18 de julho de 2006

10 em Bush!


Pela primeira vez concordo com aquele artolas O que ele diz entre duas tostas com manteiga Ou seja Atacando o qu'houver É muito bem dito Por isso merece 10

"A síria devia pressionar o hezbollah para que pare esta merda..."

Se tivesse acrescentado

"Os eu e mais a ue e mais a rússia e mais a china e mais o japão e mais a austrália e mais o brasil e mais o cacete deviam pressionar israel para pararem esta faquingue chite..."

Até poderia ter 20

10 de julho de 2006

Entre parentes


O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

António Gedeão - Máquina do Mundo


Por isso é que o voar é sempre contínuo E atravessa tempos e fronteiras E desafia nuvens
Um dia fui ter lições de aprender e foi assim que fiquei a saber que já sabia Depois vi que afinal devagar era melhor Já só me falta aprender a parar
Por isso iniciei um calmíssimo programa de treinos por aquele rio acima e aquietar-me na sombra dos salgueiros E depois cruzar as planícies e as marismas entre mouros e celtas E entender que encontros e desencontros são apenas descompassos do aqui e do já
Por isso não me surpreende que o céu tenha tirado os véus pelo anoitecer
Vou estender as asas ao luar

22 de junho de 2006

Verão

Pois veremos Vocês sabem lá
Fui apanhado numa onda Uma vaga de palavras vagas na linearidade dos centímetros à volta da cintura E um imposto sobre o perímetro abdominal seria um roubo igual ao do imposto municipal de circulação que para selo só falta o mãos ao ar Fui medir e a cilindrada é tal que já se equivale a imposto de luxo E pensei Tenho que fazer exercício Desporto e assim Só que isso tem muita mãodobra e além do mais cansa Mas tenho que fazer algum exercício
Decidi pois dedicar-me à prática Moderada Do soneto
Não aquele soneto de alta competição capaz de provocar a morte da pessoa amada exactamente entre os dois tercetos Não Nisso ficou célebre aquele petrarca atleta de fundo que assistiu ao enterro de laura entre o soneto duzentos e sessenta e três e o duzentos e sessenta e quatro Eu é mais aquele soneto-joguingue assim de manter o fito da forma e baixar três milímetros ao perímetro abdominal em jejum
Por ora um por semana Deve chegar E começo com uma coisa leve Decassílabos Lá mais para o outono vou ver se já me aquilato a um alexandrino por mês
Aí vai o meu primeiro exercício na onda do cardiofite nesse

Soneto de quem nada tem para contar

Lancei o olhar sobre os horizontes
Tanto quanto me deixou a perícia
Buscando novas, rumor ou notícia
De palavra escrita e outras fontes

Varri megaciclos de frequência
Espremi canais cabos e antenas
Virei loiras e ruivas e morenas
Até ao limite da paciência

Entre a gripe alada e rouco anderrol
De tudo mirei, escutei e li
Vasculhei pedras duras e água mole

Tirando o teimoso nascer e pôr do sol
Que mais acontece agora e aqui?
Futebol futebol e futebol

21 de junho de 2006

Solstício

O solstício é um vício
13:36

19 de junho de 2006

Princípio G-eme

Andei algum tempo indeciso mas os acontecimentos ultimamente noticiados nos breves intervalos mundialenses activaram a minha coragem A gê-eme é uma verdadeira musa inspiradora quando se azambuja em deslocalizações anunciadas Assim vou mandar um esse-eme-esse ao primeiro ministro zé só É o diminutivo de josé sócrates Ele entra-me em casa tantas vezes que eu tomo a liberdade de o tratar assim E o tal esse-eme-esse é apenas isto
Karo xe xocratx 1º minixtro konvidut p almoxar cmg amnha
E só depois é que lhe faço a proposta Mas só depois da segunda garrafa de pêra manca E que é assim
O nosso país tem abundante mãodobra altamente especializada e uma verdadeira apetência pelo sector Como introdução acho que vai muito bem Valoriza os atributos nacionais e cria uma expectativa positiva Aí ele fica interessado e eu disparo Proponho-me criar mil empregos e assim só te ficam a faltar cento e quarenta e nove mil Sinto o interesse e a curiosidade dele a crescer e é a altura de concretizar a coisa
Deixemo-nos de rodeios dás-me os mesmos oitenta milhões de euros que outros deram à gê-eme e eu abro uma fábrica de punhetas de bacalhau virada para o consumo interno e também para a exportação Contratualizamos que eu dou emprego a mil trabalhadores durante doze anos de modo que só vou chatear outro que já não és tu a dizer que mudo a fábrica para a roménia porque lá cada punheta fica mais barata Deixa lá que o outro Talvez o marques men10 há-de concordar em pagar a diferença e a coisa continua É claro que nessa altura os trabalhadores não têm outro remédio senão ajudar à dramatização e fazem uma greve E o primeiro ministro da altura há-me mostrar o seu empenho pessoal fazendo constar que me telefonou pessoalmente e que até me arranjou umas tailandesas para me fazer umas massagens e cortar-me as unhas dos pés porque eu nessa altura já terei alguma dificuldade em me dobrar Bicos de papagaio e pê-dê-i tazaver
Não há como dizer que não
A seguir convido o predisente a bater a primeira pedra e a probabilidade de ser condecorado no próximo dez de junho é altíssima apenas ameaçada pela remota hipótese de portugal ganhar o mundial porque aí tenho à minha frente o scalori e o mandaril os jogadores o cozinheiro o roupeiro o motorista do autocarro o antigo presidente ex jorge sampaio que até comeu um pigue méque com grave risco para o seu colesterol E mais toda a selecção brasileira por ficarem em segundo lugar e falarem português Terei que me conformar mas a fábrica está no papo

13 de junho de 2006

Portugal no coração

Andámos nós a gastar o medos com a gripe das aves e afinal fomos atacados por epidemia de patriotismo paroxístico Ao longo período de incubação do mundial futeboleiro e da selecção da sagres/tmn em que todos os dias havia alguém em pública oração do pode ser qu'a gente consígamos seguiu-se uma crise aguda bastante grave O dez de junho carago Dia de portugal de camões dos emigrantes que andam lá fora a ganhar a vida da selecção claro (nem era preciso dizer) e dos três ramos das forças armadas E também do presidente da ré pública Por acaso até não esteve mal A cor da gravata absolutamente suprapartidária garantiu a distância suficiente daquela manobra intempestiva dum carro de combate E lá estavam eles a marchar contra os canhões de navarone e a pôr crisâmetos na campa dos egrégios avós que deus haja




















Aqui vai um claro e patriótico exemplo do portugal Aquele que povoa os quartos alugados à hora dos nossos corações O portugal que se autoavalia no máximo da escala de mohs quando a única coisa em que acerta é no pau O pau da bandeira parece-me de boa qualidade Firme e hirto que nem um epopeico alexandrino

O nosso indestino
O presidente ex jorge sampaio também quis dar o seu futebólico contributo ao patrioteiro afã nacional e lá foi ele armado de cachecol e um saco de gritos daqueles que nem a mãe do árbitro escapa Só que o regresso à cidadania tem os seus incómodos e nestas alturas é que se vê a falta que fazem uns seguranças e uns batedores para abrir caminho E é assim que o ex jorge pá chega muito cidadão e não menos exausto a um sítio qualquer E nada melhor para um cidadão exausto que uma cocacola e um piguemeque (depois não queres ter colesterol e infartes e essas coisas) num desses retiros de comida saudável amplamente espalhados pelo mundo chamados mequedónaldes Ora bem Está um gaijo dez anos na presidência para vir de lá pior do que entrou Não sei se vale a pena Se isto é assim ainda podemos esperar ver o presidente cavaco actual a sair cidadão triste e deprimido do euro 2016 onde a selecção (do soclari durante um intervalo dos seus delírios místicos de masturbação assistida por nossa senhora da recta de pegões) acaba de perder E o cidadão cavaco-deprimido a confessar aos jornalistas que só recuperou do que se passou nas quatro linhas depois de ter senifado duas

11 de junho de 2006

Fenomenologia seleccional

Já passei por momentos muito difíceis hoje
Ok
A equipa da cerveja sagres ganhou à selecção de angola O golo foi marcado por pauleta Aos quatro minutos de jogo
Mas como é que eu posso dizer isto se me aparece um microfone de estagiário em riste a perguntar-me o que achei do jogo Posso ter ali a minha chance de cinco segundos de fama (que depois serão repetidos de meia em meia hora) em todos os horários nobres e plebeus
Posso perifrasear os factos arredondando o esférico e dizer que portugal barra sagres barra tê-eme-ene entrou com o pé direito pelo pé esquerdo de pauleta quando o ponteiro dos segundos tinha apenas completado a quarta volta ao mostrador O esférico animado pelo impacto da bota nike do jogador açoreano descreveu uma trajectório mais ou menos rectilínea violando assim as redes da baliza confiada ao guarda redes angolano
Isto bem esticadinho dá à vontade os tais cinco segundos e parece-me estar bem ao nível de um comentador desportivo de bigode farfalhudo
Ah Não pode ser assim porque não tem emoção Ora bolas (bolas salvo seja) Não tem emoção uma ova O que é preciso fazer então Tenho que dizer palavrões é Não tem emoção o Há lá emoção maior que estar-me a cagar para isso
Mas eu só queria aparecer na televisão

Confesso Nem sequer vi o jogo Mas vi aqueles que viram o jogo em ecran gigante e municipal


Como se pode observar aconcentração é total Dentro de cada cabeça desenvolvem-se algorítmos que driblam os parâmetros essenciais da lógica cartesiana segundo a qual quem marcar mais golos é que ganha Ou numa versão mais prosaica uma vez enunciada por raul maçaroco Lá dentro é que elas se contam
É claro que umas cervejolas também ajudam à visão de jogo Mas só da sagres Foi quem ajudou a pagar a instalação do ecran gigante e a resolver lá aquela coisa com a sportêvê
Na minha opinião (após uma lenta degustação de um tinto de pias) é que falta sobretudo uma conceptualização mais avançada ultrapassando o paradigma positivista Há que apostar mais nas teorias e meio campo e em modelos teóricos mais pragmáticos conciliando a matriz disciplinar defensiva com as teses evolutivas do construtivismo É o que eu penso Mas não em definitivo Até pode ser que amanhã me autorefute no mais puro sentido popperiano


E não parece que o fenómeno interesse apenas a almas cristãs e outras assim
Tenho impressão que até o presidente O cavaco sim Qual é que havia de ser Se não se esquecer há-de falar disso no seu próximo livro autobiográfico de memórias de tudo o que ainda se lembra
O próprio durão dilemava-se todo na inclinação do seu coração coitado

Reparem até onde já chega a evangelização
Ou deveria dizer
Evangeliza cão

8 de junho de 2006

Tudo bons rapazes

Um skinhead

português tenta discursar numa manifestação nazi na alemanha Apela ao ódio aos imigrantes Exalta a superioridade da raça branca e outras subidas defecações

Na multidão um puto loirinho e com borbulhas na cara grita-lhe em alemão

Cala a boca ó preto
E vai pá tua terra

6 de junho de 2006

Vou à feira


Fica aqui afixada a tabuleta

PRAIA temporariamente NÃO VIGIADA
Contador ausente

Recebi um convite amigo para ir à feira estra tarde











Imagem de
Eduardo Abel Gimenez
roubada aqui




Tenho a possibilidade de comprar uns projectos abaixo dos preços de mercado mas isso é o menos importante O que eu gosto mesmo é de regatear a coisa Fingir-me desinteressado Agarrar aquela disputa feroz entre vendedor e comprador como dois gladiadores No final cumprimenta-se sempre com um sorriso franco. Se houve negócio e foi um bom negócio deve ter dado um grande prazer a ambos Se não chegaram a acordo
Amigos como antes

Nunca entendi muito bem aqueles que não misturam negócio com prazer
Para mim é mais
No ócio e no negócio o prazer é o segredo da alma

3 de junho de 2006

Band(alh)eira portuguesa

Os jacarandás são muita lindos e também cagam os passeios para não falar dos carros estacionados debaixo deles Mas isso só desenvolve a economia porque assim a gente vai mandar lavar o carro e paga dez euros e como ninguém passa factura o iva e o ierrecê ficam nos bolsos do lavador e a desgraçada da economia nem chegou a perceber que foi amplamente desenvolvida por mor da seiva de jacarandá As varandas portuguesas também floriram de bandeiras verdirubro patrioticamente desabrochadas o que em si também é uma verdadeira implementação
A bandeira portuguesa também é uma coisa muita linda Conta a história toda de portugal desde que a afonso henriques nasceu o primeiro dente Ou mesmo antes Se observarmos com atenção até vemos lá um senhor do povo anónimo que se abeirou dum chaparro e este condoído até lhe devolveu um fio de ouro com uma medalha de nossa senhora de fátima também em ouro que ele havia perdido no brasil dois anos antes Logo ali se proclamou o milagre do santo chaparro que ainda por cima cheirava a pitralon
É verdade que há muita gente que não sabe ler a bandeira e isso é grave É grave que se saiba lá fora que a selecção nacional é apoiada por uma maioria de analfabetos em bandeirês que é a lingua que falam as bandeiras Para colmatar essa falha é que há uns senhores que para além da sua nobre e reputada profissão dedicam as horas vagas a ensinar bandeirês ao povo
A nossa bandeira actual não foi fácil de escolher assim democraticamente com o vento e advento da república Ai não foi não Aquilo havia muitas propostas a contar portugal e os portugueses quase todos e cada um queria a sua como é costume até que alguém disse É esta e acabou-se a discussão E toda a gente aplaudiu a seguir e deu vivas a portugal à república e à democracia Havia ali uns anarcas que responderam com manguitos e assobios porque a sua proposta foi rejeitada Mas francamente Uma bandeira toda negra com um das caldas xisel a vermelho não podia ser Era uma proposta restritiva O país não é só as caldas da raínha
Mas pronto
Também quero erguer aqui uma bandeira nacional de apoio à futebulosa selecção com os votos de que tudo corra bem e não volte para casa antes do terceiro jogo Como sou pessoa de amplos consensos e a causa justifica isso escolhi uma bandeira verdadeiramente portuguesa e capaz de unir ricos e pobres cristãos e ateus fascistas e democratas monárquicos e republicanos o clero a nobreza e o povo soldados e marinheiros a pêessepê e a jêeneerre federalistas e independentistas os do contra e os a favor os corruptos os corruptores e ou outros que como são poucos também não interessa muito Dá para todos Como o jogo da bola
Olhem para ela






Aqui é que estão os portugueses todos
Viva portugal total e os portugueses todos




Também acho mal que todos portugueses saibam cantar a menina estás à janela e não saibam a letra do hino nacional
TODO

I
Heróis do mar, nobre Povo, Nação valente, imortal Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal! Entre as brumas da memória, Ó Pátria, sente-se a voz Dos teus egrégios avós Que há-de guiar-te à vitória! Às armas, às armas! Sobre a terra sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira, À luz viva do teu céu! Brade a Europa à terra inteira: Portugal não pereceu Beija o solo teu jucundo O Oceano, a rugir d'amor, E o teu braço vencedor Deu mundos novos ao Mundo! Às armas, às armas! Sobre a terra sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta Sobre um ridente porvir; Seja o eco de uma afronta O sinal de ressurgir. Raios dessa aurora forte São como beijos de mãe, Que nos guardam, nos sustêm, Contra as injúrias da sorte. Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar, Às armas, às armas! Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!

Ah Porque é que não pegam nestes putos Dão uma bandeira a cada um e vão para a alemanha na claque da selecçon A ministra da educaçon anda mesmo distraída

31 de maio de 2006

Canto

EPÍGRAFE
De palavras não sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.


De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.


De palavras não sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.


Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
- expressão da multidão que está comigo.


José Carlos Ary dos Santos


Hoje acordei a cantar Um canto redondo e sem palavras Apenas um silêncio sábio no compasso da distância onde todas as aproximações são possíveis
O mundo espera E há uma palavra madrugada salvadora atada e cega na garganta

28 de maio de 2006

Pelasta maailma

Na ausência total de qualquer explicação,
somos o testemunho involuntário da encenação de uma
série de crimes
Joaquim Pessoa. Vou-me embora de mim

Bem que eu sonhava em salvar o mundo Este mundo inquinado de gente que já o quis salvar E já só acredito nas minhas utopias tal como outros acreditam em deus E no ginseng E nos bífidos activos E na selecção (ia dizer natural mas já só há fresca e com sabores) nacional Vou continuar a acreditar Sei que não salva o mundo É apenas uma forma de (r)existir com ele

Kaunis on rumaa, sanot ja minua paleltaa vaan en lähde mihinkään
Kun avaat ikkunan ja annat tuulen puhaltaa kadulla ei näy ketään jolle huutaa kiitos
Avaat rintani kuin lyhdyn sytytät sinne kynttilöitä liekki on ihmisen elämän muotoinen
Ja kuu valkea käy yli kattojen valaisten meitä ja kuu valkea käy yli kattojen rohkaisten meitä
Niin, pelasta maailma tee se jo tänään tee jotakin mahdotonta
Kaunis on rumaa, tiedän ja helppo on halpaa vaan en voi uskoa sattumaan vaikka tuuli kääntää lehtiä
Sama tuuli kaikkialla ennenkuin kaikki särkyy tämä hämärä muuttuu muistoksi ennenkuin häviää
"Katso kuinka ankarina pilvet kulkee kasvoillani kuinka voisin ihmeen tuoda
Mahdotonta älä pyydä älä pyydä itsellesi."

CMX Rautakantele

(O belo é feio, dizes e eu sinto o frio mas não parto para lado nenhum
Quando abres a janela e deixas o vento soprar, na rua não há ninguém a quem grites:obrigado
E a lua branca atravessa os telhados e faz-nos implorar
Isso Salva o mundo Fá-lo hoje Faz o impossível
O belo é feio, eu sei é fácil é barato mas já não posso acreditar que é por acaso se o vento virar as folhas
O vento é o mesmo em toda a parte antes que tudo se quebre
Este escuro transforma-se em memória antes de se perder)
Tradução necessariamente manhosa feita em guardanapos (que guardo zelosamente) de papel (manchados de cerveja) por uma amiga filandesa de quem tenho saudades
Onde andas Kikke Heikkinen?

27 de maio de 2006

E se de repente alguém percebesse…

que o país e a europa e as américas e quase todo o mundo estão na realidade dominados por extraterrestres que se divertem a entreter-nos com jogos florais para todos os gostos o que ainda fica um pouco dispendioso mas tem que ser até ao dia em que todos gostem só duma coisa
os etês que nos governam andam aí disfarçados
metem-se nas latas de refrigerantes e nas garrafas de cerveja e nos telemóveis e nos carros e nos bancos e depois sentam-nos a ver televisão para que nos levantemos a seguir para ir onde nos querem
não há como escapar
a biblioteca municipal raul brandão tem muito mais sócios que o vitória de guimarães mas foram estes que quase arrasaram a cidade aqui há tempos
portanto
aqui há gato
uma moça que nunca ninguém ouviu falar ganha uma medalha de ouro no salto em comprimento e o que mais se ouviu foi que um jovem acelera ficou em honradíssimo décimo sexto lugar que por acaso era penúltimo
uma desconhecida telma torna-se campeã europeia de judo e poucos saberão o seu apelido contrastando com os vales e santos e quaresmas e moutinhos e lourenços e meireles da equipa da sagres/tmn
ninguém percebe não faz mal e ponham isto na conta de mais uma paranóia minha e já agora acrescentem uma nota em pé de página a dizer que os paranóicos também podem ser perseguidos
agora tenho que ir
mas com um dilema terrível
não sei se vou a o festival da sagres se da superboque
já sei
vou é comer uns caracóis e bebo do que houver

17 de maio de 2006

Menina do mar



Esta menina do mar e de amar faz hoje oito anos
Esta menina do mar é uma prenda

Parabéns
E não te atrapalhes muito no crescer

16 de maio de 2006

És minha

(...)
Vem, serenidade,
e faz que não fiquemos doentes, só de ver
que a beleza não nasce dia a dia na terra.

E reúne os pedaços dos espelhos partidos,
e não cedas demais ao vislumbre de vermos
a nossa idade exacta
outra vez paralela ao percurso dos pássaros.

E dá asas ao peso
da melancolia,
e põe ordem no caos e carne nos espectros,
e ensina aos suicidas a volúpia do baile,
e enfeitiça os dois corpos quando eles se apertarem,
e não apagues nunca o fogo que os consome,
o impulso que os coloca, nus e iluminados,
no topo das montanhas, no extremo dos mastros,
na chaminé do sangue.
(...)
Serenidade és minha. Raul de Carvalho

Às vezes é preciso juntar alguns dias mais mansos para fazer uma verdadeira praia Mesmo sem outro mar que não o da tranquilidade do luar maior Sem outra areia que não aquela que enche as camionetas da memória
E somos riso e faca Veludo e aço Ácido mel Feira e remanso
E o tempo é marcado pelos ponteiros das conversas Pela batimetria dos silêncios
Pelas cores herdadas da Maria Helena Pela carta de Sena e pelo mundo que só é nosso apenas pela obrigação de o salvarmos

Afinal é possível passar ao lado da meta-maternidade da selecção nacional

12 de maio de 2006

Completamente nu no mel

Ou numa banheira de espuma Tanto faz
Olimpicamente há quem nasça já deputante gatinhando sempre em direcção à meca para lamentar Os primeiros grunhidos melismáticos parodiavam já uma célebre marcha estadonovense
. Olivença é nossa
. Olivença é nossa

Outros há que aprenderam de leite a ciência do bisgo e da espera das aves canoras Talvez entoassem aquele refrão que dizia
. Nem mais um soldado prás colónias

Moce Confesso
También xou un iberista dum cabrão Carago

10 de maio de 2006

Só se for café...

Sempre ouvi café é que nos salva e acredito piamente (ou piadamente como se diz na piação das gaivotas).

Bento XVI e Durão Barroso debatem futuro europeu
Durante a audiência, Durão Barroso ofereceu ao Sumo Pontífice uma estátua da Virgem de Fátima em porcelana.

Com tanta loiça que há nas caldas...
Poderia ter oferecido um serviço de café.

9 de maio de 2006

No bico duma gaivota

Por detrás do baile do fato de treino dança uma outra realidade. O cabo de mar deu ordem para limpar todos os ninhos das praias pequenas. Ovos (ouviram?) só nas enseadas vigiadas por banheiros certificados de acordo com a postura do direito marítimo.

O cavalheiro foi cronificado logo após a confissão. Iberista confuso é pecado patrioteiro.
Iberista. O outro é economista e ninguém reclama.

Hoje há chocos com tinta. Tecnológicos só para a semana.
Manuscrítica críptica à sobremesa.
É o regime da dieta ética de patriotismos batidos em castelo.

3 de maio de 2006

O triunfo dos porcos












A Ribeira dos Milagres é a grande metáfora de Portugal
(«este país» como é conhecido cá dentro).
O império da merda governado por suínos que mal se sustêm nas patas traseiras.
Tribunais que brincam à justiça e põem dois murcões a pagar a mesma indeminização um ao outro.
No dia em que se dá mais um golpe na segurança social e se faz mais um assalto aos bolsos dos auto... martirizados abrem telejornais com o scolari.

Uma gaivota voava...

11 de abril de 2006

No mais musa, no mais...

Já carrego nervos a mais para a minha carroceria.
O Estado permite e ordena que me cobrem mais de cinco euros de taxa mensal de rádio e televisão quando eu para além de pagar tv por cabo e não ouvir a RDP porque a probabilidade de estar a transmitir um relato de futebol ou conversa sobre o dito deve rondar os oitenta por cento e o mesmo se passar com a televisão pública que para além disso ainda me dá missas e procissões. Mas noutros canais a coisa não melhora muito. Há dias este labrego da foto
e de seu nome muito artístico rui bandeira cantava a plenos pulmões num tó que xou:
ESTÃO A CHOVER ESTRELAS
ESTÃO A CHOVER ESTRELAS
ESTÃO A CHOVER ESTRELAS
assim mesmo e muito repetido não vá dar-se o caso de alguém não reparar. Impressionante. Isto foi gravado num estúdio e ouvido por muita gente aintes de sair. Possivelmente não estaria lá a senhora da limpeza. Daquelas mulheres que vieram da província apenas com a quarta classe das antigas mas que fazem melhor uso da língua que muitos licenciados em comunicação social. Alguém que reivindicasse assim: ó pá se as estrelas chovem eu também quero chover. porque é que eu não chovo pá?

Há uma semana atrás um sondagem revelava que mais de cinquenta por cento dos portugueses ainda não tinha qualquer opinião sobre o desempenho de cavaco como presidente da república. Não demorou muito para que o próprio viesse confirmar que cem por cento de cavaco não tem opinião sobre coisa nenhuma. Foi na visita ao hospital da estefânia no dia da saúde.
Perguntado sobre o que achava sobre o polémico encerramento de algumas maternidades o senhor professor presidente faz uma introdução em que explica que os cuidados de saúde têm vindo a melhorar ao longo dos tempos e quando se espera que diga realmente o que pensa (e as possibilidades politicamente correctas são imensas) remata sabiamente com a importância da educação para a saúde das nossas crianças. Pois.
Se bush serve para os americanos porque é que cavaco não haveria de servir para os portugueses.
Digna de estudo neurolinguístico é a expressão facial do ministro da saúde ali mesmo ao seu lado esquerdo e ligeiramente atrás. Esse sabe-a toda!
Parece que os técnicos de saúde autorizados a falar à comunicação social foram escolhidos a dedo. E mal. O director do hospital teve que mandar calar uma médica que já se estava a estender muito.

(A quem achar que fica mal não pôr vírgulas direi que estou a poupar A seguir vão os pontos Já não posso cortar em mais nada)