estar bom tempo (ao contrário do que anunciava a meteorologia) e que na semana a seguir havia dois feriados seguidos e, embora não tivesse sugerido propriamente que dois ou três dias por conta do período de férias teriam um efeito multiplicador, os portugueses entenderam muito bem e aproveitaram a dica. O resto também ajudou. Europa? Ainda se fosse o europeu de futebol!...
Mas o que eu queria aqui deixar registado era outra coisa. Na noite eleitoral, já depois de se saber que o PSD tinha mais votos e o lipidinoso Rangel destilava vingança misturada com o que aprecia ser um programa político para o país, pondo-se em bicos de pés como se tivesse vencido as legislativas, impressionou-me a moldura juvenil que o cercava. De repente tive a sensação de já ter visto aquilo. As mesmas caras de parvo, as mesmas camisas às riscas metidas em calcinha bege de algodão... Estes jovens betinhos são os filhos dos betinhos da AD dos anos 80! Só têm de diferente aquelas lenga-lengas que caracterizam os (outros) hooligans da bola.
Quem viveu esse tempo reconhece os sinais.

2 de junho de 2009

As bestas, novamente

Imagem apanhada aqui


Há dias ouvi por aí nas notícias que alguém da igreja do vaticano teria dito algo como: o aborto é muito mais grave que os abusos sexuais de menores. Não tinha percebido bem o contexto em que tão absurda declaração era emitida, mas fiquei, até hoje, com a pulga atrás da orelha e fui procurar. Estes vermes de sotaina não fazem por menos: em meia dúzia de palavras querem branquear décadas de pedofilia nos colégios católicos irlandeses e combater o projecto de lei do governo espanhol sobre o aborto.


A besta chama-se António Cañizares Llovera e é cardeal. Mas podia ser qualquer um das centenas que ao longo dos anos abusaram de crianças que era suposto proteger, barraram investigações, sonegaram informação, queimaram relatórios, esconderam criminosos, durante muitos anos e em diversos países do mundo.
Daqui a muitos anos há-de vir aí um papa qualquer coisa XXVII pedir perdão ao mundo sobre estes pecados, mas isso não muda a vida das vítimas de abuso que continuam expostos a estes predadores.
É preciso dizer-lhes na cara que o abuso pedófilo é crime. E que, nas circunstâncias em que é perpetrado pelos membros da igreja católica, devia ser considerado crime contra a humanidade. As vítimas são frequentemente crianças já em estado de necessidade, ou aquelas cujas famílias as confiam a uma instituição que respeitam para lhes proporcionar o que julgam ser uma melhor educação.

Revolta-me que esta gente untuosa ande por aí impune e ainda tenha o desplante de vomitar estas baboseiras. Ao menos calem-se. Se quiserem, rezem. De preferência baixinho.

31 de maio de 2009

Nós, europeus. Nós cegos. Noz moscada

As eleições para o parlamento europeu poderão não reforçar a influência de Portugal em Bruxelas e Estrasburgo ou em Quelque-Chose-sur-Mer, mas já trouxeram um enriquecimento súbito (ai, o enriquecimento súbito!...) se não ao português, pelo menos ao politiquês de Portugal.
O candidato que já ganhou foi sem dúvida o Vital. E não me refiro apenas ao uso, com toda a propriedade, aliás, do termo "roubalheira", cujo significado transcende o normal - e parece que bem tolerado - roubo, mas faço. "Roubalheira" é uma verdadeira especialidade portuguesa e nem sei se há equivalente noutras línguas (assim como "saudade"). "Roubalheira" não é roubo, nem furto, nem apropriação do alheio porque isso é crime e, embora também se faça muito, procura-se que ninguém saiba. "Roubalheira" é roubar às claras, com manifesto sentido de impunidade. Num sentido mais popular, será roubar com "as costas quentes" ou ainda, roubar sem "ficar encavacado" que o mesmo é dizer, sem pinga de vergonha.
Mas este enriquecimento súbito (ai, outra vez o enriquecimento súbito...) não se fica por aqui, assim "chirleamente" ou "pedestremente". O verdadeiro euromilhões, o jé-que-pote de toda a campanha, o tempero que faltava ao charco de água chirla do discurso político é mesmo o uso do termo "tranquibérnias".
Outros países, estados membros da União terão as suas traquibérnias, mas duvido que até aqui algum deputado europeu as soubesse designar correctamente.
Acertastes-lhes no nó vital. Quase dez, a bem dizer...

tranquibérnia
s. f.
1. Mixórdia feita aos líquidos de venda para lhes aumentar a quantidade.
2. Negócio de má-fé.
3. Trapalhada; trampolinice; falcatrua; fraude; burla.

18 de maio de 2009

Bendito Mário!

Morrer é nada. Uma basfémia diletante de um procuro e não te encontro. Frente ao mar. Sempre frente ao mar a escrever estratégias na areia burocrática. Uma mulher despida no escuro ou um vice versa pequeno-burguês.
Aprenderei a dizer-te bem. O melhor que puder.

Mário Benedetti, poeta uruguaio "desexilado", faleceu ontem em Montevideo

Si Dios fuera una mujer
¿y si Dios fuera una mujer?
-Juan Gelman

¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,
vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas.

Tal vez nos acercáramos a su divina desnudez
para besar sus pies no de bronce,
su pubis no de piedra,
sus pechos no de mármol,
sus labios no de yeso.

Si Dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos SIDA o pánico
nos contagiaría su inmortalidad.

Si Dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos,
sino que nos aguardaría en el zaguán del infierno,
con sus brazos no cerrados,
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles.

Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia.

17 de maio de 2009

Brincar café

A senhora de Fátima encontrou-se com o Cristo Rei. Foram fazer pastorinhos.

O Cristiano Ronaldo em cima de um andor também enchia o Terreiro do Paço.

13 de maio de 2009

Os meninos (escravos) da bola

Foto captada no que parece ser o site oficial da família Gonçalves

Acabei de ver na RTP1 uma reportagem perturbadora. Imagino que muita gente terá visto e entre eles, especialistas de saúde mental infantil, juristas, magistrados, membros das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e, no meu imaginar, amanhã alguma destas pessoas terá abordado estes pais no sentido de salvar estes gémeos de sete anos e, eventualmente, a mãe.
Há momentos impressionantes nesta reportagem, e dois que persistem a atormentar-me a memória. À pergunta sobre o que gostava de fazer para além do futebol, um dos miúdos procura aflito com o olhar no vazio, no chão, uma resposta que não tem. Ainda pede um bocadinho para pensar e, depois de um penoso silêncio acaba por dizer: jogar à baliza, fazer fintas, marcar cantos... O outro momento é o olhar da mãe no seu silêncio obediente. É um olhar inerte. Tanto pode revelar uma angústia recalcada todos os dias como a distracção de um pensamento fútil, do género se calhar devia ter escolhido outra roupa para aparecer na televisão... ou o meu cabelo estará bem?
Um pai que se traveste de mister e manda os filhos encher quando falham um lance ou perdem o domínio da bola, precisa, no mínimo, que alguém com autoridade lhe diga que o que está a fazer pode considerar-se como sevícias e maus tratos e negação do pleno desenvolvimento a que todas as crianças têm direito. O que se passa aqui não difere muito do trabalho infantil de Padre padrone (1977) num remake dos tempos modernos.
Há psicopatas que disfarçam melhor.





12 de maio de 2009

Pressões de ar (*)

Afinal, parece que os magistrados são pressionáveis. E o mais curioso é serem eles próprios a dizê-lo. Não sei bem de que pressão se trata, se é atmosférica e anticiclónica ou se, sendo baixa é como a dos pneus. Agora temos o caso (chamado) Freeport na pneumologia depois de ter passado pela terapia da fala por causa daquele "t" que às vezes emudece.
Agora é oficial. Houve mesmo pressões. Ouvi nas notícias. Não sei bem como foi (o meu acesso às fugas de informação é muito limitado, apesar do Meo me oferecer o canal do Benfica em sinal aberto), mas arrisco um cenário bastante plausível.
Para aí a três quartos do almoço, naquele momento em que a segunda garrafa de Pera Manca se encontra naquela ambiguidade jurídica de estar meia cheia e meia vazia, o magistrado pressionador diz assim para o magistrado pressionado:
- sabes como isto está, não é?... a crise, e tal.... ouvi dizer que há contratos que não vão ser renovados, sabes como é?...
- já percebi, pá... é para arquivar aquilo, não é?
Deve ter sido assim. Não estou a ver como poderia ter sido de outra maneira. A não ser... ná, não acredito...
- ou arquivas aquela trampa, ou fica toda a gente a saber que a Cláudia Cardinali do parque eduardo VII és tu.
- ok. ok. manda lá vir outra garrafa e não se fala mais nisso...

Talvez até nem tenha sido nenhuma destas pressões, mas elas são impressionantes.

Agora o que eu acho é que devia haver uma grande pressão, sim senhor, para que a justiça funcione e seja célere. Se olharmos para os casos mais emblemáticos dos últimos anos, vemos que é uma desgraça total de embrulhadas, erros processuais, fugas de informação cirúrgicas... Tudo isto na completa impunidade. Ninguém avalia estes senhores.
Agoram brincam às pressões com o seu estatuto de impressionáveis.
Impressionante!



(*)Pressões de ar: são pequenas armas de recreio, utilizadas para tiro ao alvo ou para caçar pássaros. Eram também muito comuns nas feiras, nas famosas "barracas de tiro", onde por vinte cinco tostões se podia, com cinco tiros, tentar acertar num alvo que abria a porta de uma caixa donde saltava um boneco preso por um elástico. O prémio era era uma ginginha falsificada, mas não seria isso que levava lá os homens e os rapazes da minha idade. Eram as meninas de lábios pintados de vermelho que não se cansavam de lançar o famoso (na época) pregão "ó simpático, vai um tirinho?"

6 de maio de 2009

maio, maduro maio

Azibo, 3 de Maio

Terras de Trás-os-Montes: quilómetros de prazer (*).

As viagens são sempre descobertas. Talvez porque sejam sobretudo viagens por dentro de nós.
Encontramo-nos com gente tão igual e tão diferente de outra gente e as conversas misturam-se em tempos diferentes da nossa vida.

Foi bom sentir o olhar no mesmo sentido. Por cima e para lá de todas as serranias. E encontrá-lo lá naquele sítio de insondável bruma a que chamamos infinito.


(*) Off posting:
Eu sei. Este slogan já foi usado e, os mais velhos lembrar-se-ão, por uma marca de cigarros. A publicidade procurava então associar o acto de fumar à condução de um automóvel, dois traços inegáveis de status, classe e distinção que ainda perduram, às vezes criminosamente. Continuo a ver muita gente que conduz e fuma e joga a beata à estrada. Uns quilómetros à frente, poderão ouvir na rádio a notícia de mais um fogo florestal, "provavelmente de origem criminosa", carregar no acelerador e suspirar de alívio: ainda bem que não é na nossa casa...

24 de abril de 2009

abril a brilhar


Sei onde estava no 25 de abril.

Liguei o rádio quando acordei, como fazia todos os dias e, em vez das notícias que ia ouvindo enquanto me despachava para ir para o liceu, só transmitiam marchas militares. Tinha na memória de uns anos antes a rádio também se ter calado e só transmitia música sacra; foi quando morreu o Salazar. A ideia imediata foi deve ter morrido algum gajo militar importante, talvez o Thomaz e continuei pelo pequeno almoço à pressa e a saída a correr porque a carreira do Manel Neto não esperava por atrasados.

O rádio do autocarro continuava a debitar músicas que lembravam filmes de marines e pontes do rio Kuai até que se ouve uma voz de alguém que não era seguramente locutor conhecido da rádio: aqui posto de comando do movimento das forças armadas... e tudo o mais que se conhece. Golpe militar, pensei. E pensei o pior. Pensei nas informações que corriam sobre uma certa oposição de extrema direita ao Marcello Caetano, ao que constava, liderado por Alpoim Galvão. Mas também pensei que se fossem esses, não se davam ao trabalho de recomendar calma à população e prometer que seríamos informados logo que a situação se normalizasse.

Quando entrei na aula já a professora Lília dançava a valsa com Heideggar ou Kant e eu a perguntar se alguém sabia o que se passava e ela a querer expulsar-me e eu a perguntar-lhe se ela não tinha nenhuma ideia melhor no momento em que estava em curso um golpe de estado em Portugal. A aula acabou logo ali e fomos todos, muitos, para a frente da Escola Prática de Cavalaria. Ninguém sabia que tinha sido precisamente dali que tinha saído a coluna militar comandada por Salgueiro Maia.


Depois começaram a chegar notícias e a gente a encher as ruas de riso e abraços e a gritar liberdade. E foi sempre isto que eu achei que era a revolução.


Páro aqui. Vou abraçar abril e o futuro.

23 de abril de 2009

Bomba relógio

Graças a invisível mão amiga, sentámo-nos há dias nos dois melhores lugares do CCB. Partilhámos, de mão dada, momentos extraordinários do espectáculo com a Cristina Branco. Confesso que sozinho talvez não fosse ver. Ficou-me sempre algum preconceito, eu sei, em relação ao fado, mas aqui até gostei de dois ou três fados.
O espectáculo, na base do último disco, Kronos, não é de fado. É música muito bem "esgalhada" e com alguns momentos verdadeiramente sublimes.
E nós ali, de mão dada, na primeira fila. E eu a fazer tremer a cadeira com o frémito da música. A trinta beats por beijo.
Há palavras que nos beijam porque são redondos vocábulos. O'Neil e Zeca na mesma voz. E também Sérgio Godinho.

o teu amor quando palpita
verdade seja dita
põe rastilho no meu peito
trinta batidas num só beijo
sem defeito

feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
o teu amor passa ao ataque
feito tac e tic
o teu amor rebenta o dique
feito tic e tac
eu à defesa ele ao ataque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio

o teu amor quando palpita
verdade seja dita
faz-me atrasar os ponteiros
como a ostra esconde a pérola
aos viveiros
feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o coração um baque
feito tac e tic
pérola solta-se a pique
feito tic e tac
faz-me o corpo todo um baque
e toca e foge e toca e foge
é uma bomba relógio


Bomba relógio (S. Godinho)
Canta: Cristina Branco

21 de abril de 2009

Pequenas indecisões


Andou mais de cinquenta anos hesitante entre ser poeta ou ser cientista.

Finalmente, decidiu tornar-se agricultor.

Vi-o hoje a arrancar umas couves que atrapalhavam o vemelho das papoilas.

27 de março de 2009

Tu e Ter (nura)

Vou namoralmoçar.

24 de março de 2009

Educação con-sensual

Retrato de JCN tirado aqui

Já uma vez alguém por aqui fez um exercício semelhante ao que Gregory Bateson praticava e chamava de Metalogos - diálogos fictícios que mantinha com a filha sobre as mais diversos assuntos que iam da religião à ciência dando a volta pelos quatro cantos da fantasia.

Hoje apetecia-me uma conversa assim:

- Pai, o João César das Neves escreve tanto sobre Educação Sexual . Deve ser um entendido. Ele teve Educação Sexual quando andou na escola?
- Claro.
- Mas só agora é que vai haver e parece que ainda nem todos se entendem sobre como vai ser...
- É verdade, há muitas dúvidas. Dantes não; estavam todos de acordo: os professores, o ministério, a igreja...
- Sim? Então podiam manter isso. Qual era o programa?
- O que é que achas?
- Não sei... Talvez falassem do que é ser rapaz e ser rapariga e como é que os rapazes vêem as raparigas e as raparigas os rapazes.
- Continua.
- Pois, não havendo uma disciplina de Educação Sexual, devia haver qualquer coisa. Um programa para as várias disciplinas. Havia?
- Sim, havia. Um programa muito simples.
- Ah. O que dizia?
- "bendito é o fruto do vosso ventre" e "não nos deixeis cair em tentação".
- Lindo! Era assim por metáforas, como a poesia...

18 de março de 2009

Uma verdadeira besta em África

Há quem o trate por sua santidade, mas este ser tenebroso de nome Ratzinger é apenas o chefe de um estado remanescente do antigo império romano. E, para quem ainda tenha dúvidas, acaba de demonstrar que é uma verdadeira besta. Escolheu África, o continente onde a contaminação pelo VIH/SIDA está imparável, onde as crianças nascem para morrer com SIDA, insistir na sua senda contra o uso do preservativo, não hesitando em recorrer à mentira e à negação da evidência científica. Esta besta apela à condenação à morte de milhões de pessoas. Mais que Hitler (de quem, dizem, que foi fã na juventude), muito pior que Bin Laden. Devia ser julgado por crimes contra a humanidade.
Eu juro que me esforço por entender donde vem tanta perfídea e crueldade que se diz em nome de um deus que titulam de bom e mesericordioso. Não sou crente, mas sou capaz de subscrever muitos dos valores ditos cristãos, em pé de igualdade com muitos crentes de quem sou amigo. Leio a bíblia e não encontro esse fundamentalismo. Encontro alegorias interessantes, mas também histórias delirantes e prescrições que poderiam ter sentido em tempos e que hoje, a serem tomadas à letra, seriam evidentemente ridículas e hilariantes.
Interrogo-me sobre a possibilidade (e a sanidade mental) de alguém falar em nome de deus e espanta-me como tanta gente acredita. Não sou seguramente um iluminado; não serei eu a estar completamente certo e os que acreditam uns mentecaptos. Há aqui um mistério, não divino, mas da própria humanidade. Esforço-me, repito, por entender este mistério desde que me conheço.
Há tempos, numa pesquisa sobre a posição da igreja católica relativamente à educação sexual fui ter à encíclica Humae Vitae (Paulo VI, 1968) onde se explicita genericamente uma espécie de legitimidade que, não sendo de natureza política, nem científica, nem jurídica se pretende afirmar superior a todas elas:
Nenhum fiel quererá negar que compete ao Magistério da Igreja interpretar também a lei moral natural. É incontestável, na verdade, como declararam muitas vezes os nossos predecessores,(1) que Jesus Cristo, ao comunicar a Pedro e aos Apóstolos a sua autoridade divina e ao enviá-los a ensinar a todos os povos os seus mandamentos, (2) os constituía guardas e intérpretes autênticos de toda a lei moral, ou seja, não só da lei evangélica, como também da natural, dado que ela é igualmente expressão da vontade divina e que a sua observância é do mesmo modo necessária para a salvação.
Ou seja: Jesus disse a Pedro e aos apóstolos que deus lhe teria dito que as leis religiosas e naturais somos nós que as fazemos. É mais ou menos isto que proclamam os chamados doutores da igreja e que ao longo dos tempos justificaram atrocidades em nome de deus.
Não sei que sentido isto fará para um crente. Para mim, alguém que me diga que recebe orientações de deus, que deus lhe disse isto ou aquilo, até prova em contrário, está a viver um estado psicótico e, muito provavelmente a necessitar de ajuda especializada.

Se é isto que se passa com Ratzinger, averbe-se como atenuante e oriente-se o homem para ajuda terapêutica. Mas estou absolutamente convencido de que estamos perante uma verdadeira besta.

Sei que este escrito pode chocar alguns crentes e seguidores do seu papa. É um problema que terão que resolver. O que eu digo dessa besta é merecidamente insultuoso, porém não condena ninguém à morte.
Aos que se sentem como eu revoltados sugiro que se atirem preservativos contra o clero, à semelhança dos sapatos contra o Bush.

16 de março de 2009

Tranquilidades

"Estou com a minha consciência tranquila."
Esta besta, ou "criatura de deus" para alguns, é o arcebispo de Olinda e Recife e dá pelo nome de José Cardoso Sobrinho. Há quem o trate por Dom antes do nome, mas não consigo encontrar outro epíteto de tão merecimento como besta.
Foi este representante do vaticano que decretou a excomunhão de todas as pessoas envolvidas no aborto a uma menina de 9 anos, violada pelo padrasto. Sobre o violador, nem uma palavra. Será certamente acolhido no "rebanho" (ou na manada, ou na vara, ou na récua, ou na cáfila, com todo o respeito pelos respectivos animais) e tomará os sacramentos a que tem direito. Se necessário for, ainda terá o conforto espiritual e psicológico bem como o perdão e a misericórdia divina.
Agora que já despejei a minha ira, vamos ao que interessa. A revista brasileira Veja foi entrevistar o senhor que não se cansa de repetir "Estou tranquilíssimo" e ao questioná-lo sobre o que acha do facto de tantas pessoas, muitas católicas, se revoltarem com a sua posição, o dito responde assim:
Em primeiro lugar, nós temos de colocar essa questão no âmbito religioso. Acreditamos em Deus? É sim ou é não. E eu suponho que a grande maioria das pessoas acredita. E acreditar em Deus significa aceitar que Deus é a origem de tudo e é também o nosso fim. Essa é uma verdade fundamental. É premissa importantíssima para dizer que a lei de Deus está acima de qualquer lei humana. E a lei de Deus não permite o aborto.
E seguem-se outras que me dispenso de transcrever, mas que são ilustrativas do modo de pensar da igreja. Das igrejas.
Ainda este fim de semana ouvia o Júlio Machado Vaz, na Antena 1, sobre a posição oficial da igreja católica face ao uso do preservativo como forma de cobater a propagação da SIDA em África e, sobre as diferentes posições dos representantes dessa mesma igreja no terreno. Dos mais pragmáticos (Desmond Tutu) que recomendam o uso do preservativo para salvar vidas, aos mais fundamentalistas, capazes de recorrer à mentira, à falsificação, à ameaça e ao terror, para impedir a adesão, já por si difícil, das populações ao uso do preservativo.
O José Cardoso Sobrinho pertence seguramente a esta espécie.
Umas bestas. Todas de consciência muito tranquila.

12 de março de 2009

Lost in translation

Não. Não vou falar do filme de Sofia Coppola que ainda há dias vi em DVD. Até porque a estória do filme passa-se no Japão e este argumento é made in China e confundir a China com o Japão é para os orientais uma indelicadeza tal que é capaz de deixar o naturais desses dois países com os olhos em bico. em bicos diferentes, obviamente.
O escrito aqui transcrito faz parte das indicações, instruções e alertas que acompanham um produto importado da China por alguém chamado Shun Xiang (que deve ser tão difícil de encontrar na China como José Silva em Portugal) que diz estar na Est. Nac. 10, Km 108.3 (a localização é bastante precisa - se não me engano é na recta de Pegões - mas não diz a que horas lá está), 2135 Porto Alto. Para quem estiver interessado também fornece o telefone 962369789.
Agora, meus caros amigos, lanço aqui um desafio. Assim uma espécie de concurso tipo quem quer ser um milionário rafeiro.
Quem for capaz de identificar o produto em causa, depois de ler isto, ganha um exemplar do produto.

Esteira do Aparamento
Eficaz proteger o anb da casa evite de causar
Aplicável ao fundo do furniture goste da tabela e da cadeira etc.

Illustrtions para aplicação
Repare o peda cadeira, tabela, dispositivos elétricos para proteger de encontro ao risco, repare-o na porta, no frame do window e na porta de armário para a finalidade do amortecedor.

Aplicação: Aplicável ao pé do furniture e de dispositivos elétricos tais como ware da cadeira, da tabela, do metal, do china ou do vidro, para evitar o risco da placa do assoalho ou a tabela surface. Also usada impedindo o deslizamento, a vibração, e trabalhar como um amortecedor.

Loja de Caution: Inflammable! Never na alta temperatura, mantem-na por favor corretamente após a desembalagem.

A- limpe a superfície onde esta esteira furará sobre
B- Descasque a esteira fora de seu papel da liberação
C- Fure a esteira na finalidade especial limpa de surface. For, fure mais para thickening

Colagem material EVA de Compositions: self-adhesive


Esta prosa não é nada fácil. Em tempos houve uns literatos que quase lá chegaram e o melhor que conseguiram foi prometer que um cadáver esquisito haveria de beber o vinho novo, mas isso já era gente com estudos e dominavam técnicas de escrita.
Hoje temos instrumentos de tradução automática capazes de produzir um elaborado dadaísmo. Para percebermos bem como funciona, façamos o percurso ao contrário. Pedimos primeiro para traduzir de português(?) para inglês a ver o que dá.

Wake of chipping Effectively protect the ANB of the house to avoid causing Apply to the bottom of furniture like the table and chair etc.. Illustrtions for application Note the peda chair, table, electrical devices to protect against the risk, note it in the door, the frame of the window and door of the closet for the purpose of the buffer. Application: Applicable to the foot of furniture and electrical devices such as ware of the chair, the table of metal, china or glass, to avoid the risk of the floor plate or the table surface. Also used to prevent slippage, vibration, and work as a buffer. Store Caution: Inflammable! Never in high temperature, please keep it properly after unpacking. A-clean the area where the mat on furará B-husking the mat out of his role in release C-drill in the wake of special purpose clean surface. For, drill for more thickening Bonding Compositions of EVA material: self-adhesive

Convenhamos que fica assim uma coisa sonsa. Praticamente realista.
Mas para sabermos exactamente do que se trata, traduzamos agora para chinês tradicional(!).

後切有效地保護ANB房子,以避免造成適用於底部的家具,如桌椅等。 Illustrtions的應用請注意環椅子,桌子,電氣設備,以防範風險,注意在門口,框架窗口和門衣櫃為緩衝區。 應用:適用於腳下的家具和電器設備,如瓷器的椅子上,桌上的金屬,我國或玻璃,以避免地板表板或表面。也被用來防止滑動,振動,和工作作為緩衝。 儲存注意事項:易燃!從未在高溫,請保持適當的後拆包。 一個清潔的地區,墊子上furará β - husking墊子了他的作用,釋放架C -演習之後,特殊用途清潔的表面。因為,演習更加增厚鍵組成的EVA材料:自粘

Agora sim. Quem souber chinês identificará facilmente do que se trata.
Os dois primeiros concorrentes a acertar, ganham cada um um exemplar.
Este concurso não foi autorizado por nenhum Governo Civil nem Militar e por isso não terá a rigorosa fiscalização da Santa Sé nem da PSP de Braga não será apresentado pelo Malato nem pelo Gouxa e garante-se já que ninguém ganha nada a não ser uma imagem do produto aqui postada.

10 de março de 2009

Mar somos, mais que marinheiros


Só o mar das outras terras é que é belo.
Aquele que nós vemos dá-nos sempre saudades daquele que não veremos nunca...
O marinheiro. F. Pessoa (*)

Sabes? Também eu um dia descobri que pelo Tejo se ia para o Mundo. Muito antes de descobrir este universo do Pessoa(s) já sonhava com este partir e ficar, esta divisão entre a aventura e a conformidade e uma eterna saudade do futuro. Um dia parti donde já tinha partido tantas vezes e fiz-me marinheiro, mas foram mais as vezes que fiquei em terra com medo das tempestades que dizem que há no mar do que aquelas em que verdadeiramente embarquei. E isso tornou-se hábito e rotina escrito nas cartas de marear e diários de bordo ficcionados. Muitas vezes me esqueci de mim, dos que me importam; esqueci-me da verdade, da justiça e até do amor...
Sabes? Há tempos comecei a recuperar a memória. Essa memória de mim. Voltei a achar belo o Tejo da minha aldeia, a forma como nos devolve a luz ao pôr do sol e o eco da passarada nos salgueiros...
Virá a maré e será boa a que escolher. Escuto as gaivotas.
Obrigado pelo abraço.
(*) A peça de teatro O Marinheiro vai estar de novo em cena dentro de dias em Loulé, pelo TAL (Teatro Análise de Loulé) numa encenação de José Teiga, velho companheiro de Laboratório

4 de março de 2009

Um lustro



O Contador de Gaivotas foi criado em 4 de Março de 2004, por Gregório Salvaterra que após um virtual trespasse deste espaço foi contar pinguins para a Patagónia.


Cinco anos é mais ou menos uma idade de cão para um blogue. O que vale é que não vive todos os dias.

27 de fevereiro de 2009


Exmo Senhor Presidente da Caixa Geral de Depósitos

Há dois anos comprámos um T2 e contraímos um crédito à habitação na instituição bancária que V.Exa. superiormente dirige no valor de 100.000,00 euros para pagar ao longo de trinta anos. Após dois anos de pagamentos mensais verifico que a dívida praticamente não se mexeu. A minha mulher ficou desempregada o mês passado, logo agora que esperamos um segundo filho, de modo que o futuro mostra-se deveras preocupante.
Somos pessoas honestas e único rendimento que temos provém do nosso trabalho conta de outrem. Fizemos contas e prevemos que dentro em breve entraremos em situação de incumprimento relativamente às prestações da casa.
Antes que isso aconteça decidimos vir junto de V.Exa. propor uma negociação do empréstimo do qual a Vossa instituição é legitimamente credora.
Fizemos contas e achamos justo vender o apartamento à Caixa geral de Depósitos por 300.000,00, valor provavelmente muito abaixo do que valerá daqui a 30 anos.
Informei-me junto do construtor e ele garantiu-me que na construção só utilizou cimento da Cimpor o que só por si é uma verdadeira mais-valia.
Cordialmente
Manuel Finório

25 de fevereiro de 2009

Coisas lembradas

Manhã de carnaval na Ria Formosa
Lembro-me que na minha infância adquiri, nem sei como, o hábito de percorrer de memória todo o meu dia antes de adormecer. Fazia-o todas as noites depois de apagar a luz. Adormecia assim; possivelmente, muitas vezes, muito antes de terminar essa reflexão espontânea. Também me acontecia ficar na cama de manhã a completar ou a reeditar a revisão dos acontecimentos da véspera. Interroguei-me muitas vezes porque o fazia, quase compulsivamente, e para que serviam essas memórias assim guardadas - hoje, numa linguagem de arquivista, diria, devidamente catalogadas e indexadas. Acho que tinha uma memória prodigiosa e era capaz de localizar qualquer evento: foi no dia que a vizinha Rosa partiu o pé, andava a apanhar azeitona e caiu da oliveira; eu trazia um papel escrito da professora para a mãe ir falar com ela; não dizia para quê, mas eu sabia que era por causa de ainda não ter levado o dinheiro para comprar o livro de religião e moral, 'A nossa história divina' que o padre Octávio tinha levado para a escola, uma caixa cheia deles; nessa tarde briguei com o Luciano e quando rebolámos pelo chão na refrega apanhei com um bafo de mau hálito que cheirava ao mesmo que um alguidar de tripas da matança do porco, no domingo passado.
Os acontecimentos eram assim guardados agarrados uns aos outros e depois vinham com as cerejas e as conversas.
Muito mais tarde compreendi para que serviam afinal essas memórias. Compreendi que as coisas de que nos lembramos também servem para nos fazer felizes e infelizes. Sim, uma coisa e o seu contrário.
E eu que tinha dantes uma memória daquelas estou agora a tentar lembrar-me para que é que comecei a escrever isto. Dever ser... pois, deve ser por isso mesmo.

24 de fevereiro de 2009

Carne aval

Ficará melhor assim, em Braga? Imagem roubada aqui
De acordo com uma notícia desta manhã, a PSP de Braga terá apreendido todos os exemplares de um livro sobre pintura, à venda numa banca de livros, que exibia na capa um célebre quadro de Gustav Courbet (1819-1877) L'origine du monde (1866), exposto no museu de Orsay, em Paris. Imagino que terá procurado o autor para lhe dar ordem de prisão, mas como não encontrou constituiu como arguidos (?), diz a TSF, os funcionários da livraria.
Parece que quem ficou contente foi o bispo de Braga que já quis saber quem são os zelosos agentes, para os enviar a Florença e apreender o David que um tal Miguel Angelo esculpiu muito antes de formar uma banda pop com uns amigos de Cascais. Mas também pode pedir ajuda ao Berlusconi que já tem alguma prática em tapar as anatomias expostas pelos artistas.

Lembrei-me da imagem acima que também deu polémica há uns anos na Áustria e que proponho aos editores da obra, para uma edição especial para a região demarcada de Braga.
Uma imagem do quadro original, pode ser vista aqui.

19 de fevereiro de 2009

Twitter (tu e mais quem?)



Aquele deputado é um erro cultural. Não sei nem quero saber a sua orientação sexual, mas punha-o era a guardar porcos.


(digo eu)



na política, as novas tecnologias são importantes porque nos aproximam dos cidadãos”.


O senhor deputado provavelmente deputou assim um fraseado que twittado se torna tão público como os comentários do ministro sobre a mulher de Sarkozy apanhados pelos microfones direccionais dos repórteres.
Por acaso também acho que as novas TIC aproximam dos cidadãos alguns tiques dos políticos. É bom que os cidadãos saibam o que há por debaixo das poses sérias, enfatuadas e engravatadas.
O deputado em causa veio rapidamente desmentir que tivesse escrito aquele comentário, que não percebe muito de twitter e que alguém twittou em seu nome e que pedia desculpa e encerrava a sua conta. Até podia ser que assim fosse, mas é pouco credível e além disso até se poderia verificar recorrendo assim a um amigo especialista em informática. Encerrar a conta e armar-se em espanto também é uma boa opção. Tão boa que o Público subscreve esta tese.
Ao Correio da Manha - que também acolhe de bom grado esta versão o deputado e não transcreve o comentário, classificando-o de ofensivo para a jurista Isabel Moreira - admite que poderá ter havido negligência sua por usar a mesma password da sua página pessoal. Podia dizer que era um número de oito dígitos que começa em 1 e acaba em 2 e que coincide com uma data de que nunca se esquece. Assim o número de potenciais suspeitos seria de tal modo elevado que teria um valor superior a um atestado de inocência passado por Cavaco Presidente da República.
Isto de facto é uma grande chatice por um lado, mas para o outro, uma grande oportunidade de negócio para os produtores de outdoors. Depois do Pinócrates e do Pinoleiro (afinal quem é o Pinóquio?), já poderá estar em preparação um novo cartaz do Pinuarte. Digam lá que não seria original?

12 de fevereiro de 2009

Revolução

O Google comemora assim o 200º aniversário de Charles Darwin.
E, pensar que ainda hoje, há quem decrete o criacionismo como doutrina oficial a ser ensinada nas escolas.
A teoria da evolução das espécies é uma verdadeira revolução na sua época. A sua obra conhecida como A Origem das Espécies é publicada em Novembro de 1859, com o título completo de On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life. Esgotou rapidamente e como não podia deixar de ser desencadeou logo grande oposição da igreja católica que ainda persiste hoje.

11 de fevereiro de 2009

A bispalhada à portuguesa


Eu juro que o que me apetecia mesmo era malhar nos sotainas. De vez em quando saem das sacristias e vêm botar discurso à política. Foi assim em Itália, sobre a morte assistida no caso Eluana a que não tiveram pejo em catalogar de assassínio; é assim em Portugal tentando impedir que se discuta o direito de os homossexuais poderem constituir legalmente uma família, adiantando já que os católicos não deverão votar em partidos que o advoguem (já vieram tentar limpar a borrada que fizeram, mas a gente sabe como eles são).

Eu não acho que lhes esteja vedada a opinião sobre qualquer que seja o assunto da vida da sociedade, mas confesso (!!) que me incomoda o tom de ameaça e uma espécie de ódio a quem não os segue, com que o fazem. E que há outras prioridades e tal, e que os políticos deviam preocupar-se com outras coisas. Até poderá ser que assim seja (acho que não há maior prioridade que o reconhecimento dos direitos humanos) e que a sua participação na discussão seja importante, mas então, constituam-se com partido, movimento, associação, clube, ou como simples cidadãos, qualquer coisa terrena e sujeita às regras da democracia, em igualdade com todos e não com aquele ar de que são intérpretes da vontade de deus e que isso se sobrepõe à legitimidade democrática. Sujeitem as suas opiniões ao sufrágio da sociedade com as devidas consequências, em vez de ao julgamento divino.

Esta gente representa um Estado confessional que não se rege pelas regras normais das democracias. Já vimos invadir estados sobranos, provocar guerras e derrubar governos por motivos mais ou menos semelhantes.

Portugal é uma República e um Estado soberano não religioso. O que a bispalhada às vezes faz é uma ingerência inadmissível. Imaginemos que os altos funcionários da embaixada portuguesa no Vaticano tentavam influenciar os membros da Cúria romana (não sei bem se é este o órgão) para não elegerem tal cardeal para papa porque cheira mal dos pés. É basicamente a mesma coisa.

9 de fevereiro de 2009

(di)Visões




Marcelo diz que o PSD pode chegar ao ponto de pé de flor pedroso.


Por seu lado, Manuela Ferreira Leite recusa-se a comentar o despedimento de Scholari, vítima dos saldos do freepor(t).


Enfim, talvez, dividindo o mal pelas aldeias o resultado seja um número primo.

5 de fevereiro de 2009

(tele) Visões


Em Nova Iorque abre um quiosque para distribuir notas de dólares (no mínimo 100) a quem quiser. Formam-se filas de muitas horas, mas quem precisa não desiste. Desconfia-se que aquilo é uma espécie de casting da pobreza para um qualquer reality show de horário nobre.

A porno feira de Gondomar afirma-se muito democrática e dá igual destaque a todas as opções sexuais e religiosas. Não é ainda desta que o major mostra o apito, mas a organização anuncia descontos para estudantes e reformados.

O capo da ANTRAN foi oferecer uma boleia a Manuela Ferreira Leite que em jeito de agradecimento disse qualquer coisa ininteligível. Saem honradas as mulheres da recta de Pegões, porque aí são absolutamente claros os negócios com os camionistas.



Amanhã há conquilhas.

Visões III

imagem daqui
imagem daqui


O Ministro dos Assuntos Parlamentares quer que a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite esclareça o que pensa da campanha de «ataque pessoal» ao primeiro-ministro lançada pela Juventude Social-democrata (JSD). Augusto Santos Silva refere-se aos cartazes afixados pela JSD, sob o título de «Pinócrates».


imagem daqui


Contaram-me que já há alguém a preparar um cartaz de resposta inspirado naquele da Tania Derveaux.

Chama-se a "Bela Adormecida" e promete não-sei-o-quê para quando acordar.

Alguém acredita?

Há ainda muitas personagens do universo infantil disponíveis para este ano de campanhas eleitorais. Já que estamos a este nível de discurso político, não se acanhem.
Posso já anunciar:
Brevemente. Numa pantalha perto de si.
As quase maravilhosas aventuras de...
Diupão e Diupona

4 de fevereiro de 2009

Visões II

Foto daqui


Portugal foi multado.
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou esta terça-feira Portugal por ter proibido, em 2004, a entrada nas suas águas territoriais de um navio fretado por organizações favoráveis à despenalização do aborto.

Visões I

Foto daqui

- Maria, estás a ver a pobreza?
- Não, meu querido Aníbal António...
- Ah, pois!... Só se consegue ver com estes óculos especiais, por isso é que não vês.
- Não vejo, mas acredito que existe. Já ouvi dizer...
- Eu bem dizia que a lei do divórcio ia dar nisto...

Lembrança


fria mais que a noite é a ausência
por isso os dedos acordam aves
e soltam-se riso sem pudor
aos recados abraços de jasmim

22 de janeiro de 2009

Todo o cuidado é pouco



Mário-Henrique Leiria pisca o olho a Daniel Filipe

A subversão é o único alimento que se pode comer fora de prazo.
Não mata, nem engorda, mas faz umas cócegas danadas na pasmaceira oficial.
Um pires de tremoços.
Faxavor.

21 de janeiro de 2009

Tu podes, pá!


Yes, you can!
Muito se tem dito sobre esta onda de esperança com a eleição de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos da América. Eu próprio, antiamericano quase natural, me deixei contaminar por esta onda que vem bem ao encontro daquilo que são os meus desejos para o mundo. Paz, justiça, equidade entre as pessoas e os povos no acesso aos recursos, respeito pelos direitos humanos, respeito pelo ambiente.
Gostei sinceramente de alguns discursos que li e acho que tirando uma ou outra coisa, são de fazer inveja a muita prosápia que se diz de esquerda e progressista (mas o homem também nunca disse que era de esquerda nem eu sei o que é isso nos EUA). Soube ontem que os seus discursos são escritos por um rapaz de 27 anos, mas a força e convicção não se pedem emprestados (li há dias, a propósito de histórias bíblicas, que as belas narrativas não tem autores, têm contadores) e este homem já foi capaz de fazer acreditar a meio mundo que algo vai mudar.
Quem me conhece sabe que, apesar de tudo isto, eu, que sofro de um cepticismo quase crónico, mantenho algumas reservas até que se cumpram algumas condições:
- retirada das tropas de ocupação do Iraque, cedendo o lugar a uma força de paz, se for esse o entendimento das Nações Unidas
- sujeição plena às regras do Tribunal Penal Internacional
- adesão voluntária à Plataforma de Quioto, com todas as consequências em plano de igualdade com todos os outros países
- tomada de posição clara e equidistante relativamente ao conflito do Médio Oriente
- encerramento do campo de concentração de Guantánamo e libertação de todos os presos sem culpa formada
Yes, you can!
Fiquei a saber hoje nas notícias que já foi dada ordem para suspender todos os processos relativamente a Guantánamo. Fico contente, mas é preciso muito mais. Sei que não vai ser fácil e que isso vai mexer com interesses muito poderosos, mas se assim não for o mundo nada colherá da esperança semeada durante os últimos meses.
Yes, you can!
Só mais uma coisa em jeito de rodapé: fiquei a saber que um descrente como eu, ou um devoto de uma outra religião não cristã, mesmo que ganhasse as eleições não poderia tomar posse como presidente dos Estados Unidos. Pelo menos assim. É que o protocolo oficial de tomada de posse inclui o jurar sobre a bíblia e invocar a ajuda de deus para cumprir o mandato.
Já agora, e na linha do seu discurso sobre a tolerância religiosa, seria bom retirar das notas de dólar a frase in god we trust, quanto mais não seja, porque essa confiança não tem dado resultados e deve ser antes procurada e fomentada nos que gerem a banca e outros grupos financeiros.

20 de janeiro de 2009

Luz


Deve ser bonito o Universo olhado do sítio que se deseja. Mais bonito com a cúmplice mão-dada e o sorriso a iluminar-se quente mesmo quando o sol se inverna assim preguiçoso.

Mas eu não estava e sempre estive lá. A olhar o Universo com os teus olhos.

Entretanto os meus amigos, de outros saberes também universalistas, enviaram-me a habitual newslwtter e não resisti a esta epígrafe:


«Il faut conserver dans nos esprits et dans nos coeurs la volonté de lucidité, la netteté de l’intellect, le sentiment de la
grandeur et des risques, de l’aventure extraordinaire dans laquelle le genre humain, s’éloignant peut-être des conditions
premières et naturelles de l’espèce, s’est engagé, allant je ne sais où
. »

P. Valéry ‘La Politique de l’Esprit’, 1932

Que é mais ou menos o mesmo que (tradução minha):

«É necessário conservar nos nossos espíritos e nos nossos corações a vontade de lucidez, a clareza do intelecto, o sentimento da grandeza e dos riscos, da aventura extraordinária na qual o género humano, afastando-se talvez das condições iniciais e naturais da espécie, se comprometeu, indo sei lá onde.»

E não consegui deixar de pensar em todas as complexas coisas que se passam e estão a acontecer hoje aqui e ali; deste e do outro lado do Atlântico; deste e do outro lado do equador.


O Bolero de Ravel inicia o seu ostinato no telemóvel e nem preciso de ver quem me liga.

Do outro lado brilham constelações.


É por isso que este post vai todo escrito em Lucida Grande.