Curiosa, a mensagem de Cavaco sobre a morte de Saramago.
É mais do que dever de um presidente de Portugal manifestar em nome de todos os portugueses, a homenagem a um escritor maior por ocasião da sua morte, mas neste caso deve ter-lhe dado algumas voltas às tripas. Ou ter-se-á esquecido que quando era primeiro ministro um seu serviçal deu a cara a um acto de censura sobre Saramago. Já era uma referência nessa altura. Quase apostava que Cavaco nunca leu uma linha de Saramago e, se o tentou fazer terá achado que o homem não sabia escrever e fazer pontuação. Ponto.
(Isto foi escrito depois como correcção de um erro de postagem)
18 de junho de 2010
16 de junho de 2010
"Vendedor planetário"
Levaste-me à praia. Lavaste as saudades de mar e eu ensaiei passos cautelosos na areia. Saboreámos o sol deitados na beira das ondas da maré baixa. Fantasiámos sobre a ausência das gaivotas e despertámos com o rappel dos pregões estivais. "Barquilhere..." clama o vendedor ambulante daquela espécie de bolacha torrada e poucas são as paragens. A praia quase vazia não é muito propícia ao negócio.
Passado pouco tempo ouvimos o peculiar pregão de outro vendedor já nosso conhecido. Já tínhamos feito várias conjecturas sobre o seu estado mental e persistiam dúvidas sobre se realmente vendia as bolas de berlim que apregoava com rimas:
"Bola de berlim
para a Joana e para o Delfim"
(continuo mentalmente: para a Mariana e o Serafim/ Para a Sara e o Martim...)
E continua:
"Olhem para mim que já venho tão cansado
comprem bolas de berlim para não ir tão pesado"
A sua figura podia ter saído dum filme fantasioso. É um sexagenário atarrecado de rosto redondo avermelhado de cabelos totalmente brancos (teriam sido louros em tempos). Chapéu de palhinha de abas levantadas a terminar em bico para a frente. Camisa larga sobre uns calções também largos pelo joelho. Usa uma meia elástica decontenção de varizes. Traz um cesto de piquenique montado no esqueleto do que terá sido um carrinho de ir às compras que sspende na mão direita e um saco térmico enfiado no braço esquerdo, segurando nessa mão a tenaz de inox ou alumínio. Interpela as pessoas tratando-as por "vossas excelências" incluindo nesse trato um grupo de adolescentes. Insiste nas rimas para elogiar a beleza desta praia e apresenta-se como "Mário: o vendedor planetário".
Penso para mim que este poderia ser o verdadeiro contador de gaivotas. Elas hoje, por solidariedade com a greve dos maquinistas ou por estarem a vigiar os exames de português, não compareceram e não se deixaram contar.
Mas, para que fique esclarecido, Mário, o vendedor planetário vende efectivamente bolas de berlim. As rimas dá-as a toda a gente e espalha-as na areia para quem as queira.
Passado pouco tempo ouvimos o peculiar pregão de outro vendedor já nosso conhecido. Já tínhamos feito várias conjecturas sobre o seu estado mental e persistiam dúvidas sobre se realmente vendia as bolas de berlim que apregoava com rimas:
"Bola de berlim
para a Joana e para o Delfim"
(continuo mentalmente: para a Mariana e o Serafim/ Para a Sara e o Martim...)
E continua:
"Olhem para mim que já venho tão cansado
comprem bolas de berlim para não ir tão pesado"
A sua figura podia ter saído dum filme fantasioso. É um sexagenário atarrecado de rosto redondo avermelhado de cabelos totalmente brancos (teriam sido louros em tempos). Chapéu de palhinha de abas levantadas a terminar em bico para a frente. Camisa larga sobre uns calções também largos pelo joelho. Usa uma meia elástica decontenção de varizes. Traz um cesto de piquenique montado no esqueleto do que terá sido um carrinho de ir às compras que sspende na mão direita e um saco térmico enfiado no braço esquerdo, segurando nessa mão a tenaz de inox ou alumínio. Interpela as pessoas tratando-as por "vossas excelências" incluindo nesse trato um grupo de adolescentes. Insiste nas rimas para elogiar a beleza desta praia e apresenta-se como "Mário: o vendedor planetário".
Penso para mim que este poderia ser o verdadeiro contador de gaivotas. Elas hoje, por solidariedade com a greve dos maquinistas ou por estarem a vigiar os exames de português, não compareceram e não se deixaram contar.
Mas, para que fique esclarecido, Mário, o vendedor planetário vende efectivamente bolas de berlim. As rimas dá-as a toda a gente e espalha-as na areia para quem as queira.
8 de junho de 2010
HD
High Definition? Hard Disk?
Nada disso!
Em português é hérnia discal. Agora vou ali deixar umas dores e já venho.
Nada disso!
Em português é hérnia discal. Agora vou ali deixar umas dores e já venho.
4 de junho de 2010
O estado de sítio
O meu bairro vai ficar sitiado para que uma cambada de inúteis venha sacudir o penacho. Nunca o Sítio das Figuras foi invadido por tantos figurões. O meu bairro vai ficar interdito à circulação. De carro, só se pode sair e andar a pé. É claro que todas as zonas à volta vão ficar saturadas de carros e de circulação alternativa.
Podiam fazer a coisa no Estádio do Algarve. Afinal a gente já o está a pagar e assim não chateavam.
Mas o mais triste é esta demonstração salazarenta dum país pimbo-militar.
2 de junho de 2010
Dia de quem?
E eu a pensar que o 10 de Junho era o dia de Camões e o dia de todos os portugueses espalhados pelo mundo...
Este ano as comemorações oficiais são em Faro. Já sabíamos que Cavaco tinha já transformado este dia em «dia da raça» (da dele, certamente) e em dia suplementar das forças armadas e também sabemos que Cavaco anda informalmente em campanha para a sua reeleição desde que foi eleito, mas, pronto, tem a legitimidade que a democracia lhe confere para isso tudo e ainda lhe sobra tempo, para ensinar o nome dos netos ao papa.
O que me pergunto é que sentido faz, nos dias de hoje esta manifestação masturbante militarista, belicista e parola. O culto da guerra, dos seus instrumentos e símbolos devia ser coisa a banir da vida pública. Ofende-me que seja usado como expressão mais relevante do que chamam «dia de Portugal».
Além disso, parece que fazem um simulacro da lei marcial durante três horas e meia. A informação a que tive acesso não deixa dúvidas:
As comemorações do dia 10 de Junho obrigam a condicionamentos de trânsito no acesso à Escola Superior de Saúde, nas zonas circundantes e no estacionamento no parque da Escola.
Face ao exposto, informa-se a Comunidade Académica das alterações de trânsito e estacionamento no dia 9 de Junho:
Ø O acesso e estacionamento no parque da Escola só são permitidos das 8:00 h. às 12:30 h. Todas as viaturas têm que ser retiradas do parque até às 12:30 horas.
Ø Durante as 14:00 h. até às 17:30 h. o trânsito encontra-se encerrado nas seguintes ruas:
- EN 125 – Nó do Aeroporto (cruzamento da EN 125 com a EN 125-10) até à rotunda do Teatro Municipal de Faro.
- Avenida Calouste Gulbenkian – desde a Rua do Alportel até à rotunda do Teatro Municipal de Faro.
- Avenida Prof.º Dr.º Adelino da Palma Carlos.
Assim , a partir das 14:00 do dia 9, o acesso à Escola só será possível por via pedonal.
Não se pode estacionar à volta do arraial militar. Deve ser por questões de segurança (toda a gente se lembra da paranóia securitária de Cavaco que manda interditar o espaço aéreo quando vai à praia) e começa logo na véspera. E eu que pensava estacionar lá o meu carro e pôr a tocar toda a tarde, com o volume no máximo "la cucaracha", já não posso.
Talvez convoque uma manifestação de gaivotas para sobrevoar o recinto das festas e cagar-lhes em cima.
Este ano as comemorações oficiais são em Faro. Já sabíamos que Cavaco tinha já transformado este dia em «dia da raça» (da dele, certamente) e em dia suplementar das forças armadas e também sabemos que Cavaco anda informalmente em campanha para a sua reeleição desde que foi eleito, mas, pronto, tem a legitimidade que a democracia lhe confere para isso tudo e ainda lhe sobra tempo, para ensinar o nome dos netos ao papa.
O que me pergunto é que sentido faz, nos dias de hoje esta manifestação masturbante militarista, belicista e parola. O culto da guerra, dos seus instrumentos e símbolos devia ser coisa a banir da vida pública. Ofende-me que seja usado como expressão mais relevante do que chamam «dia de Portugal».
Além disso, parece que fazem um simulacro da lei marcial durante três horas e meia. A informação a que tive acesso não deixa dúvidas:
As comemorações do dia 10 de Junho obrigam a condicionamentos de trânsito no acesso à Escola Superior de Saúde, nas zonas circundantes e no estacionamento no parque da Escola.
Face ao exposto, informa-se a Comunidade Académica das alterações de trânsito e estacionamento no dia 9 de Junho:
Ø O acesso e estacionamento no parque da Escola só são permitidos das 8:00 h. às 12:30 h. Todas as viaturas têm que ser retiradas do parque até às 12:30 horas.
Ø Durante as 14:00 h. até às 17:30 h. o trânsito encontra-se encerrado nas seguintes ruas:
- EN 125 – Nó do Aeroporto (cruzamento da EN 125 com a EN 125-10) até à rotunda do Teatro Municipal de Faro.
- Avenida Calouste Gulbenkian – desde a Rua do Alportel até à rotunda do Teatro Municipal de Faro.
- Avenida Prof.º Dr.º Adelino da Palma Carlos.
Assim , a partir das 14:00 do dia 9, o acesso à Escola só será possível por via pedonal.
Não se pode estacionar à volta do arraial militar. Deve ser por questões de segurança (toda a gente se lembra da paranóia securitária de Cavaco que manda interditar o espaço aéreo quando vai à praia) e começa logo na véspera. E eu que pensava estacionar lá o meu carro e pôr a tocar toda a tarde, com o volume no máximo "la cucaracha", já não posso.
Talvez convoque uma manifestação de gaivotas para sobrevoar o recinto das festas e cagar-lhes em cima.
Etiquetas:
e,
e-minências parvas,
e-stádio da nação,
e-stupidez
31 de maio de 2010
Inter vs rogações
Quando um escritor ou uma escritora medíocre tem um estrondoso sucesso editorial, estamos perante uma besta célere?
30 de maio de 2010
Domingo
Praia, xadrez e bicicleta.
Contigo, seria mesmo perfeito.
Lembrei-me de outros domingos de outros olhares
Aqui fica um domingo-poema de um dos meus poetas
Poema de domingo
Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio algremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.
Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.
É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.
António Gedeão, Novos Poemas Póstumos
Contigo, seria mesmo perfeito.
Lembrei-me de outros domingos de outros olhares
Aqui fica um domingo-poema de um dos meus poetas
Poema de domingo
Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio algremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.
Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.
É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.
António Gedeão, Novos Poemas Póstumos
20 de maio de 2010
FaroVille
É quase à minha porta. No meu quintal. Praticamente.
Primeiro interrogávamo-nos o que se estava ali a construir com a ajuda e o empenho da tropa. As máquinas eram verde-militar e os uniformes não deixavam dúvidas. Em vão procurei os cartazes obrigatórios, parece-me, em todas as obras que informam do que se está ali a fazer. Quando se trata de obras públicas até costuma estar lá o orçamento e as fontes de financiamento e o prazo de construção.

Ouvia vários comentários e alguém com ar de bem informado garantia que aquela obra era para as comemorações do 10 de Junho (e já nem sei bem o que se comemora nesse dia) e que vinha cá o Cavaco. Pensei logo que a coisa se deveria vir a chamar cavacódromo. Sua celência aroveita o feriado, vem à terra e faz um discurso para os magalas ali em sentido, ao sol, a desidratar.
Mesmo assim, eu que sou um bocadinho céptico e às vezes mesmo pirrónico não estou la muito convencido dessa coisa do 10 de Junho e das paradas militares.
Então não se está mesmo a ver que isto é a FarmVille farense.
Em tamanho real.
Até as crianças percebem!
Aquele terreno está envolvido numa polémica desde há meia dúzia de anos. Assim em breves palavras, era um terreno do domínio público municipal que por proposta do presidente Vitorino e a concordância do PSD e do PS na A. Municipal, passou a domínio privado da Câmara, para o oferecer ao SCFarense, para este clube aí explorar uma bomba de combustíveis de modo a poder pagar as dívidas ao fisco e à segurança social, acumuladas por gestão danosa da SAD.
E isto só não seguiu assim porque os moradores do bairro interpuseram uma providência cautelar.
E fui vendo o avanço da obra com algum regozijo, porque fosse o que fosse, sempre era melhor que uma gasolineira redentora da delinquência fiscal. Mas continuava a não haver informação visível o que me fazia pensar que estaríamos perante uma obra ilegal, uma construção clandestina.
Mas sempre é melhor que uma gasolieira.
Ainda procurei ali um rego directamente ligado à ria para passarem os submarinos do Portas, mas não vi nada. Ah... ainda não vieram da Alemanha...
Então não se está mesmo a ver que isto é a FarmVille farense.
Em tamanho real.
Nota: Com tudo isto não está ainda afastada a possibilidade de nascer ali uma bomba de gasolina, o que é uma lamentável opção para a entrada da cidade. Vamos ver.
Etiquetas:
e-fabulações,
e-minências parvas,
e-stádio da nação
17 de maio de 2010
Realmente...
Vamos lá ver se alguém adivinha quem foi o real idiota que desovou estas pérolas.
Considera que o país está mais preocupado com as causas fracturantes do que com a realidade?
Claro! Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene. Praticamente é só isso, em vez de dar referências éticas e morais em relação ao desenvolvimento de uma sexualidade saudável. Ao mesmo tempo, desencorajam-se as aulas de educação moral e estamos a dizer que a moral não tem importância, que só a sexualidade livre é fundamental para a felicidade dos portugueses.
Há questões, como o divórcio, que na Monarquia seriam impossíveis!
Hoje em dia é mais fácil despedir a mulher ou o marido do que um funcionário de uma empresa. Ora, a estabilidade de um emprego não é mais importante do que a estabilidade da família.
A questão do aborto também?
A lei do aborto livre é para muitos uma lei que escraviza as mulheres porque hoje ela pode ser obrigada a abortar pelos patrões, amantes e pais. Esta é a situação de muitas mulheres, pois é raro que queiram abortar por vontade própria. Esta lei, que as escraviza, é ultraliberal e ultracapitalista e não percebo como é que a esquerda em Portugal apoia isto.
Uma esquerda que também apoia o casamento homossexual...
Esse é um problema mais complicado porque há uma confusão entre o direito a viver junto, a ter alguns benefícios fiscais, a ter certo reconhecimento legal para pessoas que querem partilhar a sua vida e que muitas vezes até podem ser duas velhas amigas, vizinhas ou irmãos. A legislação sobre o casamento tem basicamente o objectivo de proteger as crianças e creio que não se devia confundir o casamento como unidade que pode produzir uma futura geração, educá-la e ter responsabilidades nela, com as uniões de facto que podem ser aquelas que interessam aos homossexuais. Dizia alguém – a brincar claro – que hoje os padres e os homossexuais é que se querem casar, os outros preferem as uniões de facto porque dão-lhes menos responsabilidades.
Não não foi o Cavaco. Esse apenas veio explicar ao papa que estava de mãos atadas e não tinha outro remédio que não promulgar a lei que permite que pessoas do mesmo sexo possam casar. Não disse, mas a gente percebeu que continua homofóbico graças a deus e à virgem santíssima.
Considera que o país está mais preocupado com as causas fracturantes do que com a realidade?
Claro! Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene. Praticamente é só isso, em vez de dar referências éticas e morais em relação ao desenvolvimento de uma sexualidade saudável. Ao mesmo tempo, desencorajam-se as aulas de educação moral e estamos a dizer que a moral não tem importância, que só a sexualidade livre é fundamental para a felicidade dos portugueses.
Há questões, como o divórcio, que na Monarquia seriam impossíveis!
Hoje em dia é mais fácil despedir a mulher ou o marido do que um funcionário de uma empresa. Ora, a estabilidade de um emprego não é mais importante do que a estabilidade da família.
A questão do aborto também?
A lei do aborto livre é para muitos uma lei que escraviza as mulheres porque hoje ela pode ser obrigada a abortar pelos patrões, amantes e pais. Esta é a situação de muitas mulheres, pois é raro que queiram abortar por vontade própria. Esta lei, que as escraviza, é ultraliberal e ultracapitalista e não percebo como é que a esquerda em Portugal apoia isto.
Uma esquerda que também apoia o casamento homossexual...
Esse é um problema mais complicado porque há uma confusão entre o direito a viver junto, a ter alguns benefícios fiscais, a ter certo reconhecimento legal para pessoas que querem partilhar a sua vida e que muitas vezes até podem ser duas velhas amigas, vizinhas ou irmãos. A legislação sobre o casamento tem basicamente o objectivo de proteger as crianças e creio que não se devia confundir o casamento como unidade que pode produzir uma futura geração, educá-la e ter responsabilidades nela, com as uniões de facto que podem ser aquelas que interessam aos homossexuais. Dizia alguém – a brincar claro – que hoje os padres e os homossexuais é que se querem casar, os outros preferem as uniões de facto porque dão-lhes menos responsabilidades.
Não não foi o Cavaco. Esse apenas veio explicar ao papa que estava de mãos atadas e não tinha outro remédio que não promulgar a lei que permite que pessoas do mesmo sexo possam casar. Não disse, mas a gente percebeu que continua homofóbico graças a deus e à virgem santíssima.
13 de maio de 2010
Papanços e papalvos
A RTP, televisão pública continua a espremer Fátima. É a Fátima Campos Ferreira que já deve estar estar na fila para a próxima época de beatificação a fazer desfilar todos os beneméritos do amor ao próximo. As outras televisões já retomaram as suas programações e a RTP continua na sua missão apostólica. É caso para dizer que é mais papista que o papa.
A TSF também fez a sua emissão pastoral a partir de Fátima logo desde manhã cedo. Ainda ouvi uns comentadores a falar da dor e do sofrimento e de um deus que é bom e se não fosse deveríamos ser ateus. Uma freira aproveita para desancar no Saramago e eu a pensar que esta gente ou não lê a bíblia ou tem uma visão muito selectiva e quanto mais o ouço mais me espanto como é que gente que considero inteligente acredita nestas histórias. As histórias que se contam sobre um suposto deus e que são objecto de fé, negam-se a si próprias.
Então meu caro Anselmo Borges, estará lembrado do sacrifício que o deus da bíblia (suponho que é o mesmo de que falava) pediu a Abraão? Para ser coerente, deveria engolir as suas palavras e declarar-se ateu.
O apóstolo Cavaco acaba de dar mais um ar de labreguice presidencial, na RTP N (18:35). O ar com que conta como o papa até foi capaz de repetir o nome dos netos... Sinceramente!... Logo a seguir vem o testemunho de uma cura milagrosa da virgem maria. Nem sei para que é que ainda gastamos dinheiro no Serviço Nacional de Saúde. Deve ser porque o sistema divino dos milagres também tem as suas falhas que como se sabe começou logo por deixar morrer (negligência?) dois dos pastorinhos que dizem ter visto a aparição em Fátima.
Mas parece que somos poucos a dar por isso.
A TSF também fez a sua emissão pastoral a partir de Fátima logo desde manhã cedo. Ainda ouvi uns comentadores a falar da dor e do sofrimento e de um deus que é bom e se não fosse deveríamos ser ateus. Uma freira aproveita para desancar no Saramago e eu a pensar que esta gente ou não lê a bíblia ou tem uma visão muito selectiva e quanto mais o ouço mais me espanto como é que gente que considero inteligente acredita nestas histórias. As histórias que se contam sobre um suposto deus e que são objecto de fé, negam-se a si próprias.
Então meu caro Anselmo Borges, estará lembrado do sacrifício que o deus da bíblia (suponho que é o mesmo de que falava) pediu a Abraão? Para ser coerente, deveria engolir as suas palavras e declarar-se ateu.
O apóstolo Cavaco acaba de dar mais um ar de labreguice presidencial, na RTP N (18:35). O ar com que conta como o papa até foi capaz de repetir o nome dos netos... Sinceramente!... Logo a seguir vem o testemunho de uma cura milagrosa da virgem maria. Nem sei para que é que ainda gastamos dinheiro no Serviço Nacional de Saúde. Deve ser porque o sistema divino dos milagres também tem as suas falhas que como se sabe começou logo por deixar morrer (negligência?) dois dos pastorinhos que dizem ter visto a aparição em Fátima.
Mas parece que somos poucos a dar por isso.
Etiquetas:
e-stádio da nação,
e-stupidez
12 de maio de 2010
Quem semeia bento... um dia destes bai ber se chobe
Ouvir os discursos de Cavaco ao papa tratando-o por sua santidade e por santo padre, ainda por cima dizer que fala em nome de todos os portugueses dá-me vómitos. Aliás, em todo este processo, Cavaco não se tem comportado minimamente como chefe do Estado português, mas apenas como um vulgar chefe de família temente a deus e à virgem santíssima que recebe o papa como se estivesse em sua casa e chama os parentes mais próximos para virem cumprimentar o papa. Um nojo. Não me lembro de alguma vez olhar para este sujeito e ver nele o presidente de todos os portugueses. A mim, só me faz sentir vergonha. Pode ser que isso agrade e seja ao jeito da maioria dos portugueses, mas não passa a ser ético por isso. Ainda há dias foi à República Checa e ouviu o que outro quis dizer e amochou. Agora com o papa comportou-se como submisso sacristão. O homem tem demonstrado que não tem jeito nenhum para o cargo. Um verdadeiro lèche-bottes (ia escrevendo culs, mas até isso exigiria mais elevação) não pode ser chefe de um estado soberano.
Sócrates também foi à missa e hoje reuniu-se com o papa. Também lhe estou com tremendo asco, mas isso são contas de outro rosário (vejam como estou contaminado por esta overdose católica!) Ouvi Sócrates à saída do encontro com o papa e de facto não tem nada a ver com o comportamento de Cavaco. Teve uma pequena hesitação, mas tratou o papa por "sua eminência", foi respeitador e protocolar. Este contraste ainda me faz sentir mais a completa inadequação do comportamento de Cavaco.
O papa bem o podia levar para o vaticano. O homem farta-se de dizer que sabe de economia e isso deve fazer jeito ao Vaticano, embora eu não tenha grande fé nisso. Lembrei-me que se se aplicar à economia o que Abel Salazar dizia da medicina ("médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe") a coisa fica difícil. Por outro lado, também não há qualquer evidência de que os conhecimentos de economia de Cavaco tenham servido para alguma coisa. Bom, temos aquele bom desempenho ao nível da economia doméstica com as acções do BPN ou da SLN, mas aí também eu teria feito boa figura...
O homem dos tabús continua em campanha e um dia destes vem aqui a esta paróquia inaugurar o cavacódromo, mas sobre isso há-de haver outro escrito com bonecos e tudo.
Só por curiosidade, no Priberam, dicionário online, a palavra do dia é:
mirmecófago (grego múrmeks - ekos, formiga+ -fago) adj. Que se alimenta de formigas. = FORMICÍVORO. Ou seja, PAPA formigas.
Sócrates também foi à missa e hoje reuniu-se com o papa. Também lhe estou com tremendo asco, mas isso são contas de outro rosário (vejam como estou contaminado por esta overdose católica!) Ouvi Sócrates à saída do encontro com o papa e de facto não tem nada a ver com o comportamento de Cavaco. Teve uma pequena hesitação, mas tratou o papa por "sua eminência", foi respeitador e protocolar. Este contraste ainda me faz sentir mais a completa inadequação do comportamento de Cavaco.
O papa bem o podia levar para o vaticano. O homem farta-se de dizer que sabe de economia e isso deve fazer jeito ao Vaticano, embora eu não tenha grande fé nisso. Lembrei-me que se se aplicar à economia o que Abel Salazar dizia da medicina ("médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe") a coisa fica difícil. Por outro lado, também não há qualquer evidência de que os conhecimentos de economia de Cavaco tenham servido para alguma coisa. Bom, temos aquele bom desempenho ao nível da economia doméstica com as acções do BPN ou da SLN, mas aí também eu teria feito boa figura...
O homem dos tabús continua em campanha e um dia destes vem aqui a esta paróquia inaugurar o cavacódromo, mas sobre isso há-de haver outro escrito com bonecos e tudo.
Só por curiosidade, no Priberam, dicionário online, a palavra do dia é:
mirmecófago (grego múrmeks - ekos, formiga+ -fago) adj. Que se alimenta de formigas. = FORMICÍVORO. Ou seja, PAPA formigas.
11 de maio de 2010
O Tony Carreira faria o mesmo mais barato
Cheguei a casa e ligo a televisão que abre na RTP N (parece que qualquer um que fosse) e e stá a dar (é o que está a dar) a transmissão directa do terreiro do passo. A locutora diz que faltam 21 minutos para a eucaristia (de vida) celebrada pelo papa. A câmara percorre em panorâmica a primeira fila e tenho a impressão que lá estão as mesmas caras que estavam no concerto do Tony Carreira, no pavilhão Atlântico, ou no Campo Pequeno... já não me lembro.
Ontem alguém fazia as contas e dizia que se contabilizava em 75 milhões os custos observáveis desta visita papal. Não se incluem aqui os prejuízos das tolerâncias de ponto e do estado de sítio de meia cidade de Lisboa.
Eu sei que as pessoas precisam disto, mas não abusemos. Esta semana já houve a vitória do Benfica com 48 horas de festejos e recepção oficial na Câmara de Lisboa. Foram milhares e milhares de pessoas em celebração até de madrugada, incluindo inúmeras crianças em idade escolar e não houve sequer um dia de tolerância para os benfiquistas de alma e coração.
Isto prova que as pessoas, quando animadas pela fé não precisam de feriados nem tolerância de ponto e até são capazes de pagar para estar junto dos seus ídolos.
É bem verdade que a malta do futebol também gasta muito em segurança
e em cada jogo jogam cerca de trinta polícias por cada futebolista e que ao fim de um ano isso custa-nos um ror de dinheiro.
O Cavaco trata o papa por santo padre e diz que fala em nome de todo o povo português...
Estou a ver que de Portugal se pode dizer que é tanto um estado laico, como do vaticano que é um estado pedófilo.
Esta visita junta o delírio místico com a paranoia securitária. Para além do ridículo de que ninguém se parece importar.
Ontem alguém fazia as contas e dizia que se contabilizava em 75 milhões os custos observáveis desta visita papal. Não se incluem aqui os prejuízos das tolerâncias de ponto e do estado de sítio de meia cidade de Lisboa.
Eu sei que as pessoas precisam disto, mas não abusemos. Esta semana já houve a vitória do Benfica com 48 horas de festejos e recepção oficial na Câmara de Lisboa. Foram milhares e milhares de pessoas em celebração até de madrugada, incluindo inúmeras crianças em idade escolar e não houve sequer um dia de tolerância para os benfiquistas de alma e coração.
Isto prova que as pessoas, quando animadas pela fé não precisam de feriados nem tolerância de ponto e até são capazes de pagar para estar junto dos seus ídolos.
É bem verdade que a malta do futebol também gasta muito em segurança
e em cada jogo jogam cerca de trinta polícias por cada futebolista e que ao fim de um ano isso custa-nos um ror de dinheiro.
O Cavaco trata o papa por santo padre e diz que fala em nome de todo o povo português...
Estou a ver que de Portugal se pode dizer que é tanto um estado laico, como do vaticano que é um estado pedófilo.
Esta visita junta o delírio místico com a paranoia securitária. Para além do ridículo de que ninguém se parece importar.
Cenas dos próximos capítulos...
Cavaco recebeu a brigada do reumático.
Ex-ministros das finanças, orgulhosos do trabalho que fizeram por este país foram visitar Cavaco Silva que se encontra temporariamente no palácio de Belém no intervalo de duas acções de campanha para a sua reeleição e antes do seu trabalho temporário de salamalequear o papa que protege pedófilos.
Gostei de ver a brigada do reumático em romaria com direito a uma declaração à porta, a dizer não sei bem o quê, mas que era mais ou menos o mesmo que o Cavaco diz que já tinha dito há tempos e com ar de que todos ainda se lembram muito bem do que é a economia. Gostei. Fez-me lembrar outra visita mais antiga... O que se vai seguir?
Alguém vai cair da cadeira?
Ex-ministros das finanças, orgulhosos do trabalho que fizeram por este país foram visitar Cavaco Silva que se encontra temporariamente no palácio de Belém no intervalo de duas acções de campanha para a sua reeleição e antes do seu trabalho temporário de salamalequear o papa que protege pedófilos.
Gostei de ver a brigada do reumático em romaria com direito a uma declaração à porta, a dizer não sei bem o quê, mas que era mais ou menos o mesmo que o Cavaco diz que já tinha dito há tempos e com ar de que todos ainda se lembram muito bem do que é a economia. Gostei. Fez-me lembrar outra visita mais antiga... O que se vai seguir?
Alguém vai cair da cadeira?
Etiquetas:
e-minências parvas,
e-stádio da nação,
e-stupidez
9 de maio de 2010
Pontuacções
Vem aí o papa, meninos!
Nota posterior:
O título desta posta não contém nenhum erro ortográfico. Aquela palavra não existe, acho. Será um neologismo que funde duas ideias numa só palavra (o Mia Couto é mestre nesta arte) e é nessa dupla leitura que a ironia se descodifica.
Voltei a pensar nisso e constatei que se já todos usássemos o acordo ortográfico e nos tivessemos esquecido do antigo português de Portugal essa leitura não seria possível.
De qualquer forma, apesar de achar que este acordo não era necessário, não sou dos que juram que lhe vão resistir até à morte, até porque isso será inútil . Aprendi a ler antes de 1963 e lembro-me que havia palavras que o meu pai escrevia de maneira diferente (escrevia à antiga) e passados uns anos foi assimilando as alterações ortográficas.
Nota posterior:
O título desta posta não contém nenhum erro ortográfico. Aquela palavra não existe, acho. Será um neologismo que funde duas ideias numa só palavra (o Mia Couto é mestre nesta arte) e é nessa dupla leitura que a ironia se descodifica.
Voltei a pensar nisso e constatei que se já todos usássemos o acordo ortográfico e nos tivessemos esquecido do antigo português de Portugal essa leitura não seria possível.
De qualquer forma, apesar de achar que este acordo não era necessário, não sou dos que juram que lhe vão resistir até à morte, até porque isso será inútil . Aprendi a ler antes de 1963 e lembro-me que havia palavras que o meu pai escrevia de maneira diferente (escrevia à antiga) e passados uns anos foi assimilando as alterações ortográficas.
Etiquetas:
e-clesia,
e-minências parvas
1 de maio de 2010
Viva o 1º de Maio
O 1º de Maio é dia do Trabalhador. Dia de luta e dia de festa. Também ligado a memórias tristes. Luto. Às vezes o sentido da vida parece pôr os ponteiros a rodar ao contrário e o que deveriam ser referências para o nosso viver colectivo perdem-se em residuais rituais folclóricos.
Quando vim para este sul, há trinta anos encontrei dois dias distintos e também misturados.
Dia de Maio: dia de "atacar o Maio" logo de manhã com um bom medronho; dia de ir para o campo comer panelões de caracóis a cheirar a orégãos; da "festa da pinha", das "abarcas", da entrada com archotes na aldeia de Estoi ao anoitecer, dos "maios" à beira da estrada...
O Primeiro de Maio: dia da festa sindical; dia das bandeiras vermelhas, dos discursos, das canções da memória revolucionária e de outras que se quiseram ligar a essa memória...
São festas populares. Já participei nas duas. A primeira acaba por ser a mais pagã mesmo que inclua missa na igreja matriz.
Dia de luta e dia de festa. Há muitas razões para lutar e a gente gosta mais de festa. Que fazer, Lenine?
Eu cá para mim era capaz de aderir a uma teoria absolutamente revolucionária, capaz de derrotar a actual deriva capitalista selvagem e louca.
Vamos vencê-los pela festa!
Etiquetas:
e-closões e-mergências,
e-vocações
23 de abril de 2010
Um dispositivo tecnológico impressionante
Video sugerido por mail pelo meu amigo L. Moreira a quem deixo um abraço
Interessante peça de marketink que ilustra como as palavras não se deixam aprisionar.
Muito apropriado para este dia.
11 de abril de 2010
Quando falaste...
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Mas voámos todos um pouco e de repente toda a Serra era uma imensa escola verde e o Sado o recreio e a Pedra Anicha uma sala de aula frente ao Portinho ou era mesmo só a Pedra Anicha sobrevoada por gaivotas que éramos nós todos.
Por um tempo deixaste de ser a rapariga dos brincos de pérola e tornaste-te no poeta professor e toda aquela sala voou num caminho por ele fora sem tempo nem asas/almas encarceradas. Ficámos todos meninos a aprender e até o "Fosco" rabino desta vez ficou até ao fim.
Sessão comemorativa do nascimento de Sebastião da Gama, ontem em VN de Azeitão, no museu que tem o seu nome.
Melhor ainda é ler-te na primeira pessoa.
Singular.
Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, em 10 de Abril de 1924, e faleceu em Lisboa em 1952
"Encarcerar a asa é encarcerar a alma. Isso sim. É que há muita asa que não pensa; asas que não sintam é que não.Mas eu não preciso do símbolo para ver os pássaros na gaiola. Basta-me ser fraterno. Para que vivemos no mundo há tanto tempo, se não sabemos ainda que os bichos são criaturas com alma?... Até os das fábulas, quando calha... Ora pensem lá um bocadinho no " Leão Moribundo"... É um leão mesmo, ou é principalmente um leão. Quantas vezes se esquecem os fabulistas de que era de homens que queriam falar!
Asa encarcerada não. Nem asa de pássaro nem asa de grilo. Uma fê-la o Senhor e disse-lhe: " Voa!" À outra: " Canta!" A nenhuma ( nem a nós deu a ordem, claro está) que se metesse numa gaiola. No entanto é a gaiola o domicílio habitual muito habitual do pássaro e do grilo. Ao grilo prendem-no as crianças, sob o sorriso dos pais. Ao pássaro os pais sob o sorriso dos filhos. Má escola esta. Principalmente porque se diz: "Que bem que canta!, Que bem que canta!". Nem se chega a aprender a diferença que vai do canto ao choro. Pois um pássaro encarcerado canta lá?!... Os pássaros cantam é nas linhas do telefone, nas árvores, nas beiras do telhado... Os grilos é na toca ou ao pé da serralha. Na gaiola choram. É o fado dos ferros."
Sebastião da Gama (1947). O segredo é amar
não enlouqueceu ninguém...
Mas voámos todos um pouco e de repente toda a Serra era uma imensa escola verde e o Sado o recreio e a Pedra Anicha uma sala de aula frente ao Portinho ou era mesmo só a Pedra Anicha sobrevoada por gaivotas que éramos nós todos.
Por um tempo deixaste de ser a rapariga dos brincos de pérola e tornaste-te no poeta professor e toda aquela sala voou num caminho por ele fora sem tempo nem asas/almas encarceradas. Ficámos todos meninos a aprender e até o "Fosco" rabino desta vez ficou até ao fim.
Sessão comemorativa do nascimento de Sebastião da Gama, ontem em VN de Azeitão, no museu que tem o seu nome.
Melhor ainda é ler-te na primeira pessoa.
Singular.
Sebastião Artur Cardoso da Gama nasceu em Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal, em 10 de Abril de 1924, e faleceu em Lisboa em 1952
"Encarcerar a asa é encarcerar a alma. Isso sim. É que há muita asa que não pensa; asas que não sintam é que não.Mas eu não preciso do símbolo para ver os pássaros na gaiola. Basta-me ser fraterno. Para que vivemos no mundo há tanto tempo, se não sabemos ainda que os bichos são criaturas com alma?... Até os das fábulas, quando calha... Ora pensem lá um bocadinho no " Leão Moribundo"... É um leão mesmo, ou é principalmente um leão. Quantas vezes se esquecem os fabulistas de que era de homens que queriam falar!
Asa encarcerada não. Nem asa de pássaro nem asa de grilo. Uma fê-la o Senhor e disse-lhe: " Voa!" À outra: " Canta!" A nenhuma ( nem a nós deu a ordem, claro está) que se metesse numa gaiola. No entanto é a gaiola o domicílio habitual muito habitual do pássaro e do grilo. Ao grilo prendem-no as crianças, sob o sorriso dos pais. Ao pássaro os pais sob o sorriso dos filhos. Má escola esta. Principalmente porque se diz: "Que bem que canta!, Que bem que canta!". Nem se chega a aprender a diferença que vai do canto ao choro. Pois um pássaro encarcerado canta lá?!... Os pássaros cantam é nas linhas do telefone, nas árvores, nas beiras do telhado... Os grilos é na toca ou ao pé da serralha. Na gaiola choram. É o fado dos ferros."
Sebastião da Gama (1947). O segredo é amar
Etiquetas:
e-moções,
e-special,
e-vocações
3 de abril de 2010
Reflexão PazCalma
Não perceberam que não podiam exigir que a lei contemple a prisão das mulheres que abortam ao mesmo tempo que os seus crimes se resolviam com meia dúzia de ave-marias e uma oportuna mudança de paróquia. (in Jumento)
Ora aqui o esencial da questão. A igreja católica não é má porque alguns dos seus membros são maus e cometem crimes. É má quando protege os criminosos e permite que persistam nos seus crimes noutro local. Impunemente. É socialmente iníqua quando é uma força de pressão organizada sobre a regulamentação da sociedade laica e depois se furta ela própria às leis dessa sociedade.
Neste tempo de festas católicas (na verdade roubadas ao calendário de tradições pagãs) a igreja tem tido um tempo de antena gratuito que só rivaliza com os grandes clubes de futebol. Neste tempo em que continuam a vir à luz mais notícias sobre os abusos sexuais cometidos por padres, que têm feito os mais destacados membros desta organização? Contrição? Penitência? Arrependimento? Pedir desculpa às vítimas? Entregar os acusados à justiça? Nada disso. Antes, salvo raras excepções, têm sido unânimes na desculpabilização, no silêncio e até, pasme-se, na vitimização de uma campanha semelhante à anti-semita (não percebi se à dos nazis com quem pactuaram durante décadas se à sua própria perseguição e matança de judeus que sempre acusaram da morte de um alegado Jesus). Considero isto é um verdadeiro insulto à humanidade, incluindo os crentes cristãos.
Também por estes dias, e ainda nos domínios da fé religiosa, horrorizamos com os atentados de Moscovo e sabemos que pelo menos uma jovem de 17 anos se fez explodir espalhando a morte à sua volta. São as chamadas "viúvas negras" instrumentalizadas por um qualquer líder político-espiritual. Não se compreende como em nome da fé se pode causar a morte e o sofrimento de inocentes, mas a história das religiões, está cheia de episódios destes.
Um libanês muçulmano vai em perigrinação a Meca (obrigação religiosa islâmica para todos fazerem pelo menos uma vez na vida) é preso, acusado de bruxaria, julgado e condenado à morte por decapitação em público. Isto na Arábia Saudita, país que integra a Organização das Nações Unidas desde 1945.
Eu que me concebo como ateu, atinente a uma enorme curiosidade transdisciplinar, iconoclasta dos quatro costados, não consigo parar de me interrogar e inquietar sobre estes acontecimentos. Espanta-me que toda a gente inteligente não o faça. Como é possível que em nome de uma convicção íntima num suposto deus que apelidam de bom, de amor ao próximo, que pode tudo e mais alguma coisa e ainda lhe sobra tempo porque é infinito e por aí fora, se espalhe tanta morte e sofrimento no mundo?
Devem ser mesmo os mistérios da fé...
Ora aqui o esencial da questão. A igreja católica não é má porque alguns dos seus membros são maus e cometem crimes. É má quando protege os criminosos e permite que persistam nos seus crimes noutro local. Impunemente. É socialmente iníqua quando é uma força de pressão organizada sobre a regulamentação da sociedade laica e depois se furta ela própria às leis dessa sociedade.
Neste tempo de festas católicas (na verdade roubadas ao calendário de tradições pagãs) a igreja tem tido um tempo de antena gratuito que só rivaliza com os grandes clubes de futebol. Neste tempo em que continuam a vir à luz mais notícias sobre os abusos sexuais cometidos por padres, que têm feito os mais destacados membros desta organização? Contrição? Penitência? Arrependimento? Pedir desculpa às vítimas? Entregar os acusados à justiça? Nada disso. Antes, salvo raras excepções, têm sido unânimes na desculpabilização, no silêncio e até, pasme-se, na vitimização de uma campanha semelhante à anti-semita (não percebi se à dos nazis com quem pactuaram durante décadas se à sua própria perseguição e matança de judeus que sempre acusaram da morte de um alegado Jesus). Considero isto é um verdadeiro insulto à humanidade, incluindo os crentes cristãos.
Também por estes dias, e ainda nos domínios da fé religiosa, horrorizamos com os atentados de Moscovo e sabemos que pelo menos uma jovem de 17 anos se fez explodir espalhando a morte à sua volta. São as chamadas "viúvas negras" instrumentalizadas por um qualquer líder político-espiritual. Não se compreende como em nome da fé se pode causar a morte e o sofrimento de inocentes, mas a história das religiões, está cheia de episódios destes.
Um libanês muçulmano vai em perigrinação a Meca (obrigação religiosa islâmica para todos fazerem pelo menos uma vez na vida) é preso, acusado de bruxaria, julgado e condenado à morte por decapitação em público. Isto na Arábia Saudita, país que integra a Organização das Nações Unidas desde 1945.
Eu que me concebo como ateu, atinente a uma enorme curiosidade transdisciplinar, iconoclasta dos quatro costados, não consigo parar de me interrogar e inquietar sobre estes acontecimentos. Espanta-me que toda a gente inteligente não o faça. Como é possível que em nome de uma convicção íntima num suposto deus que apelidam de bom, de amor ao próximo, que pode tudo e mais alguma coisa e ainda lhe sobra tempo porque é infinito e por aí fora, se espalhe tanta morte e sofrimento no mundo?
Devem ser mesmo os mistérios da fé...
22 de março de 2010
Água (se)benta
Um documento secreto do Vaticano, elaborado pelo então cardeal Joseph Ratzinger, o actual Papa, terá sido utilizado durante 20 anos para instruir os bispos católicos sobre a melhor forma de ocultar e evitar acusações judiciais em caso de crimes sexuais contra crianças.(...) o documento de 39 páginas, escrito em latim em 1962 e distribuído pelos bispos católicos de todo o mundo, impõe um pacto de silêncio entre a vítima menor, o padre que é acusado do crime e quaisquer testemunhas ou pessoas a par do ocorrido. Quem quebrasse esse pacto seria excomungado pela Igreja Católica.
Tem sido notícia o pedido de desculpa do papa Ratzinger às vítimas de abusos sexuais por parte de padres católicos. Para muita gente isso constitui uma boa acção e um sinal de que este papa provoca uma mudança com o que tem sido a prática da hierarquia católica face à pedofilia e abusos sexuais a que têm sido sujeitas inúmeras crianças colocadas à guarda de instituições dessa igreja ou à confiança dos padres. Contudo, o que se sabe hoje dá razões para pensar que estamos em presença de mais uma tentativa de branqueamento do crime continuado de um grande número de padres, como ainda, e talvez isso seja o mais relevante, da cumplicidade e protecção da organização ao mais alto nível, ou seja, o próprio Ratzinger.
Os abusos sexuais de menores não são, infelizmente, uma prática exclusiva da igreja católica. É verdade que noutro tipo de organizações, do Estado incluídas, tem acontecido e tem movido a cumplicidade de muitos responsáveis na sua ocultação e obstrução à justiça. O que aconteceu na Casa Pia é um exemplo em cujo julgamento ficam de fora todos os responsáveis que durante décadas, tendo conhecimento se calaram, com o objectivo de proteger a instituição. O mesmo faz a igreja católica. Em todas as situações, isso não diminui o crime. Acrescenta-o.
Acho que no caso da Casa Pia, deviam estar em julgamento todos os responsáveis que no exercício dos seus mandatos silenciaram os crimes e no caso da igreja católica, o mesmo.
O estado do Vaticano continua a ocultar padres americanos acusados de crimes sexuais, numa espécie de asilo político, que os impede de serem julgados nos Estados Unidos.
E o papa continua a atirar água benta para os olhos do mundo.
Tem sido notícia o pedido de desculpa do papa Ratzinger às vítimas de abusos sexuais por parte de padres católicos. Para muita gente isso constitui uma boa acção e um sinal de que este papa provoca uma mudança com o que tem sido a prática da hierarquia católica face à pedofilia e abusos sexuais a que têm sido sujeitas inúmeras crianças colocadas à guarda de instituições dessa igreja ou à confiança dos padres. Contudo, o que se sabe hoje dá razões para pensar que estamos em presença de mais uma tentativa de branqueamento do crime continuado de um grande número de padres, como ainda, e talvez isso seja o mais relevante, da cumplicidade e protecção da organização ao mais alto nível, ou seja, o próprio Ratzinger.
Os abusos sexuais de menores não são, infelizmente, uma prática exclusiva da igreja católica. É verdade que noutro tipo de organizações, do Estado incluídas, tem acontecido e tem movido a cumplicidade de muitos responsáveis na sua ocultação e obstrução à justiça. O que aconteceu na Casa Pia é um exemplo em cujo julgamento ficam de fora todos os responsáveis que durante décadas, tendo conhecimento se calaram, com o objectivo de proteger a instituição. O mesmo faz a igreja católica. Em todas as situações, isso não diminui o crime. Acrescenta-o.
Acho que no caso da Casa Pia, deviam estar em julgamento todos os responsáveis que no exercício dos seus mandatos silenciaram os crimes e no caso da igreja católica, o mesmo.
O estado do Vaticano continua a ocultar padres americanos acusados de crimes sexuais, numa espécie de asilo político, que os impede de serem julgados nos Estados Unidos.
E o papa continua a atirar água benta para os olhos do mundo.
18 de março de 2010
"Então porque não voas?...
... Então tu olhaste, depois sorriste..."
E eu a misturar canções do Sérgio, com memórias de noites passadas e depois chego e leio-te e a tua escrita também me parece uma canção. A várias vozes. Polifonia sem fronteiras quando se é fronteira aberta para todos os pólos.
Um passeio de bicicleta... À beira ria. Que bom se ria.
O Sérgio já não canta como cantava, mas continua a surprender na forma como se liga a músicos jovens e veste de novas linguagens velhas cantigas. Ouvir e cantar hoje que "só há liberdade a sério quando houver: a paz, o pão, habitação, saúde, educação" também ganha novos sentidos. Não é só nostalgia e revivalismo.
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
E eu a misturar canções do Sérgio, com memórias de noites passadas e depois chego e leio-te e a tua escrita também me parece uma canção. A várias vozes. Polifonia sem fronteiras quando se é fronteira aberta para todos os pólos.
Um passeio de bicicleta... À beira ria. Que bom se ria.
O Sérgio já não canta como cantava, mas continua a surprender na forma como se liga a músicos jovens e veste de novas linguagens velhas cantigas. Ouvir e cantar hoje que "só há liberdade a sério quando houver: a paz, o pão, habitação, saúde, educação" também ganha novos sentidos. Não é só nostalgia e revivalismo.
Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
Subscrever:
Mensagens (Atom)