"O Teatro do Aborrecimento Mortal reconhece-se à primeira vista, pois é sinónimo de mau teatro. Sendo esta a forma de teatro mais frequente, e aquela que se encontra mais associada ao teatro comercial, alvo de desprezo e de ataques constantes, poderá parecer uma perda de tempo insistir em criticá-lo. Contudo, só teremos consciência da real dimensão do problema se percebermos que as coisas aborrecidas são enganadoras e que podem surgir em qualquer momento".
(Peter Brook, O Espaço Vazio)
Acabado de vir do comício do Bloco de Esquerda, em Faro, onde fui ver se me convencia a ir votar no próximo dia 25, nas eleições para o Parlamento Europeu.
A única coisa que me animou foi a reivindicação da "reestruturação da dívida" que o BE continua patetalegremente a proclamar como sendo uma coisa de esquerda e que reclamará como uma grande vitória no dia em que a direita tomar isso como um feito seu. Inevitavelmente.
Sobre a Europa não ouvi uma ideia. Apenas que existem alternativas e que há outros com quem estão unidos no PE. Enfim, o discurso político do "aborrecimento mortal". Na forma não se distingue muito dos outros. E aqui, a forma é também conteúdo. Mortal. Uma esquerda a tornar-se mortal para si própria.
17 de maio de 2014
18 de setembro de 2013
A Praia I
N minha terra não havia mar. Pelo menos para mim. Sabia do Carril e do Toco onde as mães iam lavar e isso era uma verdadeira praia com juncos e espadanas e peixinhos pequeninos à nossa volta. Ouvia falar da praia. Que tinha areia. E na minha imaginação aparecia um enorme monte de areia, muito maior do que aquele que uma camioneta tinha descarregado em frente da casa do Ti Paulino, para fazer obras, e onde eu me deliciava a brincar. Claro que isso me custou umas duas palmadas no rabo que a minha mãe era célere em questões de justiça que administrava logo ali à frente do queixoso de que eu tinha espalhado a areia toda. Alma danada, acrescentava o nosso vizinho com ar zangado. Hoje penso que fazia aquilo para que se parecesse mais com uma praia que eu nunca tinha visto.
A minha tia, irmã do meu pai, casara-se com um pintor da construção civil que também era ciclista. Livre dos preparativos das vindimas e da venda dos melões e também por já ser um bocadinho rica, começou a ir todos os anos à praia. Juntava-se com uma amiga e iam as duas à Nazaré alugar uma casa para quinze dias, para as duas famílias. Nazaré era palavra que não se pronunciava por ser desnecessária. Toda a gente se entendia apenas com o nome Praia.
A primeira vez que fui à praia teria pouco mais de três anos. Dizem que não temos memórias de antes dos quatro, mas não acreditem. Apanhava-se a camioneta dos Claras, isso soube mais tarde, e lembro-me do cheiro que exalava dos bancos e que me agoniava. Eu forte como era e com o entusiasmo de ir para a praia, aguentava, enquanto o Raimundo, a meu lado, já tinha vomitado pelo menos duas vezes para uma toalha. Aquilo cheirava quase tão mal como todo interior da camioneta, mas alguém abriu o vidro e a coisa melhorou. O Raimundo, mais velho que eu, um ano ou dois, olhava para mim, verde e quase a revirar os olhos. Empoleirado no banco conseguia saborear o ar na cara e o cheiro dos pinhais. Um ronco mais intenso do motor, uma subida, um ligeiro tombo no início de descida e uma explosão de vozes exclamativas. Parecia-me ouvir “o Mário… o Mário!”. Eu conhecia dois Mários. Um era o barbeiro onde o meu pai ia ler o jornal e outro era um vizinho que andava sempre de fato-macaco azul e sujo de óleo porque andava numa oficina a aprender o ofício. Bem rodava a cabeça, mas não consegui reconhecer em nenhuma das caras, um desses Mários.
Pouco depois e sempre a descer entrámos casario dentro por ruas onde andava muita gente a pé e um cheiro esquisito no ar. Tínhamos chegado à Praia e eu nem sabia que havia mar.
4 de abril de 2013
A monção de Sençura
Apreceu um tal miguel de mão dada com outro de igual nome com um discurso a lembrar salazarentos aforismos do tipo Eu não percebo nada de política A minha política é o trabalho
Todos sabemos é bom haver chuva no nabal e que ainda é cedo para o sol na eira e cestos de vindima E tem chovido bem e tanto nesta monção primaveril que só falta mesmo uma delibração de santa bárbara para um despacho trovejante Já não há gaivotas em assembleia apesar dos temporais Os corvos negros tornaram-se intemporais e nem mesmo uma ave de arribação é capaz de trazer um rasgo de primavera
Há um país cativo numa espécie de síndroma de estocolmo que aguenta aguenta de estocada em estocada até á sangria final
E a política E a esquerda E a oposição
Ainda não vi ninguém preso Por isso não existem
É primavera pá Continua a chover
Todos sabemos é bom haver chuva no nabal e que ainda é cedo para o sol na eira e cestos de vindima E tem chovido bem e tanto nesta monção primaveril que só falta mesmo uma delibração de santa bárbara para um despacho trovejante Já não há gaivotas em assembleia apesar dos temporais Os corvos negros tornaram-se intemporais e nem mesmo uma ave de arribação é capaz de trazer um rasgo de primavera
Há um país cativo numa espécie de síndroma de estocolmo que aguenta aguenta de estocada em estocada até á sangria final
E a política E a esquerda E a oposição
Ainda não vi ninguém preso Por isso não existem
É primavera pá Continua a chover
31 de agosto de 2012
Blue moon e outras teorias
Há poéticas espalhadas nas notícias a cruzar a ciência do espaço com outras órbitas e trajectórias do amor. Achei-me já tantas vezes a navegar por algumas dessas distintas poéticas incluindo as mais óbvias e não desdenho nada de quem, mão na mão tece promessas de amor feliz com a lua por testemunha.
Aprendi de miúdo a reconhecer e a quase venerar o luar de Agosto, aquele que nos permitia brincar na rua até altas horas e jogar com as sombras. Saberá disto quem cresceu no campo e brincava em terreiros desprovidos de iluminaçao pública. Na escola aprendi coisas mágicas e saberes deliciosos sobre a lua. Compreender as fases da lua, a sua eclíptica e tudo o que envolve o que é aparente e inaparente neste satélite, abriu-me um largo campo de metáforas que vão muito para além dos sortilégios e juras de amor.
Hoje está na noite o que se chama uma "blue moon" (foi tema de uma canção que também ouvia na rádio - não sabia o que dizia a letra, mas era sempre anunciada como "lua azul") e quase que a vi nascer. Apanhei-a assim, a partir do cais de Faro, a subir entre Olhão e a ilha do Farol.
Assim sendo, se hoje alguém se sentir personagem de um romance, estrofe de um poema, parte de uma sinfonia, movimento de um bailado... devem ser mesmo os famosos efeitos da lua.
Hoje está na noite o que se chama uma "blue moon" (foi tema de uma canção que também ouvia na rádio - não sabia o que dizia a letra, mas era sempre anunciada como "lua azul") e quase que a vi nascer. Apanhei-a assim, a partir do cais de Faro, a subir entre Olhão e a ilha do Farol.
Assim sendo, se hoje alguém se sentir personagem de um romance, estrofe de um poema, parte de uma sinfonia, movimento de um bailado... devem ser mesmo os famosos efeitos da lua.
O crepúsculo de hoje no cais.
19 de junho de 2012
Questões de tempo
Illiers-Combray Imagem daqui
À la recherche du temps perdu é um longo romance de Marcel Proust que nunca li e não sei se conseguirei ler alguma vez. Apesar de a tentação ser grande, estou mais capaz de seguir aquilo que julgo ser a própria sugestão proustiana: não me apetece perder tempo com tanta literatura.
Tudo isto porque venho de ler o livro de Alain de Botton, Como Proust pode mudar a sua vida, onde aquela obra é profusamente citada e comentada.
Um aspecto comentado por Botton relacionado com alguns sintomas de "leitor excessivamente reverente e dependente" é a atracção por visitar Illiers-Combray. Illiers era uma pequena povoação de pouco mais de três mil habitantes onde Proust passava férias de verão em criança e também algumas vezes na adolescência e que utilizou como cenário ficcional no seu romance chamando-lhe Combray. Desde 1971 (centenário do nascimento de Proust), a cidadezinha chama-se oficialmente Illiers-Combray e tem adoptado uma espécie de folclore com elementos retirados do romance. Assim, é possível ver à porta da pâtisserie-confisserie, uma placa indicando "a casa onde a tia Léonie [personagem do romance] costumava comprar as suas madalenas". É claro que isto é bom para o negócio e os leitores-turistas não deixam de trazer uma embalagem das celebrizadas madalenas literárias.
Há dias, ouvi falar de um "efeito boomerang" a propósito de algumas tradições (neste caso as marchas populares de Lisboa) que parecem ter nascido ali, mas que na realidade vieram de um outro sítio ou foram criadas por alguém em determinado momento e com um propósito determinado e com o passar do tempo tornam-se ícones culturais de uma população. O exemplo talvez mais eloquente em Portugal é o que se passa com os chamados "ranchos folclóricos". Mais ou menos "desenhados" pelos ideólogos do Estado Novo e depois expontaneamente replicados, incorporando temas criados para o cinema ou para o teatro de revista, tornam-se verdadeiros representantes dos vários tipos de portugueses de acordo com a sua região: o vira é do Minho, o fandango do Ribatejo e o corridinho do Algarve, mesmo que seja aquele chamado 'bailo pulado' para mostrar os culottes da moda francesa do cabaret e do vaudeville.
19 de março de 2012
Gaivotas no palco
Atenção banhistas surfistas maristas praístas... E outros artistas Eu Espectador imaginário da praia Eu Também Não sei o que é o algarve E sei Ou parece-me Que ninguém saberá o que é o algarve Mas qual algarve mô O da vila de ameijoas O das mouras encantadas O do mar feito num cão Eu não sei o que é o algarve É por isso que o posso inventar pelos cheiros dos orégãos no molho dos caracóis de maio Pelos olhos dos poetas de cá e outros que vieram cá para se deixarem encantar pelo branco da cal Ou por uma noturna maré de plânctonVou continuar à procura desse algarve Por esses palcos fora Mesmo que a primavera anuncie a maior das tempestades e terramotos
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11 de março de 2012
Poetas, livreiros e outros desassossegos
Fui lá pela curiosidade depois de ouvir falar (Pacheco Pereira, na SICnotícias) desta livraria e deste poeta (entre outras coisas) e seu fundador.
Lawrence Ferlinghetti é um dos poetas da beat generation do qual sei muito pouco ainda. Mas deixo aqui uma ponta para, mais tarde, puxar e ir até a esses tempos de criatividade insurgente e poder trazer outros.
Para já fica aqui um poema sobre a América, o seu sistema, os governantes e o povo eleitor.
PÁSSARO COM DUAS ASAS DIREITAS
E agora o nosso governo
um pássaro com duas asas direitas
voa de um lado para o outro
enquanto nós vamos tendo a nossa sessãozita de jogos & diversão
em cada eleição
como se realmente importasse quem é o piloto
do avião presidencial
(Eles alternam-se, estúpido!)
Enquanto esta ave com duas asas direitas
voa a direito com sua tripulação corporativa
E este ano é o Grande Filme do Cowboy no cockpit
E no próximo o grande piloto Bush
E agora o Kid Chameleone continua a trocar o emblema do boné de capitão
e agora é um burro e agora um elefante
e agora, uma espécie de burrefante
E agora podemos reconhecer os dois tripulantes
o que conseguiu um contrato com América
e um outro, um tal gringo infeliz
muito ocupado de chave-inglesa na mão
a reparar as partes essenciais do motor
e os sistemas de suporte de vida
e com uma grande e gorda mangueira
a chupar o combustível para tanques privados
E enquanto isso nós apenas ocupamos
assentos de passageiro
sem pára-quedas
atentos a todas as informações de que está apto para voar
pelo sistema unidirecional de PA
sobre como o contrato com a América
é realmente bom para nós etc.
A todo momento o avião atafulha-se
com o seu manifesto destino
pós-moderno
Lawrence Ferlinghetti
(tradução à moda da casa)
BIRD WITH TWO RIGHT WINGS
And now our government
a bird with two right wings
flies on from zone to zone
while we go on having our little fun & games
at each election
as if it really mattered who the pilot is
of Air Force One
(They're interchangeable, stupid!)
While this bird with two right wings
flies right on with its corporate flight crew
And this year its the Great Movie Cowboy in the cockpit
And next year its the great Bush pilot
And now its the Chameleon Kid
and he keeps changing the logo on his captains cap
and now its a donkey and now an elephant
and now some kind of donkephant
And now we recognize two of the crew
who took out a contract on America
and one is a certain gringo wretch
who's busy monkeywrenching
crucial parts of the engine
and its life-support systems
and they got a big fat hose
to siphon off the fuel to privatized tanks
And all the while we just sit there
in the passenger seats
without parachutes
listening to all the news that's fit to air
over the one-way PA system
about how the contract on America
is really good for us etcetera
As all the while the plane lumbers on
into its postmodern
manifest destiny
Lawrence Ferlinghetti
And now our government
a bird with two right wings
flies on from zone to zone
while we go on having our little fun & games
at each election
as if it really mattered who the pilot is
of Air Force One
(They're interchangeable, stupid!)
While this bird with two right wings
flies right on with its corporate flight crew
And this year its the Great Movie Cowboy in the cockpit
And next year its the great Bush pilot
And now its the Chameleon Kid
and he keeps changing the logo on his captains cap
and now its a donkey and now an elephant
and now some kind of donkephant
And now we recognize two of the crew
who took out a contract on America
and one is a certain gringo wretch
who's busy monkeywrenching
crucial parts of the engine
and its life-support systems
and they got a big fat hose
to siphon off the fuel to privatized tanks
And all the while we just sit there
in the passenger seats
without parachutes
listening to all the news that's fit to air
over the one-way PA system
about how the contract on America
is really good for us etcetera
As all the while the plane lumbers on
into its postmodern
manifest destiny
Lawrence Ferlinghetti
28 de fevereiro de 2012
Cultivadas c'a fé
Se aquela que é Cristas e ministra assim de tão plural ministério sabe disto ainda me contrata para sacristão.
Ora, são...
(São, de Assunção se me é permitida a familiaridade e também de oração que é seu tão proclamado e profundo mister aplicado à política agrícola e também à dança da chuva)
São batatas, senhora!
Batatas doces em fevereiro?
Pois são assim os milagres... Na realidade, tinha lá plantado outra coisa para dar aos pobrezinhos. Para eles fumarem e esquecerem as suas angústias. Mas eis que chega a inspecção ministerial e místico-agrícola e o milagre veio mesmo a calhar.
Batatas doces (Ipomoea batatas) colhidas hoje no quintal da Horta.
Pertencem à Família das convolvuláceas, mas não me importo. Não devemos discriminar ninguém.
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5 de janeiro de 2012
No rasto de outros poetas
. 
The Perfect City
Translated by Roger Greenwald
One Wednesday three flights up in February
she had made the bed with clean sheets,
drawn the curtains,
for the window did not face the sky
but another building.
Gunnar Harding nasceu na Suécia em 1940, foi músico de jazz , estudou pintura e aos 27 anos iniciou-se na escrita.
Achei este poema traduzido em inglês porelo novaiorquino Roger Greenwald. Não vi o original em sueco e, mesmo que o visse, ficaria com a mesma dúvida e a mesma fantasia: o que acontece a um poema depois de passar por várias línguas e tradutores? como voltaria ele à língua em que foi escrito?
Eu gosto das palavras em várias línguas e gostaria de saber mais dessas línguas todas para ler a história que cada palavra conta na sua singularidade.
A cidade perfeita
(a partir da versão em inglês de Roger Greenwald)
(a partir da versão em inglês de Roger Greenwald)
Uma quarta-feira três voos para fevereiro
ela tinha feito a cama com lençóis limpos,
abertas as cortinas,
da janela donde não se vê o céu
mas um outro edifício.
ela tinha feito a cama com lençóis limpos,
abertas as cortinas,
da janela donde não se vê o céu
mas um outro edifício.
Havia uma tempestade que passou.
Tanto sangue em movimento
através dos seus corpos.
Tanto sangue em movimento
através dos seus corpos.
Ela flutua nos seus cabelos em cascata.
A cidade lá fora está vazia,
perfeita e vazia.
No seu centro fica a sua casa,
tecendo silêncio pelas ruas.
A cidade lá fora está vazia,
perfeita e vazia.
No seu centro fica a sua casa,
tecendo silêncio pelas ruas.
A escuridão dos poços espera
ser içada, vir acima
em baldes silentes
mas a frieza do mármore não se pode apagar.
ser içada, vir acima
em baldes silentes
mas a frieza do mármore não se pode apagar.
Estamos apenas no início da história.
Um dia o sangue fluirá a partir da brancura.
Um dia o sangue fluirá a partir da brancura.
The Perfect City
Translated by Roger Greenwald
One Wednesday three flights up in February
she had made the bed with clean sheets,
drawn the curtains,
for the window did not face the sky
but another building.
There was a storm that passed through.
So much blood in motion
through their bodies.
So much blood in motion
through their bodies.
She floats amid her cascading hair.
The city outside is empty,
perfect and empty.
At its center stands their house,
casting silence through the streets.
The city outside is empty,
perfect and empty.
At its center stands their house,
casting silence through the streets.
Darkness waits in wells
to be hauled up, hauled upin
silent buckets
but the coldness of marble cannot be quenched.
to be hauled up, hauled upin
silent buckets
but the coldness of marble cannot be quenched.
We are only at the beginning of the story.
One day blood will flow from the whiteness.
One day blood will flow from the whiteness.
Gunnar Harding
3 de janeiro de 2012
De mim para ti
i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
E. E. Cummings
trago comigo o teu coração (trago-o dentro do
meu coração) nunca estou sem ele (onde quer
que eu vá, tu vais, minha querida; e tudo que é feito
apenas por mim és tu que o fazes, minha querida)
não temo
nenhum destino (pois o meu destino és tu, doçura) não quero
nenhum mundo (para beleza és o meu mundo, minha verdade)
e és tu tudo o que uma lua sempre significou
e aquilo que um sol sempre cantará és tu
meu coração) nunca estou sem ele (onde quer
que eu vá, tu vais, minha querida; e tudo que é feito
apenas por mim és tu que o fazes, minha querida)
não temo
nenhum destino (pois o meu destino és tu, doçura) não quero
nenhum mundo (para beleza és o meu mundo, minha verdade)
e és tu tudo o que uma lua sempre significou
e aquilo que um sol sempre cantará és tu
eis o mais profundo segredo que ninguém conhece
(eis a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce
maior do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas
trago comigo o teu coração (trago-o dentro do meu coração)
(eis a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce
maior do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas
trago comigo o teu coração (trago-o dentro do meu coração)
(tradução minha)
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Foi na hora
O Google deu-me o que queria e mais uma tradução brasileira e uma versão musicada e cantada por Zeca Baleiro. Da tradução que encontrei que não gostei particularmente e resolvi meter-me a um atrevimento que ainda não tinha ousado. Assim, com ajuda do Oxford Advanced Learner's Dictionary e de algumas ferramentas electrónicas fui-me a ele.
Imagem daqui
somewhere i have never travelled,gladly beyond
somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
(E. E. Cummings)
algures, aonde nunca fui, para além do prazer
de qualquer experiência, os teus olhos revelam o silêncio:
no teu mais frágil gesto há coisas que me prendem
ou que não consigo tocar por estarem demasiado perto
o teu mais leve olhar liberta-me facilmente
apesar de me ter fechado como os dedos,
tu abres-me sempre pétala a pétala tal como Primavera abre
(tocando hábil, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se o teu desejo é fechar-me, eu e
a minha vida fechar-nos-emos em beleza, de repente,
tal como o coração desta flor imagina
a neve a descer cuidadosa em toda a parte;
nada do que podemos perceber neste mundo iguala
o poder da tua intensa fragilidade: cuja textura
me obriga com a cor dos seus países,
a trocar a morte e a eternidade em cada respiração.
(não sei o que há em ti que fecha
e abre; apenas algo em mim compreende
que a voz dos teus olhos é mais profunda do que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
Isto não é nada fácil e, além do mais, não sei assim tanto inglês para me armar em tradutor, ainda por cima de poesia. Há algumas ideias de difícil apreensão no original e não tenho nada a certeza de ter encontrado o equivalente em português. Ainda assim, gosto do resultado e sobretudo da aprendizagem que é esta experiência de traduzir poesia.
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2 de janeiro de 2012
Doze passas
Sou muito mau para rituais. Talvez por isso me sinta sempre do lado da subversão, até daqueles mais inocentes. Vale o tempo de encontro com famílias e amigos, o tempo que passamos à mesa, lugar de excelência para brotarem grandes ideias. Já tenho chamado a estas refeições "seminários" porque muitas vezes é o que verdadeiramente acontece pelo meio de comida tão interculturalmente variada que pode ir do caril de camarão à açorda de bacalhau, das rabanadas ao cheesecake, do vinho de Pias ao de Palmela, do CR&F ao Armagnac. Trocam-se saberes marinheiros, agricultores, literários por histórias de viagens e receitas de cozinha e outras.
O resto cumpre-se, por mim sem convicção nenhuma, porque dos rituais só acho graça mesmo é à sua coreografia.
A coreografia da passagem de ano é algo confusa e reveste-se de demasiada complexidade para que a aprenda, de modo que fico-me por uma versão mais simplificada apenas para celebrar a festa.
Celebro a entrada no novo ano com um abraço a cada um dos presentes com o desejo sincero de que tenham a saúde, a força e a inteligência para vencer os obstáculos (são tantos) e ainda lhes sobre o suficiente para ser felizes. Também toco os copos e como as passas, mas sem isso também passava.
Não me entendo muito bem com esse enredo de associar um desejo a cada passa. Não sei guardar desejos assim para um dia, ou uma noite, e lembrar-me deles todos em cerca de um minuto. Nunca consegui juntar doze desejos, de modo que sobram sempre passas.
É claro que tenho desejos, aspirações, votos, projectos, vontades... E desejo ser uma pessoa melhor, ser capaz de amar mais, ser mais generoso com os outros, saber mais, ter mais tempo para dedicar ao mundo... E isso é também coisa de todos os dias, tirando aqueles dias em que não me apetece nada, porque também os tenho.
Este ano, fingindo que acredito nessa energia concentrada que ajuda a realizar desejos, juntei as passas todas para o efeito ser mais forte, meti-as todas de uma vez na boca e engoli-as com meio copo de champanhe com uma ideia na cabeça:
"Que bom seria que este mundo mudasse e deixasse de ter lugar para os que nos têm vindo a empobrecer materialmente e, sobretudo, a matar-nos a esperança".
O resto cumpre-se, por mim sem convicção nenhuma, porque dos rituais só acho graça mesmo é à sua coreografia.
A coreografia da passagem de ano é algo confusa e reveste-se de demasiada complexidade para que a aprenda, de modo que fico-me por uma versão mais simplificada apenas para celebrar a festa.
Celebro a entrada no novo ano com um abraço a cada um dos presentes com o desejo sincero de que tenham a saúde, a força e a inteligência para vencer os obstáculos (são tantos) e ainda lhes sobre o suficiente para ser felizes. Também toco os copos e como as passas, mas sem isso também passava.
Não me entendo muito bem com esse enredo de associar um desejo a cada passa. Não sei guardar desejos assim para um dia, ou uma noite, e lembrar-me deles todos em cerca de um minuto. Nunca consegui juntar doze desejos, de modo que sobram sempre passas.
É claro que tenho desejos, aspirações, votos, projectos, vontades... E desejo ser uma pessoa melhor, ser capaz de amar mais, ser mais generoso com os outros, saber mais, ter mais tempo para dedicar ao mundo... E isso é também coisa de todos os dias, tirando aqueles dias em que não me apetece nada, porque também os tenho.
Este ano, fingindo que acredito nessa energia concentrada que ajuda a realizar desejos, juntei as passas todas para o efeito ser mais forte, meti-as todas de uma vez na boca e engoli-as com meio copo de champanhe com uma ideia na cabeça:
"Que bom seria que este mundo mudasse e deixasse de ter lugar para os que nos têm vindo a empobrecer materialmente e, sobretudo, a matar-nos a esperança".
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29 de novembro de 2011
Π Kant A matemática Picante
Muitos são os dias que se me despertam com a crónica diária de Fernando Alves na TSF. Hoje, nos Sinais dava conta de uma iniciativa de uns jovens universitários cubanos a viver em Miami pelo que percebi com o intuito de facilitar a aprendizagem e compreensão da matemática, coisa tida como horrorosa por muita gente que não é capaz de "dar por isso" e encontrar-lhe uma beleza comparável à de Vénus de Milo. Enfim. É também típico do FA estabelecer ligações poéticas na intersecção dos planos ou na curva parabólica da memória. É assim que derivar para os "seios esferóides" de uma tal incógnita, objecto de desejo e paixão de um improvável quociente. Na verdade, feitas as contas, o que se multiplica é quase sempre a subtracção e quem de vinte cinco tira resulta menos ganho pelo que faz acrescido de menos feriados e mais horas de trabalho não remunerado. É só fazer as contas, diria um tal outro.
Fui procurar mais coisas sobre a Matemática Picante cujo projecto tem na realidade o nome americano de Spicy Math e fiquei um pouco desiludido. Trata-se de uma empresa de ensino da Matemática, eventualmente com métodos bastante criativos, com um bom marketing à americana, ou seja uma boa fórmula resolvente capaz de extrair dividendos com resto zero em poesia. Fica a ambiguidade do nome bem achado que tanto nos pode sugerir um certo tempero nos cálculos como as matrizes para percorrer todas as linhas sinusóides num raio igual à abcissa.
Ao ouvir isto, eu que trocadilho palavras e treino malabarismos com elas transformei logo o Pi cante em Π Kant e imaginei logo um círculo filosófico atravessado por dois raios de luz crítica. E aquele quociente apaixonado por uma incógnita estaria ali. Afinal "a paixão é o mundo a dividir por zero" como atestam "os infelizes cálculos da felicidade" onde um oito deitado chega ao infinito.
E...
Assim nestas poucas linhas
Fica uma estória banal
Com linhas e entrelinhas
E uma moral convergente:
O infinito afinal
Fica aqui ao pé da gente.
José Fanha
Imagens daqui e dali
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21 de novembro de 2011
Vale
Cresci no Vale.
Dizer que Vale é um espectáculo de dança contemporânea dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino é dizer muito pouco desta viagem/seara, rebanho/rio, festa/mar de afectos que se constrói por dentro de uma semana inteira, mas que o público só vê cerca de uma hora e um quarto.
Participei no Vale.
Fui por mim e por ti, minha rapariga que me estimulaste. Reencontrei-me com tantas memórias e gentes e animais que por vezes até lhes sentia o cheiro.
A gente do Vale
é um grupo de cinquenta pessoas que não conhecia antes e que me deixa a sensação de ali termos nascido todos e crescido. No final partimos com um sorriso na despedida, como eu parti um dia. Provavelmente, algumas destas pessoas não voltarei a encontrar em breve ou se calhar nunca mais, mas isso também me aconteceu com amigos de infância e continuo a lembrar-me deles.
Valeu!
Dizer que Vale é um espectáculo de dança contemporânea dirigido pela coreógrafa Madalena Victorino é dizer muito pouco desta viagem/seara, rebanho/rio, festa/mar de afectos que se constrói por dentro de uma semana inteira, mas que o público só vê cerca de uma hora e um quarto.
Participei no Vale.
Fui por mim e por ti, minha rapariga que me estimulaste. Reencontrei-me com tantas memórias e gentes e animais que por vezes até lhes sentia o cheiro.
A gente do Vale
é um grupo de cinquenta pessoas que não conhecia antes e que me deixa a sensação de ali termos nascido todos e crescido. No final partimos com um sorriso na despedida, como eu parti um dia. Provavelmente, algumas destas pessoas não voltarei a encontrar em breve ou se calhar nunca mais, mas isso também me aconteceu com amigos de infância e continuo a lembrar-me deles.
Valeu!
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31 de outubro de 2011
Dia D
Dê grande.
Grande Dê.
DÊ.
Grande Dê.
DÊ.
Drummondar é dar Drummond.
Dar ao mundo quem se deu ao mundo.
E não cedeu.
Porque o riso mesmo ácido
é sempre uma brincadeira do amor.
Dar ao mundo quem se deu ao mundo.
E não cedeu.
Porque o riso mesmo ácido
é sempre uma brincadeira do amor.
SEGREDO
A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.
Fique torto no seu canto.
Não ame.
Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.
Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.
Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.
Carlos Drummond de Andrade
(Itabira, 31 de Outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1987)
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.
Carlos Drummond de Andrade
(Itabira, 31 de Outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1987)
15 de outubro de 2011
Outubro ou nada
15Out MARCHA DA INDIGNAÇÃO
A cabeça da minife

Um protesto que diz respeito a quase todos

Animação e criatividade contagiante
Meninas estais à janela

A indignação também faz sede

E o povo até pode desejar um carro novo
Ou habitação condigna
E...

E também houve beijos e namoro. Manifestos (e many festas).
E...

E também houve beijos e namoro. Manifestos (e many festas).
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11 de setembro de 2011
Arte no passeio ribeirinho
Ali, junto a um dos primeiros braços da Ria Formosa, no tão proclamado e tão abandonado "Parque Ribeirinho" nasceram há tempos uns pilares de cimento com uma disposição ordenada, mas não de forma a sugerir algo inacabado. Já tinha imaginado que isto seria uma espécie de stonehenge pós-moderno ou até mesmo um objecto escultórico que um certo presidente teria mandado erigir em honra dos seus amigos construtores civis. Podia até, enigmaticamente, chamar-se IMItação. Mas não. Nenhuma placa de broze assinalava o facto e única actividade que por ali vi foram uns acampamentos de ciganos e a utilização dos pilares para pender os animais.

Eu passo por ali de bicicleta (a ecovia algarviana, está por ali assinalada) e ontem deparei-me com estas hemi-figuras pintadas e que se juntam à medida que nos deslocamos.
Eu passo por ali de bicicleta (a ecovia algarviana, está por ali assinalada) e ontem deparei-me com estas hemi-figuras pintadas e que se juntam à medida que nos deslocamos.
As estórias que me contas dos livros que lês
Do tamanho da mão de uma criança, estriada de verde metálico, de negro brilhante, às vezes também de vermelho alaranjado, com, na traseira, um debrum branco, a urânia pode ser observada em diversas regiões do globo, do Pacífico a Madagáscar, da Índia à Amazónia. A espécie que prendeu mais particularmente a minha atenção é aquela que se conhece sob a designação de Urania ripheus, e que se encontra nomeadamente na América tropical.
Os sábios que se interessam por ela puderam observar um fenómeno surpreendente e espectacular: em certos dias do ano, essas urânias reúnem–se às dezenas de milhares nos locais onde a floresta confina com o oceano, depois levantam voo para a frente, percorrendo centenas de milhas marítimas, até que, não encontrando ilha para pousar, caem esgotadas e afogam–se.
Algumas fêmeas depositam os seus ovos na floresta antes da migração, o que assegura a sobrevivência da espécie; mas a maior parte levantam voo ainda grávidas, arrastando a sua progenitura no seu suicídio colectivo.
(...) Elas foram objecto de uma monografia que as circunstâncias não deram oportunidade de publicar e que se encontra ainda nas minhas gavetas. Exprimo aí a opinião de que o comportamento das urânias não resulta de uma perda do instinto de conservação, mas, pelo contrário, da sobrevivência de um reflexo ancestral que conduz ainda esses animalejos para um lugar onde se reproduziam outrora; talvez uma ilha que tivesse desaparecido; assim, o seu suicídio aparente, seria um acto involuntário causado por uma má adaptação do instinto de sobrevivência a realidades novas; estas ideias tinham seduzido os meus estudantes, mas certos colegas mostraram–se cépticos quanto à formulação.
Os sábios que se interessam por ela puderam observar um fenómeno surpreendente e espectacular: em certos dias do ano, essas urânias reúnem–se às dezenas de milhares nos locais onde a floresta confina com o oceano, depois levantam voo para a frente, percorrendo centenas de milhas marítimas, até que, não encontrando ilha para pousar, caem esgotadas e afogam–se.
Algumas fêmeas depositam os seus ovos na floresta antes da migração, o que assegura a sobrevivência da espécie; mas a maior parte levantam voo ainda grávidas, arrastando a sua progenitura no seu suicídio colectivo.
(...) Elas foram objecto de uma monografia que as circunstâncias não deram oportunidade de publicar e que se encontra ainda nas minhas gavetas. Exprimo aí a opinião de que o comportamento das urânias não resulta de uma perda do instinto de conservação, mas, pelo contrário, da sobrevivência de um reflexo ancestral que conduz ainda esses animalejos para um lugar onde se reproduziam outrora; talvez uma ilha que tivesse desaparecido; assim, o seu suicídio aparente, seria um acto involuntário causado por uma má adaptação do instinto de sobrevivência a realidades novas; estas ideias tinham seduzido os meus estudantes, mas certos colegas mostraram–se cépticos quanto à formulação.
Amin Maalouf
O século primeiro depois de Beatriz (1992)
Aqui fica transcrita a odisseia suicida das urânias. O livro completo está disponível online.
23 de julho de 2011
Lx - 20110715
Dizias-me há tanto tempo que não te leio e eu quase a penitenciar-me por não erguer aqui esculturas e fogos reais para o mundo saber da alegria e da festa.
Tu escolheste a árvore de folhas mil quase perenes. E não podia ser melhor porque a árvore é sabedoria e memória de um tempo largo.
Grande é o campo do saber. Dos saberes. Como o do amor que se deixa atravessar por um rio de paixão.
Esta foto é linda.
O Contador Gosta disto.
6 de junho de 2011
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