Tenho
duas pessoas à minha frente na caixa do supermercado. O jovem operador de cerca
de 20 anos, cabelo muito aparadinho crescendo muito pouco para o alto da
cabeça, vai debitando as frases mecanicamente, tem cartão Jumbo?; vai desejar saco?; e número de contribuinte na factura, vai desejar?... A certa altura,
enquanto a cliente despachada metia as compras no saco, dedilha o telefone fixo
uma primeira vez, desliga e depois uma segunda. Já um novo cliente está à sua
frente e com a costumeira eficiência repete as frases no tempo certo sobre o
cartão e os sacos seguido de um olá gata!... e depois de uma troca melosa de mimos com quem estava do
outro lado da linha, pergunta, em simultâneo com os pipiis da leitura dos
preços, se a Ritinha está aí ao teu lado... ok, passa-lhe!...Chegou o momento do cliente pagar, mas introduz mal o
cartão ou carregou no botão errado e já estamos todos a perceber que a Ritinha
é namorada ou está em vias disso. Por meio da apaixonada conversa que inclui
horas de saída e onde vamos a seguir, vai dando instruções ao cliente, sem se
esquecer de inquirir se vai desejar
factura com número de contribuinte e a boa
tarde de despedida e o obrigado pela preferência, tudo sem tirar o telefone
do ouvido e intercalando os dois registos sem qualquer dificuldade. Atrás de
mim, uma senhora suspira e invoca nossa senhora; trocámos um olhar solidário,
mas não comentámos mais nada. Entretanto o rapaz já se tinha acertado para mais
logo com a rapariga e mais um beijo et al. e tinha pousado o telefone. Sem
olhar para mim diz boa tarde e o inevitável
vai desejar saco?. Foi aqui que lhe
respondi. Não vou precisar. Trago aqui um. De qualquer modo, acho difícil alguém
ter desejos por um saco de plástico, mas pode ser… Desta vez olhou para mim e
explicou sabe, nós temos de cumprir um
protocolo… E continuou a passar as minhas poucas compras e o pagamento,
enquanto eu revia mentalmente as referências ao desejo… Lembre-me das máquinas
desejantes que poderemos ser de acordo com Guatari e Deleuse… Introduzo o
cartão, faço o pagamento e enquanto meto as compras no saco, pergunto-lhe então
e esse protocolo inclui namorar enquanto atende os clientes? O rapaz da caixa 26
abriu muito os olhos, sorriu e disse ah, isso não. Respondi-lhe: então, esse
protocolo não presta! Ainda lhe vi o sorriso cair para amarelo e de imediato
passar ao mecânico normal para a cliente seguinte. Boa tarde, tem cartão Jumbo? E vai desejar saco…
Mostrar mensagens com a etiqueta e-xperiências. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta e-xperiências. Mostrar todas as mensagens
31 de maio de 2018
1 de novembro de 2016
Balanceio
Há mais de um ano que não escrevo aqui. Preguiça. Não sei se é saudades de um tempo em que escrevia compulsiva e abruptamente sobre qualquer coisa, mas às vezes ainda tenho ganas. Mesmo sabendo que já pouca gente lê blogues... Por preguiça, também, acho. Que eu também quase parei a leitura dos meus blogues de estimação e optei pela facilidade de acesso (e de outras coisas de que também quereria falar) do Facebook onde nos encontramos quase todos como as prostitutas de Amesterdão. Oh, p'ra nós aqui na montra!...
Hoje vim aqui disposto a fazer uma espécie de balanço e depois de uma trabalheira que foi entrar porque o mail que dá acesso tinha tido uma tentativa de intrusão (se calhar fui eu!) e pediram-me para alterar a password e mais não-sei-quê... Depois desta trabalheira toda, chego aqui e tenho uma página em branco e ando às voltas para não me cruzar de frente com os meus medos. Mas eu estou convencido de que sou mesmo bom é a rir-me disto tudo. Só não consigo rir da dor.
Estes últimos meses foram marcados por várias peregrinações clínicas, liturgias médicas, eucaristias diagnósticas (e a carestia disto tudo!) em duas pessoas que se amam e acompanham. Diagnósticos para dois deviam ter descontos. Valha-nos por isso a santa ADSE que penitentemente pagamos há tantos anos! Temos "tristeza das células", como escreveu Jayme Ovalle, puxado por Vinicius para o seu poema Sob o Trópico de Câncer, em 1969. Mas deixemo-nos de evasivas. O que temos é um fascista de um cancro a apropriar-se das nossas células. Uma germinação burguesa e capitalista que nos acompanha dentro de nós da mesma forma que habita as sociedades. À mais pequena oportunidade, descuido, permissividade, sei lá! salta para a rua ou lança focos de sabotagem em vários pontos das cidades ou dos corpos. É preciso estar vigilantes. camaradas! Pegá-lo logo pelos colarinhos e gritar-lhes 'No passarán!'. Isto resulta melhor se nunca perdermos a nossa capacidade de rir. Se um dia formos vencidos (coisa que não estou disposto a conceder) e tivermos de morrer, que seja a rir!
Eu, a minha rapariga e uma amiga chegada estamos em luta contra esta cambada fascista. É também uma aprendizagem e uma experiência. Não estamos a morrer. Estamos a viver de forma disferente e a lutar. Unidos Venceremos! E... A luta continua!
Hoje vim aqui disposto a fazer uma espécie de balanço e depois de uma trabalheira que foi entrar porque o mail que dá acesso tinha tido uma tentativa de intrusão (se calhar fui eu!) e pediram-me para alterar a password e mais não-sei-quê... Depois desta trabalheira toda, chego aqui e tenho uma página em branco e ando às voltas para não me cruzar de frente com os meus medos. Mas eu estou convencido de que sou mesmo bom é a rir-me disto tudo. Só não consigo rir da dor.
Estes últimos meses foram marcados por várias peregrinações clínicas, liturgias médicas, eucaristias diagnósticas (e a carestia disto tudo!) em duas pessoas que se amam e acompanham. Diagnósticos para dois deviam ter descontos. Valha-nos por isso a santa ADSE que penitentemente pagamos há tantos anos! Temos "tristeza das células", como escreveu Jayme Ovalle, puxado por Vinicius para o seu poema Sob o Trópico de Câncer, em 1969. Mas deixemo-nos de evasivas. O que temos é um fascista de um cancro a apropriar-se das nossas células. Uma germinação burguesa e capitalista que nos acompanha dentro de nós da mesma forma que habita as sociedades. À mais pequena oportunidade, descuido, permissividade, sei lá! salta para a rua ou lança focos de sabotagem em vários pontos das cidades ou dos corpos. É preciso estar vigilantes. camaradas! Pegá-lo logo pelos colarinhos e gritar-lhes 'No passarán!'. Isto resulta melhor se nunca perdermos a nossa capacidade de rir. Se um dia formos vencidos (coisa que não estou disposto a conceder) e tivermos de morrer, que seja a rir!
Eu, a minha rapariga e uma amiga chegada estamos em luta contra esta cambada fascista. É também uma aprendizagem e uma experiência. Não estamos a morrer. Estamos a viver de forma disferente e a lutar. Unidos Venceremos! E... A luta continua!
Balanceio
Há mais de um ano que não escrevo aqui. Preguiça. Não sei se é saudades de um tempo em que escrevia compulsiva e abruptamente sobre qualquer coisa, mas às vezes ainda tenho ganas. Mesmo sabendo que já pouca gente lê blogues... Por preguiça, também, acho. Que eu também quase parei a leitura dos meus blogues de estimação e optei pela facilidade de acesso (e de outras coisas de que também quereria falar) do Facebook onde nos encontramos quase todos como as prostitutas de Amesterdão. Oh, p'ra nós aqui na montra!...
Hoje vim aqui disposto a fazer uma espécie de balanço e depois de uma trabalheira que foi entrar porque o mail que dá acesso tinha tido uma tentativa de intrusão (se calhar fui eu!) e pediram-me para alterar a password e mais não-sei-quê... Depois desta trabalheira toda, chego aqui e tenho uma página em branco e ando às voltas para não me cruzar de frente com os meus medos. Mas eu estou convencido de que sou mesmo bom é a rir-me disto tudo. Só não consigo rir da dor.
Estes últimos meses foram marcados por várias perigrenações clínicas, liturgias médicas, eucaristias diagnósticas (e a carestia disto tudo!) em duas pessoas que se amam e acompanham. Diagnósticos para dois deviam ter descontos. Valha-nos por isso a santa ADSE que penitentemente pagamos há tantos anos! Temos "tristeza das células", como escreveu Jayme Ovalle, puxado por Vinicius para o seu poema Sob o Trópico de Câncer, em 1969. Mas deixemo-nos de evasivas. O que temos é um fascista de um cancro a apropriar-se das nossas células. Uma germinação burguesa e capitalista que nos acompanha dentro de nós da mesma forma que habita as sociedades. À mais pequena oportunidade, descuido, permissividade, sei lá! salta para a rua ou lança focos de sabotagem em vários pontos das cidades ou dos corpos. É preciso estar vigilantes. camaradas! Pegá-lo logo pelos colarinhos e gritar-lhes 'No passarán!'. Isto resulta melhor se nunca perdermos a nossa capacidade de rir. Se um dia formos vencidos (coisa que não estou disposto a conceder) e tivermos de morrer, que seja a rir!
Eu, a minha rapariga e uma amiga chegada estamos em luta contra esta cambada fascista. É também uma aprendizagem e uma experiência. Não estamos a morrer. Estamos a viver de forma disferente e a lutar. Unidos Venceremos! E... A luta continua!
Hoje vim aqui disposto a fazer uma espécie de balanço e depois de uma trabalheira que foi entrar porque o mail que dá acesso tinha tido uma tentativa de intrusão (se calhar fui eu!) e pediram-me para alterar a password e mais não-sei-quê... Depois desta trabalheira toda, chego aqui e tenho uma página em branco e ando às voltas para não me cruzar de frente com os meus medos. Mas eu estou convencido de que sou mesmo bom é a rir-me disto tudo. Só não consigo rir da dor.
Estes últimos meses foram marcados por várias perigrenações clínicas, liturgias médicas, eucaristias diagnósticas (e a carestia disto tudo!) em duas pessoas que se amam e acompanham. Diagnósticos para dois deviam ter descontos. Valha-nos por isso a santa ADSE que penitentemente pagamos há tantos anos! Temos "tristeza das células", como escreveu Jayme Ovalle, puxado por Vinicius para o seu poema Sob o Trópico de Câncer, em 1969. Mas deixemo-nos de evasivas. O que temos é um fascista de um cancro a apropriar-se das nossas células. Uma germinação burguesa e capitalista que nos acompanha dentro de nós da mesma forma que habita as sociedades. À mais pequena oportunidade, descuido, permissividade, sei lá! salta para a rua ou lança focos de sabotagem em vários pontos das cidades ou dos corpos. É preciso estar vigilantes. camaradas! Pegá-lo logo pelos colarinhos e gritar-lhes 'No passarán!'. Isto resulta melhor se nunca perdermos a nossa capacidade de rir. Se um dia formos vencidos (coisa que não estou disposto a conceder) e tivermos de morrer, que seja a rir!
Eu, a minha rapariga e uma amiga chegada estamos em luta contra esta cambada fascista. É também uma aprendizagem e uma experiência. Não estamos a morrer. Estamos a viver de forma disferente e a lutar. Unidos Venceremos! E... A luta continua!
10 de setembro de 2015
No rasto dos poetas:A gentileza dos cegos
Um dia dei com um poema que me chamou a atenção pelo que nele há de paradoxal e, para além das reflexões que fiz sobre as coisas que fazemos no dia-a-dia e não reparamos, pensei logo levá-lo para as aulas de comunicação e relação. Faz-me pensar em tudo o que fazemos sem ter em conta a situação particular do outro, mas, pior, como se o outro visse e pensasse o mundo como cada um de nós o vive e pensa. É um poema de uma poetiza polaca já falecida e que foi prémio Nobel em 1996. Chama-se Wislawa Szymborka (1923-2012).
Há uma tradução brasileira, mas fiz uma nova a partir da versão em inglês traduzida do polaco por J. Kostkowska.
A gentileza dos cegos
Um poeta lê para os cegos.
Ele não suspeitava de como era tão difícil.
A sua voz falha. As suas mãos tremem.
Ele sente que aqui cada frase
fica sujeita à prova da escuridão.
Ela terá de valer por si própria
sem luzes ou cores.
Uma aventura perigosa para as estrelas do seu poema,
para o amanhecer, para o arco-íris, para as nuvens, para os néons, para a lua,
para o peixe, até agora tão prateado, dentro de água,
e para o gavião tão silenciosamente alto no céu.
O poeta lê – já é demasiado tarde para parar –
sobre um menino de casaco amarelo no verdejante prado,
os telhados rubros que salpicam o vale,
os movimentados números nas camisolas dos jogadores
e a desconhecida nua na porta entreaberta.
Ele gostaria de não mencionar – embora já não possa –
todos aqueles santos no tecto da catedral,
aquela onda de adeus na janela do comboio
a lente do microscópio, o raio de luz na pedra preciosa
o ecrã do cinema, e os espelhos, e os álbuns de fotos.
Ainda assim é grande a gentileza dos cegos,
grande a sua compaixão e generosidade.
Eles escutam, sorriem e aplaudem.
Um deles até se aproxima
com um livro de cabeça para baixo
a pedir um autógrafo invisível.
A poet is reading to the blind. He did not suspect it was so hard. His voice is breaking. His hands are shaking. He feels that here each sentence is put to the test of the dark. It will have to fend for itself without the lights or colors. A perilous adventure for the stars in his poems, for the dawn, the rainbow, the clouds, neon lights, the moon, for the fish until now so silver under water, and the hawk so silently high in the sky. He is reading - for it is too late to stop - of a boy in a jacket yellow in the green meadow, of red rooftops easy to spot in the valley, the restless numbers on the players' shirts, and a nude stranger in the door cracked open. He would like to pass over - though it's not an option - all those saints on the cathedral's ceiling, that farewell wave from the train window, the microscope lens, ray of light in the gem, video screens, and mirrors, and the album with faces. Yet great is the kindness of the blind, great their compassion and generosity. They listen, smile, and clap. One of them even approaches with a book held topsy-turvy to ask for an invisible autograph.
Há uma tradução brasileira, mas fiz uma nova a partir da versão em inglês traduzida do polaco por J. Kostkowska.
A gentileza dos cegos
Um poeta lê para os cegos.
Ele não suspeitava de como era tão difícil.
A sua voz falha. As suas mãos tremem.
Ele sente que aqui cada frase
fica sujeita à prova da escuridão.
Ela terá de valer por si própria
sem luzes ou cores.
Uma aventura perigosa para as estrelas do seu poema,
para o amanhecer, para o arco-íris, para as nuvens, para os néons, para a lua,
para o peixe, até agora tão prateado, dentro de água,
e para o gavião tão silenciosamente alto no céu.
O poeta lê – já é demasiado tarde para parar –
sobre um menino de casaco amarelo no verdejante prado,
os telhados rubros que salpicam o vale,
os movimentados números nas camisolas dos jogadores
e a desconhecida nua na porta entreaberta.
Ele gostaria de não mencionar – embora já não possa –
todos aqueles santos no tecto da catedral,
aquela onda de adeus na janela do comboio
a lente do microscópio, o raio de luz na pedra preciosa
o ecrã do cinema, e os espelhos, e os álbuns de fotos.
Ainda assim é grande a gentileza dos cegos,
grande a sua compaixão e generosidade.
Eles escutam, sorriem e aplaudem.
Um deles até se aproxima
com um livro de cabeça para baixo
a pedir um autógrafo invisível.
A poet is reading to the blind. He did not suspect it was so hard. His voice is breaking. His hands are shaking. He feels that here each sentence is put to the test of the dark. It will have to fend for itself without the lights or colors. A perilous adventure for the stars in his poems, for the dawn, the rainbow, the clouds, neon lights, the moon, for the fish until now so silver under water, and the hawk so silently high in the sky. He is reading - for it is too late to stop - of a boy in a jacket yellow in the green meadow, of red rooftops easy to spot in the valley, the restless numbers on the players' shirts, and a nude stranger in the door cracked open. He would like to pass over - though it's not an option - all those saints on the cathedral's ceiling, that farewell wave from the train window, the microscope lens, ray of light in the gem, video screens, and mirrors, and the album with faces. Yet great is the kindness of the blind, great their compassion and generosity. They listen, smile, and clap. One of them even approaches with a book held topsy-turvy to ask for an invisible autograph.
Etiquetas:
e-closões e-mergências,
e-xperiências
11 de março de 2012
Poetas, livreiros e outros desassossegos
Fui lá pela curiosidade depois de ouvir falar (Pacheco Pereira, na SICnotícias) desta livraria e deste poeta (entre outras coisas) e seu fundador.
Lawrence Ferlinghetti é um dos poetas da beat generation do qual sei muito pouco ainda. Mas deixo aqui uma ponta para, mais tarde, puxar e ir até a esses tempos de criatividade insurgente e poder trazer outros.
Para já fica aqui um poema sobre a América, o seu sistema, os governantes e o povo eleitor.
PÁSSARO COM DUAS ASAS DIREITAS
E agora o nosso governo
um pássaro com duas asas direitas
voa de um lado para o outro
enquanto nós vamos tendo a nossa sessãozita de jogos & diversão
em cada eleição
como se realmente importasse quem é o piloto
do avião presidencial
(Eles alternam-se, estúpido!)
Enquanto esta ave com duas asas direitas
voa a direito com sua tripulação corporativa
E este ano é o Grande Filme do Cowboy no cockpit
E no próximo o grande piloto Bush
E agora o Kid Chameleone continua a trocar o emblema do boné de capitão
e agora é um burro e agora um elefante
e agora, uma espécie de burrefante
E agora podemos reconhecer os dois tripulantes
o que conseguiu um contrato com América
e um outro, um tal gringo infeliz
muito ocupado de chave-inglesa na mão
a reparar as partes essenciais do motor
e os sistemas de suporte de vida
e com uma grande e gorda mangueira
a chupar o combustível para tanques privados
E enquanto isso nós apenas ocupamos
assentos de passageiro
sem pára-quedas
atentos a todas as informações de que está apto para voar
pelo sistema unidirecional de PA
sobre como o contrato com a América
é realmente bom para nós etc.
A todo momento o avião atafulha-se
com o seu manifesto destino
pós-moderno
Lawrence Ferlinghetti
(tradução à moda da casa)
BIRD WITH TWO RIGHT WINGS
And now our government
a bird with two right wings
flies on from zone to zone
while we go on having our little fun & games
at each election
as if it really mattered who the pilot is
of Air Force One
(They're interchangeable, stupid!)
While this bird with two right wings
flies right on with its corporate flight crew
And this year its the Great Movie Cowboy in the cockpit
And next year its the great Bush pilot
And now its the Chameleon Kid
and he keeps changing the logo on his captains cap
and now its a donkey and now an elephant
and now some kind of donkephant
And now we recognize two of the crew
who took out a contract on America
and one is a certain gringo wretch
who's busy monkeywrenching
crucial parts of the engine
and its life-support systems
and they got a big fat hose
to siphon off the fuel to privatized tanks
And all the while we just sit there
in the passenger seats
without parachutes
listening to all the news that's fit to air
over the one-way PA system
about how the contract on America
is really good for us etcetera
As all the while the plane lumbers on
into its postmodern
manifest destiny
Lawrence Ferlinghetti
And now our government
a bird with two right wings
flies on from zone to zone
while we go on having our little fun & games
at each election
as if it really mattered who the pilot is
of Air Force One
(They're interchangeable, stupid!)
While this bird with two right wings
flies right on with its corporate flight crew
And this year its the Great Movie Cowboy in the cockpit
And next year its the great Bush pilot
And now its the Chameleon Kid
and he keeps changing the logo on his captains cap
and now its a donkey and now an elephant
and now some kind of donkephant
And now we recognize two of the crew
who took out a contract on America
and one is a certain gringo wretch
who's busy monkeywrenching
crucial parts of the engine
and its life-support systems
and they got a big fat hose
to siphon off the fuel to privatized tanks
And all the while we just sit there
in the passenger seats
without parachutes
listening to all the news that's fit to air
over the one-way PA system
about how the contract on America
is really good for us etcetera
As all the while the plane lumbers on
into its postmodern
manifest destiny
Lawrence Ferlinghetti
28 de fevereiro de 2012
Cultivadas c'a fé
Se aquela que é Cristas e ministra assim de tão plural ministério sabe disto ainda me contrata para sacristão.
Ora, são...
(São, de Assunção se me é permitida a familiaridade e também de oração que é seu tão proclamado e profundo mister aplicado à política agrícola e também à dança da chuva)
São batatas, senhora!
Batatas doces em fevereiro?
Pois são assim os milagres... Na realidade, tinha lá plantado outra coisa para dar aos pobrezinhos. Para eles fumarem e esquecerem as suas angústias. Mas eis que chega a inspecção ministerial e místico-agrícola e o milagre veio mesmo a calhar.
Batatas doces (Ipomoea batatas) colhidas hoje no quintal da Horta.
Pertencem à Família das convolvuláceas, mas não me importo. Não devemos discriminar ninguém.
Etiquetas:
e-closões,
e-lucidações,
e-xperiências
5 de janeiro de 2012
No rasto de outros poetas
. 
The Perfect City
Translated by Roger Greenwald
One Wednesday three flights up in February
she had made the bed with clean sheets,
drawn the curtains,
for the window did not face the sky
but another building.
Gunnar Harding nasceu na Suécia em 1940, foi músico de jazz , estudou pintura e aos 27 anos iniciou-se na escrita.
Achei este poema traduzido em inglês porelo novaiorquino Roger Greenwald. Não vi o original em sueco e, mesmo que o visse, ficaria com a mesma dúvida e a mesma fantasia: o que acontece a um poema depois de passar por várias línguas e tradutores? como voltaria ele à língua em que foi escrito?
Eu gosto das palavras em várias línguas e gostaria de saber mais dessas línguas todas para ler a história que cada palavra conta na sua singularidade.
A cidade perfeita
(a partir da versão em inglês de Roger Greenwald)
(a partir da versão em inglês de Roger Greenwald)
Uma quarta-feira três voos para fevereiro
ela tinha feito a cama com lençóis limpos,
abertas as cortinas,
da janela donde não se vê o céu
mas um outro edifício.
ela tinha feito a cama com lençóis limpos,
abertas as cortinas,
da janela donde não se vê o céu
mas um outro edifício.
Havia uma tempestade que passou.
Tanto sangue em movimento
através dos seus corpos.
Tanto sangue em movimento
através dos seus corpos.
Ela flutua nos seus cabelos em cascata.
A cidade lá fora está vazia,
perfeita e vazia.
No seu centro fica a sua casa,
tecendo silêncio pelas ruas.
A cidade lá fora está vazia,
perfeita e vazia.
No seu centro fica a sua casa,
tecendo silêncio pelas ruas.
A escuridão dos poços espera
ser içada, vir acima
em baldes silentes
mas a frieza do mármore não se pode apagar.
ser içada, vir acima
em baldes silentes
mas a frieza do mármore não se pode apagar.
Estamos apenas no início da história.
Um dia o sangue fluirá a partir da brancura.
Um dia o sangue fluirá a partir da brancura.
The Perfect City
Translated by Roger Greenwald
One Wednesday three flights up in February
she had made the bed with clean sheets,
drawn the curtains,
for the window did not face the sky
but another building.
There was a storm that passed through.
So much blood in motion
through their bodies.
So much blood in motion
through their bodies.
She floats amid her cascading hair.
The city outside is empty,
perfect and empty.
At its center stands their house,
casting silence through the streets.
The city outside is empty,
perfect and empty.
At its center stands their house,
casting silence through the streets.
Darkness waits in wells
to be hauled up, hauled upin
silent buckets
but the coldness of marble cannot be quenched.
to be hauled up, hauled upin
silent buckets
but the coldness of marble cannot be quenched.
We are only at the beginning of the story.
One day blood will flow from the whiteness.
One day blood will flow from the whiteness.
Gunnar Harding
3 de janeiro de 2012
De mim para ti
i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
E. E. Cummings
trago comigo o teu coração (trago-o dentro do
meu coração) nunca estou sem ele (onde quer
que eu vá, tu vais, minha querida; e tudo que é feito
apenas por mim és tu que o fazes, minha querida)
não temo
nenhum destino (pois o meu destino és tu, doçura) não quero
nenhum mundo (para beleza és o meu mundo, minha verdade)
e és tu tudo o que uma lua sempre significou
e aquilo que um sol sempre cantará és tu
meu coração) nunca estou sem ele (onde quer
que eu vá, tu vais, minha querida; e tudo que é feito
apenas por mim és tu que o fazes, minha querida)
não temo
nenhum destino (pois o meu destino és tu, doçura) não quero
nenhum mundo (para beleza és o meu mundo, minha verdade)
e és tu tudo o que uma lua sempre significou
e aquilo que um sol sempre cantará és tu
eis o mais profundo segredo que ninguém conhece
(eis a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce
maior do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas
trago comigo o teu coração (trago-o dentro do meu coração)
(eis a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce
maior do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas
trago comigo o teu coração (trago-o dentro do meu coração)
(tradução minha)
Etiquetas:
e -stados de alma,
e-closões e-mergências,
e-special,
e-xperiências
Foi na hora
O Google deu-me o que queria e mais uma tradução brasileira e uma versão musicada e cantada por Zeca Baleiro. Da tradução que encontrei que não gostei particularmente e resolvi meter-me a um atrevimento que ainda não tinha ousado. Assim, com ajuda do Oxford Advanced Learner's Dictionary e de algumas ferramentas electrónicas fui-me a ele.
Imagem daqui
somewhere i have never travelled,gladly beyond
somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
(E. E. Cummings)
algures, aonde nunca fui, para além do prazer
de qualquer experiência, os teus olhos revelam o silêncio:
no teu mais frágil gesto há coisas que me prendem
ou que não consigo tocar por estarem demasiado perto
o teu mais leve olhar liberta-me facilmente
apesar de me ter fechado como os dedos,
tu abres-me sempre pétala a pétala tal como Primavera abre
(tocando hábil, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se o teu desejo é fechar-me, eu e
a minha vida fechar-nos-emos em beleza, de repente,
tal como o coração desta flor imagina
a neve a descer cuidadosa em toda a parte;
nada do que podemos perceber neste mundo iguala
o poder da tua intensa fragilidade: cuja textura
me obriga com a cor dos seus países,
a trocar a morte e a eternidade em cada respiração.
(não sei o que há em ti que fecha
e abre; apenas algo em mim compreende
que a voz dos teus olhos é mais profunda do que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
Isto não é nada fácil e, além do mais, não sei assim tanto inglês para me armar em tradutor, ainda por cima de poesia. Há algumas ideias de difícil apreensão no original e não tenho nada a certeza de ter encontrado o equivalente em português. Ainda assim, gosto do resultado e sobretudo da aprendizagem que é esta experiência de traduzir poesia.
Etiquetas:
e-closões e-mergências,
e-spantos,
e-xperiências
21 de novembro de 2011
Vale
Cresci no Vale.
Dizer que Vale é um espectáculo de dança contemporânea dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino é dizer muito pouco desta viagem/seara, rebanho/rio, festa/mar de afectos que se constrói por dentro de uma semana inteira, mas que o público só vê cerca de uma hora e um quarto.
Participei no Vale.
Fui por mim e por ti, minha rapariga que me estimulaste. Reencontrei-me com tantas memórias e gentes e animais que por vezes até lhes sentia o cheiro.
A gente do Vale
é um grupo de cinquenta pessoas que não conhecia antes e que me deixa a sensação de ali termos nascido todos e crescido. No final partimos com um sorriso na despedida, como eu parti um dia. Provavelmente, algumas destas pessoas não voltarei a encontrar em breve ou se calhar nunca mais, mas isso também me aconteceu com amigos de infância e continuo a lembrar-me deles.
Valeu!
Dizer que Vale é um espectáculo de dança contemporânea dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino é dizer muito pouco desta viagem/seara, rebanho/rio, festa/mar de afectos que se constrói por dentro de uma semana inteira, mas que o público só vê cerca de uma hora e um quarto.
Participei no Vale.
Fui por mim e por ti, minha rapariga que me estimulaste. Reencontrei-me com tantas memórias e gentes e animais que por vezes até lhes sentia o cheiro.
A gente do Vale
é um grupo de cinquenta pessoas que não conhecia antes e que me deixa a sensação de ali termos nascido todos e crescido. No final partimos com um sorriso na despedida, como eu parti um dia. Provavelmente, algumas destas pessoas não voltarei a encontrar em breve ou se calhar nunca mais, mas isso também me aconteceu com amigos de infância e continuo a lembrar-me deles.
Valeu!
Etiquetas:
e-closões,
e-spantos,
e-spectáculo,
e-xperiências
6 de junho de 2011
10 de março de 2010
Coisas da escola
Tenho partilhado com um colega um gabinete acanhado, com uma janela onde não bate o sol que dá para um páteo relvado com alguns choupos limitado pela parede do edifício do auditório que trava a vista logo ali.
Hoje mudei para outro gabinete, virado para o sol e para a água.
Mesmo com longos períodos de contemplação, a tarde foi mais produtiva que muitos dias inteiros. Se calhar foi porque fiquei até mais tarde embalado pelo cair do sol.
14 de julho de 2009
Googlando a minha rua
Confesso. Sou um verdadeiro googlómano.
Sempre gostei de saber coisas. Todas as coisas, mesmo as mais inúteis.
Tenho uma curiosidade quase doentia por palavras, o seu significado, a sua origem. Igual curiosidade por saber onde ficam os lugares, como são as paisagens, como se vai para lá.
Dantes consultava dicionários, enciclopédias, mapas. Agora, num clique, o google dá-nos quase tudo.
O Google maps já tem para muitas cidades uma opção "vista de rua". Ontem tive oportunidade de ver como isso se faz. Chamou-me a a atenção uma viatura com um zingarelho às costas a andar de um lado para o outro. Só quando passou por mim é que reparei no autocolante na porta.
Daqui a uns tempos até sou capaz de aparecer, na minha rua de máquina fotográfica apontada.
Chama-se googol, nome inventado por um puto de nove anos para designar o número 1 seguido de 100 zeros.
23 de junho de 2009
Pedalanço
Andar de bicicleta na ponte é uma experiência extraordinária. Poder parar, olhar o Tejo, admirar a cidade, as duas margens, observar os mariscadores, as aves... Beijar a meio do tabuleiro da ponte faria o Vasco da Gama arregalar os olhos e cofiar a longa barba. Esta experiência vale os 60 euros e o levantar cedo.
O resto, não. A qualidade das bicicletas (talvez porque montadas à pressa e mal afinadas), a ausência de mais apoio técnico ao longo do percurso, quando as bicicletas se começam a desconjuntar, a intoxicação publicitária e o inenarrável speaker.
A iniciativa é interessante, tem o apoio do IDT, cuja mensagem se perde completamente. É pena que não prevaleça uma associação mais forte a uma ideia de vida saúdável, de respeito pela natureza, de sustentabilidade ambiental.
O que vale é que a gente com quem me cruzei nesta manhã parece não ligar patavina às marcas patrocinadoras e lá vai bem disposta e partilhando o prazer desta aventura. A mochila diz galp, mas a gente a seguir vai é abastecer ao jumbo e pronto.
Ai, um beijo na ponte...
Pedala que ped'alma (desculpa lá esta O'Neil)
6 de maio de 2009
maio, maduro maio
Terras de Trás-os-Montes: quilómetros de prazer (*).
As viagens são sempre descobertas. Talvez porque sejam sobretudo viagens por dentro de nós.
Encontramo-nos com gente tão igual e tão diferente de outra gente e as conversas misturam-se em tempos diferentes da nossa vida.
Foi bom sentir o olhar no mesmo sentido. Por cima e para lá de todas as serranias. E encontrá-lo lá naquele sítio de insondável bruma a que chamamos infinito.
(*) Off posting:
Eu sei. Este slogan já foi usado e, os mais velhos lembrar-se-ão, por uma marca de cigarros. A publicidade procurava então associar o acto de fumar à condução de um automóvel, dois traços inegáveis de status, classe e distinção que ainda perduram, às vezes criminosamente. Continuo a ver muita gente que conduz e fuma e joga a beata à estrada. Uns quilómetros à frente, poderão ouvir na rádio a notícia de mais um fogo florestal, "provavelmente de origem criminosa", carregar no acelerador e suspirar de alívio: ainda bem que não é na nossa casa...
Etiquetas:
e,
e-moções,
e-special,
e-xperiências
16 de janeiro de 2009
ESEanima. Ânimo!

Parece que já não há lugar para mais inscrições
Pode sempre ver em directo na CNN ou ler depoisa reportagem na TIMES
AniMO
Etiquetas:
e-xperiências,
serviço público
5 de setembro de 2008
Vindima
Vão a caminho dos oitenta e repetem os mesmos gestos rurais todos os anos.Repetem também os discursos com umas pequenas alterações, como se fosse uma matriz de dados que se preenche todos os anos: daqui do Valdaque já tirámos três mil e quinhentos quilos de uvas este ano; o Casalinho está um pouco melhor, mas tem menos grau, é da rega; na Guarita estragou-se muito, foram as geadas...
De muitas décadas de volta das vinhas sobra-lhes a angústia de não saber o que vai acontecer quando não conseguirem cuidar delas. Sei que para eles ver as terras por amanhar os fará morrer mais depressa. O rendimento que dali tiram não paga o trabalho e isso torna a exploração agrícola praticamente inviável. Isso é o que pensará qualquer agricultor, ou engenheiro ou qualquer pessoa. Mas não estamos a falar de uma exploração agrícola; é um modo de vida. Vivem do trabalho, do amor à terra e não do seu rendimento. Subsistem com uma parca reforma donde ainda tiram para comprar uns adubos ou gasóleo para o tractor.
Foi daqui que nasci e me criei. Comecei menino a fazer vindimas de sol a sol, um dia inteiro de mãos pegajosas do mosto, dores nas costas e algumas picadas de abelhas. Devia lá estar agora para o rancho ser maior.
Etiquetas:
e-legia,
e-vocações,
e-xperiências
28 de julho de 2008
Concurso em curso
Há anos li uma pequena história, sobre a selecção e o recrutamento de recursos humanos que de vez em quando é trazida de novo à minha memória, por esta ou aquela circunstância.
A história, do século passado e é anterior ao choque tecnológico e à empresa na hora rezava mais ou menos assim:
Uma empresa de média dimensão precisa de preencher um posto de trabalho na área do secretariado de administração. Como é uma empresa moderna, com intenções de se lançar no mercado nacional e internacional e quer demonstrar que cortou com os métodos tradicionais de arranjar um emprego para o filho ou sobrinha de um amigo-a-quem-em-tempos-também-pediu-um-favor, ou porque a menina tem um palminho de cara e se nem sabe escrever à máquina, logo aprende... Não. Trata-se de uma aposta no futuro, um projecto proactivo e filiado nas boas práticas de gestão e por isso recorre a uma empresa especializada na selecção e recrutamento de recusos humanos. Esta, por sua vez, faz publicar um anúncio nos jornais, entre os quais e obrigatoriamente, o Expresso; recebe as candidaturas municiadas do respectivo Curriculum Vitae; após uma primeira selecção convoca os candidadtos e procede à entrevista; analisa e pondera todos os factores; elabora o relatório e prepara a apresentação ao seu cliente. São apresentados os três candidatos, duas mulheres e um homem que segundo os critérios da empresa de RH mais se ajustam às exigências do posto de trabalho. O administrador que é também o dono da empresa ouviu com algum enfado a apresentação e as explicações detalhadas das características e competências específicas de cada um. No final, folheou maquinalmente o relatório por mais uns momentos e proferiu com decisão: Muito bem. Contratamos a loira.
Também nos diferentes níveis da administração do Estado as coisas têm vindo a mudar. Ou não?
Hoje o processo de recrutamento para quase toda a administração pública é feito por consurso devidamente publicitado nos orgãos oficiais e obrigatoriamente no site da BEP (Bolsa de Emprego Público). Exceptuam-se os casos, também esses identificados e assumidos, em que a nomeação se faz por confiança política.
A mim nem me choca que um alto dirigente da administração pública, responsável por um determinado projecto possa nomear os seus colaboradores mais directos na base da confiança pessoal (não distingo se é política, ou técnica ou outra) desde que tanto uns como outros, estejam sujeitos a escrutínio e avaliação e tudo seja claro. Acho, de certa forma aceitável para o estado de direito não garantir sempre o princípio da igualdade de oportunidade em situações em que há delegação de competências e que a escolha possa ser feita por confiança. Tem é que ser transparente e público.
A administração local, só por si encerra um mundo de contradições muito particular. O Poder Local é uma das maiores contruções da democracia e tem-se mostrado capaz tanto das melhores realizações para o bem estar das populações, como dos piores e impunes crimes contra o ambiente, o urbanismo e a cultura. Mas fiquemos pelo recrutamento de dirigentes autárquicos.
As autarquias locais também são e muito bem, obrigadas ao processo concurso para recrutamento de pessoal, incluindo o pessoal dirigente, nomeadamente o de nível intermédio. Sabemos todos que ainda que por vezes se abre um concurso que apenas tem por finalidade regularizar a situação de uma pessoa que já desempenha e até com elevada qualidade, aquela função, ou para promover alguém que efectivamente até merece. Mas um concurso é um concurso; é aberto a todos que satisfaçam as suas exigências e... tudo pode acontecer. Sei de um concurso cujo aviso de abertura praticamente tinha as fotografias dos destinatários e vem alguém de fora e fica em primeiro. Tudo pode acontecer mesmo.
A primeira estratégia parece ser desencorajar os potenciais candidatos. Redigir um anúncio que dentro da forma regular possa deixar a ideia de que já há alguém para aquele lugar. Já vi muito disto, mas parece que há uma nova geração de génios criativos especialmente vocacionados para o non sense a trabalhar nos departmentos de RH.
Vejamos:
A Câmara Municipal de Loulé pretendendo recrutar dirigentes para as suas estruturas, no caso, a macroestrutura organizacional dos serviços municipais publicada no Diário da República, II Séria, N.º35 de 19 de Fevereiro de 2008 torna público através do DR e depois da BEP, a oferta de emprego com o código OE200807/0288, para Chefe de Divisão para o qual se exige a habilitação de Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, complementada com Mestrado na área. Até aqui quase tudo bem se não tivermos em conta que não se explicita qual a área funcional (suponho que é a que se refere no Dr nº 35 que não consultei) e que no conteúdo funcional se remete para o óbvio inerente ao cargo a prover. O cargo é de chefe de divisão e se não importa a área, para quê a especificação das habilitações?
O mais surpreendente, para quem esteja interessado em concorrer vem logo a seguir. No perfil, para além das competências comuns a este nível de dirigentes acrescenta-se algo finalmente clarificador: experiência profissional comprovada no âmbito da reabilitação e intervenção urbanas e na edificação e urbanização das autarquias locais e formação profissional específica e/ou relacionada com a área funcional posta a concurso, como não podia deixar de ser.
Um telefonema para o número indicado (geral da Câmara) passa de voz em voz até que finalmente (isto porque a terceira senhora foi um pouco mais simpática que as anteriores e disse que havia um número directo para os concursos, mas que mesmo assim ia passar a chamada à sua colega que ainda não era a última) me responde alguém que pode falar dos concursos.
Fiquei a saber que o lugar é para chefe de divisão da Biblioteca e arquivo Municipal e às minhas dúvidas quanto à relevância da experiência profissional exigida, não sabia responder porque receberam aquilo assim para publicar. Não desisti e quis saber quem podia esclarecer. Só a Directora de Departamento, a drª ***
Que azar o meu .
Tenho um amigo que tem as habilitações exigidas e até fez uma tese sobre "A poesia dos alçados laterais" e tem uma vasta experiência em dobrar esquinas. Estava para lhe dizer para concorrer, mas não sei se ele é moço para bibliotecas e arquivos. Ele é mais de andar ao ar livre e ler ao sol.
.
A história, do século passado e é anterior ao choque tecnológico e à empresa na hora rezava mais ou menos assim:
Uma empresa de média dimensão precisa de preencher um posto de trabalho na área do secretariado de administração. Como é uma empresa moderna, com intenções de se lançar no mercado nacional e internacional e quer demonstrar que cortou com os métodos tradicionais de arranjar um emprego para o filho ou sobrinha de um amigo-a-quem-em-tempos-também-pediu-um-favor, ou porque a menina tem um palminho de cara e se nem sabe escrever à máquina, logo aprende... Não. Trata-se de uma aposta no futuro, um projecto proactivo e filiado nas boas práticas de gestão e por isso recorre a uma empresa especializada na selecção e recrutamento de recusos humanos. Esta, por sua vez, faz publicar um anúncio nos jornais, entre os quais e obrigatoriamente, o Expresso; recebe as candidaturas municiadas do respectivo Curriculum Vitae; após uma primeira selecção convoca os candidadtos e procede à entrevista; analisa e pondera todos os factores; elabora o relatório e prepara a apresentação ao seu cliente. São apresentados os três candidatos, duas mulheres e um homem que segundo os critérios da empresa de RH mais se ajustam às exigências do posto de trabalho. O administrador que é também o dono da empresa ouviu com algum enfado a apresentação e as explicações detalhadas das características e competências específicas de cada um. No final, folheou maquinalmente o relatório por mais uns momentos e proferiu com decisão: Muito bem. Contratamos a loira.
Também nos diferentes níveis da administração do Estado as coisas têm vindo a mudar. Ou não?
Hoje o processo de recrutamento para quase toda a administração pública é feito por consurso devidamente publicitado nos orgãos oficiais e obrigatoriamente no site da BEP (Bolsa de Emprego Público). Exceptuam-se os casos, também esses identificados e assumidos, em que a nomeação se faz por confiança política.
A mim nem me choca que um alto dirigente da administração pública, responsável por um determinado projecto possa nomear os seus colaboradores mais directos na base da confiança pessoal (não distingo se é política, ou técnica ou outra) desde que tanto uns como outros, estejam sujeitos a escrutínio e avaliação e tudo seja claro. Acho, de certa forma aceitável para o estado de direito não garantir sempre o princípio da igualdade de oportunidade em situações em que há delegação de competências e que a escolha possa ser feita por confiança. Tem é que ser transparente e público.
A administração local, só por si encerra um mundo de contradições muito particular. O Poder Local é uma das maiores contruções da democracia e tem-se mostrado capaz tanto das melhores realizações para o bem estar das populações, como dos piores e impunes crimes contra o ambiente, o urbanismo e a cultura. Mas fiquemos pelo recrutamento de dirigentes autárquicos.
As autarquias locais também são e muito bem, obrigadas ao processo concurso para recrutamento de pessoal, incluindo o pessoal dirigente, nomeadamente o de nível intermédio. Sabemos todos que ainda que por vezes se abre um concurso que apenas tem por finalidade regularizar a situação de uma pessoa que já desempenha e até com elevada qualidade, aquela função, ou para promover alguém que efectivamente até merece. Mas um concurso é um concurso; é aberto a todos que satisfaçam as suas exigências e... tudo pode acontecer. Sei de um concurso cujo aviso de abertura praticamente tinha as fotografias dos destinatários e vem alguém de fora e fica em primeiro. Tudo pode acontecer mesmo.
A primeira estratégia parece ser desencorajar os potenciais candidatos. Redigir um anúncio que dentro da forma regular possa deixar a ideia de que já há alguém para aquele lugar. Já vi muito disto, mas parece que há uma nova geração de génios criativos especialmente vocacionados para o non sense a trabalhar nos departmentos de RH.
Vejamos:
A Câmara Municipal de Loulé pretendendo recrutar dirigentes para as suas estruturas, no caso, a macroestrutura organizacional dos serviços municipais publicada no Diário da República, II Séria, N.º35 de 19 de Fevereiro de 2008 torna público através do DR e depois da BEP, a oferta de emprego com o código OE200807/0288, para Chefe de Divisão para o qual se exige a habilitação de Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, complementada com Mestrado na área. Até aqui quase tudo bem se não tivermos em conta que não se explicita qual a área funcional (suponho que é a que se refere no Dr nº 35 que não consultei) e que no conteúdo funcional se remete para o óbvio inerente ao cargo a prover. O cargo é de chefe de divisão e se não importa a área, para quê a especificação das habilitações?
O mais surpreendente, para quem esteja interessado em concorrer vem logo a seguir. No perfil, para além das competências comuns a este nível de dirigentes acrescenta-se algo finalmente clarificador: experiência profissional comprovada no âmbito da reabilitação e intervenção urbanas e na edificação e urbanização das autarquias locais e formação profissional específica e/ou relacionada com a área funcional posta a concurso, como não podia deixar de ser.
Um telefonema para o número indicado (geral da Câmara) passa de voz em voz até que finalmente (isto porque a terceira senhora foi um pouco mais simpática que as anteriores e disse que havia um número directo para os concursos, mas que mesmo assim ia passar a chamada à sua colega que ainda não era a última) me responde alguém que pode falar dos concursos.
Fiquei a saber que o lugar é para chefe de divisão da Biblioteca e arquivo Municipal e às minhas dúvidas quanto à relevância da experiência profissional exigida, não sabia responder porque receberam aquilo assim para publicar. Não desisti e quis saber quem podia esclarecer. Só a Directora de Departamento, a drª ***
Que azar o meu .
Tenho um amigo que tem as habilitações exigidas e até fez uma tese sobre "A poesia dos alçados laterais" e tem uma vasta experiência em dobrar esquinas. Estava para lhe dizer para concorrer, mas não sei se ele é moço para bibliotecas e arquivos. Ele é mais de andar ao ar livre e ler ao sol.
.
21 de julho de 2008
Dar de Vaia -1984
De vez em quando vêm-me parar às mãos coisas que não resisto a partilhar. Estas fotos forma-me trazidas por um amigo de há muitos anos e parece que andaram esquecidas e perdidas até há umas semanas atrás. Um encontro ocasional trouxe a recordação e a promessa das fotos.
Aqui ficam duas. Duas histórias entre outras que talvez um dia conte ou reinvente.

Aqui ficam duas. Duas histórias entre outras que talvez um dia conte ou reinvente.

Foi há tanto tempo!
Dois projectos diferentes em cima do mesmo palco. Uns, profissionais desde Sagres de 1976. Outros, amadores com música amada e profissionais de outros ofícios.
Trovante e Dar de Vaia, em Julho ou Agosto de 1984, na então Esplanada de S. Luís, em Faro.
Ambos os grupos já terminaram e o recinto polivalente rapidamente deu lugar a prédios altos e ao condomínio da Praça d'Alandra.
Assim. Sem mais cantigas.
Fotos digitalizadas a partir dos originais cedidos pelo autor Luís Costa, a quem agradeço.
Um abraço
Etiquetas:
e-vocações,
e-xistências,
e-xperiências
6 de novembro de 2007
Bem me parecia
E depois de me sujeitar a um apertado inquérito concluiu-se que afinal
***You Belong in Paris***
(quer dizer, eu mesmo)
You enjoy all that life has to offer, and you can appreciate the fine tastes and sites of Paris.You're the perfect person to wander the streets of Paris aimlessly, enjoying architecture and a crepe.
You enjoy all that life has to offer, and you can appreciate the fine tastes and sites of Paris.You're the perfect person to wander the streets of Paris aimlessly, enjoying architecture and a crepe.
What European City Do You Belong In?http://www.blogthings.com/whateuropeancitydoyoubelonginquiz/
experimenta!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

