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19 de março de 2012

Gaivotas no palco

Atenção banhistas surfistas maristas praístas... E outros artistas Eu Espectador imaginário da praia Eu Também Não sei o que é o algarve E sei Ou parece-me Que ninguém saberá o que é o algarve Mas qual algarve mô O da vila de ameijoas O das mouras encantadas O do mar feito num cão Eu não sei o que é o algarve É por isso que o posso inventar pelos cheiros dos orégãos no molho dos caracóis de maio Pelos olhos dos poetas de cá e outros que vieram cá para se deixarem encantar pelo branco da cal Ou por uma noturna maré de plâncton
Vou continuar à procura desse algarve Por esses palcos fora Mesmo que a primavera anuncie a maior das tempestades e terramotos

21 de novembro de 2011

Vale

Um momento divertido do ensaio (foto de Annie Grieg)



Cresci no Vale.
Dizer que Vale é um espectáculo de dança contemporânea dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino é dizer muito pouco desta viagem/seara, rebanho/rio, festa/mar de afectos que se constrói por dentro de uma semana inteira, mas que o público só vê cerca de uma hora e um quarto.
Participei no Vale.
Fui por mim e por ti, minha rapariga que me estimulaste. Reencontrei-me com tantas memórias e gentes e animais que por vezes até lhes sentia o cheiro.
A gente do Vale
é um grupo de cinquenta pessoas que não conhecia antes e que me deixa a sensação de ali termos nascido todos e crescido. No final partimos com um sorriso na despedida, como eu parti um dia. Provavelmente, algumas destas pessoas não voltarei a encontrar em breve ou se calhar nunca mais, mas isso também me aconteceu com amigos de infância e continuo a lembrar-me deles.
Valeu!

11 de setembro de 2011

Arte no passeio ribeirinho

Ali, junto a um dos primeiros braços da Ria Formosa, no tão proclamado e tão abandonado "Parque Ribeirinho" nasceram há tempos uns pilares de cimento com uma disposição ordenada, mas não de forma a sugerir algo inacabado. Já tinha imaginado que isto seria uma espécie de stonehenge pós-moderno ou até mesmo um objecto escultórico que um certo presidente teria mandado erigir em honra dos seus amigos construtores civis. Podia até, enigmaticamente, chamar-se IMItação. Mas não. Nenhuma placa de broze assinalava o facto e única actividade que por ali vi foram uns acampamentos de ciganos e a utilização dos pilares para pender os animais.



Eu passo por ali de bicicleta (a ecovia algarviana, está por ali assinalada) e ontem deparei-me com estas hemi-figuras pintadas e que se juntam à medida que nos deslocamos.


Uma criação muito interessante que as fotos não traduzem muito bem.



Não encontrei qualquer assinatura, mas este tipo de pintura não me é estranho. Julgo reconhecer a marca de um artista plástico farense e vou procurar confirmar.




Há agora mais um motivo para os farenses se deslocarem a este sítio e dar-lhe vida. Pode ser que isso faça com que os espaço se torne alvo de maiores cuidados.








20 de maio de 2011

E se mais houvera, lá chegariam...

O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.
José Saramago

O espectáculo está montado: no canto direito - gravata azul, 79 quilos, 34,8% das intenções de voto - o candidato a primeiro miniiiiiiistro! No canto esquerdo - gravata também azul, mas um pouco mais escuro, 80 quilos, 34,7% das intenções de voto - o outro candidato a primeiro miniiiiistro! Cumprimentem-se os adversários. O grande combate vai começar!
O árbitro adverte que não admite golpes baixos e que o KO está proibido, incluindo o KO técnico.
O resultado já se sabe: um monumental empate.
Esta gente empata o país e destrói o único capital que nos resta: a esperança.
Acho que só há uma pergunta que os dois debatentes deviam ser obrigados a responder.
O PS e o PSD alternaram no poder durante 35 anos e conduziram o país à desgraça em que está. Ainda que tivessem tido umas ajudas temporárias (mas profundas) do CDS, como é que conseguiram?
Já disseram tudo. Menos isso.
Mesmo sem o saber, 80% do povo eleitor está firmemente decidido a votar nos três partidos do arco da velha, perdão, do arco do poder, imaginem se soubessem!... Ainda se aproximavam dos 100 por cento. Sem dúvida.

25 de março de 2011

O lixo

Imagem daqui

Os santos mercados já condenam Portugal ao «nível lixo», uma espécie de inferno da economia global para aonde se atiram os pecadores. Nada que sobressalte (esta aprendi com o Cavaco da presidência, mas acho que o dono do Stand Cavaco - de automóveis usados e seminovos- diria o mesmo), nada que sobressalte o nosso povo, dizia eu, que gostando tanto de calor ainda é capaz de dizer com um tal alentejano que indo parar ao inferno e tentando o diabo castigá-lo com o calor no máximo, "compadre, com a 'calma' que por aqui vai, que fará em Serpa?..."

Ficamos també hoje a saber que, de acordo com uma sondagem, os eleitores dariam uma maioria absoluta ao PSD, ou ao PSD e CDS e que ainda assim o PS se aguentaria num score aceitável, tendo em conta os acontecimentos, o que significa que à esquerda a crise pouco mexe para além de umas décimas.

É, pois, o lixo em todo o seu esplendor. O lixo, luxo que nem todos se podem gabar de juntar num mesmo palco. O lixo-presidente. Cavaco, o grande mandador em silêncio deste baile de roda capaz de voltar a juntar a esquerda e a direita. O lixo-governo que afogado em dificuldades e acossado em várias frentes não soube gerir a situação e avança de peito aberto contra as espadas estendidas. O lixo-oposição-que-quer-ser-governo que não tem alternativa e não pode fazer outra coisa que não pior que o PEC IV, determinado pela UE que por sua vez também está entalada pelo sistema global da finança. O lixo-esquerda-PC-e-BE que (depois de uma moção de censura que podia ter obrigado o PSD a votar contra e não o fez, deixando-o no conforto da abstenção) parece querer ajudar a abrir alas para o noddy Passos Coelho e toda a direita no poder (para fazer o que estes já faziam, é certo) e dar uma ajuda ao velho desejo desta direita bacoca: um presidente (blheck...), uma maioria (pfff...), e um governo (cof). Lindo! E o sol brilhará pra todos nós e a esquerda ficará mais esquerda, e assim, e tal...

Também me interrogo, se este povo-lixo merecerá melhor. E hesito muito entre o alistar-me militantemente num partido de esquerda e ajudar na discussão dos melhores caminhos (correndo naturalmente com as ideias que que o têm conduzido) e o sentar-me na plateia da indiferença a assistir à desgraça. Só que o preço do bilhete para este espectáculo sai carríssimo e é grande a probabilidade de o teatro ruir e, seguramente, os que estão na geral e na plateia ficarem esmagados pelo balcão e pelos camarotes onde se sentam os privilegiados que se safam sempre.

16 de dezembro de 2010

Prodígios do campus


Uma personagem levantou-se e disse. Isto é uma história.
E eu disse. Sim. É uma história.
Por isso podem ficar tranquilos nos seus postos.
A todos atribuirei os eventos previstos, sem que nada sobrevenha de definitivamente grave. Outro ainda disse. E falamos todos ao mesmo tempo.
E eu disse. Seria bom para que ficasse bem claro o desentendimento.
Mas será mais eloquente. Para os que crêm nas palavras.
Que se entenda o que cada um diz. Entrem devagar.
Enquanto um pensa, fala e se move, aguardem os outros a sua vez.
O breve tempo de uma demonstração.

Lídia Jorge - O dia dos prodígios


Foi ontem. Ou foi há trinta anos. Acabado de chegar a esta terra já tinha percorrido uma boa procura das tradições. Dos falares e cantares que em alguns sítios parecem ser uma e a mesma coisa. Das pragas dos marítimos às rezas a santa bárbara para afastar trovoadas lá para onde nem cresça ramo verde ou alma cr'stã. Das toadas do 'leva' aos romance carolígeo. Da ti' Bi' Fitas aos Velhos da Torre. Da Pinha de Maios e 'abarcas' às charolas. Dos comeres da serra e do mar. Destas terras de gente marafada, afeleada nos seus afazeres, alvoreada com levantes, suestes, besaranhas e sirocos capazes de xaringar um pacato montanhero. Ah, punhão. Mundo. Mesmo que não se acredite em assombrações, encantamentos e se pense que esta ou aquela estória contada naquele falar de boca cheia de Monchique ou nas vogais dobradas do barlavento. Debe. Tem que haver aqui algo de mágico e prodigioso por estas terras e gentes que ainda resiste como mouras encantadas aí pelos poços e noras. Móce. Foi mesmo uma coisa desmarcada.


Lídia Jorge recebeu ontem o grau de doutor honoris causa na Universidade do Algarve. A laudatio pelo vice-reitor Pedro Ferré e o agradecimento da escritora foram no seu conjunto uma das mais emocionantes lições de literatura e ao mesmo tempo uma viagem à minha infância, aos livros e às searas. O meu barrocal era a charneca e o mar sempre foi o Tejo. E pelo Tejo vai-se para o mundo.

Ontem li todos os livros de Lídia Jorge, mesmo os que nunca abri. Talvez por um mero bom acaso, daqueles que nem uma equação diferencial estocástica (os meus amigos matemáticos vão adorar esta) pode admitir como hipótese prever, eu tenha assistido ao Dia dos prodígios em teatro, no Trindade e tenha ido procurar o livro da cobra voadora, com as páginas amarelecidas e tenha iniciado a sua releitura quase trinta anos depois e tenha tido o privilégio, o prodigioso privilégio de poder participar nesta festa que, apesar de todo o cerimonial académico cheio de rituais de liturgia paramentada, foi por largos momentos um largo terreiro de ouvir e contar histórias estórias.

27 de novembro de 2010

Ciência rap



Fui lá por esta notícia e levei a filhota em tarde molhada mais ou menos a puxar para o sofá e televisão.
Este jovem autodesigna-se como science communicator e o que faz é falar de conceitos científicos de uma forma simples e eficaz, procurando sempre ir ao encontro dos códigos dos destinatários.
Começou por explicar o que faz utilizando apenas umas folhas A4 impressas e, apenas com isso, mostrou claramente que há várias formas de comunicar com uma plateia e que umas são mais eficazes que outras. Curiosa a forma como demonstrou que uma folha feita avião transporta a mensagem pelo ar num voo impreciso e mais ou menos aleatório e se for feita numa bola é atirada para mais longe e com maior precisão.
Depois cantou um rap a explicar o que acontece com a luz do sol: como chega à terra, o tempo que demora, a distância que percorre, os efeitos bons e maus, a importância para a vida na terra e para cada um de nós... Ele sabe que isto cantado em inglês rap é difícil de entender e repete, agora ao mesmo tempo que visualizamos um video com imagens , esquemas, animações sincronizadas com as palavras que canta. Já se percebe melhor, mas mesmo assim, inglês cantado em rap, custa mesmo a entender. Mas ouvindo as palavras, vendo as imagens e podendo ler as palavras que ele canta já se vais mais longe na compreensão. É o que ele faz: acrescenta legendas. Só faltou mesmo a tradução para português.
Num outro momento pediu que todos desenhassem o que julgavam ser um cientista. Depois de recolher as folhas pediu que levantasse o braço quem tinha desenhado com uma bata, com óculos, com barba... Muitos braços se levantaram para todas estas alternativas. Pergunta ainda quem desenhou um cientista velho, mulher, não europeu... Elucidadivo.

A menina parece que conseguiu entender muita coisa, treinou o ouvido para o inglês e gostou.
E eu também. Gostei de ir e de ir com ela. De fazermos isto juntos.

Desassossego

Cinco ésses sinuosos na mesma palavra. Um livro cheio de desassossego. Um filme cheio de palavras e tantos filmes lá dentro. Foi ontem no grande auditório da UAlg onde entrei supranumerário e só consegui sentar-me nas escadas. Um verdadeiro desassossego. Tudo por culpa de João Botelho e do Cineclube de Faro.

24 de novembro de 2010

Há filmes para ver de mão dada


A rapariga que me dá a mão e beijos no cinema sabe habitualmente ao que vai. E está sempre a levar-me para a sala escura. Desta vez foi na cidade da outra ria onde tinha que ir congressar e onde, por mero acaso estreou o fime-documentário José e Pilar. E digo por acaso, e não é por acaso, porque das 7 cidades onde o filme se exibe, todas são a norte do Tejo. Sobre filmes eu não sei escrever. Sobre o filme e as emoções ela já escreveu e muito bem, como sempre faz. E fiquei també a saber que outros o fizeram e faço eco do apelo para que se veja este fime. E para quem queira ter uma visão privilegiada como eu que o faça, se puder, de mão dada.



Como era de esperar de quem habitualmente troca os nomes às coisas e aos lugares, o filme passa a ser Pilar e José. Não é por distracção. É mesmo por feminismo imparavelmente ímpar.

Saímos do filme mais ou menos a concordar que seremos assim como uma espécie de palavra de ordem para escrever por aí nos muros: mais ateu que saramago e mais feminista que pilar. De mãos dadas.

25 de setembro de 2010

Uma letrita capaz de mudar tudo...



Faltava-me ver e fui hoje. Acho que foi a primeira vez que me sentei sozinho numa sala de cinema e tirando um ou outro pormenor, o filme nem me deu tempo para pensar muito nisso.
Sabemos todos que o cinema tem esta magia de não nos mostrar apenas um filme. Enquanto vemos o que passa no ecran passam dentro de nós inúmeros filmes. Mas, até nisso O segredo dos teus olhos é um bom aliado e faz frequentemente isso com o espectador, não só nas narrativas sobrepostas como na forma. Também se reconhecem ali uma data de filmes (policial, acção, drama) e tão depressa parece cinema americano como europeu. Na realidade, este filme não inventa nada e também não é preciso para ser um grande filme que nos toca e agarra pelas nossas dúvidas íntimas.
Dos diálogos ficam-nos por vezes umas ideias bailarinas. A frase (cito de memória) pode mudar-se de tudo, menos de paixão é uma das emblemáticas, mas a que guardei foi a que diz se podes escolher as memórias que guardas fica com as boas.
O final é para mim impressionante. Numa espécie de paráfrase de cena final de filme policial revela-se, não o assassino que foi descoberto há muito, mas, numa síntese espectacular, como se pode mudar o medo em amor. Com a força de uma letrita corajosa o medo diz-se amor.

12 de setembro de 2010

Serão. Seremos.

Ainda não tinha calhado ir aos serões do Convento apesar dos muitos convites do meu amigo. Fui hoje quando se comemorava o quarto aniversário desta iniciativa e fiquei com pena de ter faltado a quatro anos de encontros de gente com a cultura e a arte. Descubro que estou no meio de amigos, alguns já com décadas e sinto-lhes a alegria de fazer coisas e de se darem. Afinal, mais ou menos a mesma matéria com que se faz um poema na vida.
O Daniel, artista de Alte, conta estórias e ainda se lembra da letra de uma cantiga de quando percorria o país nas recolhas da música tradicional e canta "bate padeirinha do meu coração". A Tânia, economista e actriz canta, como quem respira, versos de Florbela e Natália. O Paulo conduz Outras Vozes de impressionante harmonia. O Mário traz-nos um bolero e uma cançaõ da Guiné de protesto ao trabalho escravo infantil. O Beto, angolano, mago das percussões desassossega-nos com ritmos quentes e envolve-nos em coros de Mama Makudelé. O Francisco tira do coro Ideias do Levante pérolas de dedicação.
O meu amigo ganhou esta aposta que enche de muitos amigos e, no final, numa cúmplice concessão à brejeirice ainda comentamos "e muitos mais caberão".
Força companheiro.

11 de setembro de 2010

j'Aziza


Descobri-a numa pequena loja de discos onde apareciam umas preciosidades, há cerca de dez anos. Agarrou-me pelas sonoridades do piano e da voz numa fusão de muitas latitudes dançando num terreiro a que habitualmente chamamos jazz. Ao longo de vários anos fui ouvindo e mostrando aos amigos. Esta noite fui ouvê-la no auditório municipal de Olhão.

A solo com piano. Mais piano que voz. Andou comigo em viagens sucessivas, como num vento encantatório, entre o médio oriente e os ocidentes juntando povos que tanto choram as suas mágoas como gritam a sua felicidade. É a música ao serviço da alma, para ela num sentido espiritual místico, para mim metáfora de todos os sentires das belezas do mundo e da humanidade.

Acompanhou-me o desejo de partilhar este concerto com todas as pessoas de quem gosto. Estive acompanhado por três e senti a falta de ti e de ti e de ti e de ti...



2 de setembro de 2009

Prova de vida




Vim só dizer que...






... qualquer notícia sobre o eventual desaparecimento ou morte do Contador


é, obviamente, muito exagerada.


Fotos (de telemóvel) obtidas no concerto de Emir Kusturika + No Smoking Orchestra, no passado sábado, na marina de Albufeira. Uma verdadeira loucura onde o Kusturika, seriamente, finge que toca.

17 de maio de 2009

Brincar café

A senhora de Fátima encontrou-se com o Cristo Rei. Foram fazer pastorinhos.

O Cristiano Ronaldo em cima de um andor também enchia o Terreiro do Paço.

5 de dezembro de 2008

O Modelo, a Popota e o Tony Carreira

O meu ouvido, musical e muito relativo, apreende discursos como fraseados sonoros, melodias, batidas rítmicas e, frequentemente ruídos (ia a escrever sem qualquer classificação musical, mas pensando melhor, não é bem assim).

Dum ponto de vista meramente convencional, a maior parte dos discursos que nos entram em casa em prime time, não passa de ruído. Mas, tal como na música, tanto o ruído como o silêncio podem servir intenções estéticas ou buscas transpoiéticas (esta até a mim me surpreendeu). O ruído de um tipo da bola que fala mal e nada tem para dizer vende uns minutos de publicidade num painel animado estrategicamente colocado por detrás. O Marcelo vende-se a si próprio nos gafanhotos que debita sobre tudo incluindo o partido de que já foi presidente e quer e não quer voltar a ser. A Ferreira Leite fica em silêncio cageano alternando com a aleatoriedade stockhauseniana. O Cristiano Ronaldo ganha uma bola de ouro enquanto que o Benfica tem que ganhar oito a zero a não sei quem para não sei o quê. Acontece-me às vezes, surpreender-me a trautear um comentário do Cavaco ou do PauloBento. Uma música pimba que nos fica no ouvido. Enfim.

Hoje queria falar do Modelo. A cacafonia dos últimos tempos faz-me lembrar um exercício antigo que consistia em inventar um relato de futebol numa suposta língua chinesa em que as palavras bola e golo se diziam como em português. É assim que me soam quer a Grande Orchestra Syndical quer a Camerata Ministerium:
只口喝的乌鸦在路边发现 modelo了一个装了半瓶水的长颈瓶。modelo 地直立在干涸的泥土里 modelo而且瓶口 modelo 比较细而且很深modelo 乌鸦的嘴巴根本够不着modelo 怎么办? modelo 聪明的乌鸦用嘴巴将路边的一块 modelo 块小石头放到了瓶子里。 不一会的工夫,石头已经填满了瓶子 modelo瓶子里的水位升高了。最后乌鸦终于喝到 popota tony carreira 甜美的瓶 中水neste natal 但瓶子牢牢

Há coisas incontornáveis. A invasão e a generalização de uma cultura de gestão por objectivos e a introdução de sistemas de avaliação nos diferentes níveis das organisações parece ser uma realidade donde não há fuga possível. Se calhar, o melhor mesmo é aproveitar algumas coisas boas que isso tem e procurar melhorar aquelas que são verdadeiras patetices irrealistas e que só estorvam o cumprimento da missão de um organismo.
A mobilização dos professores é admirável a vários títulos. Fez o que ninguém fez no resto da Administração Pública que já se entretém com o SIADAP há quase quatro anos. A princípio percebia-se o que queriam numa melodia mais ou menos cantabile e entendia-se a sua resistência a um processo que se desejava ver simplificado. Da parte do ministério, as vozes do que parecia um canto firme entram em sucessivo glissando e assiste-se a uma bemolização das ideias. A frente sindical empolga-se num crescendo até ao tutti finale no dia 3 de Dezembro. Só que, em sucessivas modulações, já se perdeu o tema em ambas as formações e o público já fica incomodado com a algazarra e daqui a pouco começa a patear.
Já se comenta entre o público que é preciso outro arranjo musical, outra harmonização.
O ministério sai mal, pela porta dos artistas e os professores, embora saindo pela porta principal autoglorificando-se como vêm cantando os seus hinos, não escutam as vozes que já lhes dizem que eles não querem é avaliação nenhuma - nem a do modelo nem a do pingo doce.
Como para o ano vai haver, para o próximo natal devemos ter novo concerto, desta vez com a Leopoldina e o Quim Barreiros.
(Já se diz por aí nas coxias laterais que o maestro vai substituir o outro na CGTP.)

29 de julho de 2008

Al 'Buhera

Diz-se que aqui nomearam os árabes como "castelo do mar". Talvez assim fosse. No domingo a praça talvez ficasse apenas meia cheia ou nem tanto. Como a lua decrescente.
Guardei o brilho do teu olhar enquanto dançávamos as canções rancheras.
A Lila Downs estava tão entretida a cantar que nem notou nada.

23 de junho de 2008

Alma algarvia


Têm nove e dez anos. Completaram agora o primeiro ciclo da sua vida escolar e intitulam-se de finalistas. No Centro de Actividades de Tempo Livres formaram um «rancho». O «ensaiador» é um jovem Animador Sociocultural e também anima um centro de idosos. De lá trouxe um velho acordeonista e uma senhora que toca ferrinhos.

Com as tradicionais saias de barras, coletes, chapéus e lenços algarvios, mesmo que por vezes cruzados com sapatilhas allstar ou sapatos de vela, é uma delícia vê-los bailar o corridinho.
Esta manhã no Mercado Municipal

28 de março de 2008

Para não dizerem que não falei das flores


Imagem do Barlavento
As flores eram jacintos assim chamados a um ramo de rosas à espera de um casal numa loja de bolos e outro à beira mar à espera do outro casal que tinha um ramo de rosas à espera a que os cinco narradores insistiam em chamar jacintos.
À saída o Sérgio perguntava-me o que tinha eu retirado daquilo. Eu não sabia o que responder, mas levado pelo mesmo espírito da peça, saiu-me mais ou menos o que retiro de um quadro da Kandinsky, mas pronto, nem sei se era isto que eu achava.
Agora with flowers di-lo-ei assim uma espécie de cruzamento híbrido entre minimal repetitiva e pop art sobre o antitexto de uma short story. O texto em português e inglês até podia ser em chinês, desde que bem dito como foi, porque as palavras são música para sucessivas coreografias e movimentos cenográficos e de luz de grande beleza.
Depois, para acabar nada melhor que uma cena de free huggs capaz de contaminar o público.
Isto é para não dizerem que...