6 de junho de 2011
alea jacta est
Depois de intenso fim de semana a arrumar quadros, tabelas e figuras cheias de actores...
Pronto, já está. Em prima forma.
Agora temos que ir ali respirar beijos e namoros.
29 de maio de 2011
22 de maio de 2011
Erros políticos
Comecei por errar na cor das gravatas. Eu anunciei que eram ambas azuis, embora uma mais clara que a outra, ou para ser mais exacto, uma ligeiramente mais escura que a outra. Nada mais errado. A cor, na gama do vermelho alaranjado ou, talvez, cinabre, era de facto uma mais ecura que a outra, mas não deixava dúvidas. Ainda tentei invocar a meu favor que numa televisão a preto e branco ninguém teria dado pela diferença, mas hoje, com ecrãs planos, ele-cê-dês, plasmas, agá-dês, meos e zons que param, andam para trás e para a frente... estas pequenas diferenças políticas não escapam ao olho crítico do povo eleitor.
Outro erro meu, de que obviamente me penitencio, foi o ter vaticinado um estrondoso empate. Nada mais falso. Ainda que tivesse empatado uma hora a ver os dois debatentes a empatarem-se um ao outro a ver se nenhum conseguia dizer algo essencial, a coisa ficou claramente resolvida, ainda antes de terem passado cinco minutos sobre o final do debate. Passos Coelho ganhou com duas voltas de avanço e o seu adversário Sócrates nem deu para aquecer.
Assim vale apena. Ou, melhor, nem valia a pena ter havido debate. Os comentadores resolviam isso muito melhor e sem qualquer dúvida. Eu sei que alguns comentadores, também são candidatos... Mas não poderiam ser todos? E já agora, pelo PSD, claro.
20 de maio de 2011
E se mais houvera, lá chegariam...
José Saramago
O espectáculo está montado: no canto direito - gravata azul, 79 quilos, 34,8% das intenções de voto - o candidato a primeiro miniiiiiiistro! No canto esquerdo - gravata também azul, mas um pouco mais escuro, 80 quilos, 34,7% das intenções de voto - o outro candidato a primeiro miniiiiistro! Cumprimentem-se os adversários. O grande combate vai começar!
O árbitro adverte que não admite golpes baixos e que o KO está proibido, incluindo o KO técnico.
O resultado já se sabe: um monumental empate.
Esta gente empata o país e destrói o único capital que nos resta: a esperança.
Acho que só há uma pergunta que os dois debatentes deviam ser obrigados a responder.
O PS e o PSD alternaram no poder durante 35 anos e conduziram o país à desgraça em que está. Ainda que tivessem tido umas ajudas temporárias (mas profundas) do CDS, como é que conseguiram?
Já disseram tudo. Menos isso.
Mesmo sem o saber, 80% do povo eleitor está firmemente decidido a votar nos três partidos do arco da velha, perdão, do arco do poder, imaginem se soubessem!... Ainda se aproximavam dos 100 por cento. Sem dúvida.
24 de abril de 2011
Do amor
Do amor diz-se tanta coisa. Que é cego e arde. E cura dói. Que é doce e aperta o coração. Que é doido e isso é paixão. Eu sei lá o que é o amor.
E assim sem teoremas. Numa visão incompleta e interesseira. (Não me peçam para ser imparcial no amor). O amor é um estado de necessidade.
É a falta que me fazes e a urgência de me teres.
Outro video aqui.
21 de abril de 2011
A carroça
A história não reza, mas é possível que ainda antes da haver Portugal tenha cá vindo uma delegação de Roma cobrar impostos a este povo que, diziam, nem se governava , nem deixava governar. Nessa altura, os arautos iam de terra em terra e deviam anunciar a vinda da quadriga, que era o carro muito na moda em toda a Roma antiga. Agora temos troika, não rola, desliza, mas precisa de neve.
Como é possível mandar uma troika para Portugal onde praticamente não neva e muito menos no Terreiro do Paço?
As notícias não dizem, mas vê-se pela cara deles quando são filmados à saída do ministério das finanças, que os senhores estão muito angustiados e parece que até já pediram apoio psicológico. O contacto com a situação portuguesa não é fácil, mesmo para pessoas habituadas a lidar com a frieza dos números. Quando viram o valor real dos salários mais baixos e das pensões miseráveis e o compararam com os rendimentos mais elevados começaram a ficar agastados. Quando os diligentes técnicos do ministério lhes disseram que a ideia era dar mais uns cortes, sentaram-se e pediram um copo de água. Parece que estiveram quase a chamar o INEM, mas contiveram-se para que eles não julgassem que vivemos no luxo.
Até tinha a sua graça. A troika ia de padiola.
11 de abril de 2011
Da lógica da batata à coerência da salsicha
5 de abril de 2011
Havia do Infante e agora há Vinte e Dois
Eu sei que há muita boa gente que acha que se queremos andar na autoestrada devemos pagar portagens e que o que deve vigorar é um princípio inventado com um fim obscuro, em princípio inventado por alguém que ninguém sabe quem é, mas presume-se que certamente amigo do povo trabalhador e dos mais desfavorecidos que nem carro têm e que por isso nada t~em que pagar para outros se delocarem em duas faixas e a 120 km/h. E logo chamaram a esta teoria «o princípio do utilizador-pagador», o que até não está mal se o compararmos com outro «princípio» em uso em muitas circunstâncias que é o princípio (assim por mim baptizado, para que conste) do «pagador-pagador». Aqui o pagador paga, mas não utiliza, o que faz com que este princípio atinja um fim muito mais principalmente do que o outro. Eu dou alguns exemplos. Através de vários impostos, taxas, sobretaxas, mais impostos aplicados até às próprias taxas associadas ao meu modesto automóvel e ao combustível seria suposto pagar uma rede viária para poder circular, mas se não tenho uma alternativa decente e necessito mesmo, lá terei que pagar (aqui até poderíamos falar de uma extensão do princípio que passaria a ser «pagador-pagador-utilizador»). Outro exemplo: tenho televisão por cabo que pago (juntamente com serviço de internet e telefone) e aqui vigora o princípio «utlilizador-pagador» porque utilizo e depois pago de acordo com um contrato (sempre mais ou menos manhoso, mas vá...) , mas a coisa não é bem assim e na realidade o princípio é o de «pagador-utilizador-pagador» porque todos os meses pago a televisão que utilizo ao meu fornecedor de cabo e, também ao Estado através da taxa de radiodifusão sobre a qual ainda é aplicado o IVA (sempre gostava que me explicasem qual é o valor acrescentado desta taxa) pagando assim duas vezes o mesmo serviço.
Pois que fique bem claro que eu não sou bem contra as portagens (até posso ser porque esse é um negócio que alguém faz com empresas privadas e até com alguma participação do Estado e que em última análise é sempre ruinoso para os contribuintes); eu só é a favor de vias decentes para nos deslocarmos em situações normais, coisa que todos pagamos para utilização comum. Invocar que «o país» não pode suportar isso é branquear a incompetência e, pior ainda, a corrupção que campeia entre o Estado e meia dúzia de grandes empresas que dominam estes negócios e que depois asseguram bons lugares a ex-ministros.
Tenho ouvido e lido alguns argumentos que pretendem classificar as populações desta ou daquela região de não quererem pagar portagens e que isso é uma injustiça porque outros também pagam e etc. Acho uma palermice e seguir esse raciocínio para outras áreas leva-nos para terrenos muito perigosos onde nem se poderá falar sequer de justiça.
Não defendo qualquer medida de excepção para os residentes. Onde não há alternativas, não se deve pagar porque isso é simplesmente uma extorsão. Concordo em pagar um serviço extra, de qualidade melhorada que me permita avaliar a opção face ao custo-benefício. Não devemos pagar, aqui ou noutra área qualquer, nesta região ou noutra, o serviço que nos é devido porque o pagamos.
25 de março de 2011
O lixo
22 de março de 2011
21 de fevereiro de 2011
Sentimento de segurança
Ora, foi isto exactamente que eu fiz. Peguei no meu recibo de vencimento, comparei com outro de igual período do ano passado (dizem ainda os especialistas que assim se dá conta da variação homóloga) fiz umas contitas (coisa simples) e verifiquei que comparando com igual período do ano passado, me sinto muito mais seguro.
A probabilidade de ser assaltado na rua é de facto reduzidíssima quando comparada com o assalto sistemático mensal a que estou sujeito, pelo facto de trabalhar para o Estado (tracinho ladrão), mas há mais. Mesmo que seja assaltado na rua de seis em seis meses (frequência muito pouco provável) o prejuízo estará longe de chegar ao saque "legal" da quadrilha Sousa & Santos.
10 de fevereiro de 2011
Cavaco não chega à Madeira
Na Madeira, pelo Decreto Legislativo Regional nº 16/2010M, "estabelece[-se] que a prescrição de medicamentos é feita de acordo com a denominação comum internacional e aprova[-se] o modelo de receita médica". Fui ler o preâmbulo, como é recomendado.
O aumento da despesa pública e privada no sector da saúde tem levado todos os países da União Europeia a adoptarem estratégias de contenção de custos compatíveis com a necessidade de preservar a elevada qualidade da prestação de cuidados de saúde.
A promoção dos medicamentos genéricos, a prescrição no ambulatório por denominação comum internacional (DCI), à semelhança do que já se pratica nos hospitais
e o aperfeiçoamento dos mecanismos de comparticipação, são estratégias de contenção de custos adoptadas por todos os países da União Europeia no domínio dos medicamentos.
Proporcionar aos doentes a acessibilidade aos medicamentos genéricos, bioequivalentes e com os mesmos efeitos terapêuticos dos medicamentos de marca, tem sido uma preocupação comum aos Estados Europeus.
As medidas já tomadas pelo Governo da República neste domínio produziram efeitos positivos, mas, a nível nacional, a quota de mercado dos medicamentos genéricos é ainda inferior à da generalidade dos países europeus.
Parece-me bem, mas ao magistratante activo que alega ter recebido "umas cartas" e pareceres de alguns "peritos", não há qualquer evidência científica, pelo menos abaixo do paralelo do Mu, de que os interesses da grande indústria famacêutica e seus aliados fiquem devidamente salvaguardados e, vai daí, toca a vetar que no vetar é que está o ganho.
Estou mesmo a vê-lo. Ai querem saber das acções dos meus amigos do BPN? Ai andam aí a levantar lebres sobre acasa da Coelha? Espera aí que já vão ver como elas lhes mordem!...
Não percamos a esperança. Já falta menos de cinco anos.
2 de fevereiro de 2011
A canção de protesto
Que parvos que somos!...
E se a moda pega e nasce um novo movimento de canção de protesto e a ele se associam outros movimentos que por aí andam, mais ou menos latentes?
Parece que entrámos numa qualquer era de revoluções. Ninguém estará interessado em pegar em armas e já não estamos em tempo disso. As armas hoje são outras e serão muito mais eficazes do que as dos exércitos e polícias que protegem ditadores e outros sistemas injustos. Há armas capazes de disparar em cada computador em qualquer parte do mundo, em cada telemóvel e, inevitavelmente produzir notícia replicada em todos os canais de televisão.
Ao ouvir esta canção dos Deolinda, não pude deixar de pensar em alguns jovens amigos que fazem parte do movimento "Maldita Arquitectura" e outros, que noutras áreas se sujeitam a trabalho quasi-escravo.
O caminho é pela IC. Insurreição Criativa.
24 de janeiro de 2011
O primeiro dia dos próximos cinco anos
O país votou. Segundo as regras da democracia, Cavaco ganou a sua reeleição à primeira volta e continua a ocupar o lugar de Presidente da República Portuguesa. Nada disto está em causa. É assim.
Outra coisa é saber se o homem, pelo seu passado na política portuguesa como primeiro ministro por um período que niguém teve, pela forma como se comportou no primeiro mandato e pelas coisas que entretanto se têm vindo a descobrir, incorpora essa grandeza de carácter que o torna merecedor de ser o representante de todos os portugueses.
Há quem não aceite que se ponha em causa o carácter, a honorabilidade, a honestidade, o valor da pessoa. Mas , ou eu andei muito distraído ou nenhum dos candidatos apresentou um programa político de candidatura ao cargo, que já de si está bastante pré-determinado pela constituição deixando a variabilidade para o estilo pessoal do seu exercício, para a marca de dignidade que não poderá envergonhar nenhum português. E isso está no carácter da pessoa.
Ideologicamente não me identifico com nenhum dos anteriores presidentes, mas não hesito em reconhecer-lhes o mérito de terem sabido exercer o cargo sem me envergonharem de ser português. Cavaco envergonha-me.
Ideologicamente representa o que há de mais conservador e tacanho que existe na mentalidade portuguesa. Um provincianismo de sacristia. O chico-espertismo dos que são capazes de ultrapassar todos pela faixa de socorro (pela direita) e meter-se lá mais à frente. O sempre senhor professor ou professor doutor mesmo quando há tantos outros com igual titularidade a quem não é dispensado esse trato. A safadeza cobarde de quando confrontado com as embrulhadas optar sobraceiramente pelo silêncio ou mesmo pela mentira (não percebo nada de acções com nomes em inglês, não me lembro, só passei os cheques). Isto talvez só seja a ideologia dos que não têm carácter, mas ainda assim ideologia, porque pode passar, ser modelo identificador para alguns.
Cavaco, em suma, vende o mesmo produto que Salazar. Mas faz melhor que este. Tem a vantagem de ter sempre a seu lado a sua "senhora" e o resto da família já devidamente abençoada pelo papa do Vaticano.
De resto, se o homem não se assume como político, o que é que lhe pode exigir politicamente? É uma espécie de inimputável, desse ponto de vista.
Há, pelos vistos, muita gente que gosta. Eu não. E não me coíbo de o proclamar com o mesmo direito (embora com incomparavelmente menor alcance) que é dado ao próprio e a quem se identifica com o modelo.
Não desanimemos. Faltam só 1825 dias.
12 de janeiro de 2011
Crepúsculo
A tarde foi toda de trabalho no gabinete. Responder a mails dos alunos, enviar documentação de apoio às aulas, analisar e seleccionar questões para o teste. Trabalho ao lado de uma janela virada para a ria e gosto particularmente dela durante os finais tarde.
16 de dezembro de 2010
Prodígios do campus

E eu disse. Sim. É uma história.
Por isso podem ficar tranquilos nos seus postos.
A todos atribuirei os eventos previstos, sem que nada sobrevenha de definitivamente grave. Outro ainda disse. E falamos todos ao mesmo tempo.
E eu disse. Seria bom para que ficasse bem claro o desentendimento.
Mas será mais eloquente. Para os que crêm nas palavras.
Que se entenda o que cada um diz. Entrem devagar.
Enquanto um pensa, fala e se move, aguardem os outros a sua vez.
O breve tempo de uma demonstração.
wikilíricos
Há quem acredite e espere sebastianosamente uma revelação importante - talvez, A revelação - capaz de fazer cair governos, acender a revolução, mudar o paradigma da governação mundial, acabar com as desigualdades, reduzir a pobreza a zero ou erradicar a fome. Mas, desenganem-se, muito antes do wikileaks já toda a gente soube que foi enganada por aqueles que democraticamente elegeu e que voltou a eleger os mesmos, mesmo depois de saber o que toda a gente sabe. Não precisámos de revelações secretas para sabermos todos que há partidos no governo (agora e antes) cujos ministros fizeram negócios ruinosos para o Estado com empresas para onde foram ser administradores quando deixaram de ser ministros e isso não os impediu de ganhar eleições e voltar ao governo e fazer o mesmo; para sabermos da qualidade moral de uma série de gente muito bem colocada e que pugna por bem colocar outra série de gente numa espécie de nova aristocracia dita democrática.
O wikileaks não nos fez saber mais do que sabíamos antes, embora isso não tivesse impedido que figurões como GW Bush, Berlusconi, Cavaco ou Jardim fossem eleitos.
Afinal o que é que se passa? O wikikoiso não diz?
Há quem opine que isto acontece porque o povo é um pouco estúpido... Não sei se esta informação é reservada, confidencial ou secreta, nem como foi obtida, mas parece que não consta do wikipois...
9 de dezembro de 2010
Segredo de justiça

É espantoso o que esse sistema faz. Torna ininteligível qualquer douta sentença, ou simples dilgência processual, ou até os actos compulsados dos apóstolos se for caso disso. Assim, mesmo que algum documento saia de debaixo da saia do segredo, não há problema, porque ninguém vai entender nada sem a ajuda do tal sistema, que tirando umas comissões para uns afilhados de uma certa pessoa que não convém nomear, até ficou bastante em conta.
Como prova disso, tenho aqui um documento secreto que por artes que não revelo me veio parar às mãos. Suponho que não seja nada de muito importante, mas se fosse?...
Alguém pode saber? Ora experimentem:
=CLS=
Nos presentes autos de acção especial para cumprimento de obrigações pecuniárias que a Empresa ----- intentou contra o Condomínio ------, sito na ----, em -------, pedindo a condenação deste a pagar-lhe a quantia de x.xxx,xx €, acrescida de juros de mora calculados à taxa de 4% desde a propositura da acção e até integral pagamento, juntaram A. e R., representada a primeira por mandatário com poderes especiais para o acto, a transacção que antecede, cujo teor se dá aqui por reproduzido.
Nos termos do art.º 300º, nº 3 do CPC, atenta a qualidade dos intervenientes e o objecto da transacção efectuada, que aqui se dá por reproduzido, julgo a mesma válida, homologando-a por sentença, condenando e absolvendo as partes em conformidade.
Custas conforme acordado – art.º 451º, nº 2 do Código de Processo Civil.
Fixo à acção o valor de xxxx,xx € - art.º 315º e art.º306º do Código de Processo Civil
Not. E reg.
Set.,d.s.
A Juiz de Direito
(Dr.ª ---------------)
8 de dezembro de 2010
FMI
Vou, vou-vos mostrar mais um pedaço da minha vida, um pedaço um pouco especial, trata-se de um texto que foi escrito, assim, de um só jorro, numa noite de Fevereiro de 79, e que talvez tenha um ou outro pormenor que já não é muito actual.
José Mário Branco
Estás muito enganado. Não é um ou outro pormenor...
Façamos destas tretas do FMI um outro FMI - Forte Motivo de Inspiração
