7 de Fevereiro de 2010

Política de salários baixos

É o que dá esta política miserável de baixos salários:
A ETA vem montar fábricas de bombas em Portugal atraída pela mão-de-obra barata.

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Princípio do chá

- Meu amor faz-me um príncipe.
-Sim, minha raínha.
- Estava a pensar num chá...

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4 de Fevereiro de 2010

Em favor dos pequenos e médios manifestantes


Hoje cruzei-me com uma manife. Eram os miúdos do básico e do secundário, para aí uns duzentos ou trezentos, de qualquer modo muito menos do que os que se costumam juntar nas sextas e sábados à noite na zona dos bares.
À cabeça da minife, um carro da polícia em marcha lenta. Os estudantes ocupavam ordeiramente uma das faixas de rodagem devidamente enquadrados por mais uns quantos polícias. Acho que se dirigiam para a Direcção Regional de Educação, mas seguramente seriam mais vistos pelos clientes e funcionários do Pingo Doce (é bem feito porque eles andam sempre a fazer publicidade a dizer: venha cá; e eles foram).
Pelo que ouvi nas notícias, manifestam-se contra as provas globais, o estatuto do aluno (não percebi bem o que está em causa) e exigem "aulas" de educação sexual. As razões até poderiam ser outras como "um ensino decente cá p'ra gente", ou mesmo "iPods à borla para todos", não é isso que interessa. O que interessa mesmo é uma manife a qualquer pretexto.
Entretanto li por aí nas notícias online e principalmente nos comentários que há quem ache que os miúdos nem sabem o que é que querem, que não querem é fazer nada, não ter exames e quais "aulas" de educação sexual se eles já sabem mais disso que os professores (as caixas de comentários são assim; quando as gente as abre tudo pode de lá sair) e se alguma coisa não está bem quem tem que se manifestar são os pais e não os filhos, porque são os pais que pagam e os sustentam.
Há também quem diga que a maior parte não sabe dizer o que está ali a fazer, o que me parece que é verdade. Mas também, ainda há pouco tempo quando os seus professores se andaram a manifestar porque não queriam avaliação, alguns entrevistados mostraram-se incapazes de expressar claramente o que pretendiam e o que ficou na imagem pública não terá sido muito abonatório.
Pois eu penso que fazem muito bem em manifestar-se, porque isso também faz parte da aprendizagem. Alguns vão esquecer-se disso depois, tal como fizeram muitos dos que ocupam hoje as cadeiras dos diferentes poderes, mas não faz mal. E, já agora, seria bom que a exigências fizessem algum sentido (é essa também uma das acusações que lhes fazem), mas até nisso estou com eles. Estão na idade em que faz todo o sentido fazerem coisas sem sentido, pelo menos para os adultos. O pessoal mais velho lembrar-se-á certamente da célebre palavra de ordem marcusiana Soyez réalistes, demandez l'impossible! (Sejam realistas, peçam o impossível!).
Estas manifestações não são isentas de risco, como, aliás, tudo na vida. É relativamente fácil transformar uma manife juvenil em carneiros de Panúrgio, mas até a evitar isso precisa de ser aprendido.
Adenda:
Lembrei-me de uma sugestão, uma ideia para novas lutas. Podem marcar já uma nova manifestação para uma luta que me parece justa e popular:
Substituir os exames nacionais por castings. Isso é que era sucesso escolar garantido.

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2 de Fevereiro de 2010

Memórias olfactivas

Azibo, 2009


Só de pensar


em ti



fica no ar


um intenso


cheiro


a moringa

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Mar(io) enCresp(ad)o

Há coisas que me dão uma espécie de urticária (também lhe chamam brotoeja) e isto de um jornalista se tornar na principal notícia do dia diz muito sobre a ética comunicacional que é como quem diz se tocam no meu queijo eu faço-vos a folha.

Afinal o que é que se passou? Um amigo do Mário Crespo estava a almoçar no mesmo restaurante onde também almoçava o Sócrate e mais não-sei-quem e dois dos seus ministros. às tantas, e seguramente depois da terceira garrafa, da mesa do Sócrates e da do amigo do Crespo, as vozes, na primeira, começam a soltar-se e os ouvidos, na segunda, começam a apurar-se e é aí que o amigo do jornalista saca da caneta e regista ali, no próprio guardanapo entre duas manchas de Quinta do Cotto, para memória futura e, se necessário fazer prova em tribunal, o seguinte diálogo (ou monólogo, parece que foi só o Socrates a falar):
O almoço está porreiro, pá! Olha, e esta pomada também não é nada má... o que é isto?
Barca Velha, hum... pois. Se fosse o Portas pedia submarinos novos! Ah,ah, ah...
A propósito, vocês conhecem aquele jornalista que dava aulas lá na Independente? Aquele da SIC a quem tu telefonaste para te tratar por ministro e não te fazer perguntas difíceis. Sim, o Crespo. Esse tonto varrido e incapaz. Parece que tem umas coisas guardadas num armário que deixou lá na África do Sul. E escreve cá umas crónicas... Temos que arranjar uma solução para o gajo [faz o gesto de cortar o pescoço]. E mais não disse.

Também não havia guardanapo para mais.
Claro que o Mário Crespo ficou chateado. Eu também ficava.
E vai daí toca de escrever uma crónica em defesa da honra e do ataque ao Sócrates, agora com um bom pretexto. O gajo falou de mim ao almoço, já vai ver como é que elas lhe mordem!
Só que o director do JN achou que não devia publicar e, ai jasus, que vem aí a censura a mando do governo. E despediu-se do jornal.
Lembrei-me de uma crónica que o Crespo (às vezes encrespado, outras encrispado) escreveu cheio de insinuações sobre o Sócrates que, na altura achei um verdadeiro vómito. Chamava-se a coisa Façamos de conta que... Queria citá-la, mas não encontro o original. Mas pode ser lida, em transcrição aqui, acho que na totalidade.
Entretanto encontrei este post no Jugular de há quase um ano que dá uns belos mimos ao Crespo.
Quem me conhece, sabe que nunca votei no Sócrates, nem no PS. Mas quando um tipo se compara com a Manuela Moura Guedes para atacar o Sócrates e a seguir vejo o Louçã solidário com ele e dizendo basicamente o que toda a direita já tinha dito, confesso que até fico com vontade de votar no gajo.

Enfim. Acho que os jornalistas e os políticos estão bem uns para os outros. Não merecem o vinho que bebem!

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Perder-lhes o conto, guardar-lhes o rasto


Delicioso ler-te assim na praia das gaivotas contadas a dois.

1 de Fevereiro de 2010

Keep rolling


Ao ler esta notícia no i online não posso deixar de evocar toda uma era em que o excesso queria ser a regra. Uma boa parte daqueles que queria mudar o mundo acabaram calmamente assimilados. Outros, foram-se deixando apodrecer enquanto o capitalismo vencia em todas as frentes, a sociedade de consumo se estabelecia definitiva e pandémica e as guerras se multiplicavam. Pelo meio do sex, drugs and rock'n'roll passou uma verdadeira revolução musical ao longo dos últimos 50 anos (a par de muita pimbalhada magistralmente promovida pelo showbiz internacional, claro).

O título do i "É o fim do rock'n'roll. Keith Richards está sóbrio " é espantoso. Tem tanto de ironia como de iluminada provocação.

Não sei se é o fim do rock'n'roll, ou do que resta dele. E também não sei se acrescenta alguma coisa à música mais uma tournée mundial dos Stones. Mesmo que seja em versão clean.

Pois é. Nem sempre se pode ter o que se quer.

Mas podemos sempre fazer um esforço.


No, you can't always get what you want

You can't always get what you want

You can't always get what you want

And if you try sometime you find

You get what you need

Rolling Stones : You Can't Always Get What You Want Lyrics

Songwriters: Jagger, Mick; Richards, Keith;

16 de Janeiro de 2010

Lima na trama

Nos tempos da Mata-Hari também havia escutas e consta que a famosa espia escutava para um lado e para o outro sem auxília de quaisquer MAE (meios auxiliares de escuta) como hoje tanto se usa. Constava ainda que a dita que parece que escutava deitada entre os lençóis e directamente enrolada nos escutados. Há quem afirme que a mulher usava uma faca na liga e que não hesitaria em usar se a coisa desse para o torto (não era bem essa coisa...), mas isso nunca ficou comprovado.
Pelo contrário, aquele que mora em Belém à espera de voltar a ser eleito Presidente da República para continuar a ser o personagem mais parecido com o Américo Thomás (com vantagem para este último que pouco falava e raramente aparecia) teima em mostrar a toda a gente que usa Lima na trama.
O que isto significa é:
O senhor Presidente manda dizer que ninguém fala por ele e, tal como eu, acha que o país devia preocupar-se (o presidente farta-se de fazer cara de preocupado, mas ninguém liga) com outras prioridades e não andar aqui com fé diveres, percebem seus fazedores de factos políticos?
Este Lima, quando sublima é sublime.
É tramado, não é?

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sonhos sem legendas

Quando me namoras em inglês
só me lembro de
forever

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13 de Janeiro de 2010

Um horror

As imagens que nos chegam da tragédia do Haiti confrontam-nos com a precariedade da nossa existência. Não se imagina que isto possa acontecer, mesmo que a terra trema como há pouco tempo sucedeu aqui.
Depois, parece que são já os mais pobres os mais fustigados pelas catástrofes naturais.

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9 de Janeiro de 2010

Aprender em Festa

Almoço dos 20 anos do GAF


É uma verdadeira festa. São homens e mulheres e algumas crianças já aqui nascidas. Fazem todos a festa onde misturam saberes e sabores com que põem ânimo em cada acção.
Um caso a estudar. Em estudo.
A minha rapariga traz-me para dentro destes sonhos e trazemos ambos abraços quentes de amigos.

O António, o dr. António é a figura tutelar de uma utopia daquelas que pensamos que já não há. E depois quer saber de todos o que fazer para fazer futuro.
Só conseguimos ter uma resposta: "fazer meninas e meninos" que sejam bons, saudáveis e que aprendam a festa que é fazer o futuro. Que o façam em festa!

Grupo Aprender em Festa
Gouveia

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