27 de setembro de 2006

senhora só

crates

Não é bem o que parece esta senhora
Ela tem a chave do tempo por onde escorrem as palavras

Bem vinda à praia

lieb air tea

Translingue regresso à praia e volto a sentar-me à beira Contemplativo Imune à retórica do mercado capitalista
Imagino que te aproximas Sandálias na mão E vens sentar-te comigo lídia Não à beira do rio mas do mar Adivinho-te as perguntas apenas pelo teu odor
Começo por pensar que só me sinto feliz quando começo qualquer caminho que julgo poder levar-me a esse sentir Não se trata de um estado de embriaguês De vinho De paixão Ou de virtude Assim falou baudelaire (beau de l'air) Não É mais assim um não-sei-quê Percebes
Desta vez nem foi preciso enlaçarmos as mãos
Coitado do Ricardo Reis

21 de agosto de 2006

(so)Genealogia

Sou neto de um soneto clandestino
que se albergou debaixo da saia
duma écloga de ciência gaia
idílio foi meu pai por ser menino

Trova achada ali em desatino
bordou loas em lenço de cambraia
foi medida nova em plena praia
cantada por meu pai já era hino

Até aqui nada de anormal
nasci de um arrogo futurista
uma transgressão feliz mas banal

Depois caí numa fonte anarquista
eis-me anfiguri experimental
do acaso formal e concretista

16 de agosto de 2006

Pés de baca



Podiam ser de coentrada por virem de muitas direcções do mundo Do suor da áfrica escrava Dos ventos do caribe Das preces dos oprimidos

Mas era um espíritu vivo ali dança(n)do em câmara lenta como na têvê das dunas

Afinal Pés de baca é mesmo com salsa

E depois fomos dar ao pé ao som de Novalima Soundsystem

8 de agosto de 2006

マリア・ジョアン・ピリス(ピアノ)



1944年ポルトガルのリスボンに生まれ。3歳でピアノを始め、5歳で初めて人前で演奏しました。ピアノと作曲をリスボンの音学院でフランシーヌ・ブノワに学び、16歳で卒業。グルベンキアン財団の奨学金を得て、さらにミュンヘン音楽大学でローズル・シュミットに、ハノーファーでカール・エンゲルに師事しました。15年にわたりエラートで録音を行ってきたが、現在はドイツ・グラモフォンと専属契約を結び、協奏曲、室内楽の領域においても幅広く充実した活躍を続けています。共演した指揮者はクラウディオ・アバド、リッカルド・シャイー、小澤征爾、ネーメ・ヤルビーらがいます。室内楽ではヴァイオリンのオーギュスタン・デュメイとのデュオで数々の録音を残し、最近ではチェロのジャン・ワンを加えたトリオを組んでいて、いずれもドイツ・グラモフォンでのレコーディングを行い、好評発売中です。

Pois é Não consta aqui que ela saiba jogar futebol
Portantes Pá
Ela que vá lá pianar pó brasil

Ninguém pára o benfica Carago

27 de julho de 2006

À brupta

O jpp anda muito aflito por causa dos há queres Parece que fizeram um falso abrupto De circulação limitada certamente A mim não me calhou nenhum Mas também não sei se o jpp que diz isto é o verdadeiro ou o falso Esta blogoesférica anda cada vez mais cúbica
Aqui ao menos não há esse problema O verdadeiro e o falso andam de mãos dadas sem se saber bem com que mão se coçam as partes ou o todo
Assim a gente nunca se engana nas múltiplas dúvidas que nos crescem na raiz dos cabelos

26 de julho de 2006

Contra a guerra






























Sem bombas
Vamos apenas mijar-lhes à porta

19 de julho de 2006

Sonetanso

Eu já tinha avisado
Se me chateia muito desato a sonetar a coisa num trotil poético

Estão a ouvir-me bem
Oi São















(capa do disco Sin Argumentos da banda de rock espanhola Sonotones)


Se um soneto te dá sono manso
que dizer de dois metros de discurso
capaz de anestesiar um urso
ou dar-lhe de guerreiro o descanso?

O pau que ao gato sem querer eu lanço
parte-se em desvios de percurso
e eu de mãos vazias sem recurso
corro um pouco e o sonho alcanço

Não me tragam mais canja discursiva
alinhada no simplex teleponto
já me cresce na tripa maré viva

Com tanto carroucel já fico tonto
já dei para o peditório e com iva
falta-me só cagar p’ra isto e pronto

18 de julho de 2006

10 em Bush!


Pela primeira vez concordo com aquele artolas O que ele diz entre duas tostas com manteiga Ou seja Atacando o qu'houver É muito bem dito Por isso merece 10

"A síria devia pressionar o hezbollah para que pare esta merda..."

Se tivesse acrescentado

"Os eu e mais a ue e mais a rússia e mais a china e mais o japão e mais a austrália e mais o brasil e mais o cacete deviam pressionar israel para pararem esta faquingue chite..."

Até poderia ter 20

10 de julho de 2006

Entre parentes


O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão - Máquina do Mundo


Por isso é que o voar é sempre contínuo E atravessa tempos e fronteiras E desafia nuvens
Um dia fui ter lições de aprender e foi assim que fiquei a saber que já sabia Depois vi que afinal devagar era melhor Já só me falta aprender a parar
Por isso iniciei um calmíssimo programa de treinos por aquele rio acima e aquietar-me na sombra dos salgueiros E depois cruzar as planícies e as marismas entre mouros e celtas E entender que encontros e desencontros são apenas descompassos do aqui e do já
Por isso não me surpreende que o céu tenha tirado os véus pelo anoitecer
Vou estender as asas ao luar

22 de junho de 2006

Verão

Pois veremos Vocês sabem lá
Fui apanhado numa onda Uma vaga de palavras vagas na linearidade dos centímetros à volta da cintura E um imposto sobre o perímetro abdominal seria um roubo igual ao do imposto municipal de circulação que para selo só falta o mãos ao ar Fui medir e a cilindrada é tal que já se equivale a imposto de luxo E pensei Tenho que fazer exercício Desporto e assim Só que isso tem muita mãodobra e além do mais cansa Mas tenho que fazer algum exercício
Decidi pois dedicar-me à prática Moderada Do soneto
Não aquele soneto de alta competição capaz de provocar a morte da pessoa amada exactamente entre os dois tercetos Não Nisso ficou célebre aquele petrarca atleta de fundo que assistiu ao enterro de laura entre o soneto duzentos e sessenta e três e o duzentos e sessenta e quatro Eu é mais aquele soneto-joguingue assim de manter o fito da forma e baixar três milímetros ao perímetro abdominal em jejum
Por ora um por semana Deve chegar E começo com uma coisa leve Decassílabos Lá mais para o outono vou ver se já me aquilato a um alexandrino por mês
Aí vai o meu primeiro exercício na onda do cardiofite nesse

Soneto de quem nada tem para contar

Lancei o olhar sobre os horizontes
Tanto quanto me deixou a perícia
Buscando novas, rumor ou notícia
De palavra escrita e outras fontes

Varri megaciclos de frequência
Espremi canais cabos e antenas
Virei loiras e ruivas e morenas
Até ao limite da paciência

Entre a gripe alada e rouco anderrol
De tudo mirei, escutei e li
Vasculhei pedras duras e água mole

Tirando o teimoso nascer e pôr do sol
Que mais acontece agora e aqui?
Futebol futebol e futebol

21 de junho de 2006

Solstício

O solstício é um vício
13:36

19 de junho de 2006

Princípio G-eme

Andei algum tempo indeciso mas os acontecimentos ultimamente noticiados nos breves intervalos mundialenses activaram a minha coragem A gê-eme é uma verdadeira musa inspiradora quando se azambuja em deslocalizações anunciadas Assim vou mandar um esse-eme-esse ao primeiro ministro zé só É o diminutivo de josé sócrates Ele entra-me em casa tantas vezes que eu tomo a liberdade de o tratar assim E o tal esse-eme-esse é apenas isto
Karo xe xocratx 1º minixtro konvidut p almoxar cmg amnha
E só depois é que lhe faço a proposta Mas só depois da segunda garrafa de pêra manca E que é assim
O nosso país tem abundante mãodobra altamente especializada e uma verdadeira apetência pelo sector Como introdução acho que vai muito bem Valoriza os atributos nacionais e cria uma expectativa positiva Aí ele fica interessado e eu disparo Proponho-me criar mil empregos e assim só te ficam a faltar cento e quarenta e nove mil Sinto o interesse e a curiosidade dele a crescer e é a altura de concretizar a coisa
Deixemo-nos de rodeios dás-me os mesmos oitenta milhões de euros que outros deram à gê-eme e eu abro uma fábrica de punhetas de bacalhau virada para o consumo interno e também para a exportação Contratualizamos que eu dou emprego a mil trabalhadores durante doze anos de modo que só vou chatear outro que já não és tu a dizer que mudo a fábrica para a roménia porque lá cada punheta fica mais barata Deixa lá que o outro Talvez o marques men10 há-de concordar em pagar a diferença e a coisa continua É claro que nessa altura os trabalhadores não têm outro remédio senão ajudar à dramatização e fazem uma greve E o primeiro ministro da altura há-me mostrar o seu empenho pessoal fazendo constar que me telefonou pessoalmente e que até me arranjou umas tailandesas para me fazer umas massagens e cortar-me as unhas dos pés porque eu nessa altura já terei alguma dificuldade em me dobrar Bicos de papagaio e pê-dê-i tazaver
Não há como dizer que não
A seguir convido o predisente a bater a primeira pedra e a probabilidade de ser condecorado no próximo dez de junho é altíssima apenas ameaçada pela remota hipótese de portugal ganhar o mundial porque aí tenho à minha frente o scalori e o mandaril os jogadores o cozinheiro o roupeiro o motorista do autocarro o antigo presidente ex jorge sampaio que até comeu um pigue méque com grave risco para o seu colesterol E mais toda a selecção brasileira por ficarem em segundo lugar e falarem português Terei que me conformar mas a fábrica está no papo

13 de junho de 2006

Portugal no coração

Andámos nós a gastar o medos com a gripe das aves e afinal fomos atacados por epidemia de patriotismo paroxístico Ao longo período de incubação do mundial futeboleiro e da selecção da sagres/tmn em que todos os dias havia alguém em pública oração do pode ser qu'a gente consígamos seguiu-se uma crise aguda bastante grave O dez de junho carago Dia de portugal de camões dos emigrantes que andam lá fora a ganhar a vida da selecção claro (nem era preciso dizer) e dos três ramos das forças armadas E também do presidente da ré pública Por acaso até não esteve mal A cor da gravata absolutamente suprapartidária garantiu a distância suficiente daquela manobra intempestiva dum carro de combate E lá estavam eles a marchar contra os canhões de navarone e a pôr crisâmetos na campa dos egrégios avós que deus haja




















Aqui vai um claro e patriótico exemplo do portugal Aquele que povoa os quartos alugados à hora dos nossos corações O portugal que se autoavalia no máximo da escala de mohs quando a única coisa em que acerta é no pau O pau da bandeira parece-me de boa qualidade Firme e hirto que nem um epopeico alexandrino

O nosso indestino
O presidente ex jorge sampaio também quis dar o seu futebólico contributo ao patrioteiro afã nacional e lá foi ele armado de cachecol e um saco de gritos daqueles que nem a mãe do árbitro escapa Só que o regresso à cidadania tem os seus incómodos e nestas alturas é que se vê a falta que fazem uns seguranças e uns batedores para abrir caminho E é assim que o ex jorge pá chega muito cidadão e não menos exausto a um sítio qualquer E nada melhor para um cidadão exausto que uma cocacola e um piguemeque (depois não queres ter colesterol e infartes e essas coisas) num desses retiros de comida saudável amplamente espalhados pelo mundo chamados mequedónaldes Ora bem Está um gaijo dez anos na presidência para vir de lá pior do que entrou Não sei se vale a pena Se isto é assim ainda podemos esperar ver o presidente cavaco actual a sair cidadão triste e deprimido do euro 2016 onde a selecção (do soclari durante um intervalo dos seus delírios místicos de masturbação assistida por nossa senhora da recta de pegões) acaba de perder E o cidadão cavaco-deprimido a confessar aos jornalistas que só recuperou do que se passou nas quatro linhas depois de ter senifado duas

11 de junho de 2006

Fenomenologia seleccional

Já passei por momentos muito difíceis hoje
Ok
A equipa da cerveja sagres ganhou à selecção de angola O golo foi marcado por pauleta Aos quatro minutos de jogo
Mas como é que eu posso dizer isto se me aparece um microfone de estagiário em riste a perguntar-me o que achei do jogo Posso ter ali a minha chance de cinco segundos de fama (que depois serão repetidos de meia em meia hora) em todos os horários nobres e plebeus
Posso perifrasear os factos arredondando o esférico e dizer que portugal barra sagres barra tê-eme-ene entrou com o pé direito pelo pé esquerdo de pauleta quando o ponteiro dos segundos tinha apenas completado a quarta volta ao mostrador O esférico animado pelo impacto da bota nike do jogador açoreano descreveu uma trajectório mais ou menos rectilínea violando assim as redes da baliza confiada ao guarda redes angolano
Isto bem esticadinho dá à vontade os tais cinco segundos e parece-me estar bem ao nível de um comentador desportivo de bigode farfalhudo
Ah Não pode ser assim porque não tem emoção Ora bolas (bolas salvo seja) Não tem emoção uma ova O que é preciso fazer então Tenho que dizer palavrões é Não tem emoção o Há lá emoção maior que estar-me a cagar para isso
Mas eu só queria aparecer na televisão

Confesso Nem sequer vi o jogo Mas vi aqueles que viram o jogo em ecran gigante e municipal


Como se pode observar aconcentração é total Dentro de cada cabeça desenvolvem-se algorítmos que driblam os parâmetros essenciais da lógica cartesiana segundo a qual quem marcar mais golos é que ganha Ou numa versão mais prosaica uma vez enunciada por raul maçaroco Lá dentro é que elas se contam
É claro que umas cervejolas também ajudam à visão de jogo Mas só da sagres Foi quem ajudou a pagar a instalação do ecran gigante e a resolver lá aquela coisa com a sportêvê
Na minha opinião (após uma lenta degustação de um tinto de pias) é que falta sobretudo uma conceptualização mais avançada ultrapassando o paradigma positivista Há que apostar mais nas teorias e meio campo e em modelos teóricos mais pragmáticos conciliando a matriz disciplinar defensiva com as teses evolutivas do construtivismo É o que eu penso Mas não em definitivo Até pode ser que amanhã me autorefute no mais puro sentido popperiano


E não parece que o fenómeno interesse apenas a almas cristãs e outras assim
Tenho impressão que até o presidente O cavaco sim Qual é que havia de ser Se não se esquecer há-de falar disso no seu próximo livro autobiográfico de memórias de tudo o que ainda se lembra
O próprio durão dilemava-se todo na inclinação do seu coração coitado

Reparem até onde já chega a evangelização
Ou deveria dizer
Evangeliza cão

8 de junho de 2006

Tudo bons rapazes

Um skinhead

português tenta discursar numa manifestação nazi na alemanha Apela ao ódio aos imigrantes Exalta a superioridade da raça branca e outras subidas defecações

Na multidão um puto loirinho e com borbulhas na cara grita-lhe em alemão

Cala a boca ó preto
E vai pá tua terra

6 de junho de 2006

Vou à feira


Fica aqui afixada a tabuleta

PRAIA temporariamente NÃO VIGIADA
Contador ausente

Recebi um convite amigo para ir à feira estra tarde











Imagem de
Eduardo Abel Gimenez
roubada aqui




Tenho a possibilidade de comprar uns projectos abaixo dos preços de mercado mas isso é o menos importante O que eu gosto mesmo é de regatear a coisa Fingir-me desinteressado Agarrar aquela disputa feroz entre vendedor e comprador como dois gladiadores No final cumprimenta-se sempre com um sorriso franco. Se houve negócio e foi um bom negócio deve ter dado um grande prazer a ambos Se não chegaram a acordo
Amigos como antes

Nunca entendi muito bem aqueles que não misturam negócio com prazer
Para mim é mais
No ócio e no negócio o prazer é o segredo da alma

3 de junho de 2006

Band(alh)eira portuguesa

Os jacarandás são muita lindos e também cagam os passeios para não falar dos carros estacionados debaixo deles Mas isso só desenvolve a economia porque assim a gente vai mandar lavar o carro e paga dez euros e como ninguém passa factura o iva e o ierrecê ficam nos bolsos do lavador e a desgraçada da economia nem chegou a perceber que foi amplamente desenvolvida por mor da seiva de jacarandá As varandas portuguesas também floriram de bandeiras verdirubro patrioticamente desabrochadas o que em si também é uma verdadeira implementação
A bandeira portuguesa também é uma coisa muita linda Conta a história toda de portugal desde que a afonso henriques nasceu o primeiro dente Ou mesmo antes Se observarmos com atenção até vemos lá um senhor do povo anónimo que se abeirou dum chaparro e este condoído até lhe devolveu um fio de ouro com uma medalha de nossa senhora de fátima também em ouro que ele havia perdido no brasil dois anos antes Logo ali se proclamou o milagre do santo chaparro que ainda por cima cheirava a pitralon
É verdade que há muita gente que não sabe ler a bandeira e isso é grave É grave que se saiba lá fora que a selecção nacional é apoiada por uma maioria de analfabetos em bandeirês que é a lingua que falam as bandeiras Para colmatar essa falha é que há uns senhores que para além da sua nobre e reputada profissão dedicam as horas vagas a ensinar bandeirês ao povo
A nossa bandeira actual não foi fácil de escolher assim democraticamente com o vento e advento da república Ai não foi não Aquilo havia muitas propostas a contar portugal e os portugueses quase todos e cada um queria a sua como é costume até que alguém disse É esta e acabou-se a discussão E toda a gente aplaudiu a seguir e deu vivas a portugal à república e à democracia Havia ali uns anarcas que responderam com manguitos e assobios porque a sua proposta foi rejeitada Mas francamente Uma bandeira toda negra com um das caldas xisel a vermelho não podia ser Era uma proposta restritiva O país não é só as caldas da raínha
Mas pronto
Também quero erguer aqui uma bandeira nacional de apoio à futebulosa selecção com os votos de que tudo corra bem e não volte para casa antes do terceiro jogo Como sou pessoa de amplos consensos e a causa justifica isso escolhi uma bandeira verdadeiramente portuguesa e capaz de unir ricos e pobres cristãos e ateus fascistas e democratas monárquicos e republicanos o clero a nobreza e o povo soldados e marinheiros a pêessepê e a jêeneerre federalistas e independentistas os do contra e os a favor os corruptos os corruptores e ou outros que como são poucos também não interessa muito Dá para todos Como o jogo da bola
Olhem para ela






Aqui é que estão os portugueses todos
Viva portugal total e os portugueses todos




Também acho mal que todos portugueses saibam cantar a menina estás à janela e não saibam a letra do hino nacional
TODO

I
Heróis do mar, nobre Povo, Nação valente, imortal Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória, Ó Pátria, sente-se a voz Dos teus egrégios avós Que há-de guiar-te à vitória! Às armas, às armas! Sobre a terra sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira, À luz viva do teu céu! Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu Beija o solo teu jucundo O Oceano, a rugir d'amor, E o teu braço vencedor Deu mundos novos ao Mundo! Às armas, às armas! Sobre a terra sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta Sobre um ridente porvir; Seja o eco de uma afronta O sinal de ressurgir. Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injúrias da sorte. Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!

Ah Porque é que não pegam nestes putos Dão uma bandeira a cada um e vão para a alemanha na claque da selecçon A ministra da educaçon anda mesmo distraída

31 de maio de 2006

Canto

EPÍGRAFE
De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.


De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.


De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.


Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
- expressão da multidão que está comigo.


José Carlos Ary dos Santos


Hoje acordei a cantar Um canto redondo e sem palavras Apenas um silêncio sábio no compasso da distância onde todas as aproximações são possíveis
O mundo espera E há uma palavra madrugada salvadora atada e cega na garganta

28 de maio de 2006

Pelasta maailma

Na ausência total de qualquer explicação,
somos o testemunho involuntário da encenação de uma
série de crimes
Joaquim Pessoa. Vou-me embora de mim

Bem que eu sonhava em salvar o mundo Este mundo inquinado de gente que já o quis salvar E já só acredito nas minhas utopias tal como outros acreditam em deus E no ginseng E nos bífidos activos E na selecção (ia dizer natural mas já só há fresca e com sabores) nacional Vou continuar a acreditar Sei que não salva o mundo É apenas uma forma de (r)existir com ele

Kaunis on rumaa, sanot ja minua paleltaa vaan en lähde mihinkään
Kun avaat ikkunan ja annat tuulen puhaltaa kadulla ei näy ketään jolle huutaa kiitos
Avaat rintani kuin lyhdyn sytytät sinne kynttilöitä liekki on ihmisen elämän muotoinen
Ja kuu valkea käy yli kattojen valaisten meitä ja kuu valkea käy yli kattojen rohkaisten meitä
Niin, pelasta maailma tee se jo tänään tee jotakin mahdotonta
Kaunis on rumaa, tiedän ja helppo on halpaa vaan en voi uskoa sattumaan vaikka tuuli kääntää lehtiä
Sama tuuli kaikkialla ennenkuin kaikki särkyy tämä hämärä muuttuu muistoksi ennenkuin häviää
"Katso kuinka ankarina pilvet kulkee kasvoillani kuinka voisin ihmeen tuoda
Mahdotonta älä pyydä älä pyydä itsellesi."

CMX Rautakantele

(O belo é feio, dizes e eu sinto o frio mas não parto para lado nenhum
Quando abres a janela e deixas o vento soprar, na rua não há ninguém a quem grites:obrigado
E a lua branca atravessa os telhados e faz-nos implorar
Isso Salva o mundo Fá-lo hoje Faz o impossível
O belo é feio, eu sei é fácil é barato mas já não posso acreditar que é por acaso se o vento virar as folhas
O vento é o mesmo em toda a parte antes que tudo se quebre
Este escuro transforma-se em memória antes de se perder)
Tradução necessariamente manhosa feita em guardanapos (que guardo zelosamente) de papel (manchados de cerveja) por uma amiga filandesa de quem tenho saudades
Onde andas Kikke Heikkinen?