Nos tempos da Mata-Hari também havia escutas e consta que a famosa espia escutava para um lado e para o outro sem auxília de quaisquer MAE (meios auxiliares de escuta) como hoje tanto se usa. Constava ainda que a dita que parece que escutava deitada entre os lençóis e directamente enrolada nos escutados. Há quem afirme que a mulher usava uma faca na liga e que não hesitaria em usar se a coisa desse para o torto (não era bem essa coisa...), mas isso nunca ficou comprovado.
Pelo contrário, aquele que mora em Belém à espera de voltar a ser eleito Presidente da República para continuar a ser o personagem mais parecido com o Américo Thomás (com vantagem para este último que pouco falava e raramente aparecia) teima em mostrar a toda a gente que usa Lima na trama.
O que isto significa é:
O senhor Presidente manda dizer que ninguém fala por ele e, tal como eu, acha que o país devia preocupar-se (o presidente farta-se de fazer cara de preocupado, mas ninguém liga) com outras prioridades e não andar aqui com fé diveres, percebem seus fazedores de factos políticos?
Este Lima, quando sublima é sublime.
É tramado, não é?
16 de janeiro de 2010
13 de janeiro de 2010
Um horror
As imagens que nos chegam da tragédia do Haiti confrontam-nos com a precariedade da nossa existência. Não se imagina que isto possa acontecer, mesmo que a terra trema como há pouco tempo sucedeu aqui.
Depois, parece que são já os mais pobres os mais fustigados pelas catástrofes naturais.
Depois, parece que são já os mais pobres os mais fustigados pelas catástrofes naturais.
9 de janeiro de 2010
Aprender em Festa
É uma verdadeira festa. São homens e mulheres e algumas crianças já aqui nascidas. Fazem todos a festa onde misturam saberes e sabores com que põem ânimo em cada acção.
Um caso a estudar. Em estudo.
A minha rapariga traz-me para dentro destes sonhos e trazemos ambos abraços quentes de amigos.
O António, o dr. António é a figura tutelar de uma utopia daquelas que pensamos que já não há. E depois quer saber de todos o que fazer para fazer futuro.
Só conseguimos ter uma resposta: "fazer meninas e meninos" que sejam bons, saudáveis e que aprendam a festa que é fazer o futuro. Que o façam em festa!
Só conseguimos ter uma resposta: "fazer meninas e meninos" que sejam bons, saudáveis e que aprendam a festa que é fazer o futuro. Que o façam em festa!
Grupo Aprender em Festa
Gouveia
8 de janeiro de 2010
Bom ano!
2010 é um ano tão redondo!
Eu até diria que é um bom ano para lançar sementes, cultivar desejos, abraçar projectos...
Elas adoram as séries da FoxLife que a Zon dá no pacote básico. O Meo deve ter tido umas reclamações e há uns tempos começou a anunciar que em Janeiro o Meo já teria os canais Fox. E assim foi. No dia de ano novo foi uma grande felicidade a dissecar a Anatomia de Gray e a Clínica Privada, com os médicos a passar de uma série para a outra, enfim. Eu, talvez por já ter andado muito por dentro destas coisas da saúde incluindo serviços de urgências, não sou grande fã destas aventuras, fiquei também muito agradado com esta decisão do Meo de que sou cliente.
Afinal, a coisa não é bem assim. O Meo deu a FoxLife durante dois ou três dias e depois passou a um slide com a informação de compra do pacote dos canais Fox. Está mal. Eu desejoso de partilhar o sofá com elas e agora o Meo faz-me isto!
Foi hoje aprovada a lei que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Nunca compreendi porque é que gente de esquerda, revolucionária e comunista é tão apegada a uma instituição que ao longo dos séculos tem tido fundamentalmente como finalidade assumida o emparcelamento e transmissão da propriedade. Há pouco mais de um século a crescente predominância burguesa trouxe o amor para o casamento, mas não alterou muito o essencial da sua natureza. Mas, pronto, são convenções sociais e aprendemos a viver com elas.
As religiões que sempre tiveram o seu poder e uma forma que têm de o exercer é através de uma espécie uma legitimação das diferentes instituições, sendo que muitas vezes essa ligitimação é a mais poderosa, se não, a única e ex clusiva. Na nossa cultura, a igreja católica pode "abençoar" os casamentos que quiser, ou recusar essa bênção quando entende que não se reunem as condições exigidas. Tudo muito certo, desde que se respeite o princípio da separação entre a igreja e o estado.
Não consigo entender toda esta movimentação das sacristias para o referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Acho até ofensivo para a democracia que a senhora Pegado, lá porque reuniu 90 mil assinaturas, queira que isso valha mais que o Parlamento. Tem assinaturas suficientes, penso eu, para formar um partido, ir a eleições e depois sim. A petição só obriga a Assembleia a discutir o assunto e esgota-se aí uma vez recusada a proposta de referendo.
A Assembleia decidiu e, quanto a mim bem, acabar com a discriminação. É um passo importante, mas este caminho está longe de ter terminado. Os homossexuais têm razão para festejar, mas falta ainda a promulgação da lei. É claro que o Cavaco vai vetar. E basta-lhe a invocação da inconstitucionalidade da norma que exclui a adopção. Nem precisa de se expor ao veto político que seguramete usará se necessário.
O PS fez mal. Isto faz-me duvidar da bondade das suas intenções. A questão da adopção não tem que ser para aqui chamada. Por um lado, a homens e mulheres homessexuais não está legalmente vedada a possibilidade de adoptar uma ou mais crianças, por outro, os mecanismos da adopção já, em princípio, protegem aquilo que é essencial que é o suprerior interesse da criança, independentemente dos interesses dos candidatos à adopção. Em princípio... escrevi ali atrás.
Portanto, ou eu não estou a perceber nada disto ou, o PS faz aprovar uma coisa justa e boa, mas armadilhada. Ou seja, a ser assim, uma boa maneira de sair de bem com deus e com o diabo.
Um bom e justo ano de blogandança
Eu até diria que é um bom ano para lançar sementes, cultivar desejos, abraçar projectos...
Elas adoram as séries da FoxLife que a Zon dá no pacote básico. O Meo deve ter tido umas reclamações e há uns tempos começou a anunciar que em Janeiro o Meo já teria os canais Fox. E assim foi. No dia de ano novo foi uma grande felicidade a dissecar a Anatomia de Gray e a Clínica Privada, com os médicos a passar de uma série para a outra, enfim. Eu, talvez por já ter andado muito por dentro destas coisas da saúde incluindo serviços de urgências, não sou grande fã destas aventuras, fiquei também muito agradado com esta decisão do Meo de que sou cliente.
Afinal, a coisa não é bem assim. O Meo deu a FoxLife durante dois ou três dias e depois passou a um slide com a informação de compra do pacote dos canais Fox. Está mal. Eu desejoso de partilhar o sofá com elas e agora o Meo faz-me isto!
Foi hoje aprovada a lei que permite o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Nunca compreendi porque é que gente de esquerda, revolucionária e comunista é tão apegada a uma instituição que ao longo dos séculos tem tido fundamentalmente como finalidade assumida o emparcelamento e transmissão da propriedade. Há pouco mais de um século a crescente predominância burguesa trouxe o amor para o casamento, mas não alterou muito o essencial da sua natureza. Mas, pronto, são convenções sociais e aprendemos a viver com elas.
As religiões que sempre tiveram o seu poder e uma forma que têm de o exercer é através de uma espécie uma legitimação das diferentes instituições, sendo que muitas vezes essa ligitimação é a mais poderosa, se não, a única e ex clusiva. Na nossa cultura, a igreja católica pode "abençoar" os casamentos que quiser, ou recusar essa bênção quando entende que não se reunem as condições exigidas. Tudo muito certo, desde que se respeite o princípio da separação entre a igreja e o estado.
Não consigo entender toda esta movimentação das sacristias para o referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Acho até ofensivo para a democracia que a senhora Pegado, lá porque reuniu 90 mil assinaturas, queira que isso valha mais que o Parlamento. Tem assinaturas suficientes, penso eu, para formar um partido, ir a eleições e depois sim. A petição só obriga a Assembleia a discutir o assunto e esgota-se aí uma vez recusada a proposta de referendo.
A Assembleia decidiu e, quanto a mim bem, acabar com a discriminação. É um passo importante, mas este caminho está longe de ter terminado. Os homossexuais têm razão para festejar, mas falta ainda a promulgação da lei. É claro que o Cavaco vai vetar. E basta-lhe a invocação da inconstitucionalidade da norma que exclui a adopção. Nem precisa de se expor ao veto político que seguramete usará se necessário.
O PS fez mal. Isto faz-me duvidar da bondade das suas intenções. A questão da adopção não tem que ser para aqui chamada. Por um lado, a homens e mulheres homessexuais não está legalmente vedada a possibilidade de adoptar uma ou mais crianças, por outro, os mecanismos da adopção já, em princípio, protegem aquilo que é essencial que é o suprerior interesse da criança, independentemente dos interesses dos candidatos à adopção. Em princípio... escrevi ali atrás.
Portanto, ou eu não estou a perceber nada disto ou, o PS faz aprovar uma coisa justa e boa, mas armadilhada. Ou seja, a ser assim, uma boa maneira de sair de bem com deus e com o diabo.
Um bom e justo ano de blogandança
16 de dezembro de 2009
Os dias difíceis do mês...
... de Dezembro.
É todos os anos mais ou menos o mesmo. Uma espécie de síndroma pré-natalício.
O que me apetecia mesmo era hibernar. Ou melhor, veranear. Ir para um qualquer sítio, mais a sul. Mais azul.
É todos os anos mais ou menos o mesmo. Uma espécie de síndroma pré-natalício.
O que me apetecia mesmo era hibernar. Ou melhor, veranear. Ir para um qualquer sítio, mais a sul. Mais azul.
27 de novembro de 2009
Sotaina oculta
As notícias trouxeram à luz o que já se sabia há vários anos. Os altos responsáveis da igreja católica da Irlanda ocultaram continuados abusos sexuais de padres a crianças de quem deviam cuidar. A recorrência com que esta gente "temente a deus" tem perpetrado impunemente estes crimes, dá que pensar. Serão os seminários verdadeiras escolas de pedofilia?
Mas o que me inquieta mais é a ocultação sistemática dos mais altos responsáveis da igreja católica, Vaticano incluído. Já aconteceu em larga escala há anos nos Estados Unidos e concluiu-se que havia relatórios retidos, desaparecidos e alterados, ao que parece com a própria conivência papal com um crime hediondo.
Se isto acontecesse numa outra organização qualquer não haveria dúvidas de que estávamos perante uma associação criminosa. Alguém ousa pensar isso da igreja católica?
Não me venham dizer que sou intolerante. Uma organização que pactua com a pedofilia e protege os predadores sexuais é que é intolerável.
Mas o que me inquieta mais é a ocultação sistemática dos mais altos responsáveis da igreja católica, Vaticano incluído. Já aconteceu em larga escala há anos nos Estados Unidos e concluiu-se que havia relatórios retidos, desaparecidos e alterados, ao que parece com a própria conivência papal com um crime hediondo.
Se isto acontecesse numa outra organização qualquer não haveria dúvidas de que estávamos perante uma associação criminosa. Alguém ousa pensar isso da igreja católica?
Não me venham dizer que sou intolerante. Uma organização que pactua com a pedofilia e protege os predadores sexuais é que é intolerável.
15 de novembro de 2009
Teorias (II)
Há dias, no meio de um texto tropecei nuns gravetos de uma teoria com um nome intrigante. Assim, apenas pelo seu nome bootstrap theory pouco se fica a saber, e bem tentei capturar o significado da expressão e tentar arranjar uma equivalente em português. Em vão. Apenas consegui dar mais umas marteladas na autoestima e acrescentar mais uns quilómetros ao infinito da minha ignorância. Mas, pronto, isto tem sempre um lado positivo ( a gente tem que sobreviver de qualquer modo à depressão súbita) e tomei consciência de quão ignorante sou em matéria de física quântica, sistemas informáticos, estatística, filosofia, sociologia, economia, e até (vejam bem) em estratégias para vencer na vida.
Pelo que li e vi e pensei (sem ser necessariamente por esta ordem ou outra qualquer) o termo bootsrap presta-se às mais diversas metáforas. Bootstrap é (num dos muitos significados) o nome daquela espécie de argola em couro que algumas botas têm e que serve para enfiar o dedo, puxar e ajudar a calçar. Em português também tem um nome. Chama-se aselha, uma pequesa asa. Aselha é também o que na gíria se chama a um indivíduo parco de habilidades, enrascado, labrego, totó. Quanto à teoria, fazendo uma síntese de toda esta profícua investigação acho que ficaria bem, até do ponto vista cultural, como teoria do desenrasca.
Não sei. Talvez até seja bem mais aselha do que penso. Mas há-de haver alguma explicação para o facto de um taxista na Suíça ter contas bancárias milionárias e um negociante de sucata oferecer mercedes pelo natal aos amigos.
12 de novembro de 2009
Em Bragança não há gaivotas
Por acaso jantava uma alheira. A televisão ligada já tinha mostrado todas as faces mais ou menos ocultas dos corruptos aos magistrados e futeboleiros. Parece que há sempre algo oculto nas faces das notícias, mas às vezes também se descobrem faces iluminadas na sua simplicidade.
Na SIC, passava um conjunto de reportagens chamado "Histórias com gente dentro". Aí cruzavam-se vidas de pessoas simples como os turistas séniores que vão nas excursões por animadas por pezinhos de dança, ou como a mulher do carroussel de feira a quem já só faltava ir à lua. Quase não tinha ido à escola, mas tinha aprendido o suficiente para a sua vida de feiras. E também uma pastora transmontana que tratava as suas ovelhas pelo nome, Boneca, Galinha, Sineta... e elas vinham lamber-lhe as mãos como se fosse um cumprimento habitual. Esta pastora tem 29 anos e nunca tinha visto o mar, nem andado de comboio ou ido a Lisboa. O programa proporcionou-lhe essa viagem. No seu encontro com o mar, que só conhecia pela televisão, às tantas pergunta Aquilo é uma gaivota? Em Bragança não há gaivotas...
Pois, parece que não. Há águias e sonhos.
Fui à SIC Online e trago de lá um link para outras estórias de saltar muros. Se calhar vai dar à rua dos 90.
Na SIC, passava um conjunto de reportagens chamado "Histórias com gente dentro". Aí cruzavam-se vidas de pessoas simples como os turistas séniores que vão nas excursões por animadas por pezinhos de dança, ou como a mulher do carroussel de feira a quem já só faltava ir à lua. Quase não tinha ido à escola, mas tinha aprendido o suficiente para a sua vida de feiras. E também uma pastora transmontana que tratava as suas ovelhas pelo nome, Boneca, Galinha, Sineta... e elas vinham lamber-lhe as mãos como se fosse um cumprimento habitual. Esta pastora tem 29 anos e nunca tinha visto o mar, nem andado de comboio ou ido a Lisboa. O programa proporcionou-lhe essa viagem. No seu encontro com o mar, que só conhecia pela televisão, às tantas pergunta Aquilo é uma gaivota? Em Bragança não há gaivotas...
Pois, parece que não. Há águias e sonhos.
Fui à SIC Online e trago de lá um link para outras estórias de saltar muros. Se calhar vai dar à rua dos 90.
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5 de novembro de 2009
Cruzes
Daqui a nada também vão querer eliminar o sinal "+" em Matemática, porque é uma cruz que pode ofender os das religiões que não têm cruz nenhuma.
Ironia (fica-lhe bem) do porta-voz da Conferência Episcopal- Manuel Marujão
Ainda mal assentou a poeira da bíblia segundo Saramago e já outra maior se alevanta: a reacção dos funcionários do Vaticano à ordem de retirada dos símbolos religiosos das salas de aula nas escolas públicas.
Devo dizer que andei numa escola pública que tinha um crucifixo entre uma fotografia de Oliveira Salazar e outra de Américo Thomaz e tinha a visita semanal do padre Octávio que vinha dar Moral e Religião, disciplina obrigatória, com livro próprio e tudo, vendido pelo próprio padre.
Deu no que deu. Para além de começar desde cedo a trocadilhar o nome à disciplina para ReligiãoImoral, recusar-me a comprar o livro (e apanhar depois uns chapadões de deixar a cara a arder durante meia hora quando a minha mãe foi chamada à escola), acabou por fazer de mim ateu, praticante e anticlerical.
Acho graça ao discurso dos padres quando se lhes toca no que julgam ser os seus domínios, mas que na realidade são domínios públicos num estado de direito, não confessional. Não me conformo com a arrogância com que tratam "as ovelhas tresmalhadas" como se os não crentes sofressem de qualquer deficiência. Não aceito a invocação da liberdade religiosa da parte de quem sempre abusou de toda a liberdade cívica para impor a toda uma sociedade os seus princípios, geralmente restritivos da liberdade e da autodeterminação.
Também não deixa de ser interessante, para uma organização que não se deixa questionar sobre práticas criminosas com as quais convive e muito pactua (os inúmeros casos de abuso sexual de menores por parte de membros da igreja) venha agora a correr dizer que é preciso discutir mais e amplamente a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. É preciso explicar a esses senhores que não é para obrigar ninguém a fazê-lo; é só uma pequena alteração na lei de modo a permitir a quem o queira que o faça.
Outra originalidade do argmento da "liberdade religiosa" destes senhores é que "uma minoria" (os não católicos ou os não crentes) não pode dizer à "maioria" como é que é. Ficamos esclarecidos sobre tolerância e liberdade.
Quero deixar claro que as minhas posições não são ditadas por intolerância religiosa. Respeito que cada um possa acreditar ou não acreditar que existe um deus ou mais. Até sou capaz de usar ideias mais ou menos místicas, do ponto de vista simbólico ou poético. O que eu não consigo tolerar é a intolerância e, sem generalizações abusivas, há, não raramente da parte de membros da igreja católica traços de intolerância que, para mim estão ao mesmo nível do racismo, da xenofobia, do fascismo. Causam-me a mesma repulsa.
Mas não quero deixar de responder à ironia de Manuel Marujão, mas desta vez em relação aos argumentos culturais e das tradições. É que Portugal é, também um país de grandes tradições de uma cultura popular (às vezes bastante brejeira) e até nos podemos pôr todos de acordo. A igreja pode ter os crucifixos nas escolas e até se pode pôr ao lado o emblema do benfica e, em contrapartida as igrejas passam a ostentar em lugar de destaque uma figura do Zé Povinho do Bordalo e, se não for pedir muito, um daqueles objectos decorativos da cerâmica tradicional das Caldas. Isso sim, é que era liberdade e tolerância religiosa.
Ironia (fica-lhe bem) do porta-voz da Conferência Episcopal- Manuel Marujão
Ainda mal assentou a poeira da bíblia segundo Saramago e já outra maior se alevanta: a reacção dos funcionários do Vaticano à ordem de retirada dos símbolos religiosos das salas de aula nas escolas públicas.
Devo dizer que andei numa escola pública que tinha um crucifixo entre uma fotografia de Oliveira Salazar e outra de Américo Thomaz e tinha a visita semanal do padre Octávio que vinha dar Moral e Religião, disciplina obrigatória, com livro próprio e tudo, vendido pelo próprio padre.
Deu no que deu. Para além de começar desde cedo a trocadilhar o nome à disciplina para ReligiãoImoral, recusar-me a comprar o livro (e apanhar depois uns chapadões de deixar a cara a arder durante meia hora quando a minha mãe foi chamada à escola), acabou por fazer de mim ateu, praticante e anticlerical.
Acho graça ao discurso dos padres quando se lhes toca no que julgam ser os seus domínios, mas que na realidade são domínios públicos num estado de direito, não confessional. Não me conformo com a arrogância com que tratam "as ovelhas tresmalhadas" como se os não crentes sofressem de qualquer deficiência. Não aceito a invocação da liberdade religiosa da parte de quem sempre abusou de toda a liberdade cívica para impor a toda uma sociedade os seus princípios, geralmente restritivos da liberdade e da autodeterminação.
Também não deixa de ser interessante, para uma organização que não se deixa questionar sobre práticas criminosas com as quais convive e muito pactua (os inúmeros casos de abuso sexual de menores por parte de membros da igreja) venha agora a correr dizer que é preciso discutir mais e amplamente a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. É preciso explicar a esses senhores que não é para obrigar ninguém a fazê-lo; é só uma pequena alteração na lei de modo a permitir a quem o queira que o faça.
Outra originalidade do argmento da "liberdade religiosa" destes senhores é que "uma minoria" (os não católicos ou os não crentes) não pode dizer à "maioria" como é que é. Ficamos esclarecidos sobre tolerância e liberdade.
Quero deixar claro que as minhas posições não são ditadas por intolerância religiosa. Respeito que cada um possa acreditar ou não acreditar que existe um deus ou mais. Até sou capaz de usar ideias mais ou menos místicas, do ponto de vista simbólico ou poético. O que eu não consigo tolerar é a intolerância e, sem generalizações abusivas, há, não raramente da parte de membros da igreja católica traços de intolerância que, para mim estão ao mesmo nível do racismo, da xenofobia, do fascismo. Causam-me a mesma repulsa.
Mas não quero deixar de responder à ironia de Manuel Marujão, mas desta vez em relação aos argumentos culturais e das tradições. É que Portugal é, também um país de grandes tradições de uma cultura popular (às vezes bastante brejeira) e até nos podemos pôr todos de acordo. A igreja pode ter os crucifixos nas escolas e até se pode pôr ao lado o emblema do benfica e, em contrapartida as igrejas passam a ostentar em lugar de destaque uma figura do Zé Povinho do Bordalo e, se não for pedir muito, um daqueles objectos decorativos da cerâmica tradicional das Caldas. Isso sim, é que era liberdade e tolerância religiosa.
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4 de novembro de 2009
Teorias (I)
É sabido que as principais doenças dos nossos tempos, as que mais matam e mais incapacitam, seriam de certo modo evitáveis, ou sofreriam uma grande diminuição se estivéssemos dispostos a alterar os nossos hábitos em várias áreas da nossa vida. São chamadas doenças «da civilização» e também «do comportamento». Todos os anos são gastos rios de dinheiro em campanhas de efeito duvidoso para que as pessoas alterem os seus comportamentos. Faça exercício físico. Mantenha a actividade intelectual. Coma fruta. Na hora da refeição, desligue a televisão. Reduza a carne na alimentação. Atravesse na passadeira. Reduza, reutilize, recicle. Vigie a sua tensão arterial. Não fume, não beba e perca peso. Tudo prescrições sem graça nenhuma e sem qualquer interesse motivador imediato, excepção feita ao slogan do meu amigo Dinis uma por dia e nem sabes o bem que te fazia.
Mas parece que alguém se lembrou já de arranjar formas divertidas para promover alterações nos seus comportamentos. Chamam a isto Fun Theory.
Vejam este exemplo e comecem já a pensar noutros. Também aqui, imaginação é poder.
Mas parece que alguém se lembrou já de arranjar formas divertidas para promover alterações nos seus comportamentos. Chamam a isto Fun Theory.
Vejam este exemplo e comecem já a pensar noutros. Também aqui, imaginação é poder.
2 de novembro de 2009
Cinéma
Fui ver os dois últimos filmes da festa do cinema francês. Dois, assim de seguida.
Mas não é a mesma coisa...
Sempre gostei do cinema francês que infelizmente passa pouco no circuito comercial das pipocas. Aprendi a ver cinema em francês. Como gosto da língua, habituei-me a quase não ler as legendas e ver muito mais filme.
Mais ce n'est pas comme d'habitude...
Um bom filme é muito melhor de mão dada e, mesmo quando somos capazes de perder uma ou outra cena do ecran, se calhar ganhamos a melhor parte do filme.
É que... um filme é quase sempre feito de vários filmes e parte-se em partes e apura-se em remakes.
Mas isso é mais quando estamos acompanhados no escuro, de mãos dadas e sentimos as vibrações um do outro e os olhos molhados quando calha.
Sozinho, é mesmo outra coisa.
Saudades, é o que é.
22 de outubro de 2009
A revelação
Ai Jesus que o Saramago, blasfemo e comunista, anda a dizer da bíblia o que o diabo nunca disse da cruz, pelo menos quanto se sabe, por uma leitura mais ou menos atravessada do sagrado e idolatrado livro dos livros na opinião dos cristãos, incluindo aqueles que dele nunca leram sequer uma linha, para não dizer um versículo que é a taxonomia usada em documentos tais, para designar parágrafos mais ou menos curtos onde, na maior parte das vezes nem sequer se exprime uma ideia completa, ai Jesus, vá de retro Saramago, que o povo ainda começa a ler a bíblia sem o auxílio dos tradutores oficiais e sem os explicadores de catequese e ainda descobre que a coisa é bem mais do que redutoramente diz o nobel, e bem mais do que nos contam os doutrinadores, porque também há lá muita poesia e muita loucura e se a gente lê aquilo com espírito aberto, também se arrisca a sair de lá mais rico de espírito e chegar à iluminada conclusão de que as escritas têm tanto de sagrado como o cancioneiro de Rodney Galop, e tal como este podem ser tocadas, retocadas, parodiadas e etc e tal e quem diz o contrário é soberba e divinamente parvo.
É por isto que admiro o Saramago. Tentei escrever um parágrafo à laia dele e fiquei cansado para uns bons dias. E depois dizem-me que eu escrevo pouco e mais não-sei-quê. Mas é por isso. Simplesmente. Se eu fosse a escrever o que quero e como gosto ficaria muito cansado. Só de pensar nisso já é o que é. Por isso é que escrevo pouco.
Mas esta parva polémica que tanto anima as sacristias e as televisões também me espevita a verve.
Para mim, o que está em causa não é o que Saramago diz e com o qual até posso não concordar. O que está em causa é poder dizê-lo. Poder dizê-lo com a mesma displicência ou arrogância com que muitos dos agora ofendidos dizem, referindo-se à sua obra, Saramago é uma merda. Já o ouvi várias vezes, sabendo que quem o diz, ao contrário do que Saramago faz em relação à bíblia, não leu nada dele. Mesmo assim, não se coibem de tecer considerações formais sobre a escrita, a pontuação, etc.
Eu já li uma boa parte dos livros que constituem a bíblia. Já li um quase tratado sobre a leitura da bíblia - A leitura infinita, do padre e poeta José Tolentino de Mendonça - e quanto mais leio, mais me interrogo sobre o fenómeno que constitui a crença religiosa. Interrogo-me se os crentes lerão o mesmo que eu. Só consigo ver ali um repositório de histórias, algumas interessantíssimas outras absolutamente imbecis, outras de uma extraordinária fantasia.
Gosto particularmente do Livro de Salomão, cântico de amor que me parece ser o arquétipo da poesia amorosa retomado ao longo dos tempos. Também me diverte o delírio fantasioso que é o Apocalipse, segundo S. João. Dizem os entendidos que apocalipse significa revelação. Vale a pena ler. É talvez o mais fiel testemunho de que já em tempos muito recuados havia quem se entregasse ao uso de determinadas substâncias alucinogénias. Consta que uma determinada espécie vegetal , cultivada há mais de quatro mil e quinhentos anos ali para o médio oriente teria um teor de THC especialmente elevado. A avaliar pela fama que há uns anos tinha o chamon libanês, talvez seja assim mesmo.
É por isto que admiro o Saramago. Tentei escrever um parágrafo à laia dele e fiquei cansado para uns bons dias. E depois dizem-me que eu escrevo pouco e mais não-sei-quê. Mas é por isso. Simplesmente. Se eu fosse a escrever o que quero e como gosto ficaria muito cansado. Só de pensar nisso já é o que é. Por isso é que escrevo pouco.
Mas esta parva polémica que tanto anima as sacristias e as televisões também me espevita a verve.
Para mim, o que está em causa não é o que Saramago diz e com o qual até posso não concordar. O que está em causa é poder dizê-lo. Poder dizê-lo com a mesma displicência ou arrogância com que muitos dos agora ofendidos dizem, referindo-se à sua obra, Saramago é uma merda. Já o ouvi várias vezes, sabendo que quem o diz, ao contrário do que Saramago faz em relação à bíblia, não leu nada dele. Mesmo assim, não se coibem de tecer considerações formais sobre a escrita, a pontuação, etc.
Eu já li uma boa parte dos livros que constituem a bíblia. Já li um quase tratado sobre a leitura da bíblia - A leitura infinita, do padre e poeta José Tolentino de Mendonça - e quanto mais leio, mais me interrogo sobre o fenómeno que constitui a crença religiosa. Interrogo-me se os crentes lerão o mesmo que eu. Só consigo ver ali um repositório de histórias, algumas interessantíssimas outras absolutamente imbecis, outras de uma extraordinária fantasia.
Gosto particularmente do Livro de Salomão, cântico de amor que me parece ser o arquétipo da poesia amorosa retomado ao longo dos tempos. Também me diverte o delírio fantasioso que é o Apocalipse, segundo S. João. Dizem os entendidos que apocalipse significa revelação. Vale a pena ler. É talvez o mais fiel testemunho de que já em tempos muito recuados havia quem se entregasse ao uso de determinadas substâncias alucinogénias. Consta que uma determinada espécie vegetal , cultivada há mais de quatro mil e quinhentos anos ali para o médio oriente teria um teor de THC especialmente elevado. A avaliar pela fama que há uns anos tinha o chamon libanês, talvez seja assim mesmo.
21 de outubro de 2009
Novo governo
Podemos ficar descansados.
Até ao fim da semana vai haver novo governo.
José Sócrates está a esforçar-se para apresentar os novos ministros antes do fim do Gato Fedorento
Até ao fim da semana vai haver novo governo.
José Sócrates está a esforçar-se para apresentar os novos ministros antes do fim do Gato Fedorento
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14 de outubro de 2009
Desgraça moura
Às vezes ainda me surpreendo por me surpreender.
Depois de ouvir isto, também sou de opinião que o inepto também devia ser impedido, assim por uma forma pouco recomendável, a escrever poesia, que por acaso é uma coisa que ele faz bem.
Devia ser proibido.
É que isso é incompatível com tanta imbecilidade, tanta labreguice e tanta desonestidade intelectual.
Para que não restem dúvidas, nem sequer votei em quem ganhou e vai formar governo, mas mandam as regras da democracia que se aceitem os resultados.
O povo votou e o partido mais votado constitui governo e vai ter que governar. Para seu e nosso castigo. O parlamento eleito é, talvez até hoje, aquele com mais potencialidades para controlar com eficácia o exercício do poder. O que eu espero é que cada uma das instâncias cumpra o seu papel.
O Vasco não. Quer derrubar já um governo que ainda não existe. Fica-lhe bem.
Pois eu só lhe desejo que um dia, se acontecer o seu PSD ganhar as eleições, ele seja convidado para exercer o cargo de ministro da educação, ou coisa parecida. Mas como não sou de querer assim tão mal a ninguém, deixemo-lo apenas com esta praga que em tempos ouvi a gentes de Alvor:
prouvera deuj lhe desse uma terçã tã forte nésse cu que 'tvesse quinze diaj sim cagar i q'onde cagosse, cagosse figues de pita enteroj
Merecia.
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7 de outubro de 2009
29 de setembro de 2009
Vulner(in)abilidades
O meu sistema tem também de facto algumas vulnerabilidades.
Não se aguenta com a vergonha de ter tal espécie em presidente do meu país.
Não se aguenta com a vergonha de ter tal espécie em presidente do meu país.
Tição
Um cavaco queimado é um tição. E tição é coisa perigosa: pode incendiar tudo.
Cavaco falou e como eu previa não clarificou nada do que se estava à espera. Não se percebe o que é que ele pretende com tanta asneira, com tanta irresponsabilidade. Veio trazer mais uma acha (cavaco) para a fogueira.
O Daniel Oliveira escreve no Arrastão:
Das duas uma: ou Cavaco Silva está a ser sincero em toda esta novela e então o seu grau de paranóia é bem superior ao que se julgava; ou está a tentar manipular opinião pública num assunto de uma enorme gravidade e teremos de concluir que o país colocou em Belém um homem perigoso.
Pode ser. Mas também pode ser que esteja a criar o caldo de cultura para indigitar a Manuela para formar governo com o CDS. As declarações destes dois partidos não deixam muitas dúvidas de que se estão a pôr a jeito.
Se assim for, é um verdadeiro golpe de estado e devemos vir todos para a rua correr com essa corja.
À pedrada, se necessário.
Cavaco falou e como eu previa não clarificou nada do que se estava à espera. Não se percebe o que é que ele pretende com tanta asneira, com tanta irresponsabilidade. Veio trazer mais uma acha (cavaco) para a fogueira.
O Daniel Oliveira escreve no Arrastão:
Das duas uma: ou Cavaco Silva está a ser sincero em toda esta novela e então o seu grau de paranóia é bem superior ao que se julgava; ou está a tentar manipular opinião pública num assunto de uma enorme gravidade e teremos de concluir que o país colocou em Belém um homem perigoso.
Pode ser. Mas também pode ser que esteja a criar o caldo de cultura para indigitar a Manuela para formar governo com o CDS. As declarações destes dois partidos não deixam muitas dúvidas de que se estão a pôr a jeito.
Se assim for, é um verdadeiro golpe de estado e devemos vir todos para a rua correr com essa corja.
À pedrada, se necessário.
28 de setembro de 2009
Afinal ganharam todos
É costume, na noite eleitoral, cada partido fazer os mais variados contorcionismos e vir dizer-se vencedor em qualquer coisa. Para além dos que realmente ganham, porque têm mais votos, mais deputados e por aí, todos nos habituaram a proclamar alguma espécie de vitória, porque, mesmo perdendo ficaram à frente do outro, elegeram um deputado no distrito X, ainda que perdendo dois ou três no distrito Y, Z ou W.Mas desta vez foi mesmo a sério. Ganharam todos.
O PS ganhou as eleições por ser o que obteve mais votos e mais mandatos.
O BE ultrapassou os 500 mil votos e duplicou a sua votação.
O CDS passou a terceiro e chegou aos dois dígitos.
A CDU aumentou a votação e ganhou um deputado.
O PSD que todos pensam que perdeu, na realidade, também ganhou. Ganhou a grande oportunidade de se livrar da Manuela e enterrar de vez o cavaquismo serôdio, com o alto patrocínio do próprio Cavaco.
Ruído do Roído

imagem daqui
Dizem que é uma espécie de surdez sórdida ensaiada sob telhados de vidro e rabos de palha. O esposo da prima donna que está temporariamente a fazer as vezes de presidente da república portuguesa dos maracujás faz lembrar a anedota de um tipo que numa visita a uma fábrica de cerveja caiu dentro de um tanque da dita e, antes de se afogar veio três vezes à superfície para pedir tremoços. Este vem quebrar o silêncio para dizer que se vai manter em absoluto silêncio. E assim será até se afogar no seu próprio emunctório.Há uns anos disse a alguém bastante devoto de sua excelência que ainda estariam por fazer as contas dos prejuízos que Cavaco já tinha provocado ao país e à democracia. Quando foi eleito para Presidente da República, senti vergonha e vontade de pedir a demissão de português. Sempre soube que o homem não tem nível nenhum e não votaria nele nem para a administração do condomínio.
Com tudo o que tem acontecido está tudo à espera que Cavaco fale. Que explique os imbróglios em que se tem metido e os que tem encomendado. Para já não falar na sua proximidade ao Bando Português de Negócios manhosos donde retirou lucros mais avultados do que o alegado suborno do Freeport dividido por todos os suspeitos (familiares também incluídos). Está tudo à espera que o senhor fale, eu não. O escândalo é tão óbvio que não são necessárias escutas, nem óculos para 3D, nem nariz de longo alcance. A coisa é tão ruidosa; tão claramente visível; cheira tão mal... que o melhor é mesmo não mexer.
A única coisa que poderia dizer ao país era pedir desculpa aos que o elegeram e ainda acreditam nele e resignar ao cargo.
Não sei o que é que a nossa constituição prevê em termos da destituição do cargo de Presidente da República; se há em Portugal alguma espécie de impeachment, ou como se traduz em português este processo.
Cavaco já ofendeu tanto o cargo que ocupa que se arrisca a provar que qualquer galo de barcelos acompanhado de um chalavar de caranguejos desempenharia melhor aquele papel e as instituições funcionariam regularmente, mais veto menos veto, ao sabor dos ventos e das marés na sua ordem natural.
Na minha modesta opinião devia ser destituído através de um processo de impeachment.
Fica-me apenas uma dúvida de tradução: não sei se devia ser "empessegado" se "empichado".
Pausa de semibreve.
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