Levaste-me à praia. Lavaste as saudades de mar e eu ensaiei passos cautelosos na areia. Saboreámos o sol deitados na beira das ondas da maré baixa. Fantasiámos sobre a ausência das gaivotas e despertámos com o rappel dos pregões estivais. "Barquilhere..." clama o vendedor ambulante daquela espécie de bolacha torrada e poucas são as paragens. A praia quase vazia não é muito propícia ao negócio.
Passado pouco tempo ouvimos o peculiar pregão de outro vendedor já nosso conhecido. Já tínhamos feito várias conjecturas sobre o seu estado mental e persistiam dúvidas sobre se realmente vendia as bolas de berlim que apregoava com rimas:
"Bola de berlim
para a Joana e para o Delfim"
(continuo mentalmente: para a Mariana e o Serafim/ Para a Sara e o Martim...)
E continua:
"Olhem para mim que já venho tão cansado
comprem bolas de berlim para não ir tão pesado"
A sua figura podia ter saído dum filme fantasioso. É um sexagenário atarrecado de rosto redondo avermelhado de cabelos totalmente brancos (teriam sido louros em tempos). Chapéu de palhinha de abas levantadas a terminar em bico para a frente. Camisa larga sobre uns calções também largos pelo joelho. Usa uma meia elástica decontenção de varizes. Traz um cesto de piquenique montado no esqueleto do que terá sido um carrinho de ir às compras que sspende na mão direita e um saco térmico enfiado no braço esquerdo, segurando nessa mão a tenaz de inox ou alumínio. Interpela as pessoas tratando-as por "vossas excelências" incluindo nesse trato um grupo de adolescentes. Insiste nas rimas para elogiar a beleza desta praia e apresenta-se como "Mário: o vendedor planetário".
Penso para mim que este poderia ser o verdadeiro contador de gaivotas. Elas hoje, por solidariedade com a greve dos maquinistas ou por estarem a vigiar os exames de português, não compareceram e não se deixaram contar.
Mas, para que fique esclarecido, Mário, o vendedor planetário vende efectivamente bolas de berlim. As rimas dá-as a toda a gente e espalha-as na areia para quem as queira.
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16 de junho de 2010
24 de setembro de 2008
Tempus fugit

O céu encontra-se parcialmente nublado, a temperatura ronda os 23 ºC e o teor de humidade do ar atinge os 69%. O BCE decide mais uma subida das taxas de juro e a Remax pendura mais uns cartazes nas varandas. O ponto de orvalho situa-se nos 17 ºC o que proporciona condições bastante favoráveis para a prática de carjacking, mas altamente desaconselháveis para o subprime. O vento sopra de sudoeste a uma velocidade de 3,1 metros por segundo e sugundo as notícias mais recentes, a Galp baixa dois cêntimos no preço do gasóleo, o que não é mau embora se situe ainda acima dos valores esperados para a época. A pressão atmosférica é de 1016 hPa, considerada estável no PSI20. A visibilidade vai até às 6,2 milhas, ou seja, mais ou menos 10 quilómetros, o que significa boas condições para os projectos a médio e longo prazo. Com o nível de radiação UV de apenas 4 em 16 não é de admirar que Manuela Ferreira Leite venha a terreiro dizer aos portugueses o que Cavaco vai dizer nas Nações Unidas.
Hoje o sol nasceu às 07:21 e o ocaso terá lugar às 19:25
Temos o Crepúsculo civil às 06:55 e às 19:51, o Crepúsculo náutico às 06:25 e às 20:21 enquanto que já o Crepúsculo astronómico ocorre 05:54 e 20:51. A Lua minguante está visível entre 01:54 e 16:46.
O dia de hoje tem a duração de 12h 03m. Amanhã o dia terá menos 2m 20s .
Temos o Crepúsculo civil às 06:55 e às 19:51, o Crepúsculo náutico às 06:25 e às 20:21 enquanto que já o Crepúsculo astronómico ocorre 05:54 e 20:51. A Lua minguante está visível entre 01:54 e 16:46.
O dia de hoje tem a duração de 12h 03m. Amanhã o dia terá menos 2m 20s .
Por agora e até ao solestício não haverá amanhãs que crescem, mas a gente canta sempre.
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14 de abril de 2008
Primavera. A verdadeira. A primeira
Hoje acho que fui mesmo à primavera.
Uma segunda feira de primeira.
Afinal, não é preciso muito para se ser feliz.
Há muitas razões para achar estranhos os homens que apanham conchas. Li um dia.
O seu pensamento parece muitas vezes ser tão consistente como o desenho das ondas ou as pegadas que deixam na maré baixa. Mas isso deve ser do desejo constante de voar.
Depois misturam o cheiro da maresia com o da cama de estevas e espalham esse aroma pelos caminhos. E vão.
Uma segunda feira de primeira.
Afinal, não é preciso muito para se ser feliz.
Há muitas razões para achar estranhos os homens que apanham conchas. Li um dia.
O seu pensamento parece muitas vezes ser tão consistente como o desenho das ondas ou as pegadas que deixam na maré baixa. Mas isso deve ser do desejo constante de voar.
Depois misturam o cheiro da maresia com o da cama de estevas e espalham esse aroma pelos caminhos. E vão.
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