10 de fevereiro de 2006

Caturrismo


Um jornal egípcio (Al Fager) publicou as caricaturas da discórdia em 17 de Outubro de 2005.

Os editores parece que estão bem de saúde.

O ópio do povo continua a impor o seu domínio.
nos templos
nos estádios
nos mercados

9 de fevereiro de 2006

Caricaturra






Qualquer manifestação pública de natureza religiosa ofende profundamente o meu sentimento de ateu.

2 de fevereiro de 2006








Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.


Eugénio de Andrade

29 de janeiro de 2006

scan wass

Li algures que os esquimós têm para cima de um molho de palavras para designar aquilo a que chamamos neve. A mim não me chegam tantas para para exprimir a minha indignação.

Foda-se.

Só vi neve pela televisão.
A minha praia continua de areia.


Resta-meo fabuloso piano de Chano Dominguez em "Hacia Donde".
Questões de sulidade...

23 de janeiro de 2006

Ai!... (suspirotécnico)

Hoje acordei assim:

E vesti luto.
Alivia-me apenas a convicção de que ninguém será capaz de matar o sonho nem de riscar a utopia do mapa do desejo.

Fere-me esta idolatria mais do que todos os crimes:
Tanto fervor desviado e perdido!
Tanta gente ajoelhando à passagem do tempo
e tão poucos lutando para lhe abrir caminho!

Há uma vida inteira a jogar e gastar
no pano verde imenso das campinas do mundo.
Há desertos cativos de uma ausência dos povos.
Há uma guerra devastando a vida,
enquanto a supuserem redimida!
(...)
Jorge de Sena (1919-1978)

19 de janeiro de 2006

Prof.& Cia

E os seus fundamentos serão despedaçados, e todos os que trabalham por salário ficarão com tristeza na alma.
Isaías 19:10
















Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui as receitas do IRS. Só resta esperar que acabem por morrer
Cavaco (radical) Silva, ao Público (2001)

Esta surda batalha que travo com o mar
é um íntimo desprendimentodas coisas do mundo

Oscar Acosta (1930)

e eu até acho que um dia as gaivotas virão em bandos cobri-lo de glória e de guano
e serão adaptadas as antigas anedotas do thomaz e do bush
e talvez um dia
a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente
em portugal

16 de janeiro de 2006

Um copo vazio...

Era o vinho, meu bem era o vinho...

mas podia ser qualquer assunto.

“Eu não sou especialista de vinhos e estar a escolher um poderia ser injusto em relação aos outros. Não costumo beber vinhos. Para mim, os vinhos bons são os vinhos portugueses”

terá respondido o cãodidato ao Público.

Éróvinhoqueumaisadorava retorquiu-lhe assim:
Pois.

14 de janeiro de 2006

Stand Up Comedy

Stand Up Comedy (SUCks)
Não conheço este.
Mas parece que bate aos pontos os tipos da Sic e mais os Gatos Fedorentos e os Marretas (e a sua versão em português Cavaco-Soares) para já não falar do polícia-sinaleiro-bailarino mandado para a reforma antecipada por um par de semáforos.
Rogue-se já à onu e à unesco e à quercus e à associação pró-vida e à iurde e a toda a convenção de vilar de perdizes do padre fontes: Portugal Reserva Natural. Estas espécies têm que ser protegidas.

(foto laboriosamente roubada ao DN de hoje)

13 de janeiro de 2006

pró quê?

Passar a escrito uma gravação de escuta telefónica não é coisa fácil.
A cacafonia portuguesa é uma verdadeira instituição e assim a modos que capaz de provocar indecisões e hesitações.
Ao ouvir o som "procurador" que devo escrever?
- Pró Curador
-Procura dor
- Pró cu (não percebi o resto)
Ah pois. Era para encomendar uma pizza... Então o contexto pode ser mesmo criptográfico.
- Prok Ur Ador
Prontos. Também não é preciso Isaltar-se...

Argumentum


O Cavaco sem bigode é horroroso!

Pim!

4 de janeiro de 2006

Marqueimar

Falávamos nessa língua em que cada palavra conta uma história. Uma língua que faz nascer palavras das conversas como rebentos e enxertos coloridos.
As palavras não se inventam do nada. São somas e produtos da tabuada do viver.
E depois soltam-se por aí a correr...

3 de janeiro de 2006

Europa Querida Europa


"não sentes um vago um suave cheiro a sardinhas
a algazarra nas ruas e o troar dos tambores
somos nós querida Europa"
Fausto



Cartaz de Tanja Ostojic, para assinalar a presidência austríaca da UE, posteriormente retirado por ordem da censura protofascista europeia.

Bom dia ano novo!

Não há meio de me refazer desta preguiça blogueira. Com tanto mundo para ver e pensar e dizer. E tanto caminho para andar...

Este ano já prometi:
hei-de matar todas as saudades que tenho e todas as que me aparecerem pela frente.

É bom colher medronhos na fonte Benémola.

30 de dezembro de 2005

De pequenino...

Pippini Regalis (Pepino).
Quid sunt stellae?
Albino Scholastico (Alcuíno) .
Pictura culminis, nautarum gubernatores, noctis decor.


Os passos sincopavam na calçada portuguesa nesse ajustamento do desencontro do comprimento das pernas. Brubeck e Desmond urdiram o TakeFive nesse andar alla turca de cinco por quatro e estiveram bem longe da metafísica reflectida nas montras pelo meio da tarde. Mãe e filha discorrem sobre a consubstanciação das estrelas sem tropeções e sem engolir a pastilha elástica.
Assim. De pequenino.

L'année prochaine si tout va bien...

Olharei para os caminhos andados e parecer-me-ão rios cristalinos.



Um bom ano!

14 de dezembro de 2005

sound check


Não sei se alguém ouve o sururu que vai aqui nas conversas entre mim.
As arrumações e armações às vezes armadilham-nos o verbo e entrançam os pensamentos assim numa mescla de sabores entre a hesitação e a audácia. Contudo espraio-me... na vontade de ir ali ao futuro olhar para trás.

5 de dezembro de 2005

A ver...

Há mais a ver gaivotas (e a maioria a ver navios e cavacos) e a ler-lhes o olhar.
Pensar que as aves têm uma narrativa do mundo na ponta do bico e nem precisam de estudar história nem finanças e toda a sua oratória reside nas imperceptíveis (para os humanos) nuances do grasnapiar...
Quando elas permitem a gente pode aproximar-se. Vale a pena aprender-lhes o idioma. Há tanto que lhes queria perguntar!...
Aí Benjamim!!!...

16 de novembro de 2005

Ficamos todos mais descansados..


"Em Fallujah, vi corpos de mulheres e crianças queimados. O fósforo branco rebenta em forma de nuvem e quem estiver num raio de 150 metros não escapa", afirma na reportagem Jeff Englehart, um antigo "marine" e veterano do Iraque que participou na ofensiva.



Ficamos agora a saber que se trata de uma arma convencional. O que faz toda a diferença. Entendamo-nos. Porra!

São armas devidamente testadas na sua eficácia e usadas apenas por estados altamente democráticos e respeitadores dos direitos humanos e detentores da patente de todo o armamento e do alvará para a sua certificação de qualidade.

Nada de confusões. Não se trata de um qualquer fanático suicida com uma bomba à cintura capaz de matar com ele todos os ocupantes de um autocarro de 52 lugares.

15 de novembro de 2005

Al-Gahrbrilho



Há noites assim.
Na TVI ontem.
Duas estrelas duas.
Algarvias
Cavaco Silva e Arlinda Mestre.

Que brilho!

14 de novembro de 2005

Solário mínimo

O vento frio lembrou-me uma outra manhã. Aquela em que deixei um bilhete escrito "vou para a Patagónia" e que ninguém levou a sério porque eu sempre tive a mania de me meter na pele de outros para não estragar a minha. De caminho ainda passei por Passárgada onde tenho um amigo que se convenceu que é rei e anda nú por todo lado e ninguém parece reparar.
E fui assim de reportagem a uma convenção de pinguins em Bahia Mansa sob o (tema do) buraco da camada de ozono e outros estragos feitos ao mundo.
Aqui há um buraco chamado Portugal. E corre um frio em vias de subdesenvolvimento crónico.
Se o engenheiro Pinto de Sousa não tem um projecto para os portugueses que ganham apenas o salário mínimo poderem ganhar quinhentos euros daqui a cinco anos o que está cá a fazer?
Dizem-me aqui que está à espera do Cavaco que há-de vir.
(o Godot manda dizer que está constipado)

13 de novembro de 2005

8 de novembro de 2005

Com Alegre, com afecto

(...)
Vem a noite e mais um copo
Sei que Alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo
Vai bater um samba antigo
Pra você rememorar
(...)
Chico Buarque

Poemarma
Que o poema tenha rodas motores alavancas
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.

Que o poema cante no cimo das chaminés
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.

Que o poema esprema a gema do seu tema
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.

Que o poema corra salte pule
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês.

Que o poema se meta nos anúncios das cidades
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.

Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.

Que o poema seja encontro onde era despedida.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua.

Que seja experimentado muito mais que experimental
que tenha ideias sim mas também pernas.
E até se partir uma não faz mal:
antes de muletas que de asas eternas.

Que o poema assalte esta desordem ordenada
que chegue ao banco e grite: abaixo a pança!
Que faça ginástica militar aplicada
e não vá como vão todos para França.

Que o poema fique. E que ficando se aplique
a não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
voltado para dentro. E sem castelos.

Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada anos.

Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.

Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.
in O Canto e as Armas


A vida sexual dos partidos deixa nos lençóis um cheiro entranhado por mais que se lavem. O que incomoda mais é aquele hálito lascivo na ourela dos discursos. Fui lá e pintei a vermelho de esperança uma janela daquelas vinte e quatro de um outro poeta por onde há-de passar a alegria e a festa e a loucura e o desejo e o afecto e a música e o teatro e todas as artes e sobretudo o n
ome liberdade.

(O título é do Afonso)

4 de novembro de 2005

Aux larmes citoyens!...

Paris brûle-t-il?
nas circunflexas desigualdades ondula o til das madrugadas

3 de novembro de 2005

Teoria da constipação

O senhor está constipado
e ficou mal de repente
porque não teve cuidado
porque foi imprevidente

Para o mal cujo motivo
está na chuva, frio ou sol
qual o melhor preventivo?
Formitrol, Formitrol, Formitrol!

aquilo que ninguém percebia ficou agora claro na inovadora entrevista por escrito que rui rio deu à rádio virtudes. a enigmática frase «fui para vingar e vinguei» foi logo transformada por cavaco num spread de vinte por cento enquanto a maçonaria varria a loja dos trezentos à procura da agulha cabalística. entretanto sócrates já em tempo de compensação utiliza a última substituição insuflável. mesmo no último minuto o passe foi demasiado curto e passou ao lado.

31 de outubro de 2005

B. Leza ê sabe

Por esta hora estará a decorrer uma despedida de um espaço de encontro de culturas.
Gostava de lá ir beber uma última cerveja e segredar ao ouvido duma mulata aqueles versos em criolo escritos pelas paredes.


Cá tem nada na és bida
Más grande que amor!
Se Deus cá tem medida,
Amor inda é maior!
Amor inda é maior,
Maior que mar, que céu!
Mas, entre ote crecheu,
De meu inda é maior!
Hora de bai,
Hora de dor,
Ja’n q’ré
Pa el ca manchê!
De ca bêz
Que’n ta lembrâ,
Ma’n q’rê
Fica ‘n morrê!
Hora de bai,
Hora de dor!

Sabura na dança - Kiki Lima

Ainda está activa uma petição on line aqui com o seguinte apelo:

« O palácio Almada Carvalhais acolheu o B.Leza e, com ele, tantos quantos os que quiseram vir e participar. Música e não só. Cinema, teatro, Exposições de Fotografia e Pintura, Acções de Solidariedade acompanharam anos de vida de um espaço que se tornou uma referência de lazer e cultura. Situado numa zona da cidade de Lisboa que privilegia o contacto com a comunidade africana, beneficiou desta proximidade, tornando-se um lugar de integração. A Lusofonia conquistou mais este espaço, ampliou alma e alegria. Foram muitos os que passaram pelo B.Leza. Se é um dos muitos que ficou, diga-nos que acredita na importância da continuação deste projecto, aqui ou acolá, subscrevendo este texto. »


ALERTA À POPULAÇÃO



DEVIDO AO PROVÁVEL SURTO DE GRIPE DAS AVES, AVISA-SE A POPULAÇÃO DE QUE
SE DEVEM DEITAR O MAIS TARDE POSSÍVEL.

NUNCA, MAS NUNCA,... SE DEITEM COM AS GALINHAS !!!!!!

(recebido por emalho do Alex)

Arre-piar / Ex-cavacar

Corremos o risco de ter um professor de economia a cuspir gafanhotos duma ciência que não lhe serviu para nada quando era suposto servir.
Veio assim a grande verdade num voo de norte para sul sem fios nem frios nem freios. A autoria já se perde por causa dos ecos nas esquinas do palavrar e assim não se pode render e rendilhar outra homenagem que não esta que é dar aqui por reproduzida a piação:
«Os economistas mandam tanto na economia como os metereologistas no tempo que faz»
O pior é que há tanta gente a acreditar que se o Costa Alves fosse primeiro ministro não teríamos tido um ano de seca.

30 de outubro de 2005

Candid'acto... ou l'optimisme

o senhor engenheiro belmiro acha que o senhor professor cavaco será um bom presidente da república. parece que também acha que o senhor engenheiro sócrates é um bom primeiro ministro e que achou o mesmo de quase todos os outros que o antecederam. lá terá as suas razões.
fui conferir com a minha vizinha zulmira faísca que é mulher trabalhadora que já criou quatro filhos e estava quase a reformar-se... disse-me que não percebia nada de política mas tinha a certeza de que o que é bom para o belmiro não o era para ela e fechou-me a porta na cara.
juro que vou pensar no assunto.

25 de outubro de 2005

Semiótica do querçdzer...


Olha Jacques... melhor seria que viesses ver o meu país de marinheiros. Aprendias a atirar solilóquios sobre as ondas assim a saltar como se faz com as pedrinhas achatadas.
Não sei isto é uma indicação ou uma expressão. Pois talvez não lhe tenha posto Bedeutung suficiente para ser considerado como Ausdrücke als bedeutsame Zeichen.
Na palavra que ob-jecto ofereço a voz ao eco e vens tu agora falar-me da Nicht-Existenz palavra e mais não sei quê. Querçdzer...
Assim não dá Derrida.

24 de outubro de 2005

Crónica de um voo inacabado

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill

E contava-me ela que uma amiga e companheira de arribações plurais sucumbiu com o peso dos recados e logo se encheram as bancadas e os céus de relatos com transmissões directas muito para lá das incumbências.

Resultado: Agá 5 - Ene 1.

Mas acho que o árbito estava comprado.

23 de outubro de 2005

Hamlet sem ovos


Já de esperar se desespera. E o tempo foge
e mais do que a esperança leva o puro ardor.
Porque um só tempo é o nosso. E o tempo é hoje.
Ah se não ser é submissão ser é revolta.
Se a Dinamarca é para nós uma prisão
e Elsenor se tornou a capital da dor
ser é roubar à dor as próprias armas
e com elas vencer estes fantasmas
que andam à solta em Elsenor.
Manuel Alegre

Desde que me treinei a escrever sem vírgulas tenho vindo a ser acometido de alguns pensamentos profundamente respirados sobre os silvos que cruzam o ar.
Fiz uma sondagem à boca do google sobre as intenções ocultas dos presidentidatos e os resultados são claros.
Manuel Alegre - 2.000.000 referências em 0,06 segundos
Mário Soares - 863.000 referências em 0,03 segundos
Cavaco Silva - 296.000 referências em 0,05 segundos
Jerónimo Sousa- 102.000 referências em 0,11 segundos
Francisco Louçã- 78.000 referências em 0,09 segundos
Verifica-se assim uma clara vantagem da poesia sobre o sono post-prandial apesar de tanto um como outro serem instituições a preservar e também que o Francisco Louçã é claramente prejudicado por ter um til no nome e se um til pode ser útil neste caso é absolutamente inútil.
Posto isto acho que devo aconselhar o Manuel Alegre a aceitar o cargo de presidente da rês pública desde que isso não acarrete prejuízo à poesia.



20 de outubro de 2005

Buganvília em Folha

(ou como os comentários podem ser comensais)

O contador afina pelo piar modal das gaivotas.
Percorre mais os fraseados menores da frígia dúvida existencial ao desconcerto lócrio da excentricidade.
É culpado de tudo menos da coerência. O soluçar das melopeias é mais um esculpir no vazio que nunca se saberá modal ou tonal.
Sentemo-nos. As sereias vão fazer a sua apresentação.

Elocução

Quando o chefe fala somos todos ovídeos.

18 de outubro de 2005

O orvalho aljofra
os bambús verdes.
Dir-se-iam lágrimas.
O vento dormente
perpassa no loto
fazendo tombar
uma pétala rósea.

Devagar a noite
estende o seu manto.
Pelo meu caminho
passam pirilampos.
Das bandas do leste
vem o canto suave
de uma flauta distante.

Huang Wan-Chiung (1712-1763)
China

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville.

Verlaine


Quando se não dorme acaba-se sempre voando sobre qualquer coisa. E assim foi. Um voo sobre um grande amor ou um grande equívoco (porque a vida real é tão simplesmente aquilo que lhe quisermos chamar) num tapete de poesia.
É verdade que a poesia pode servir para tudo. Até para comer. E ser seta envenenada na aparência bucólica e contemplativa dum lago chinês no século XVIII... E há setas fatais. O curare mata porque paraliza os músculos que nos fazem respirar. Morre-se de asfixia... e sem se matar a saudade lembrada na música que chega sobre as águas...

Estaciono o meu tapete. A vida segue dentro de momentos.

14 de outubro de 2005

Aves: truz truz

Erguem-se barreiras nos céus às aladas arribações. Por causa da gripe. Dizem.
Sabemos de ciência escrita que se não puserem cá os ovos os filhos morrem à nascença.
As que não dão sinais de fome e pobreza seguem pela via verde.

10 de outubro de 2005

e lições?

Esta noite não se ouviram buzinões das caravanas automóveis a cantar vitorias.
Parece que foram substituídos por uma manifestação mais moderna e apropriada ao objecto do festejo e mais económica e mais ecológica. O povo será tão soberano e tão sábio quando vota como quando cospe para o chão e atira beatas pela janela do carro e leva os cães a cagar nos passeios.
Mas apitos dourados não se ouvem na minha praia.

25 de setembro de 2005

Pensamentos violentos

O que eu gostava mesmo era de ter uma kalashnikov de tinta permanente...

23 de setembro de 2005

Há anos assim... incomuns

Trissextos, talvez...
É assim mesmo! Faro Kapital da Çultura destaca-se pela inovação no plano cultural, no plano B, no plano inclinado, no aeroplano e... no melhor plano cai a nódoa.
E para quem se anda sempre a queixar que o tempo não lhe chega, aí vai um Setembro maior.


22 de setembro de 2005

«Ela é Deus na Terra»

Palavras de uma devota de Nossa Senhora de Fátima Felgueiras, em directo para a TVI.
Noutro canal corria uma verdadeira isaltação a uma coisa encarrilhada a que chamam satu...
Eles andem aí!

16 de setembro de 2005

Vim di mar


E fui esgalhar o arinto o olho de lebre o boal de alicante a malvasia o fernão pires e sei lá que mais porque o meu mister não é bem chamá-las pelo nome...
Quando o sol mais teimava em lamber-me as espáduas e a sede se acendia na garganta parei na sombra para a saciar (o que dantes era um cântaro de barro agora são garrafas de plástico cheias de água fresca porque devidamente acondicionadas dentro da mala térmica).
Não sei se foi do sol se de me ter baixado e levantado de repente tive um almareio e senti-me como se nadasse por aqueles vinhedos... e senti-me assim camões a furar correntes da maré verde e folhosa com o poema na mão como se isso fosse salvar a humanidade de qualquer coisa assim como por exemplo do buraco da camada de ozono ou seca noticiosa.
Não resisti. Lavei as mão e tirei o caderninho do bornal (não não é um moleskine...) e ali com as mãos a peganhar lavrei o verso com que se tapa o percurso dos anos duma ruralidade adormecida (acho que foi mesmo só para disfarçar...):



Havias de querer beber-me agora
doce mosto
a meias com o meu suor salgado

15 de setembro de 2005

Contador de Gaivotas

voltei daquilo que alguns chamam férias
para mim, é mais arribações
voar por outras paragens e andagens
outros rios
outros mares
depois conto
em piações mais vagarosas

26 de agosto de 2005

arbeit macht frei


o grito não precisa de calçadeira e as hierarquias capitais abstergem até os suspiros
improváveis dias na marcial formatura investem na aprovação da calenda imobiliária
nada como espetar um prego na fachada espasmódica do engodo matutino inútil
quando se exorta à emundação das incertas e passífloras decisões


afinal
quantos anjos se podem pôr a dançar em cima da cabeça de um alfinete?

25 de agosto de 2005

Parabéns madame!


No ano de 2005 a coreógrafa Olga Roriz comemora 3 marcantes aniversários: 30 anos de carreira, 10 anos da sua Companhia e 50 anos de idade que não podem passar impunes nem ignorados.
(...) Para não esquecer que a morte existe é preciso festejar a vida.


Acho que já ninguém se lembra, mas há cerca de três mil anos aportou aqui um barco fenício. Descarregaram as ânforas e ficaram três dias na praia a cumprirem as celebrações do sal. Diz-se que se movimentavam no areal segundo a vontade dos deuses expressa nos sons da harpa eólica. Ao pôr do sol tudo parava. O vento calava-se.
E tudo recomeçava no dia seguinte até ao último que era o da partida. Aqueles movimentos repetiam iguais porque era a alma que levava o corpo com ela. Mais tarde chamaram a isto dança. Talvez porque derive de dansal.


FELICITAÇÕES MADAME – PARTE II:
dias 26, 27 e 28 de Agosto, às 18h30
Local: Ilha do Farol - Faro

Duração: 60 minutos
Para todas as idades
Entrada Livre

22 de agosto de 2005

"Cacha"

PINHAL ESCAPA AOS INCÊNDIOS
por falta de jornalistas disponíveis para cobrir o acontecimento

19 de agosto de 2005

Clair de lune



When the Moon is in the Seventh House,
and Jupiter aligns with Mars
Then peace shall guide the planets,
and love will steer the stars
This is the dawning of the Age of Aquarius ....

Harmony and understanding

Sympathy and trust abounding
No more forces of derision
Golden living dreams of visions
Mystic crystal revelations
And the mind's true liberation
(Aquarius, Hair, 1968, Broadway)


Consultei o calendário astronómico e fiquei a saber que a lua está completamente cheia. Eu já sabia porque tenho andado a mirá-la desde que apareceu assim baixinha, no céu, para os lados do poente, na forma de uma barquinha que vai crescendo... E esta tem o brilho mítico da lua de Agosto. Diz-me ainda o dito calendário que ela está em Aquário, mas isso nem discuto.
Cresci a vê-la aparecer sobre a crista dos pinheiros. Hoje vejo-a espelhar-se no mar. Não sei se é a mesma lua. Eu já não sou seguramente o mesmo rapazinho que fazia um esforço para não apontar para a lua, porque alguém tinha dito que isso fazia nascer cravos nas mãos.
Uns anos mais tarde nasceram cravos nas mãos de muitas pessoas, mas isso foi em Abril e já não parece haver assim tanta gente a lembra-se do brilho dessas noites.


("Clair de Lune" - DigitalArt por Corine Baron)

18 de agosto de 2005

Liga-me

Sentes o calor dos dias grandes?
É a vontade de sair por aí com muito pouca coisa na bagagem. Penetrar a geografia e suar pelos atalhos com a nostalgia das cascatas límpidas.

16 de agosto de 2005

Poema, ou faz-de-conta, e dedicatória também, mais ou menos a roçar o principalmente









(aos minutos surreais)




E tropeçaram pois
num sentimento em forma de assim
(diz ele)
a revolver os dias de manufacturas
inquietações.

Os amantes sabem pouco de profecias
e, por isso, entretêm-se
a olhara lua, o mar
(e a ponta dos dedos)
à espera de se acontecerem.

E, a conto,
tecem com as mesmas palavras
cortinas e vontades
sem saberem dos avessos
de silêncios impermeáveis.


(escrito [de en] contra a Poesia Completa de O'Neil, só para destrabalhar as coisas em concreto, a nove de agosto de dois mil e cinco)

10 abafos


(um) Há sempre duas estradas na mesma, ainda que tenham um só nome. Sim. Têm nomes de família e também nome próprio. A familia IP, a IC e família mais rica chamada A. Ah, pois... e há ainda uma velha família que ainda detém um título assim para o nobre, mas na maior parte dos casos já está completamente arruinada. Refiro-me às saudosas EN.(dois) E dizia eu que as estradas são sempre duas: uma para ir e outra para voltar; uma que aproxima e outra que afasta; uma que junta e outra que separa...(três) É por isso que os pensamentos têm direcções e os sentires riscam sentidos assim como setinhas nos mapas emocionais.(quatro) E não se pense apenas no prosaico "vamos para a festa!" - "vimos da festa..." porque a festa tem muitos sentidos e vir da festa pode ser mesmo ir para uma autêntica festa!(cinco) Pois eu já percorri muitas estradas e fui a muitos sítios.(seis) Também já quis fugir de mim e então ia e vinha por caminhos diferentes para estar sempre só a ir. Mas isso era no tempo em que ainda não me tinha apercebido que cada estrada era duas e que aquele de quem eu fugia ia ali sempre comigo também a fugir do mesmo.(sete) Agora é diferente. Vamos juntos e conversamos e até descobrimos que somos mais.(oito) E mais. Frequentemente trazemos outros e dramatizamos ali coisas que acontecem e que não acontecem.(nove) Fica para outras viagens o saber se isto serve para alguma coisa ou se é só para entreter quilómetros.(dez) Em todo o caso vou colocar um autocolante atrás a dizer: "miúdos a bordo".

(Piações de uma gaivota em terra)

3 de agosto de 2005

Micro-ondas...


Entre conversas e piações lidas também aqui e ali, decidi juntar-me à causa e fazer também uma ondita das minhas, assim, a capela, sem outro acompanhamento que não seja o da reverberação do bater de asas de algumas aves (dizem alguns que isso é capaz de provocar um furacão ou um tsunami) e o do eco das falésias indomadas.
No grasnar irónico de uma gaivota minha conhecida, temo um governo de Otários e um povo a ver passar os comboios (de alta velocidade).

O barrete oficial será distribuído gratuitamente a quem voluntariamente declarar aceitar um novo aumento de impostos para a realização da obra.

2 de agosto de 2005

Janelas para a terra


Farto de voar
Pouso as palavras no chão
Entro no mar
Sinto o sal de mão em mão
Tenho um barco na vida espetado
Só suspenso por fios dum lado
E do outro a cair
a cair
no arpão
no arpão
Levo a dormir
Sonhos que andei para trás
Ergo o porvir
Trago nos bolsos a paz
Tenho um corpo na morte espetado
Só suspenso por balas de um lado
E do outro a escapar
a escapar
de raspão
de raspão



Ponho a girar
Cantos que ninguém encerra
De par em par
Abro as janelas para a terra
Tenho um quarto na fome espetado
Só suspenso por água de um lado
E de outro a cair
a cair
no alçapão
no alçapão
Farto de voar
Pouso as palavras no chão
Entro no mar
Sinto o sal de mão em mão
Tenho um barco na vida espetado
Só suspenso por fios dum lado
E do outro a cair
a cair
no arpão
no arpão

Sérgio Godinho, in "os sobreviventes"

Por acaso até fiz umas curvas no destino. Logo de pequinino.
E aprendi a nadar e a amar e a sobreviver a todas as estradas e romances.
A liberdade continua a passar por aqui (por muito que lhe queiram cobrar portagens).

Sérgio Godinho hoje à noite no Forum Algarve




1 de agosto de 2005

Astrid entre Dalí e Rivera




Antes de aqui chegar só conhecia o mar dos teus olhos e a música do teu nome, Helena, sem as metamorfoses das guerras de colorir livros de história antiga.


Mas isto foi antes, muito antes do eclodir dos pirilampos nas cascatas do teu cabelo.


Já só me falta morrer nas punhaladas de um tango bendito em esquinas maiores.


As cinzas, já sabem, são para espalhar pelos oceanos.

27 de julho de 2005

日を累ね月を積む-武生



Equizenar-te?
「地蔵院」で毎月開講している松野宗純禅師(PHP全国友の会会長他)の人間学講座を、禅の智慧を経営に生かしたいと発心して聴講している一中小企業経営者のつたないノート。テキストは国民教育の父と称される森信三 著「修身教授録」を輪読。又、松野先生ファンの方へ先生の近況をお伝え出来ればと考えています。宮本武蔵「独行道」21箇条Tシャツ 吉川 壽一

Às vezes oiço vozes. Não, não dessas de que fala a DSM-IV. São vozes emergentes das cascatas sonoras dos dias e das noites. E também das vozes vozes que são dizeres e que depois se cruzam com o compasso dos motores, o apito do comboio, o drum 'n' bass laboral ou, ainda, o zurzir do vento e o fragor do mar...
E assim nascem palavras transgénicas.

22 de julho de 2005

Cânticos da lua cheia
















Formosa és, amada minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, imponente como um exército com bandeiras.

Desvia de mim os teus olhos, porque eles me perturbam. O teu cabelo é como o rebanho de cabras que descem pelas colinas de Gileade.

Os teus dentes são como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro, e das quais cada uma tem gêmeos, e nenhuma delas é desfilhada.

As tuas faces são como as metades de uma romã, por detrás do teu véu.

Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e virgens sem número.

Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada; ela e a única de sua mãe, a escolhida da que a deu à luz. As filhas viram-na e lhe chamaram bem-aventurada; viram-na as rainhas e as concubinas, e louvaram-na.

Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, imponente como um exército com bandeiras?

Desci ao jardim das nogueiras, para ver os renovos do vale, para ver se floresciam as vides e se as romanzeiras estavam em flor.
Cântico dos Cânticos 6:5 a 6:11
Ontem corri atrás da lua espelhada no mar.
Encantei-me na Tavira Moura com a música das palavras e outras delícias.

20 de julho de 2005

Margens, j'arrive!...



De que noite demorada
Ou de que breve manhã
Vieste tu, feiticeira
De nuvens deslumbrada
De que sonho feito mar
Ou de que mar não sonhado
Vieste tu, feiticeira
Aninhar-te ao meu lado
De que fogo renascido
Ou de que lume apagado
Vieste tu, feiticeira
Segredar-me ao ouvido

De que fontes de que águas
De que chão de que horizonte
De que neves de que fráguas
De que sedes de que montes
De que norte de que lida
De que deserto de morte
Vieste tu feiticeira
Inundar-me de vida.
(Letra: Francisco Viana/Música: Luís Represas)

A noite quente soltava os corpos ao brilho da lua quase magna.
Tenho a certeza que à mesma hora estava a nevar sobre a marginal.
Dessa neve que não espera, na ânsia do derreter.
A água tem destas coisas...
E depois enrolo-me no feitiço que eu cá não sou de empatar feiticeiras.

19 de julho de 2005

Anepígrafo

Se uma árvore cair na floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, será que produziu som?
A esta hora já deixei de sentir as dores do mundo, embora ele se doa e ao mesmo tempo se anestesie para não sentir. E já me quer parecer que a ruptura de um contrato pode doer mais que uma ruptura muscular e que um morto em Nova Yorque, Madrid ou Londres tem uma morte mais dolorosa que em Bagdad.
Vou acrescentar mais umas gotas e anestesiar todos os meus pedaços.
Despedaço-me, pois.
Mas sem dor.

12 de julho de 2005

Época balnear


Ribeira dos Milagres

A presença dos corpos perturba as conversas junto ao mar. Perturba em todos os sentidos. Perturba os sentidos.
Vou procurar outras falas.


Procurei numa agência de viagens o destino de férias Ribeira dos Milagres. Disseram-me que não existe. Mas é pena. Uma invasão de veraneantes este ano talvez mudasse aquilo que não se resolve há muitos anos. Que nenhum governo quer resolver. Nem nossa senhora de Fátima, nem o bispo de Leiria, nem o movimento pró-vida, nem o padre Borga, nem a Lili Caneças, nem o Quim Barreiros, nem o Luís Figo...
Não custa nada. À Ribeira dos Milagres vai-se pelo cheiro e pelo roncar de quatrocentos mil porcos e meia dúzia de mercedes dos reis do gado.
Boas férias.

7 de julho de 2005

G-Eight / G-Hate

Ma'qu'jeite!...
Levantaram-se em bandos com o estrondo, as gaivotas, ainda mal refeitas da noite mal dormida. Dizem-me que sentiram a terra tremer. Um pequeno sismo, assim como um suspiro de desalento do planeta a cismar sobre as poderosas conspirações.
E ainda há quem perca tempo em olímpicas disputas sobre qual das cidades merece o título de Capital da caca de cão!...

Se não houvesse gente a morrer à fome, a coisa até tinha piada...
Mas hoje já morreram bem mais do que cinquenta... e daqui a uns anos pouca gente se lembrará onde fica Quioto.

Olhá bolacha americana torraaaaaaaaaaada!...


6 de julho de 2005

30 anos

Ontem acho que não choveu naqueles dez granzin di terra.
A festa foi outra.
30 anos de independência com que de bom e de mau isso tem.
Pela noite dentro, ainda vi o meu amigo Djurumani a tentar fintar o destino e a lembrar-me o canto (tude drêto, ermon?).


Um abraço aos amigos de Cabo Verde.

E no cantar da Cesária:

La na ceu bo é uma estrela
Ki cata brilha
Li na mar bô ê uma areia
Ki cata mojá
Espaiote nesse monde fora

Sô rotcha e mar
Terra pobre chei di amor
Tem morna tem coladera
Terra sabe chei de amor
Tem batuque tem funaná

Passepartudo

«Não vale a pena suportar tanto castigo.
Procuras Ítaca. Mas só há esse procurar.
Onde quer que te encontres está contigo
dentro de ti em casa na distância
onde quer que procures há outro mar
Ítaca é a tua própria errância.»
(Manuel Alegre)

Ajusto os headphones e tento sintonizar o canto das sereias em FM. Ao contrário de Ulisses só encontro o rumo quando me perco.
Os meus instrumentos de navegação e orientação são bastante precisos, mas volúveis. Há dias em que apontam para todas as direcções.
E estão certos!

5 de julho de 2005

Cerf volant - Cerf voleur


Pensando bem, se alguém se apropriasse do vento do vento até podia vendê-lo. E fazer subir o seu preço trancando-lhe as portas. Provocar uma guerra para disputar a sua posse e, logo, torná-lo mais caro e aumentando assim os lucros.
Quando isso acontecer, vai ser proibido lançar papagaios, brincar com coloridos vira-ventos e assobiar.
Mas haverá sempre alguém a semear palavras ao vento...

4 de julho de 2005

Ex-citação contrasenso

Pronto já tá. O Contador de Gaivotas já fazia parte da lista dos blogues amigos e também dos amigos dos amigos assim numa rede estendida de nós e laços e outras menos óbvias linkações.
Agora completou-se o ritual de passagem. O meu amigo HFR (re)citou, com todos os preceitos, uma generosa posta de pescada.
E assim temos um blogue adulto, mas sem saber como se comportar.
Acho que vou pedir umas lições de etiqueta à doutora Paula Blogue-on.

Um abraço consenso.