25 de março de 2011

O lixo

Imagem daqui

Os santos mercados já condenam Portugal ao «nível lixo», uma espécie de inferno da economia global para aonde se atiram os pecadores. Nada que sobressalte (esta aprendi com o Cavaco da presidência, mas acho que o dono do Stand Cavaco - de automóveis usados e seminovos- diria o mesmo), nada que sobressalte o nosso povo, dizia eu, que gostando tanto de calor ainda é capaz de dizer com um tal alentejano que indo parar ao inferno e tentando o diabo castigá-lo com o calor no máximo, "compadre, com a 'calma' que por aqui vai, que fará em Serpa?..."

Ficamos també hoje a saber que, de acordo com uma sondagem, os eleitores dariam uma maioria absoluta ao PSD, ou ao PSD e CDS e que ainda assim o PS se aguentaria num score aceitável, tendo em conta os acontecimentos, o que significa que à esquerda a crise pouco mexe para além de umas décimas.

É, pois, o lixo em todo o seu esplendor. O lixo, luxo que nem todos se podem gabar de juntar num mesmo palco. O lixo-presidente. Cavaco, o grande mandador em silêncio deste baile de roda capaz de voltar a juntar a esquerda e a direita. O lixo-governo que afogado em dificuldades e acossado em várias frentes não soube gerir a situação e avança de peito aberto contra as espadas estendidas. O lixo-oposição-que-quer-ser-governo que não tem alternativa e não pode fazer outra coisa que não pior que o PEC IV, determinado pela UE que por sua vez também está entalada pelo sistema global da finança. O lixo-esquerda-PC-e-BE que (depois de uma moção de censura que podia ter obrigado o PSD a votar contra e não o fez, deixando-o no conforto da abstenção) parece querer ajudar a abrir alas para o noddy Passos Coelho e toda a direita no poder (para fazer o que estes já faziam, é certo) e dar uma ajuda ao velho desejo desta direita bacoca: um presidente (blheck...), uma maioria (pfff...), e um governo (cof). Lindo! E o sol brilhará pra todos nós e a esquerda ficará mais esquerda, e assim, e tal...

Também me interrogo, se este povo-lixo merecerá melhor. E hesito muito entre o alistar-me militantemente num partido de esquerda e ajudar na discussão dos melhores caminhos (correndo naturalmente com as ideias que que o têm conduzido) e o sentar-me na plateia da indiferença a assistir à desgraça. Só que o preço do bilhete para este espectáculo sai carríssimo e é grande a probabilidade de o teatro ruir e, seguramente, os que estão na geral e na plateia ficarem esmagados pelo balcão e pelos camarotes onde se sentam os privilegiados que se safam sempre.

22 de março de 2011