A rapariga guardara as sementes durante tantos anos e tinha-se habituado a olhar para elas sempre que na sua vida acontecia ou estava para acontecer algo de importante. Contou que tinha sonhado com os lugares da sua infância e o rapaz escutou-a a falar como se estivesse ali a sonhar. A voz da rapariga foi baixando até ao nível do sussurro e o rapaz acercou-se mais. Nessa proximidade sentia claramente o odor que se desprendia da pele da rapariga. Um cheiro doce que lembrava baunilha e canela inebriava-lhe os sentidos ao mesmo tempo que uma estranha força o colocava cada vez mais próximo. Tão próximo que quase se tocavam.
Talvez pudesses ir lá comigo um dia, disse a rapariga como se despertasse. Ou pelo menos foi isso que pareceu ao rapaz no seu próprio despertar.
Contigo, aonde? Perguntou o rapaz ainda mal refeito da vertigem.
Aos sítios da minha infância, respondeu a rapariga iluminando o sorriso e estendendo a mão. O rapaz pegou-lhe com doçura e ali ficaram os dois num olhar de olhos que se procuram no fundo.
Por cima desse olhar líquido de adivinhar viagens, a rapariga disse-lhe:
Há muito que ninguém se interessava assim pelas minhas sementes. Queria muito que fosses capaz de as compreender e de as respeitar.
Talvez pudesses ir lá comigo um dia, disse a rapariga como se despertasse. Ou pelo menos foi isso que pareceu ao rapaz no seu próprio despertar.
Contigo, aonde? Perguntou o rapaz ainda mal refeito da vertigem.
Aos sítios da minha infância, respondeu a rapariga iluminando o sorriso e estendendo a mão. O rapaz pegou-lhe com doçura e ali ficaram os dois num olhar de olhos que se procuram no fundo.
Por cima desse olhar líquido de adivinhar viagens, a rapariga disse-lhe:
Há muito que ninguém se interessava assim pelas minhas sementes. Queria muito que fosses capaz de as compreender e de as respeitar.














