
Um jornal egípcio (Al Fager) publicou as caricaturas da discórdia em 17 de Outubro de 2005.
Os editores parece que estão bem de saúde.
O ópio do povo continua a impor o seu domínio.
nos templos
nos estádios
nos mercados



Cartaz de Tanja Ostojic, para assinalar a presidência austríaca da UE, posteriormente retirado por ordem da censura protofascista europeia.
Bom dia ano novo!
Não há meio de me refazer desta preguiça blogueira. Com tanto mundo para ver e pensar e dizer. E tanto caminho para andar...
Este ano já prometi:
hei-de matar todas as saudades que tenho e todas as que me aparecerem pela frente.
É bom colher medronhos na fonte Benémola.
Os passos sincopavam na calçada portuguesa nesse ajustamento do desencontro do comprimento das pernas. Brubeck e Desmond urdiram o TakeFive nesse andar alla turca de cinco por quatro e estiveram bem longe da metafísica reflectida nas montras pelo meio da tarde. Mãe e filha discorrem sobre a consubstanciação das estrelas sem tropeções e sem engolir a pastilha elástica.
Assim. De pequenino.
(O título é do Afonso)
Hora de bai,
E contava-me ela que uma amiga e companheira de arribações plurais sucumbiu com o peso dos recados e logo se encheram as bancadas e os céus de relatos com transmissões directas muito para lá das incumbências.
O contador afina pelo piar modal das gaivotas.
Quando se não dorme acaba-se sempre voando sobre qualquer coisa. E assim foi. Um voo sobre um grande amor ou um grande equívoco (porque a vida real é tão simplesmente aquilo que lhe quisermos chamar) num tapete de poesia.
Esta noite não se ouviram buzinões das caravanas automóveis a cantar vitorias.
Não sei se foi do sol se de me ter baixado e levantado de repente tive um almareio e senti-me como se nadasse por aqueles vinhedos... e senti-me assim camões a furar correntes da maré verde e folhosa com o poema na mão como se isso fosse salvar a humanidade de qualquer coisa assim como por exemplo do buraco da camada de ozono ou seca noticiosa.

Acho que já ninguém se lembra, mas há cerca de três mil anos aportou aqui um barco fenício. Descarregaram as ânforas e ficaram três dias na praia a cumprirem as celebrações do sal. Diz-se que se movimentavam no areal segundo a vontade dos deuses expressa nos sons da harpa eólica. Ao pôr do sol tudo parava. O vento calava-se.
Consultei o calendário astronómico e fiquei a saber que a lua está completamente cheia. Eu já sabia porque tenho andado a mirá-la desde que apareceu assim baixinha, no céu, para os lados do poente, na forma de uma barquinha que vai crescendo... E esta tem o brilho mítico da lua de Agosto. Diz-me ainda o dito calendário que ela está em Aquário, mas isso nem discuto. ("Clair de Lune" - DigitalArt por Corine Baron)





Sérgio Godinho hoje à noite no Forum Algarve


Já só me falta morrer nas punhaladas de um tango bendito em esquinas maiores.
As cinzas, já sabem, são para espalhar pelos oceanos.
Às vezes oiço vozes. Não, não dessas de que fala a DSM-IV. São vozes emergentes das cascatas sonoras dos dias e das noites. E também das vozes vozes que são dizeres e que depois se cruzam com o compasso dos motores, o apito do comboio, o drum 'n' bass laboral ou, ainda, o zurzir do vento e o fragor do mar...
A presença dos corpos perturba as conversas junto ao mar. Perturba em todos os sentidos. Perturba os sentidos.
Vou procurar outras falas.
Procurei numa agência de viagens o destino de férias Ribeira dos Milagres. Disseram-me que não existe. Mas é pena. Uma invasão de veraneantes este ano talvez mudasse aquilo que não se resolve há muitos anos. Que nenhum governo quer resolver. Nem nossa senhora de Fátima, nem o bispo de Leiria, nem o movimento pró-vida, nem o padre Borga, nem a Lili Caneças, nem o Quim Barreiros, nem o Luís Figo...
Não custa nada. À Ribeira dos Milagres vai-se pelo cheiro e pelo roncar de quatrocentos mil porcos e meia dúzia de mercedes dos reis do gado.
Boas férias.
Ma'qu'jeite!...
Levantaram-se em bandos com o estrondo, as gaivotas, ainda mal refeitas da noite mal dormida. Dizem-me que sentiram a terra tremer. Um pequeno sismo, assim como um suspiro de desalento do planeta a cismar sobre as poderosas conspirações.
E ainda há quem perca tempo em olímpicas disputas sobre qual das cidades merece o título de Capital da caca de cão!...
Se não houvesse gente a morrer à fome, a coisa até tinha piada...
Mas hoje já morreram bem mais do que cinquenta... e daqui a uns anos pouca gente se lembrará onde fica Quioto.
Olhá bolacha americana torraaaaaaaaaaada!...
Ontem acho que não choveu naqueles dez granzin di terra.
A festa foi outra.
30 anos de independência com que de bom e de mau isso tem.
Pela noite dentro, ainda vi o meu amigo Djurumani a tentar fintar o destino e a lembrar-me o canto (tude drêto, ermon?).
Um abraço aos amigos de Cabo Verde.
E no cantar da Cesária:
La na ceu bo é uma estrela
Ki cata brilha
Li na mar bô ê uma areia
Ki cata mojá
Espaiote nesse monde fora
Sô rotcha e mar
Terra pobre chei di amor
Tem morna tem coladera
Terra sabe chei de amor
Tem batuque tem funaná