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3 de janeiro de 2012

Foi na hora

The hour é uma série a passar na Fox Life que desenrola uma trama de jogos de poder, espionagem, sedução e jornalismo no interior da BBC dos anos 50. Talvez a passasse em branco, não fora os nossos serões conjuntos em que o comando da televisão só trabalha para as séries da Fox Life e um ou outro telejornal, mas passei a seguir esta interessante série e até já sei o dia em que dá. A minha rapariga também me aconselha a que dá a seguir, mas isso já é muito para mim e enquanto essa corria, fui procurar um poema do Cummings que o Freddie diz à Bel, do qual retive o último verso: nobody, not even the rain, has such small hands.
O Google deu-me o que queria e mais uma tradução brasileira e uma versão musicada e cantada por Zeca Baleiro. Da tradução que encontrei que não gostei particularmente e resolvi meter-me a um atrevimento que ainda não tinha ousado. Assim, com ajuda do Oxford Advanced Learner's Dictionary e de algumas ferramentas electrónicas fui-me a ele.



Imagem daqui


somewhere i have never travelled,gladly beyond

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands


(E. E. Cummings)


algures, aonde nunca fui, para além do prazer
de qualquer experiência, os teus olhos revelam o silêncio:
no teu mais frágil gesto há coisas que me prendem
ou que não consigo tocar por estarem demasiado perto

o teu mais leve olhar liberta-me facilmente
apesar de me ter fechado como os dedos,
tu abres-me sempre pétala a pétala tal como Primavera abre
(tocando hábil, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se o teu desejo é fechar-me, eu e
a minha vida fechar-nos-emos em beleza, de repente,
tal como o coração desta flor imagina
a neve a descer cuidadosa em toda a parte;

nada do que podemos perceber neste mundo iguala
o poder da tua intensa fragilidade: cuja textura
me obriga com a cor dos seus países,
a trocar a morte e a eternidade em cada respiração.

(não sei o que há em ti que fecha
e abre; apenas algo em mim compreende
que a voz dos teus olhos é mais profunda do que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


Isto não é nada fácil e, além do mais, não sei assim tanto inglês para me armar em tradutor, ainda por cima de poesia. Há algumas ideias de difícil apreensão no original e não tenho nada a certeza de ter encontrado o equivalente em português. Ainda assim, gosto do resultado e sobretudo da aprendizagem que é esta experiência de traduzir poesia.

21 de novembro de 2011

Vale

Um momento divertido do ensaio (foto de Annie Grieg)



Cresci no Vale.
Dizer que Vale é um espectáculo de dança contemporânea dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino é dizer muito pouco desta viagem/seara, rebanho/rio, festa/mar de afectos que se constrói por dentro de uma semana inteira, mas que o público só vê cerca de uma hora e um quarto.
Participei no Vale.
Fui por mim e por ti, minha rapariga que me estimulaste. Reencontrei-me com tantas memórias e gentes e animais que por vezes até lhes sentia o cheiro.
A gente do Vale
é um grupo de cinquenta pessoas que não conhecia antes e que me deixa a sensação de ali termos nascido todos e crescido. No final partimos com um sorriso na despedida, como eu parti um dia. Provavelmente, algumas destas pessoas não voltarei a encontrar em breve ou se calhar nunca mais, mas isso também me aconteceu com amigos de infância e continuo a lembrar-me deles.
Valeu!

15 de outubro de 2011

Outubro ou nada

15Out MARCHA DA INDIGNAÇÃO






A cabeça da minife





Um protesto que diz respeito a quase todos



Animação e criatividade contagiante





Meninas estais à janela



A indignação também faz sede




E o povo até pode desejar um carro novo




Ou habitação condigna
E...


E também houve beijos e namoro. Manifestos (e many festas).




5 de abril de 2011

Havia do Infante e agora há Vinte e Dois



Eu sei que há muita boa gente que acha que se queremos andar na autoestrada devemos pagar portagens e que o que deve vigorar é um princípio inventado com um fim obscuro, em princípio inventado por alguém que ninguém sabe quem é, mas presume-se que certamente amigo do povo trabalhador e dos mais desfavorecidos que nem carro têm e que por isso nada t~em que pagar para outros se delocarem em duas faixas e a 120 km/h. E logo chamaram a esta teoria «o princípio do utilizador-pagador», o que até não está mal se o compararmos com outro «princípio» em uso em muitas circunstâncias que é o princípio (assim por mim baptizado, para que conste) do «pagador-pagador». Aqui o pagador paga, mas não utiliza, o que faz com que este princípio atinja um fim muito mais principalmente do que o outro. Eu dou alguns exemplos. Através de vários impostos, taxas, sobretaxas, mais impostos aplicados até às próprias taxas associadas ao meu modesto automóvel e ao combustível seria suposto pagar uma rede viária para poder circular, mas se não tenho uma alternativa decente e necessito mesmo, lá terei que pagar (aqui até poderíamos falar de uma extensão do princípio que passaria a ser «pagador-pagador-utilizador»). Outro exemplo: tenho televisão por cabo que pago (juntamente com serviço de internet e telefone) e aqui vigora o princípio «utlilizador-pagador» porque utilizo e depois pago de acordo com um contrato (sempre mais ou menos manhoso, mas vá...) , mas a coisa não é bem assim e na realidade o princípio é o de «pagador-utilizador-pagador» porque todos os meses pago a televisão que utilizo ao meu fornecedor de cabo e, também ao Estado através da taxa de radiodifusão sobre a qual ainda é aplicado o IVA (sempre gostava que me explicasem qual é o valor acrescentado desta taxa) pagando assim duas vezes o mesmo serviço.


Pois que fique bem claro que eu não sou bem contra as portagens (até posso ser porque esse é um negócio que alguém faz com empresas privadas e até com alguma participação do Estado e que em última análise é sempre ruinoso para os contribuintes); eu só é a favor de vias decentes para nos deslocarmos em situações normais, coisa que todos pagamos para utilização comum. Invocar que «o país» não pode suportar isso é branquear a incompetência e, pior ainda, a corrupção que campeia entre o Estado e meia dúzia de grandes empresas que dominam estes negócios e que depois asseguram bons lugares a ex-ministros.


Tenho ouvido e lido alguns argumentos que pretendem classificar as populações desta ou daquela região de não quererem pagar portagens e que isso é uma injustiça porque outros também pagam e etc. Acho uma palermice e seguir esse raciocínio para outras áreas leva-nos para terrenos muito perigosos onde nem se poderá falar sequer de justiça.


Não defendo qualquer medida de excepção para os residentes. Onde não há alternativas, não se deve pagar porque isso é simplesmente uma extorsão. Concordo em pagar um serviço extra, de qualidade melhorada que me permita avaliar a opção face ao custo-benefício. Não devemos pagar, aqui ou noutra área qualquer, nesta região ou noutra, o serviço que nos é devido porque o pagamos.

16 de dezembro de 2010

wikilíricos

Todos os dias sabemos novidades publicadas no sítio WikiLeaks. As rádio e televisões abem as antenas para o debate público o cidadão acha que sim e mais também e antes pelo contrário, mas parece que isto não passa de um circo mediático como já vimos tantos.
Há quem acredite e espere sebastianosamente uma revelação importante - talvez, A revelação - capaz de fazer cair governos, acender a revolução, mudar o paradigma da governação mundial, acabar com as desigualdades, reduzir a pobreza a zero ou erradicar a fome. Mas, desenganem-se, muito antes do wikileaks já toda a gente soube que foi enganada por aqueles que democraticamente elegeu e que voltou a eleger os mesmos, mesmo depois de saber o que toda a gente sabe. Não precisámos de revelações secretas para sabermos todos que há partidos no governo (agora e antes) cujos ministros fizeram negócios ruinosos para o Estado com empresas para onde foram ser administradores quando deixaram de ser ministros e isso não os impediu de ganhar eleições e voltar ao governo e fazer o mesmo; para sabermos da qualidade moral de uma série de gente muito bem colocada e que pugna por bem colocar outra série de gente numa espécie de nova aristocracia dita democrática.
O wikileaks não nos fez saber mais do que sabíamos antes, embora isso não tivesse impedido que figurões como GW Bush, Berlusconi, Cavaco ou Jardim fossem eleitos.
Afinal o que é que se passa? O wikikoiso não diz?

Há quem opine que isto acontece porque o povo é um pouco estúpido... Não sei se esta informação é reservada, confidencial ou secreta, nem como foi obtida, mas parece que não consta do wikipois...

8 de setembro de 2010

Pois, se a casa pia, nunca se ouviu

Imagem roubada aqui

Dizia hoje uma colega no bar comentando com descrédito o pseudo desfecho do caso Casa Pia: pois eu sei o que lhes faria se soubesse que algum deles tinha tocado num filho meu. Fiquei uns segundos a pensar naquilo e relevei o aspecto da justiça por mãos próprias (tendo em conta que se trata de uma católica militante, averbe-se na rubrica do olho por olho, dente por dente) e sou assaltado por uma tenebrosa paisagem mental. E respondi-lhe que aquelas palavras serão impossíveis aplicadas às crianças da Casa Pia. Foram lá parar exactamente por não terem pais ou não os terem capazes de os proteger, de os defender, portanto aquele desabafo fará sentido (?) para pais que o são, para crianças que os têm, não para as da Casa Pia.

Independentemente da trapalhada em que se transformou, daquilo que é visível, o processo CP, há uma evidência clara: os principais responsáveis ficaram de fora. A sociedade deveria acusar todos os agentes do Estado que em seu nome tomaram decisões ou se demitiram de as tomar que permitiram que aquela instituição mantivesse a estrutura e as características obsoletas, as que tiveram conhecimento de abusos e não os denunciaram tornando-se cúmplices de actos criminosos, os que (dizem) não tiveram conhecimento, mas cuja obrigação era ter tido e pactuaram com uma cultura de abuso e violação não apenas de carácter sexual. Essas pessoas, naturalmente, não poderão ser acusadas de pedófilos, mas têm responsabilidades noutros crimes nomeadamente de negligência, de recusa de protecção às vítimas e por aí fora. Porque é que nunca foram acusadas? O processo CP deveria ser muito mais que um caso de pedofilia. E também acho estranho que a justiça tendo identificado, acusado e condenado (vamos ver) uns quantos indivíduos como abusadores de menores, não tenha investigado outras ligações. Então agora temos pedófilos em dedicação exclusiva na Casa Pia? Não cometeram outros abusos? Não apareceu mais ninguém a queixar-se?

Continuo a achar que há uma grande cortina de silêncio cuja finalidade é proteger uns quantos intocáveis.

Há um outro aspecto de que quase ninguém fala e que tem a ver com as vítimas. As vítimas são sempre as vítimas e têm a minha compreensão e solidariedade. Ainda que alguns dos comportamentos possam ter acabado por se tornar por assim dizer, "voluntários" , de prostituição mais ou menos consciente a troco de benefícios materiais, isso não iliba os abusadores, nem os responsáveis pela instituição. Sabe-se que esses comportamentos de uns induzem outros à sua prática. As relações de poder, as trajectórias individuais e de grupos no seio destas instituições, incluindo a gestão das relações priviligiadas com os dirigentes, têm sido objecto de estudo de muitos especialistas ao longo de décadas. Os dirigentes tinem obrigação de saber, procurar saber e proteger quem precisava de ser protegido. Foram nomeados e pagos para isso. O mínimo que teriam que saber era como tinham conseguido dinheiro para comprar os bens (roupas de marca, relógios, gadjets vários...) que exibiam, situações ao que parece várias vezes relatadas por trabalhadores, vigilantes, educadores, aos altos responsáveis e que tudo meteram na gaveta e deram sumiço.

Falta sentar estes senhores e estas senhoras, todos os que calaram as denúncias, no benco dos réus.

A minha revolta é imensamente amarga.

20 de agosto de 2010

Teerão há 43 anos

Teerão recebeu a Conferência Intenacional sobre Direitos Humanos em 1968.
A conhecida Declaração de Teerão comprometia todos os Estados membros das Nações Unidas a lutarem pela paz e contra o colonialismo e todas as formas de opressão e discriminação baseadas na raça, na crença religiosa e particularmente contra as mulheres.


15. The discrimination of which women are still victims in various regions of the world must be eliminated. An inferior status for women is contrary to the Charter of the United Nations as well as the provisions of the Universal Declaration of Human Rights. The full implementation of the Declaration on the Elimination of Discrimination against Women is a necessity for the progress of mankind;

10 de julho de 2010

Obrigado, Macário!

Depois de ler aqui e aqui a referência ao comunicado da Câmara Municipal de Faro sobre uma importante medida para a cidade e, porque o Contador é um espaço aberto à participação cidadã, publico aqui uma reacção de um feliz habitante da Horta das Figuras, recebido por e-mail:

Obrigado Macário
A Câmara Municipal de Faro veio informar os munícipes que a partir da próxima sexta feira, dia 8 de Julho irá finalmente libertar os moradores da Horta das Figuras do seu enclausuramento urbano, uma espécie de condomínio concentracionário a que têm sido obrigados pelas anteriores administrações autárquicas. Acontece que apesar de a próxima sexta feira dia 8 de Julho só se verificar daqui a um ano, registamos com agrado que a maldita vedação de rede ali colocada e mantida pelos torcionários de anteriores vereações, já tinha sido retirada há cerca de dois meses e hoje já se encontrava derrubado o intransponível lancil que impedia a circulação entre a cosmopolita rotunda do fórum e a ostracizada Horta das Figuras.
Esta medida, para além de descongestionar a entrada de Faro, a Nacional 125 e, quiçá, mesmo a Via do Infante vem abrir novas perspectivas ao desenvolvimento do bairro. Inspirados noutras experiências como o projecto “Sabura” da Cova da Moura, os moradores já pensam em lançar o projecto “Na m’xaringues”, projecto baseado no empreendedorismo turístico com o qual pretendem dar a conhecer aos visitantes os amplos espaços verdes que cobrem os passeios (agora completamente secos de acordo com a época estival), os cuidados com o pavimento com intervenções artísticas pós-modernas a fazer lembrar vagamente a paisagem lunar, o eficiente e cómodo sistema de recolha de resíduos sólidos, tudo isto a par de uma exposição permanente dos recibos de IMI, taxas variadas e outras habilidades municipais. Tudo isto tem estado guardado há anos apenas para gozo dos privilegiados moradores o que tem gerado uma legítima inveja de todos os outros munícipes e é, na verdade, uma grande injustiça para os poderes edílicos.
Mas não se ficam por aqui os benefícios desta medida em boa hora antecipada em um ano e um dia. Os moradores da Horta das Figuras podem agora ir a pé fazer compras ao Jumbo e trazer o carrinho do supermercado até à porta de casa. Beneficia o Jumbo e beneficiam os moradores. Aliás o Jumbo, num gesto de agradecimento ao corajoso Presidente da edilidade vai erguer uma estátua em sua homenagem, a colocar junto dos bonecos que deitam água na praça do Fórum, em que sua excelência se apresenta vestido de Manneken-pis e também deita água com fartura.
E aqueles que acusam de desNorte e exagero o comunicado da Câmara quando refere que
‘o espaço público é de todos e nesse sentido, importa zelar pela circulação livre, sem constrangimentos ou embaraços de qualquer natureza, o que manifestamente não estava assegurado até esta intervenção’ um dia terão que se render às evidências, porque há coisas que ficam para a História e esta não tem tempo a perder com fracotes e é nas grandes obras que se vêem os grandes homens. Um dia Faro iluminará em leds multicolores uma rotunda com a lapidar e sábia divisa: O espaço público é de todos e nesse sentido.

Faro, 9 de Julho de 2010, sexta-feira
Morador da Horta das Figuras recém-libertado


Na verdade, nem sei como não se lembraram disto há mais tempo. Um verdadeiro ovo de Colombo, de Cristóvão Colombo. Tanta congestão rodoviária na entrada da cidade e a solução tão fácil afinal.

25 de fevereiro de 2010

Achados por aí

Duas curiosidades religiosas encontradas em sites onde fui dar levado nas ondas.
A primeira contraria uma suposição minha. Apesar de não ser crente até acreditava que a fé salvava, que era tranquilizadora e que as pessoas com fé viveriam mais tranquilas. Parece que não é assim, pelo menos a fazer fé num estudo recente nos EUA: quanto mais religioso é um estado tanto maior o número de ocorrências relacionadas com comportamentos imorais, suicidários ou criminosos.




via Random Precision





A outra curiosidade é para mim mais óbvia.
Uma espécie de decálogo (palavra escorregadia para um disléxico) para um cristão inabalável.


This has been going around the Internet for a while, but is worth reading again. (Especially for you Christians.)
10- You vigorously deny the existence of thousands of gods claimed by other religions, but feel outraged when someone denies the existence of your god.
9- You feel insulted and ‘dehumanized’ when scientists say that people evolved from lesser life forms, but you have no problem with the Biblical claim that we were created from dirt.
8- You laugh at polytheists, but you have no problem believing in a Trinity god.
7- Your face turns purple when you hear of the ‘atrocities’ attributed to Allah, but you don’t even flinch when hearing about how God/Jehovah slaughtered all the babies of Egypt in ‘Exodus’ and ordered theelimination of entire ethnic groups in ‘Joshua’—including women, children, and animals!
6- You laugh at Hindu beliefs that deify humans, and Greek claims about god sleeping with women, but you have no problem believing that the Holy Spirit impregnated Mary, who then gave birth to a man-god whogot killed, came back to life and then ascended into the sky.
5- You are willing to spend your life looking for little loop-holes in the scientifically established age of the Earth (4.55 billion years), but you findnothing wrong with believing dates recorded by pre-historic tribesmen sitting in their tents and guessing that the Earth is a couple of generationsold!
4- You believe that the entire population of this planet wi th the exception of those who share your beliefs—though excluding those in all rivalsects—will spend Eternity in an infinite Hell of Suffering. And yet you consider your religion the most ‘tolerant’ and ‘loving’.
3- While modern science, history, geology, biology, and physics have failed to convince you otherwise, some idiot rolling around on the floor, speaking in ‘tongues,’ may be all the evidence you need.
2- You define 0.01% as a “high success rate” when it comes to answered prayers. You consider that to be evidence that prayer works. And you think that the remaining 99.99% FAILURE was simply the will of God.
1- You actually know a lot less than many Atheists and Agnostics do about the Bible, Christianity, and church history—but still call yourself a “Christian.”

Read more: http://attuworld.com/celebrity/what-do-you-think-top-ten-signs-that-you-are-an-unquestioning-christian.html#more-33024#ixzz0gVHAwShG


2 de fevereiro de 2010

Memórias olfactivas

Azibo, 2009


Só de pensar


em ti



fica no ar


um intenso


cheiro


a moringa

24 de março de 2009

Educação con-sensual

Retrato de JCN tirado aqui

Já uma vez alguém por aqui fez um exercício semelhante ao que Gregory Bateson praticava e chamava de Metalogos - diálogos fictícios que mantinha com a filha sobre as mais diversos assuntos que iam da religião à ciência dando a volta pelos quatro cantos da fantasia.

Hoje apetecia-me uma conversa assim:

- Pai, o João César das Neves escreve tanto sobre Educação Sexual . Deve ser um entendido. Ele teve Educação Sexual quando andou na escola?
- Claro.
- Mas só agora é que vai haver e parece que ainda nem todos se entendem sobre como vai ser...
- É verdade, há muitas dúvidas. Dantes não; estavam todos de acordo: os professores, o ministério, a igreja...
- Sim? Então podiam manter isso. Qual era o programa?
- O que é que achas?
- Não sei... Talvez falassem do que é ser rapaz e ser rapariga e como é que os rapazes vêem as raparigas e as raparigas os rapazes.
- Continua.
- Pois, não havendo uma disciplina de Educação Sexual, devia haver qualquer coisa. Um programa para as várias disciplinas. Havia?
- Sim, havia. Um programa muito simples.
- Ah. O que dizia?
- "bendito é o fruto do vosso ventre" e "não nos deixeis cair em tentação".
- Lindo! Era assim por metáforas, como a poesia...

12 de março de 2009

Lost in translation

Não. Não vou falar do filme de Sofia Coppola que ainda há dias vi em DVD. Até porque a estória do filme passa-se no Japão e este argumento é made in China e confundir a China com o Japão é para os orientais uma indelicadeza tal que é capaz de deixar o naturais desses dois países com os olhos em bico. em bicos diferentes, obviamente.
O escrito aqui transcrito faz parte das indicações, instruções e alertas que acompanham um produto importado da China por alguém chamado Shun Xiang (que deve ser tão difícil de encontrar na China como José Silva em Portugal) que diz estar na Est. Nac. 10, Km 108.3 (a localização é bastante precisa - se não me engano é na recta de Pegões - mas não diz a que horas lá está), 2135 Porto Alto. Para quem estiver interessado também fornece o telefone 962369789.
Agora, meus caros amigos, lanço aqui um desafio. Assim uma espécie de concurso tipo quem quer ser um milionário rafeiro.
Quem for capaz de identificar o produto em causa, depois de ler isto, ganha um exemplar do produto.

Esteira do Aparamento
Eficaz proteger o anb da casa evite de causar
Aplicável ao fundo do furniture goste da tabela e da cadeira etc.

Illustrtions para aplicação
Repare o peda cadeira, tabela, dispositivos elétricos para proteger de encontro ao risco, repare-o na porta, no frame do window e na porta de armário para a finalidade do amortecedor.

Aplicação: Aplicável ao pé do furniture e de dispositivos elétricos tais como ware da cadeira, da tabela, do metal, do china ou do vidro, para evitar o risco da placa do assoalho ou a tabela surface. Also usada impedindo o deslizamento, a vibração, e trabalhar como um amortecedor.

Loja de Caution: Inflammable! Never na alta temperatura, mantem-na por favor corretamente após a desembalagem.

A- limpe a superfície onde esta esteira furará sobre
B- Descasque a esteira fora de seu papel da liberação
C- Fure a esteira na finalidade especial limpa de surface. For, fure mais para thickening

Colagem material EVA de Compositions: self-adhesive


Esta prosa não é nada fácil. Em tempos houve uns literatos que quase lá chegaram e o melhor que conseguiram foi prometer que um cadáver esquisito haveria de beber o vinho novo, mas isso já era gente com estudos e dominavam técnicas de escrita.
Hoje temos instrumentos de tradução automática capazes de produzir um elaborado dadaísmo. Para percebermos bem como funciona, façamos o percurso ao contrário. Pedimos primeiro para traduzir de português(?) para inglês a ver o que dá.

Wake of chipping Effectively protect the ANB of the house to avoid causing Apply to the bottom of furniture like the table and chair etc.. Illustrtions for application Note the peda chair, table, electrical devices to protect against the risk, note it in the door, the frame of the window and door of the closet for the purpose of the buffer. Application: Applicable to the foot of furniture and electrical devices such as ware of the chair, the table of metal, china or glass, to avoid the risk of the floor plate or the table surface. Also used to prevent slippage, vibration, and work as a buffer. Store Caution: Inflammable! Never in high temperature, please keep it properly after unpacking. A-clean the area where the mat on furará B-husking the mat out of his role in release C-drill in the wake of special purpose clean surface. For, drill for more thickening Bonding Compositions of EVA material: self-adhesive

Convenhamos que fica assim uma coisa sonsa. Praticamente realista.
Mas para sabermos exactamente do que se trata, traduzamos agora para chinês tradicional(!).

後切有效地保護ANB房子,以避免造成適用於底部的家具,如桌椅等。 Illustrtions的應用請注意環椅子,桌子,電氣設備,以防範風險,注意在門口,框架窗口和門衣櫃為緩衝區。 應用:適用於腳下的家具和電器設備,如瓷器的椅子上,桌上的金屬,我國或玻璃,以避免地板表板或表面。也被用來防止滑動,振動,和工作作為緩衝。 儲存注意事項:易燃!從未在高溫,請保持適當的後拆包。 一個清潔的地區,墊子上furará β - husking墊子了他的作用,釋放架C -演習之後,特殊用途清潔的表面。因為,演習更加增厚鍵組成的EVA材料:自粘

Agora sim. Quem souber chinês identificará facilmente do que se trata.
Os dois primeiros concorrentes a acertar, ganham cada um um exemplar.
Este concurso não foi autorizado por nenhum Governo Civil nem Militar e por isso não terá a rigorosa fiscalização da Santa Sé nem da PSP de Braga não será apresentado pelo Malato nem pelo Gouxa e garante-se já que ninguém ganha nada a não ser uma imagem do produto aqui postada.

22 de janeiro de 2009

Todo o cuidado é pouco



Mário-Henrique Leiria pisca o olho a Daniel Filipe

A subversão é o único alimento que se pode comer fora de prazo.
Não mata, nem engorda, mas faz umas cócegas danadas na pasmaceira oficial.
Um pires de tremoços.
Faxavor.

15 de junho de 2008

Os flamingos

Fazer o caminho das salinas é sempre uma viagem muito maior que a distância percorrida. No exercício solitário e lento do pedalar também se sonha. E hoje sonhava assim com aquela bicicleta era viajeira e ia assim pelo mundo e transportava histórias de uns povos para os outros.
Ia nesta fantasia montado quando avisto o bando de flamingos. Tive sorte porque era hora de almoço e os bichos estavam muito entretidos com a refeição e deixaram-me aproximar mais do que é costume. Andam por ali outros pássaros que têm por missão dar o alarme quando alguém ou algo potencialmente perigoso. Desta vez bem piaram, mas os flamingos apenas levantaram a cabeça e mudaram de direcção ficando todos alinhados para o lado donde o vento sopra.
O que é surpreendente é a sincronia dos seus movimentos. Viram-se todos ao mesmo tempo sem sequer olharem uns para os outros numa coreografia ensaiada ao longo de muitos milénios. É isto que sigo conversando com a bicicleta. Até chegarmos à estrada ainda há tempo para discorrer sobre o nome desta ave que faz lembrar fogo. Chama. Flamingo é um pássaro em chamas. Já ouvi dizer que aquelas cores flamejantes resultam do limpar dos bicos sujos de marisco nas penas brancas, mas a bicicleta teima que não e afirma que aquilo é fogo mesmo. É o fogo do acasalamento.
Enfim. É melhor não a contrariar.

25 de setembro de 2007

programa de troca de guardas prisionais

ou pelo menos daqueles que falam por eles

Imagem gamada aqui
Por cromos da bola ou pokemons ou actiomen ou assim e talvez não fosse necessário fornecer seringas aos presos que consomem drogas nas cadeias Se entra droga e uma seringa para cinco ou seis (quando não é uma seringa artesanal feita com uma carga de esferográfica) é porque alguém está a dormir ou é pago para isso E vêm os gajos agora dizer que é um perigo e tal que alguns até estão presos por assaltos com seringas E estas políticas hesitantes (como diz o editorial do público) têm andado a reboque do senso comum e mais das imbecilidades do pinto coelho da doninha avestruz ou do vaca galo em vez de seguirem as experiências estudadas e comprovadas

A coisa vai ser assim e pedagógica que é para ver se eles aprendem Pode ser que fiquem a saber quantas pessoas não teriam sido infectadas com vih e hepatites se a medida tivesse sido implementada quando se começou a falar que noutros países já se fazia

15 de junho de 2007

O triunfo do chá

Erythraea centaurium: Centaury
The genus of this herb was originally named Chironia after Chiron, a centaur of Greek mythology who was famous for his knowledge of medicinal plants. According to legend, Chiron healed himself with this plant after accidentally wounding himself with one of Hercules’s poisoned arrows. Dioscorides alluded to the myth and prescribed Centaury as a treatment for wounds. He also recommended the herb for lung disorders, namely “the old cough” and “blood spitting.”

Há uma loja aonde vou pelo cheiro. Hoje deixei-me prender por um chá apenas pela sua aparência. Nada sabia dele e isto é coisa rara de me acontecer.

Não me importa que se diga que tem um travo amargo e que é bom para a digestão. Chamam-lhe "Fel da Terra", mas vou chamá-lo de "Centauro Vermelho".